domingo, 11 de novembro de 2007

O elástico. E a socialdemocracia de alma branca (11/11)

Uma doença conhecida ataca sistematicamente certa socialdemocracia. No poder, tende a abandonar as críticas que fazia ao statu quo e adapta-se facilmente ao papel de cão de guarda do capitalismo, mesmo do pior tipo de capitalismo, o mais atrasado. Cuida apenas de temperá-lo (o capitalismo) com pitadas de um "social" que será útil a ela, socialdemocracia, quando precisar reproduzir seu poder nas subseqüentes jornadas eleitorais contra a direita. Sei, leitor, que o trecho acima poderá soar como um amontoado de chavões. Mas o fato de algo ser (ou parecer) chavão nada significa, por si. É preciso saber se o suposto chavão ajuda ou não a explicar a realidade. E essa descrição do comportamento de socialdemocratas no poder (ou mesmo perto dele) é impressionantemente fiel, pelo menos desde que a socialdemocracia alemã aceitou apoiar a entrada de seu país num conflito essencialmente interimperialista, a Primeira Guerra Mundial. Mas por que estou a divagar sobre a socialdemocracia? Ora, a América do Sul é hoje governada majoritariamente por governos socialdemocratas. Tais governos são produto de lutas seculares dos povos sul-americanos por igualdade social e política, e pela soberania nacional. São também resultado de outra modalidade de luta cruenta (ainda quando silenciosa e passiva): de um lado, o colonizador branco europeu e seus descendentes locais; de outro, os índios e, secundariamente, os descendentes de escravos africanos. Um dos méritos de Ernesto "Che" Guevara, como analista político, foi ter percebido que em certos pontos da América Espanhola essa última polarização subordina o conflito essencial entre o capital e o trabalho. E subordina até mesmo o conflito entre o imperialismo e a nação. Ou talvez seja melhor afirmar que a questão nacional em algumas regiões da América espanhola está vertebrada pela questão indígena. Quem apenas assistiu a Diários de Motocicleta já sabe do que estou falando. Dois exemplos atuais são a Venezuela e a Bolívia. Mas não são os únicos. A emergência de um arco indígena é a marca principal do processo político na geografia da América do Sul. Por razões óbvias, esse arco exibe situações em que o novo poder político coloca em xeque a concentração da propriedade da terra e a propriedade privada dos recursos estratégicos nacionais. Por que eu digo "razões óbvias"? Porque a democratização da terra e as nacionalizações são a maneira de grupos outrora dominados expressarem o seu protagonismo, para transformá-lo em resultados materiais. É a força política a serviço da redistribuição forçada da propriedade e da renda. Vejam que não se trata de juízo de valor. Trata-se de uma constatação. Goste-se ou não, é o que acontece. Aliás, é o que se passa em nossa América há muito tempo. Pois vejamos. O roubo de terras indígenas e, depois, de terras públicas está na base do moderno e respeitável agronegócio -especialmente do brasileiro. Nem por isso o agronegócio torna-se menos respeitável ou moderno. A doação da Vale do Rio Doce ao sistema financeiro privado foi exatamente isso: uma doação. Mas seus idealizadores e executores não estão na cadeia. Essa é a regra em nossa América: quem pode mais, chora menos. Quem não tiver estômago para o jogo, que se mude para terras mais tranqüilas. Talvez para a Suíca. Mas eu falava da domesticação clássica da socialdemocracia. É como um elástico, quando se rompe por estar submetido a tensão excessiva. Por um critério linear, a socialdemocracia está bem perto da esquerda anticapitalista. Mas quando o processo político é de ruptura, ainda que pacífica, pontos que eram vizinhos no elástico em repouso separam-se com velocidade espantosa no elástico rompido pela tensão. Vejam o caso do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Um partido que fosse mesmo socialista e operário não se prestaria ao serviço de dar proteção e guarida aos movimentos golpistas da direita espanhola na América do Sul. A pretexto de ajudar a salvar o continente do "populismo", a direita espanhola está metida até a raiz dos cabelos nas tentativas de desestabilizar os governos da Venezuela e da Bolívia. Aí o premiê espanhol vai até Santiago para participar de uma cúpula ibero-americana. Cúpula, aliás, que nada mais é do que uma pantomima. Uma suposta confraternização entre colonizadores e colonizados -estes aparentemente sequiosos por miçangas. Não que a Espanha seja hoje uma potência. As transnacionais espanholas não passam de barrigas de aluguel para que recursos provenientes dos fundos de pensão americanos abocanhem ativos e riquezas na América do Sul, (entre outros destinos) em condições vantajosas. Enquanto isso, na mesma cúpula, o rei espanhol posa de bonzinho e se faz de importante, ele que foi recolocado no trono pelo franquismo moribundo apenas para evitar que a jovem democracia espanhola extrapolasse determinados limites. E, por falar em rei, é sintomático que a maior revista brasileira homenageie Dom Pedro II justamente no aniversário da República. A monarquia brasileira impediu que o nosso século 19 fosse algo além de uma pasmaceira, enquanto a América do Norte se transformava em potência industrial global. É verdade que a monarquia brasileira foi responsável pela manutenção da nossa integridade territorial. Mas, também e principalmente, arrastou-nos por um século na companhia da escravidão e do latifúndio. Essa é a herança da monarquia brasileira. Aí cabe uma pergunta. É de espantar que liberais brasileiros recorram ao elogio da monarquia? Não. Como se sabe, o liberalismo encontra o seu limite quando é colocado diante da emergência de uma maioria não liberal. A partir daí, na companhia de certa socialdemocracia, os liberais passam ao ataque contra a democracia. Para os liberais, democracia com protagonismo pobre, índio ou preto não é democracia, é populismo. A não ser, naturalmente, que sejam pretos, índios e pobres -como se diz mesmo?- de alma branca. Ou é isso ou eles correm e chamam o rei.

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24 Comentários:

Blogger Fernando L Lara disse...

Alon,

nas entrelinhas do seu post de hoje existe um forte elogio aos arroubos de Hugo Chavez como o de ontem na cupula ibero-americana. O que a Venezuela ganha com isso? Qualidade de vida? Melhor distribuicao dos recursos do petroleo? Acesso a educacao e saude?
É triste perceber que voce sistematicamente se esquece dos ataques de Chavez as instituicoes Venezuelanas, como se autoritarismo de esquerda fosse melhor que democracia de direita. O argumento é idêntico ao de Bush apoiando Musharaf ou qualquer outro ditador que jogue no time ideológico dele.

domingo, 11 de novembro de 2007 21:38:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Só uma observação: os EUA tiveram tanta escravidão e tanto latifúndio quanto o Brasil. Tiveram uma guerra sangrenta, ocupação e humilhação dos derrotados, Ku Klux Klan. Uma guerra que dura até hoje.

domingo, 11 de novembro de 2007 22:54:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

Já leste esta série de artigos sobre a revolução Russa no Le Monde?
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2007/11/07/ult580u2752.jhtm
(só para assinantes)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 03:23:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Comentário para o post que, entre todos, foi o que mais suscitou perguntas. Como já lhe disse antes, divido a responsabilidade do que comento com o que você provoca. Como desde sempre, aceito perfeitamente que aqui você é soberano para publicar ou não.

"(a social democracia) Uma vez no poder, tende a abandonar as críticas que fazia ao statu quo e adapta-se facilmente ao papel de cão de guarda do capitalismo".

O PT incluído? Se não está, em qual categoria política está colocado o PT? Podemos situá-lo no campo da esquerda anticapitalista? E o PPS? E o PC do B? E o PSB? E o PDT?

"É a força política a serviço da redistribuição forçada da propriedade e da renda."

Certo. Goste-se ou não. Mas, considerando que o desenvolvimento das forças produtivas nessas sociedades é baixo e que propriedade e renda não são entes metafísicos e, portanto, são finitos, eu pergunto: em quais bases seriam organizados os novos Estado e Governo de modo que a emergente "força política" pudesse impedir, na etapa superior e seguinte à redistribuição forçada, um novo ciclo de reprodução da concentração da propriedade e da renda e, ao mesmo tempo, induzir o desenvolvimento das forças produtivas para uma etapa histórica superior àquela anterior ao do seu protagonismo como nova força política dirigente?

"A doação da Vale do Rio Doce ao sistema financeiro privado foi exatamente uma doação. Nem por isso seus idealizadores e executores estão na cadeia."

Devo entender que "doação" é um termo polido ou irônico para roubo? Se assim for, como tipificar o crime? Em qual(s) artigo(s) do código penal brasileiro podemos enquadrar a falcatrua? Se foi roubo, por que o Judiciário não foi acionado? Ninguém na época questionou na justiça o crime lesa-pátria? Teriam sido os nossos juízes subornados?

"a direita espanhola está metida até a raiz dos cabelos nas tentativas de desestabilizar os governos da Venezuela e da Bolívia."

Quais fatos fundamentam essa grave denuncia?

"Cúpula, aliás, que nada mais é do que uma pantomima. Uma suposta confraternização entre colonizadores e colonizados"

E o que foram então fazer lá Chávez, Evo e Ortega naquele circo? Foram lá só para desmascarar a pantomima?

"A não ser, naturalmente, que sejam pretos, índios e pobres -como se diz mesmo?- de alma branca."

Como assim? Isso quer dizer que pretos, índios e pobres que abraçarem os valores do liberalismo apenas estão revelando a sua inconsciência ou negação do que eles realmente deveriam ser? E ser para quem? Ser para eles? Ser o que deveriam ser para, por exemplo, você e os que pensam como você?

Podemos, então, auferir a cor branca valorativa à alma do ministro Joaquim Barbosa?

Abs.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 03:25:00 BRST  
Anonymous trovinho disse...

Acho que um chefe de estado sem voto mandar outro, porém eleito, calar-se e ainda mais com o passivo moral que o império espanhol tem , deveria ser bastante constrangedor para o auto-intitulado civilizador. O rei deveria entender que a democracia que ele defendeu no estrebucho franquista, também foi defendida pelo Chávez, contra seu súdito Aznar.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 04:38:00 BRST  
Anonymous pauo araújo disse...

Alon

Bolivar, el pequeño, saiu-se com essa:

“El Rey tuvo suerte”, porque “lo hubiera mandado a lavarse ese paltó”

Noticias24.- El Presidente Chávez apenas ha tocado tierra en Venezuela y desde la Rampa 4 del aeropuerto de Maiquetía ya está dando declaraciones escandalosas que darán mayor trascendencia al incidente que tuvo en Santiago de Chile, tras interrumpir el turno de palabra del presidente español José Luis Rodríguez Zapatero.

El Presidente ha referido que no vió ni escuchó al Rey de España cuando éste le mandó a callar, y que quien le contó lo sucedido fue la esposa del presidente de Nicaragua, Daniel Ortega. Según la versión presidencial, el Rey habría dicho: “¿Por qué no te callas, golpista?”.

“Cuando explota Juan Carlos de Borbón ante las expresiones de un indio, están explotando 500 años de prepotencia imperial. 500 años de realismo, de atropellos”, declaró.

“Tuvo suerte el señor Juan Carlos”, dijo el Presidente en tono amenazador, “de que yo no lo haya oído”.

“A lo mejor le hubiera dicho, Señor Juan Carlos, si yo me callara gritarían las piedras de los pueblos de América”, aseguró. “Señor, no me voy a callar ni callaré porque por mi boca hablan millones, y esos millones somos los hijos de Bolívar, de Guaicaipuro, de Manuela, de José Leonardo Chirinos, todos esos que los españoles aquí degollaron“.

O a lo mejor, dijo el Presidente, le hubiera espetado al Rey: “Señor, vaya a lavarse ese paltó”.

http://www.noticias24.com/actualidad/?p=9680

Assim como Napoleão le Petit vstia-se com as roupas de Napoleão o Grande, Chávez não exita em vestir a farda de Bolivar.

Eu temo que a pantomima transforme-se em tragédia.

A leitura do 18 Brumário é obrigatória para entender de verdade o que vai na Venezuela

No 18 Brumário Marx deixa um prudente aviso sobre o perigo dos simulacros para a democracia. E o aviso pode ser traduzido na rude exressão do capitão Nascimento:

“Eu já avisei que vai dar merda isso!”

abs.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 05:20:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Você não compreende a tal socialdemocracia defendendo o capitalismo? E numa lenta e gradual revolução socialista isso não faz parte? Tupi iria para as mãos do mercado como uma baía de petróleo. Bastou se verificar que era um oceano, o Estado possessivo entrou em ação. Logo chegará um ponto em que o Estado dirá: "Meu, meu, meu. Tudo meu..."

"Para os liberais, democracia com protagonismo pobre, índio ou preto não é democracia, é populismo."

Permita-me acrescentar "... pobre, índio ou preto SEM EDUCAÇÃO não é democracia..."

O tempo presente só permite ver "bolsas esmolas". No futuro poderemos saber se houve populismo ou democracia. O caso brasileiro não é muito animador.

E num "juizo final" nem poderão reclamar: "Deus, por que tanta miséria?". A resposta: "E as reservas de petróleo, diamantes, ouro,..."

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 06:49:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Alon,

A legitimidade do monarca espanhol advem do sistema que este país pretende para si mesmo. Ainda que pretenda passar a idéia de que Juan Carlos seria uma espécie de continuador de Franco nada poderá desmentir o reconhecimento por todos os espanhóis da atuação do Rei quando se deu o golpe de estado em 1981 e este foi o principal garante da democracia. A ironia do destino foi que Franco estava certo ao considerar que só um Rei poderia garantir uma transição pacífica sem retornar ao pesadelo duma guerra civil ou os solavancos que aconteceram noutros países, como por exemplo seu vizinho Portugal.

Desde 1975 que a Espanha é um país democrático e houve mais que tempo para uma eventual mudança de regime, se o espanhóis querem ter como chefe de estado um monarca nada poderá desmerecer a pessoa que ocupa esse cargo.

Hoje, 2ª feira, Chavez continua fazendo comentários e lança a suspeita de que o Rei Juan Carlos terá tido participação no golpe de estado para derruba-lo. Acusação um tanto caricata não fosse ele ter tentado um golpe de estado em 1993 e ter recentemente feito ameaças aos opositores de Morales na Bolívia.

Quanto ao fato das empresas espanholas terem aproveitado o investimento de fundos americanos para expandir suas atividades, só demonstra que este país soube aproveitar as circusntâncias e desenvolver-se.

O fato da Espanha ter já ultrapassado o Brasil no ranking do PIB, tendo muito menos população e recursos naturais já diz tudo.

Respeitosamente,

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 08:40:00 BRST  
Anonymous JV disse...

Afinal, o que quer Alon?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 09:47:00 BRST  
Blogger Rodrigo disse...

Bom, se o Alon apóia ou não o Chaves eu não sei, mas que o fenômeno descrito por ele é verdadeiro, lá isso é. É só as coisas sairem um pouco do script "liberal" que os dito cujos já querem mandar a democracia pro espaço.

PS. O "liberal" está entre aspas porque é meio estranho liberais que defendem golpes de estado em governos democraticamente eleitos, defendem guerras, são contra as leis trabalhistas, a discriminalização do aborto e das drogas...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 09:59:00 BRST  
Blogger Kleyn disse...

Discordo que a Vale foi doada. Foi vendida em leilão por quem pagou mais o que valia à época. E já investiu R$150 bilhões que o país não teria. Além do mais, o maior acionista ainda é o governo. E as reservas do solo ainda são do País. Fosse ainda estatal imagina apinhada de sindicalistas como estaria hoje. Mas faltou comentar a frase da semana, já que falou do Rei Espanhol: "Por que no se calla?"

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 14:28:00 BRST  
Anonymous Sérvulo disse...

"Não me calo pois já se foi o tempo em que um rei de Espanha tinha o poder de fazer calar um líder político na América."

Tha bom assim, Kleyn.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 14:37:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
aconselho a leitura de livros sobre os antecedentes da Guerra Civil Espanhola antes de repetir mantras do agitprop comunista sobre a espanha. Por exemplo: Franco não gostava dos Bourbons, mas acabou aceitando Juan Carlos cujo papel na redemocratização espanhola é inegável. Indico o site www.historia-es.com como aperitivo.
Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 15:22:00 BRST  
Blogger Cristiano disse...

Achei brilhante a última frase. Alon, tem blogueiro da Veja criticando a retirada dos 41 blocos do leilão. Como pode? Se vc estivesse prestes a vender teu sítio e descobrisse diamantes no subsolo, manteria a venda sem revisão alguma de preços ou condições?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 15:53:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, me permita te provocar. Desde 5ª feira os blogs estão debruçados sobre o debate se existe ou não existe o "tupizão" mas você nada postou a respeito. Este assunto é mais importante do que saber se vai o Flamento ou o Cruzeiro para a Libertadores de 2008. Será que sua omissão é devido a um sentimento de frustração de um comunista convicto pelo fato do brasileiro estar com um gosto na boca de que sua "renda per capita" deu um "pulinho"? Como falei, é brincadeira mas sua opinião é importante para nós.

Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 16:12:00 BRST  
Anonymous Artur Araujo disse...

Alon, este post é uma pérola (para usar um chavão). Mira no visível - o Borbonito em dia de Cara al Sol - e acerta no mais visível, a elasticidade de certas correntes políticas.
Parabéns.
Quanto ao comentarista que sugere estudo de antecedentes espanhóis, está nas bancas o livro de Beevor, sobre a guerra civil, que dá bem as tintas de Franco e dos realistas, Borbóns e requetés inclusos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007 10:29:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Artur,
esse é um livro com capa predominantemente vermelha, ainda em inglês, escrito por um jornalista do NY Times? Vi um com essas características na livraria e fui procurar uma versão em português, sem sucesso. Qual a sua avaliação sobre a obra? Gosto do tema, já li alguma coisa a respeito, mas queria saber se a abertura dos arquivos de Moscou trouxe novas luzes. Há um livro clássico de um historiador inglês, mas como foi escrito na década de 1960 traz pouco sobre o fim do franquismo.
Em tempo: o site que recomendei é até meio puxado para a esquerda e, mesmo assim, deixa claras as diferenças entre Juan Carlos e Franco. Houve até um manifesto do rei exilado contra a ditadura franquista que enfureceu Franco, depois convencido a aceitar o rei de volta (mas só voltou a reinar depois da morte do ditador).
Além disso: o Alon cometeu uma injustiça com o D.Pedro II ao comparar o Brasil com os EUA. Comparado à América Espanhola o Brasil até que não se saiu tão mal na época. Manteve o território íntegro (até o ampliou, com o Acre), por exemplo.
Sds.,
de Marcelo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007 15:52:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Artur,
fiz confusão no psot anterior: o livro de capa vermelha é o do Preston (edição de 2007) e ele não é jornalista do NYtimes, é historiador. Tem outro livro do Payne (2004) sobre o papel da URSS no conflito.
Sds.,
de Marcelo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007 16:24:00 BRST  
Anonymous Artur Araujo disse...

Marcelo, o livro de Antony Beevor já tem tradução em português - 'A Batalha pela Espanha', da Record - e é uma reedição, pelo próprio autor, do publicado originalmente em 1982. Ele vale-se, agora, de muito material soviético, antes não acessível.
Recomendo-o, ainda que fortemente anti-comunista (rs). Boa documentação, bons mapas, muitas referências cruzadas.
Acho-o, porém, bem primário e maniqueísta na análise política, particularmente no que tange às polêmicas do PCE com o POUM e os anarquistas e é frágil na análise das políticas do centro republicano liberal.

abs,

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 13:18:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Artur,
obrigado pela dica. O livro do Preston me pareceu interessante, mas tive de interromper a análise pq. minha mulher quis ir embora da livraria (só estava lá por uma hora...).
A Guerra Civil Espanhola é um tema interessante. Mas eu pensei que depois de tantos anos já seria possível encontrar textos menos engajados para a esquerda ou para a direita. Vou encarar um deles até o fim do ano.
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 16:20:00 BRST  
Anonymous Kitagawa disse...

"A legitimidade do monarca espanhol advem do sistema que este país pretende para si mesmo"

A legitimidade do também Chavez advem do sistema que a Venezuela pretende para si mesmo. Pergunte para eles. A democracia de Chavez é cheia de vícios? A nossa também. Afinal, aqui, se vc tem dinheiro pode eleger um monte de deputados que trabalharão para que vc ganhe mais dinheiro.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 19:05:00 BRST  
Anonymous Artur Araujo disse...

Marcelo, não conheço nem livro "não-engajado" sobre as diferenças entre Marius e Sila, quanto mais sobre fatos "recentes - como diriam os chineses...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 21:06:00 BRST  
Anonymous Cfe disse...

Caro Kitagawa,

Referi o papel da figura do rei em Espanha, mas não o fiz em comparação a Chavez. Acho que nem seria próprio estabelecer um paralelo entre os dois chefes de estado, já que tão diferentes são seus percursos.

Contestei foi a idéia de que a legitimidade dum monarca seria inferior a de um presidente.

Cordialmente,

quinta-feira, 15 de novembro de 2007 17:05:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo Araújo,

Para você:

Bolivia: "La oposición es financiada desde el exterior"
Por: Agencia Púlsar
Fecha de publicación: 16/11/07

El ministro de Gobierno Juan Ramón Quintana aseguró que el Partido Popular del ex presidente español José María Aznar, está financiando a organizaciones políticas y sociales de la oposición. También ratificó las acusaciones contra Estados Unidos.

Quintana dijo que el Partido Popular de España "está financiando" a la oposición en las regiones donde se asienta la base más poderosa de los sectores que se resisten a los cambios que impulsa el Gobierno.
"Eso ya está claro y lo vamos a denunciar con cifras”, afirmó el funcionario. Y agregó que en los próximos días el Gobierno denunciará lo que definió como “un complot internacional”.

Asimismo, el ministro aseguró que el Gobierno boliviano tiene pruebas de que la agencia de ayuda internacional de Estados Unidos (Usaid) está financiando a grupos opositores de derecha.

Quintana adelantó que por tal motivo, la agencia será expulsada del país.

Y añadió que hay medios masivos de difusión que también "están sostenidos por un financiamiento informal" venido desde Estados Unidos.(PULSAR)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 19:01:00 BRST  

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