quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Just maybe (28//11)

Muito boa a nota de Thomas Traumann hoje, em O filtro (ótima sinopse das principais notícias do dia), sobre o leilão de ontem de blocos de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo:

Petroeike

O bilionário Eike Batista não lê as seções de economia dos jornais. Se lê, esquece. Se lê e não esquece, não dá a menor importância. Caso contrário, ele teria cancelado a sua participação no leilão de blocos de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP), levado pelo tom de indignação das recentes reportagens sobre a ameaça de mudança de regras no setor, favorecimentos à Petrobras e outras coisas horríveis de que só o governo do Brasil é capaz. Eike, ao contrário, decidiu colocar U$1,567 bilhão na mesa e levar (junto com parceiros) 28 blocos para futura exploração de gás. De uma vez só, colocou mais dinheiro que as companhias estrangeiras juntas já investiram no Brasil nesses leilões. A Vale do Rio Doce, estreante na área de energia, ganhou nove blocos. Mais interessada no megacampo de Tupi– que pode aumentar em 50% as reservas brasileiras de petróleo – a Petrobras teve uma participação tímida, relata a CNN. Em entrevista a O Globo, Eike afirmou que a retirada dos blocos de Tupi “foi feita de maneira correta e não prejudicou o leilão”. Como Eike tem um histórico de ganhos financeiros superior aos dos jornalistas, talvez – just maybe – ele tenha razão.

Realmente, está ficando chata essa coisa de os leitores comprarem peixe podre embrulhado no papel de jornal da "segurança jurídica", da "garantia de contratos" etc. Escrevi em Uma proposta para a Vale, em agosto, que

"Segurança jurídica" é um conceito que os empresários gostam de ver saindo do teclado de seus escribas, mas que deixam de lado na primeira ameaça a suas empresas.

Está valendo.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

"Segurança jurídica", a propósito, é um conceito muito sério na área - justamente - jurídica, e tem valor inestimável na vida civil. Mas é o que impede, por exemplo, que as ações trabalhista sejam consideradas imprescritíveis, justamente porque o empresário 9que não pagou o que devia ao trabalhador que contratou) não pode ficar o resto da vida sob ameaça de uma reclamação trabalhista.
Prescrição é a segurança jurídica que se obtém mediante corte de direitos, mesmo que esses tenham caráter alimentar, como é o caso das verbas trabalhistas.

Ignotus.

PS. A propósito, um nobre russo expropriado pela RevRus foi super decente ao declarar que não quer de volta sua propriedade, pois depois de 90 anos não é legítimo contestar a expropriação. Por outro lado, se eu fosse da classe dos nobres russsos eu matava esse cara pra ver se cala a boca de uma vez por todas.
PS2. Eike vai abrir o capital. Devo comprar ações da mineradora dele?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 14:24:00 BRST  
Anonymous isnougud disse...

Confirmado: Eike Batista, é bem melhor do que a Luma de Oliveira.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 16:31:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
houvesse segurança jurídica e o sr. Baptista não arremataria tantos lotes, pois teria de disputá-los com as majors mundiais que simplesmente pouco se interessaram pelo leilão. Ah, e o valor arrecadado seria muito maior.
SDs.,
de Marcelo.
E quero ver quantos lotes o sr. Baptista conseguirá explorar de fato, no período de concessão.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 17:19:00 BRST  
Blogger Luiz disse...

Recomendo a leitura da entrevista do Eike no Jornal O Globo de 30/11.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007 08:34:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home