sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O "general inverno" estava de férias entre 1914 e 1918? (05/10)

Segue o debate sobre os livros de História adotados pelo Ministério da Educação. O objeto principal da polêmica é o juízo que os textos fazem a respeito do socialismo. Gostaria de ter escrito este comentário antes, mas razões profissionais impediram. Vamos lá. Críticos do socialismo gostariam que os livros de História descrevessem o século 20 como uma grande batalha entre "os totalitarismos" e "a liberdade". Segundo tal linha, a luta entre esses opostos teve seu desfecho com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Há, porém, um problema nessa abordagem historiográfica: ela não explica completamente o mais importante acontecimento do século 20, a Segunda Guerra Mundial. As coisas não se encaixam. É como nas demonstrações matemáticas que acabam em frustração e erro. Tudo parece certo, mas o resultado dá errado. Querem um exemplo? Respondam, por favor: do ângulo da luta da "liberdade" contra os "totalitarismos", qual era o papel de cada lado na guerra de 1939-1945? Alguns talvez possam achar que "a liberdade" estava com a Alemanha nazista e seus aliados. Aliás, o nome oficial do Eixo Berlim-Roma-Tóquio era Pacto Anti-Comintern. Um pacto contra a Internacional Comunista. Foi firmado pela Alemanha com o Japão em 1936. A Itália aderiu no ano seguinte. A União Soviética era mesmo o alvo principal, o inimigo maior da Alemanha e dos amigos desta. O Pacto Anti-Comintern caducou quando a Alemanha assinou, em 1939, o acordo de não-agressão com a União Soviética, o Ribbentrop-Molotov. Renasceu depois, quando Adolf Hitler rompeu o acertado com Josef Stalin e invadiu a União Soviética em junho de 1941, na Operação Barbarossa. O baile diplomático na passagem dos anos 1930 para a década seguinte foi de fato complexo. Que o diga o Acordo Naval Anglo-Germânico. Mas essa interpretação, de que a "liberdade" entre 1939 e 1945 identificava-se com Adolf Hitler, é certamente minoritária -eu diria bizarra. O anticomunismo, ao menos em suas versões supostamente civilizadas, não chega a isso, explicitamente. O entendimento amplamente consensual é que o lado certo da guerra era o dos aliados. Eles foram ingressando no maior conflito que a humanidade já viveu à medida que iam sendo atacados pelos países do Pacto Anti-Comintern. Isso fez que a União Soviética entrasse em guerra contra o Eixo antes dos Estados Unidos. Seis meses antes. Eis um fato, que independe de avaliações sobre quem desempenhou papel preponderante na derrota impingida ao nazi-fascismo. Mas, se o "bem" estava ao lado dos aliados no conflito decisivo do séclo 20, como é possível que a principal (ainda que em números) força político-militar do campo aliado fosse "do mal"? Sei que essas denominações não são muito ortodoxas nem rigorosas, mas espero que vocês me perdoem. Isto aqui é só um blog. Bem, sabe-se que o nazismo, a expressão mais concentrada do mal já produzida pela humanidade, nasceu das frustrações e das crises que se seguiram à derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Quem impôs o Tratado de Versailles à Alemanha foram a França e o Reino Unido. E quem o assinou em nome dos alemães foi um governo social-democrata. Não é difícil, portanto, explicar por que Hitler chegou ao poder, em 1933. Desde ali, e por meia década, as potências capitalistas tentaram orientar para o leste o golpe principal da revanche alemã, que sabidamente viria. Hitler sabia que a luta em duas frentes embutia um risco excessivo. Foi por isso foi que entre setembro de1939 e junho de 1941 concentrou-se em ocupar a Europa. E ocupou o que quis. Como já escrevi aqui, uma a uma as democracias liberais e capitalistas da Europa dobraram-se ao führer, quase sem luta. Depois de limpar a área a oeste, Hitler enfim deu sua cartada vital a leste. Para eliminar a União Soviética, acabar com o socialismo, extinguir os judeus, escravizar os eslavos e tomar as terras eslavas para os agricultores alemães. Um pouco antes disso, Rudolf Hess descia de pára-quedas na Escócia para propor um acordo de paz a Winston Churchill. Há alguns mitos sobre por que os alemães foram derrotados na Rússia na Segunda Guerra Mundial. Fala-se do inverno rigoroso e usa-se o exemplo da derrota de Napoleão Bonaparte no século anterior. Uma diferença importante foi que Napoleão tomou Moscou. Hitler não tomou Moscou, nem Leningrado e muito menos Stalingrado. Outro fato é que no intervalo de Napoleão a Hitler houve um conflito militar entre os dois países, na Primeira Guerra Mundial. E as tropas do czar Nicolau II (no retrato, tirado da Wikipedia) desmancharam-se diante das forças do kaiser Guilherme II. A revolução que levou os bolcheviques ao poder em outubro de 1917, como é consensual entre os historiadores, foi impulsionada em grande parte pela incapacidade de as demais forças políticas tirarem a Rússia da guerra. Um dos primeiros atos dos bolcheviques no poder foi fazer a paz em separado com a Alemanha, o que lhes custou imensas perdas territoriais, só recuperadas em conseqüência exatamente do Ribbentrop-Molotov, quando a União Soviética invadiu a Polônia a leste enquanto a Alemanha o fazia a oeste. Do ponto de vista de Moscou, tratava-se em 1939 apenas de retomar territórios perdidos em conseqüência do tratado de Brest-Litovsk, cidade que hoje faz parte de Belarus. Ou seja, na Primeira Guerra Mundial o tal "general inverno" não deu as caras, ainda que tivesse havido inverno naqueles anos. Acho que ninguém nega isso, que tenha feito frio nos invernos russos entre 1914 e 1918. Vai ver que o "general inverno" estava de férias. Paro por aqui com as minhas divagações. Elas fazem parte das comemorações dos 90 anos da Revolução Russa. Graças a ela, a humanidade pôde derrotar o nazismo. Talvez porque entre 1941 e 1945 os soldados russos, ucranianos, bielorussos e outros tenham lutado de uma maneira diferente do que haviam feito seus pais e avós entre 1914 e 1918. Eis aí uma boa questão. Por que será que os soldados soviéticos, basicamente camponeses e operários, aceitaram morrer em massa, até a vitória final contra Hitler, se poucas décadas antes seus pais e avós haviam preferido desertar em massa em vez de enfrentar as tropas de Guilherme II? Alguém tem uma boa resposta ou explicação?

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25 Comentários:

Blogger Paul Snows disse...

Existe um excelente livro sobre a Segunda Grande Guerra chamado "O outro lado da colina", de Sir Basil Lidell-Hart, escrito a partir do depoimento de generais alemães capturados logo após a guerra, aos quais o autor teve acesso por ser um importante historiador e teórico militar. No capítulo sobre o Exército Soviético, o testemunho dos generais alemães capturados descreve exatamente a diferença clara entre o exército do Czar e o Soviético. Iclusive tecendo considerações a respeito do porquê de tal diferença: os soldados soviéticos lutavam por uma idéia e por isso, melhor. Havia, inclusive, um esforço dos alemães de incutir em seus soldados a mesma atitude!
O livro foi publicado pela Bibliex.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007 22:14:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Se é só para louvar a resistência soviética ao nazismo, eu estou junto. Se é para absolver Stálin pelo gigantesco democídio cometido ao longo da sua ditadura totalitária, estou fora.

O Irã revolucionário resistiu bravamente à invasão iraquiana em setembro de 1980 (fervor revolucionário ajuda a guerrear, sem dúvida). Você diria então que devemos considerar a ditadura iraniana uma força "do bem". Eu não acho. Em comentários seus anteriores, me parece que você também não acha.

O mal às vezes briga com o mal, o que é muito bom para o bem. Se o bem agir certo, como na WWII, se alia ao mal menor (fecho com você que o Nazismo é o mal maior, de todos os tempos). Mas isto não quer dizer que o mal menor (e só é "menor" porque comparado com o "maior" de todos) seja pequeno e muito menos que não seja mau.

A equação só não fecha numa visão maniqueísta e simplista ao extremo. Você me parece inteligente demais para nutrir verdadeiramente uma visão deste tipo

sexta-feira, 5 de outubro de 2007 22:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Irretocável.Vivo para esperar o dia em que essa mesma clareza também iluminará suas posições sobre drogas e maioridade penal. :D

sexta-feira, 5 de outubro de 2007 23:01:00 BRT  
Blogger J. Sepúlveda disse...

O seu post é muito interessante e inteligentemente trabalhado, mas falho em muitos pontos do ponto de vista lógico. Uma hábil contradição entre os totalitarismos e a liberdade, por causa da questão da II Guerra Mundial. Mas o problema dos livros didáticos não é esse: é mais simples, é que defende regimes totalitários socialistas sem simplesmente reconhecer o que eles foram, ditaduras sanguinárias.
Quanto a nazismo e comunismo são bem mais parecidos do que parecem à primeira vista. Duas vias para chegar à mesma utopia socialista.

sábado, 6 de outubro de 2007 02:07:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Alon, conheci um general húngaro, falecido faz doze anos, que participou de Kursk, trabalhava com o general Cramer e foi condecorado com a cruz de ferro de 1°. As impressões pessoais e profissionais que ele e seus colegas tinham de hitler era de um xaropão que odiava, também pelo tratamento a amigos judeus de Budapest, mas o projeto colonial sobre a África atraía-os, pareciam ingleses! Ele admirou o progresso humano e material da Ucrânia pois lá administrou três cidades. Uma outra coisa que o movia era a lealdade medieval à corporação exército, inclusive cumpriu ritos como a deformação facial, parecia o Skorzeny. Acho que o fascismo também foi um "surto coletivo" onde tentaram elaborar perdas derramando sangue, coisa para etnólogos e suas crises sacrificiais explicarem.

sábado, 6 de outubro de 2007 04:56:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Os camponeses e operários não "aceitaram" morrer em massa (como se alguém pudesse aceitar isto), mas foram forçados pelas barbaridades alemãs e pelos oficiais soviéticos que os colocaram como barricada humana e estavam esperando os desertores a bala. A invasão da URSS pelos nazistas não foi uma guerra "normal" foi uma carnificina, um genocídio de lado a lado onde os lideres nazista e soviético usaram sangue humano como pólvora e carne humana como escudo.

sábado, 6 de outubro de 2007 08:41:00 BRT  
Anonymous Cfe disse...

Caro Alon,

Parabens pelo artigo lúcido e com bom trabalho de pesquisa. Diria que concordo com 90% do que está escrito exceto na interpretação dos fatos. Não espero que me responda pelo difícil que seria ficar fazendo isso em seu blog. Tambem não pretendo responder a ninguem para não cumular idas e vindas, não me tornar repetitivo e obviamente evitar as minhas brincadeiras, consentidas por si, no post anterior a que se refere.

No que concerne a frente leste da I Guerra Mundial quem “deu as caras” foi uma revolução na Rússia. “Paz, terra e pão” era o lema de Lenin. Realmente aquele país estava bastante debilitado e uma das razões, para mim a principal, era o enfretamento dum inimigo externo com a casa dividida. A própria Bíblia aponta a necessidade de união para enfrentar o inimigo, embora com outros objetivos é claro. Portanto é claro que a performance de Stalin foi melhor do que a do Czar porque contava com um país completamente dominado.

Vencendo em 1917 o que o novo chefe da nação russa fez foi concretizar seu plano: se as perdas territoriais foram extensas, ninguem pode imputar isso aos outros pois foi uma decisão soberana e independente. A decisão de abandonar a guerra e fazer uma paz em separado já é para mim fato que não abona o caráter de Lenin, mas isso é apenas uma opinião pessoal. Agora justificar o tratado de Ribentropp-Molotov, por causa das perdas do Brest-Litovisk é impensável. Essa alusão até ajuda a clarificar o curso da história, dando a perceber os pensamentos de então, mas justificar? Ao fazermos isso tambem teriamos de conceder o mesmo benefício ao que a Alemanha fez, com o agravante de que esta foi realmente humilhada em Versalhes por iniciativa dos outros enquanto a URSS (Russia) teve a iniciativa de humilhar-se a si própria.

A desintegração do Império Austro-Hungáro, Russo e Alemão e formação de vários paises após a I Guerra é fato. Nações, como a Polônia, subjugadas ao sabor das vontades de seus vizinhos tiveram sua autonômia negada diversas vezes no curso da história. Stálin, a julgar pela justificação expressa, mais não fez do que comportar-se como seus antecessores e restabelecer a vocação imperialista de sua pátria. Ou seja: uma negação factual da ideologia vigente. Não nos esqueçamos do adjetivo de “Imperialistas” sempre presente na acusação aos adversários dos socialistas. Sinceramente, tenho a impressão pessoal de que Stálin estaria criando uma zona-tampão porque a possibilidade de guerra era mais que evidente – como vê até podem me considerar mais benevolente com a posição soviética do que a posição por si expressa.

A história é como é, e a posição das nações democráticas de então na guerra civil espanhola clarifica totalmente os princípios ideólogicos dos que seriam os adversários do comunismo. Ainda a posterior recusa do Reino Unido a uma paz com Hitler reforça essa idéia, como comenta. O que não abona em nada foram as duas tentativas, talvez tres que Stalin fez de efetuar a paz em separado com a Alemanha. Vou mais longe: acho que isso pesou na decisão dos EUA e Reino Unido terem começado por invadir o Norte de África e só depois criar um frente ocidental na Europa, tão ansiado pelos soviéticos. Talvez as democracias anglo-saxãs tenham pensado que Stalin fosse aproveitar a situação.

Quanto a sua pergunta: os “netos daqueles que desertaram do exécito do czar” lutaram bravamente contra os Alemães só depois que foram espezinhados por estes mesmos invasores, aliás recebidos muito bem por diversas populações sofredoras da tirania sovética. Só depois de repararem que “do males o menor” é que tomaram essa decisão.

Respeitosamente,

sábado, 6 de outubro de 2007 09:46:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Boa, Alon. Na falta de argumentos, a alguns só resta reêscrever a história...

sábado, 6 de outubro de 2007 10:06:00 BRT  
Anonymous Antônio Luiz Calmon Filho disse...

Alon:

Infelizmente o espaço de comentários do blog não é propício para discussões profundas. Mas quero registar que sua desonestidade intelectual e histórica é assombrosa.
A deturpação dos fatos é gritante e suas comparações são lastimáveis.
Viva a democracia, a nossa e não a de Che, que lhe permite expressar e professar suas versões.

sábado, 6 de outubro de 2007 10:30:00 BRT  
Anonymous Reinaldo disse...

O processo histórico que ficou conhecido como Segunda Guerra Mundial começou basicamente como um conflito lançado por Estados ocidentais ciosos e amedrontados com a possibilidade de que amplas mobilizações sociais, basicamente operárias, pusessem em risco seus sistemas políticos e econômicos. Era o receio de que a URSS pudesse alargar-se para além do "cordão sanitário" (estabelecido pelas potências ocidentais) através das estratégias revolucionárias do Comintern e das lutas sociais deflagradas em vários países (inclusive nos EEUU)
Costuma-se determinar 1939 como data do início dos conflitos: a invasão da Polônia. Esta periodização serve principalmente para culpabilizar os soviéticos pelo início da guerra, devido ao sempre aventado pacto de não-agressão Ribbentrop-Molotov.
Mas, e essa periodização for outra?
Ao longo da década de 1930 há um conjunto de mobilizações armadas que fazem parte, sim, do que veio a ocorrer depois. A Guerra Civil Espanhola, por exemplo, já trazia todos os componentes que depois continuariam a se manifestar após 1939. As potências ocidentais nada fizeram para conter a ajuda militar alemã às forças de Franco e que derrotaram os revolucionários, a maioria dos quais, comunistas, como o nosso Apolônio de Carvalho.
Ou seja, os supostos defensores da "liberdade" contra o "totalitarismo" deixaram Franco fazer um banho de sangue, patrocinado por Hitler e instaurar uma ditadura que duraria 40 anos.
Por que? Porque a Espanha era um perigo: não de "totalitarismo", como querem fazer crer hoje. Poderia tornar-se um país importante na estratégia do Comintern e dar um novo impulso aos movimentos revolucionários que se pretendiam em curso em vários países (não esquecer, inclusive, do Brasil, em 1935).
As opções diplomáticas e os movimentos no tabuleiro de xadrez europeu, ocorridos às vésperas de 1939, estão relacionados ao conjunto complexos de processos que estavam em curso ao longo de toda a década de 30. Não se pode culpabilizar os soviéticos por se sentirem ameaçados e buscarem alternativas diplomáticas, como num pacto de não-agressão. Tratava-se da sua sobrevivência como Estado e, talvez, como país.
Mas Stalin não percebeu a tempo que a guerra se travaria basicamente contra a URSS e, àquela altura, Hitler era muito bem recebido em suas viagens internaiconais (inclusive nos EEUU). Ou ainda: como esquecer a posição da Inglaterra em favor da Alemanha na questão dos Sudetos (antiga Tchecoslováquia)?
Os defensores da "liberdade" apostavam que Hitler lhes seria muito útil: destruiria a "pátria do socialismo". Para isso, estiveram dispostos a entregar a França!
Esquece-se muito rápido que os EEUU reconheceram o governo "francês" do General Petain e recusaram-se a apoiar a rebelião lançada de Londres por De Gaulle.
Esquece-se que a "resistência francesa" e quase todos os "partisans" que se rebelaram contra a Alemanha em defesa de seus povos eram, sua maioria, comunistas.
Definitivamente, a Segunda Guerra Mundial é muito pouco conhecida, especialmente, por quem só sabe dela através de Hollywood.

sábado, 6 de outubro de 2007 11:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sei não, Alon. Mas, não faz muito tempo assim, por aqui não só colocavam o antagonismo entre totalitarismo e liberdade (cada lado com sua visão particular sobre os termos), como também colocavam comunismo como antônimo de democracia. Por mais que abnegados argumentassem que o antônimo de democracia é ditatura, de nada adiantava. Outra coisa é a opção por atacar e morrer em massa contra as forças de Hitler na II Guerra. Opção de paupérrimos, lógico, operários e camponeses pelo martírio? Bem...Isso lembra um curso com dinâmica de grupo. O instrutor perguntava: Quem são os sobrinhos do Tio Patinhas? O pessoal respondia: Huguinho, Zezinho e Luizinho!!! A resposta do instrutor: Erraram!!! São Donald e Gastão!!! Não responde à questão, mas que dá um certo toque de humor...ah, isto dá!!! Por mais trágico que tenha sido o martírio dos que optaram por ser estraçalhados. Talvez pelo que poderiam considerar ter sido por uma boa causa, mas que foram estraçalhados foram. Mais de 20 milhões...
Sotho

sábado, 6 de outubro de 2007 13:54:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Gostei do post. Estaria mais completo se trouxesse informações sobre o posicionamento da 3ª Internacional no período pré e pós a segunda guerra. Perfeito, se trouxesse análise e informações sobre como se posicionaram os comunistas não russos em seus países de origem, envolvidos diretamente ou não conflito.

Eu sei. Se entrássemos a fundo na discussão dessa história, o melhor seria abrir outro blog.

Abs.

sábado, 6 de outubro de 2007 14:35:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Paulo, escrevi sobre o assunto em Uma missão bizarra na França, em junho. Ou seja, não seria necessário abrir outro blog. Veja um trecho:

E enquanto tentam reescrever a História da França -e se sobrar um tempinho- quem sabe vocês dão uma olhada na biografia do dirigente comunista francês Maurice Thorez (1900-1964), que comandou o Partido Comunista (PCF) de seu país de 1930 até morrer. Quando a França foi invadida pela Alemanha, em 1940, o PCF tinha sido colocado na ilegalidade. Por causa do Pacto Ribbentrop-Molotov, de não-agressão entre a Alemanha de Adolf Hitler e a União Soviética de Joseph Stalin. Thorez desertara do Exército francês, fora condenado à morte e estava exilado em Moscou. Com a mudança nos rumos da guerra depois do ataque alemão contra a URSS, em julho de 1941, a nova situação política impulsionou o PCF a organizar na França a resistência à ocupação nazista.

sábado, 6 de outubro de 2007 16:09:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Eu fico muito orgulhoso quando um marxista me chama de reacionário....

sábado, 6 de outubro de 2007 18:42:00 BRT  
Anonymous sergio disse...

De 1914 a 1918, o exército russo estaria lutando ou pelo Czar ou pelos Bolcheviques. Não creio que um soldado russo poderia ter tanto amor por um, velho explorador ou por outro, ainda uma incógnita.
Depois da Operação Barbarossa, Stalin se viu em situação difícil e teve duas idéias (dizem), uma velha e outra nova. A velha, culpar seus generais pela hecatombe. A nova, incitar o povo a lutar pela pátria, mesmo lançando por terra todos os supostos ideais da Internacional. Deu certo.
Por isso, essa guerra é conhecida na Rússia como a Grande Guerra Patriótica.
Lutaram pela mãe Rússia contra um inimigo opressor e sanguinário.
Venceram!

domingo, 7 de outubro de 2007 14:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Prezado Alon,

Não costumo escrever comentários em blogs, pois gosto muito de ler, mas detesto escrever.
No entanto, não resisto em comentar a ginástica que você teve que fazer para argumentar que o simples fato de que a União Soviética desempenhou papel heróico na 2 Guerra é senão uma prova, um indício de que ela não foi uma ditadura sanguinária A lógica é muito ruim, pífia mesmo. Sem me alongar muito, argumentaria que RIVALIDADE, por mais extrema que seja, que leve à guerra e à morte, não significa total antagonismo. Se assim fosse, não haveria bipartidarismo nos EUA, a "luta de morte" entre democratas e republicanos -tão diferentes em opiniões, atitudes, estilos de vida, mas tão próximos no espectro ideológico quando vistos pela esquerda. Ou, dando uma de Lula e usando uma metáfora futebolística apropriada ao dia de hoje, não haveria Fla-Flu, já que ambos são times cariocas da Zona Sul, fundados a poucos metros um do outro, os jogadores de futebol de um eram sócios do outro e criaram o futebol do outro. Hitler e Mussolini foram militantes comunistas na juventude; nazismo, você sabe muito bem, é NACIONAL SOCIALISMO; os NAZISTAS eram ANTI-LIBERAIS, tal e qual os comunistas. O VERDADEIRO INIMIGO DO NAZISMO ERA O LIBERALISMO. A nação "mais inimiga" (fica esquisito mas dá pra entender) era a INGLATERRA, pátria mãe do Liberalismo, e não a URSS, COM A QUAL HITLER FEZ tratado de paz. A traição ao pacto foi a história do escorpião nas costas do sapo, era da natureza maligna de Hitler. Usando agora outra metáfora, igualmente simplista mas ilustrativa: até na Física, os iguais se repelem... Por essas e outras, discordo INTEIRAMENTE do seu argumento de que a luta contra o nazismo mostra que o comunismo era muito diferente, e melhor, do que ele (pior que o nazismo, o mal absoluto, é mesmo difícil de ser, isso não é vantagem). Invertendo o argumento, o papel inglês foi tão ou mais heróico; portanto, o argumento é fraco. Na verdade, acredito ser exatamente o contrário: as semelhanças aguçaram as rivalidades e traições, foi briga de comadres. As semelhanças entre o nazismo e comunismo são muitas, e assustadoras. Vide a força do ressurgimento nazista na... Rússia! Lembre-se da bizarra, trágica notícia de que refugiados judeus russos em Israel criaram núcleos "nazistas" lá! Veja a que ponto de confusão mental a educação soviética levou esses indivíduos...
Saudações de um ex-socialista-proto-marxista e, hoje, um legítimo "neo" liberal,
Paulo

domingo, 7 de outubro de 2007 14:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E vc fala de ginástica, Paulo? Ginástica é isso que vc fez...

domingo, 7 de outubro de 2007 15:18:00 BRT  
Anonymous sergio disse...

Ainda bem que o neo-liberal não gosta de escrever...hehe!

domingo, 7 de outubro de 2007 15:57:00 BRT  
Anonymous We are the champions disse...

A questão, a meu ver, está mal colocada. Não é a crença dos seguidores que legitima uma ideologia. Os seguidores de Osama bin Laden, por exemplo, são muito fiéis e dedicados à causa, numa entrega absoluta. Isso, no entanto, não faz da causa meritória. O mesmo se diga do comunismo, que os membros do Exército Vermelho defendiam com tanta fidelidade.
O fato é que o comunismo foi derrotado historicamente, a despeito da fé cega dos seus seguidores. O que faltou não foi fé. Foi consistência e lógica ao projeto. Não havia incentivo ao trabalho e ao desenvolvimento tecnológico. Esse resultado foi o mesmo na Rússia, na China, em Cuba, na Coréia do Norte e em todos os países que tentaram o sistema comunista. O capitalismo venceu. Isso é fora de dúvida. Venceu no campo econômico, venceu no campo militar e venceu no campo ético.
A China é um tigre de papel, construída totalmente com capitais externos dos países capitalistas e sob o mais violento controle social jamais visto para permitir a exploração da mão-de-obra. O PCC é o comuna que todo capitalista gostaria de eleger: Exploração 100%, 100 passeata.

domingo, 7 de outubro de 2007 18:49:00 BRT  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Sergio

não houve "hecatombe" esse é outro mito falso como o Stalin vacilante, a blitzkrieg foi parada pela primeira vez em smolensk, 2 SEMANAS DEPOIS DA INVASÃO.

Stalin errou em um monte de coisas, pode-se até afirmar que o inicio do fim do Socialismo na URSS, se deve aos seu erros.

Porém dizer que ele conduziu mal o seu país durante a invasão alemã, é uma piada de mau gosto, afinal o derrotado foi Hitler e não ele.

Ele reprimiu alem da conta, mas daí dizer que matou 20 milhões de pessoas, não dá.


É um personagem e tanto esse tal de Stalin, neguinho não esquece o cara, outro dia na siciliano fiquei impressionado, tinha, na área mais nobre da livraria, uns 4 livros falando de Stalin, e só aquelas bibliografias tipo escritas pela CIA.

Se ele foi tão energúmeno assim, será que não da pra esquecer?

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 10:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
esse post tá complicado.
1) Respondendo à sua pergunta: as tropas do czar abandonaram a luta porque houve uma fortíssima campanha dos comunistas, mesmo nas fileiras, para convencer os soldados que o inimigo a combater era o czar e não o kaiser. Isso já evidenciava o acordo do kaiser com Lenin (este atravessou a
Alemanha de trem, em direção á Finlândia, em plena segurança e no meio da guerra). A revolução russa permitiu aos alemães redirecionarem as tropas para o front ocidental, adiando o fim do conflito.
2) O título de maior criminoso do século vinte será decidio em um páreo duro entre Hitler (6 milhões de mortos, só contando judeus), Stálin (20 milhões de mortos) e Pol Pot (em percentual da população, talvez tenha sido o mais sanguinário).
3) A ascenção do nazismo na Alemanha só foi possível pela luta aberta entre comunistas e socialistas. Se ambos tivessem se unido, os nazistas nunca teriam conseguido espaço no parlamento. Isso vc. não comentou, embora seja um fato histórico fundamental para compreender o período.
4) A lógica das guerras costuma ser mais geopolítca do que ideológica. Daí que não é difícil encontrar aliados de tendência política totalmente diversa. Eliminado o inimigo comum, as divergências afloram novamente.
5) Gozado alguém lembrar da guera civil espanhola: comunistas espanhóis foram tão cruéis que torturaram e assassinaram freiras e padres. Dizimaram os cidadãos comuns que a eles não aderiram. Derrotados, passaram a criticar os crimes de Franco (não quero absolvê-lo, pelo contrário, apenas saliento a hipocrisia).
6) Descrever a história do século vinte como a lauta entre a liberdade e a tirania é uma simplificação medíocre. Ainda mais quando há gente que considera Cuba uma democracia e o titio Zeca Stálin como um santinho, acolitado pelo puríssimo Che.
7) Faltou mencionar também que os comunistas internacionais, enquanto durou o pacto Ribbentrop-Molotov, usavam suas estruturas sindicais nos portos para atrasar ou mesmo impedir o despacho de cargas para abastecer os inimigos do Reich. Era adesão total.

Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 10:36:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Alon,

Para quem ainda duvida da importância da Russia na 2ª Guerra, é só lembrar do seguinte:

a) 20 milhões de cidadãos da ex-URSS foram mortos na Guerra, contra 12 milhões de alemães, e muito menos franceses, japonenses, britânicos e americanos.

b) Por volta de 1943, a URSS sustentava 80 % do esforço de guerra com a Alemanha em terra.

c) Os alemães, mantinham 120 divisões na frente russa, e 60 na frente ocidental (Africa do Norte, Itália e França), imagine como teria sido dura a vida de Inglaterra e EUA se os alemães tivessem o triplo de tropas no norte da Africa, ou na Itália?

Não entro no mérito das motivações dos soldados soviéticos. Se o fizeram por causa ou apesar de Stalin. Mas fato é que ficou muito claro para russos, ucranianos, biolorussos, cazaques que a luta contra os nazistas era uma luta pela sobrevivência, não uma guerra normal. Os nazistas "tocaram o terror" nos primeiros meses de invasão, logo, rendição não era opção (se vc podia morrer, ser torturado, virar escravo, ou virar cobaia de experimento científico se rendendo, é melhor morrer lutando).

E, é claro, e duro para alguns "liberais" reconhecer, houve sim progresso técnico e científico com o comunismo. Os russos conseguiram desenvolver tanques e aviões tecnicamente comparáveis aos alemães, e produzi-los na quantidade necessária.

O comunismo não caiu por causa de sua ineficiência técnica, cientifica ou militar. É possível que uma eventual guerra entre OTAN e Pacto de Varsóvia tivesse sido ganha pelo último, que tinha mais soldados, mais tanques, aviões e armas (obvio, não haveria muito a ganhar, porque o mundo teria sido destruido também).

O comunismo caiu porque não conseguiu dar a seus governados o mesmo conforto material e liberdade política que a obtida nos EUA e Europa. O capitalismo combinado com as politicas de "Welfare State" e Rooseveltianas (que alguns liberais vivem criticando), tornou os EUA e a Europa um excelente lugar para se viver, com os melhores indices de desenvolvimento humano na história. Foi essa sociedade exuberante que os alemães de Berlim Oriental invejavam. Se em Berlim Ocidental houvesse algo minimamente semelhante ao leste de Londres de Charles Dickens, o muro de Berlim existiria até hj.

Nehemias

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 13:29:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Xii, Nehemias, "liberal" não aceitam estes fatos nem sob tortura...Boa sorte. Ah, e foi só o muro cair pra todo mundo sair pra desmontar o Welfare State...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007 23:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O verbete da Citizendium
http://en.citizendium.org/wiki/Adolf_Hitler
NÃO diz que Hitler foi "militante comunista na juventude". A lista dos autores do verbete pode ser vista em
http://en.citizendium.org/wiki?title=Adolf_Hitler&limit=100&action=history
Por exemplo, o autor do maior número de edições é Professor de História aposentado da Universidade de Illinois.

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"Hitler e Mussolini foram militantes comunistas na juventude; (...)"

terça-feira, 9 de outubro de 2007 17:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A lista de inimigos do nazismo aparece abaixo, e democracia NÃO é sinônimo de liberalismo. Talvez o liberalismo econômico não fosse o mais importante no debate da época na Alemanha.

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"The party stressed violent German nationalism and vehement anti-Semitism, and attacked both Communism and the democracy of Germany at the time. The term "national socialism," however, had already been current in German and Austrian politics since the 1890s and did not refer to either Marxian socialism or Nazism."
http://en.citizendium.org/wiki/Nazism

terça-feira, 9 de outubro de 2007 17:45:00 BRT  

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