sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Para que mesmo serve o concessionário? (12/10)

O pedágio nas rodovias federais cuja operação foi transferida à iniciativa privada vai ser mais barato porque os concessionários não entraram com dinheiro para arrematar os trechos e também porque o lucro foi comprimido. Além disso, parece que o BNDES vai financiar a maior parte das despesas dos concessionários. O grande trunfo do governo federal para marquetear as suas concessões é exatamente o pedágio barato. Ótimo. Mas eu tenho uma dúvida. Se o vencedor do leilão não paga nada ao governo e recebe grana do BNDES para operar a concessão, por que privatizar? A não ser que o governo julgue que administrar rodovias é um ramo em que a iniciativa privada, por princípio, é mais eficaz que o estado. Interessante, um governo do PT chancelando um conceito liberal desses. Eu tenho cá minhas dúvidas. As melhores estradas do mundo são as alemãs. Não sei se houve alguma mudança recente, mas lembro-me de viajar pelas belíssimas estradas teutônicas sem nunca ter passado por um pedágio. O governo federal fez uma coisa boa ao arrochar a margem de lucro dos concessionários. Escrevi sobre o assunto em Uma conversa de bar sobre Caim e Abel e em Uma comparação indevida. Mas quando vi que os espanhóis vão administrar aqui estradas feitas pelo governo sem pagar nada ao governo e pegando dinheiro do BNDES ficou-me uma pulga atrás da orelha. Puxa vida, se é assim, se o concessionário não entra com nada na história, a não ser com sua taxa interna de retorno (lucro), para que mesmo serve o concessionário? Por que privatizar?

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13 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Eu até concordo com seus argumentos, de lógica irrefutável.

E receio que a resposta seja exatamente a que você insinuou: a administração de rodovias, na atual conjuntura, é mais eficaz nas mãos do operador privado.
Não deveria ser justificativa, e é até um reconhecimento da ineficácia do governo, mas cada governo ecolhe e sabe o Ministério dos Transportes que tem (ou que tem que ter).
O DNER foi extinto quando houve excessos de denúncias de corrupção no governo anterior a Lula. Uma operação simples como a tapa-buracos no fim do governo passado, gerou enormes críticas e problemas no TCU. Uma nomeação para o DNIT (Luis Antonio Pagot), demorou não sei quantos meses para ser aprovada pelo Senado.
Parece que quem conduziu os leilões foi mais a Casa Civil do que o Ministério dos Transportes.
Lula tem pouco mais de 3 anos para acabar o governo. Se de um jeito não funciona (via Estado), parte-se para um plano B (concessão privada).

Quanto à baixa taxa de retorno sobre o investimento, parece que o governo espanhol fornece incentivos para alguns investimentos espanhóis no estrangeiro, como aqui. Então o cidadão espanhol está ajudando a pagar o pedágio do brasileiro via subsídios do governo de lá, apesar da empresa espanhola remeter lucros para lá.

O financiamento parcial do BNDES é previsível, mas o montante noticiado me parece uma especulação.

Quando as concessões são onerosas (o governo cobra ágio pela concessão), o concessionário paga com uma mão, mas cobra do usuário com a outra, em suaves prestações embutidas no pedágio. Então é o usuário quem pagou impostos para construir as estradas, e pagará ao estado de novo pela concessão.

Essa concessão não onerosa não é novidade. A Inglaterra tem as menores tarifas de telefonia (privada) do mundo, porque ganhava a concessão quem oferecia menores tarifas, sem pagar ágio ao governo pela concessão.
Aqui no Brasil o celular pré-pago chega a custar 1 dólar por minuto para ligação local. Todas as tarifas de telecom aqui são altas em relação aos mercados internacionais. Somos nós, usuários, quem estamos pagando a amortização do investimento que as teles fizeram para pagar o ágio da concessão ao governo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007 21:40:00 BRT  
Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Alon, você fala em conssesão e diz porque privatizar.
Se é concessão não houve privatização. Fique sem entender.

sábado, 13 de outubro de 2007 10:51:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Só um lembrete, concessão não é privatização.

sábado, 13 de outubro de 2007 11:05:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,

As BRs concedidas na década de 90 foram no mesmo sistema das atuais.

Não houve pagamento ao governo. A diferença de pedágio na Dutra ou na Rio-Juiz de Fora (5 vezes mais) não pode ser explicada da forma como vc tentou explicar.

O modelo colocado na matéria, de pagamento da outorga é o paulista.

Essas estradas estão a demandar um investimento grande e o Estado tem coisas mais importantes a fazer com seu dinheiro (entre elas pagar juros da dívida).

Dinheiro do BNDES não é dado, mesmo os governos têm que pagar.

E com um pedágio nesse valor, 8 Reais por 500 km, acho que vale a pena deixar em mãos privadas.

Escandaloso é o que fizeram na década de 90 com as BRs. Ir do Rio a Juiz de Fora custa mais de 20 Reais. SP-Rio, 30 Reais.

Isso é Custo Brasil ou Custo Tucano como prefeerm alguns.

sábado, 13 de outubro de 2007 14:51:00 BRT  
Anonymous Mello disse...

Conceder é dar ao emprededor privado a operação de determinado setor como se operador público fosse. Ou seja, é sim forma indiscutível - e legal - de privatização.
Outro cenário de privatização decorre da venda de ativos e bens públicos.
Papo furado querer disgtinguir as privatizações feitas por FHC e Lula. Na essência o fato é o mesmo. As condições de negociação é poderào estabelecer diferenças.

sábado, 13 de outubro de 2007 15:16:00 BRT  
Anonymous Caetano disse...

Por que privatizar? A resposta é simples e todos a sabemos: além das amarras que a administração pública impõe, o governo é incompetente para gerir (quase) tudo.

sábado, 13 de outubro de 2007 21:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Conceder ou privatizar, tanto faz, é sempre a mesma coisa. Vender e receber em dinheiro podre. Mas é isso aí, eficiência. Estamos caminhando para frente nas estradas, igualzinho aos mercadores medievais, que pagavam para circular nas boas rotas comerciais. Pagavam para não serem sequestrados, para não serem mortos e roubados, para poderem chegar ao seu destino sãos e salvos. Ora, se funcionava assim na Europa do século XII, por que não haveria de funcionar hoje por aqui?
A propósito, não seria uma boa idéia privatizar a Linha Vermelha e a Linha Amarela? Assim, quando altos dignatários da República passassem por lá, não seriam assaltados, pois o Capitão Nascimento, sempre alerta, já teria construído um cordão de isolamento em volta da comitiva. E se alguém fizesse algo, seria morto pelo concessionário sem nenhum ônus político e moral para o Estado.
Pensem nisso.

Ignotus

domingo, 14 de outubro de 2007 01:17:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Importante notar como os espanhóis estão por trás de tudo de ruim que vem acontecendo. A Telefônica é um horror, começou dando cambau nos próprios parceiros comerciais e lidera as reclamações no PROCON; as editoras popularescas tiveram que ser obrigadas pelo Ministério Público a lançar livros escritos em bom português, o Santander toma o único banco brasileiro que ainda tinha alguma consideração pelos clientes, sem contar o que vem fazendo com os aposentados do antigo Banespa. Isto aqui vai virar um horror. E a BR-116, tenho certeza, vai matar mais que nunca.

Ignotus

domingo, 14 de outubro de 2007 01:24:00 BRST  
Anonymous Robert Michels disse...

Para quê o concessionário?

Para desidratar o comissário!

domingo, 14 de outubro de 2007 08:43:00 BRST  
Anonymous Tovar disse...

Com as privatizações o Lula acaba de reforçar o discurso que lasca a tucanalha no centro da sua proposta.
Se antes a impressão era a de que as concessões tucanas encerravam bons negócios, os preços bem mais baixos das concessões de agora transformarão impressões em certezas.
O debate sobre a privatização no segundo turno atingiu o Alckmin no Centro-Sul. Agora a situação será ainda pior. Não bastará dizer, por exemplo, que os celulares chegaram com as privatizações; terão de provar que foi barato. O que não é verdade.
Bye, bye, psdb. Já vai tarde.

domingo, 14 de outubro de 2007 10:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Esqueci da Atento. Empresa de telemarketing das piores. Espanhola.

Ignotus.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 18:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Não sou especialista, mas como brasileiro cobre esplicação em vernáculo: privatizar não é o ato de tornar privado? Se os espanhois pagaram alguma coisa pela "privatização" então o negócio é deles por tempo indefinido ou indeterminado. Assim, daqui a 25 anos o Estado brasileiro pode ter de volta sem indenizar o negócio? Se pode então não será desapropriação. Feitos estes esclarecimentos, ou levantadas estas dúvidas, voltamos ao princípio: é privatização ou é concessão?

Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 21:08:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O ideal seria não privatizar. Já pagamos pela construção da estrada e continuamos pagando pela sua manutenção através do IPVA que no nascedouro não era imposto e sim TAXA, taxa rodoviária única. Mas nas coisas geridas pelo govêrno sempre há muito cambalache. Dez anos atrás, no Uruguai tentaram privatizar a rodovia que liga Montevideo a Punta del Este. Os licitantes fizeram a due dilligence e não se interessaram, pois acharam que a receita era muito pouca. Mesmo assim fizeram a licitação e quem ganhou foi o sindicato dos empregados do pedágio estatal. Eles sabiam que a receita era boa. Bastava cobrar de todo mundo, o que enquanto eram empregados do governo não faziam. Se o pedágio fosse $ 10 pesos, você com jeitinho poderia oferecer $ 2 pesos que não eram registrados e iam para o bolso dos operadores.

terça-feira, 16 de outubro de 2007 01:14:00 BRST  

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