domingo, 14 de outubro de 2007

Banana de graça. E um Bolsa Pedágio para a classe média (14/10)

O PT criticava as privatizações, entre outros motivos, porque dizia que elas não remuneravam o capital público investido nos ativos que iriam gerar fluxo de caixa para os capitais privados. Em linguagem popular, o PT afirmava que o patrimônio público era vendido "a preço de banana". Pois o governo do PT resolveu tal aspecto do problema. No governo do PT, o patrimônio público não é mais vendido aos capitalistas privados a preço de banana. Agora ele é alugado a esses mesmos capitalistas, só que de graça. Banana de graça. Você já notou certamente que falo da concessão de rodovias federais. O assunto foi tratado rapidamente no post anterior. Eu perguntei:

(...) se o concessionário não entra com nada na história, a não ser com sua taxa interna de retorno (lucro), para que mesmo serve o concessionário? Por que privatizar?

Do que consiste o preço do pedágio pago nas rodovias que operam sob os auspícios do capital privado? Custos e lucro. O governo federal vangloria-se de que os pedágios em suas estradas privatizadas serão bem baratos, pois os concessionários não colocaram dinheiro no negócio e portanto vão poder cobrar menos do usuário. Eu pergunto novamente: se é assim, por que não manter as rodovias nas mãos do estado e cobrar menos ainda? Sim, pois o estado pode abrir mão do lucro. Ainda por cima, os concessionários vão contar com dinheiro do BNDES para bancar os custos operacionais. Mas essa é uma discussão que não será feita. Ela não interessa ao governo. Ela não interessa aos empresários amigos do governo (deste como de outros). Ela não interessa aos políticos profissionais da indignação. E agora deram um jeito de fazer com que ela não interesse nem aos que deveriam, teoricamente, vigiar o governo. A turma que vigia o governo é, na esmagadora maioria, de classe média. E está embasbacada com a perspectiva de pagar pedágio baratinho. É como o "caos aéreo", que deixou de existir no dia em que pararam de atrasar os aviões que transportam os formadores de opinião. Vejam se eu não tenho razão. O governo federal acaba de repassar ao capital privado, a custo zero, um lote de vacas leiteiras. Vacas holandesas (para não dizer espanholas). É só montar o pedágio e recolher a féria. As despesas iniciais para dar um jeito nas estradas serão bancadas com dinheiro do BNDES. Filé sem osso. Nem alternativa o motorista tem. Não é como nas autoestradas de certos países da Europa, onde se o sujeito não quiser pagar pedágio ele tem ao lado uma rodovia mais simples, sem pedágio. Aqui no Brasil não tem jeito. Ou o cara compra pão e leite na padaria dos amigos do señor Zapatero ou não vai ter pão nem leite no desjejum. Mas importante mesmo é que os bem-pensantes vão poder viajar no fim de semana para o seu sítio ou casa de praia pagando menos pedágio do que costumam pagar. Então pode. Então está tudo bem. Claro que você tem o direito de perguntar se eu não vejo nada de positivo no modelo de concessões elaborado sob o tacão da ministra Dilma Rousseff. Eu vejo sim. Eu acho bom a ministra apertar as margens de lucro do capital privado que participa das privatizações de serviços públicos. Chega de tarifas escorchantes. Pena que o governo, em troca disso, tenha decidido entregar de graça o patrimônio público para exploração privada. Como expediente para obter os aplausos da classe média, é uma boa. É um Bolsa Pedágio para a classe média. Do ponto de vista do interesse nacional, entretanto, trata-se de um passo em falso.

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28 Comentários:

Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,
seu olhar nesse caso tem horizonte muito curto. Estradas boas e com preços de pedágios baixos aquecem a economia e diminuem o Custo Brasil.

E as empresas vão investir um dinheiro que o Estado não tem. Não tem nada de graça, tantos as obras quanto o aumento do fluxo nas estradas boas e baratas geram impostos.

domingo, 14 de outubro de 2007 16:10:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Para compreender decisão política:

1) As estradas devem ser universalmente gratuítas? Eu acho que enquanto o país for capitalista (e o Brasil é), então se o metrô (estatal, na maioria das capitais) não é grátis, o trem suburbano também não, a passagem dos ônibus urbanos não é grátis. Até estacionamento nas vias públicas das cidades é cobrado. Então porque estradas teriam que ser gratuitas?
E porque seria necessário exigir duplicidade de estradas no Sul - Sudeste, num país de dimensões continentais como o Brasil, carente de estradas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste?
Para questionar essa gratuidade, o buraco é mais embaixo: precisamos questionar o próprio sistema capitalista do país.

2) Mesmo não sendo gratuíta, o governo poderia cobrar pedágio mais barato ainda, e eximir-se do lucro. Com esse argumento eu posso concordar. Porém o governo teria que investir o que o concessionário investirá. Se o BNDES financiar perto de 100% do valor, então OK, o concessionário só serve para onerar o pedágio.
Mas se o governo tiver que endividar-se fora do BNDES (ou o BNDES captar no sistema financeiro do exterior para repassar ao governo), então o usuário acabará pagando o lucro da operação ao sistema financeiro, e não aos concessionários. Daria na mesma.

3) Se a concessionário conseguir de 50% para menos da carteira do BNDES, então sobram 50% para outros investimentos. A concessão funciona como aumento de oferta de crédito, o que disponibiliza novos financiamentos ao desenvolvimento e faz cair juros.

4) O governo poderia fazer bom negócio, vendendo por um bom preço a outorga. Teríamos que encontrar investidores "bobos" para isso. Se um concessionário paga X pela outorga, por 25 anos, com 30 milhões de pagantes de pedágio por ano, então o preço do pedágio terá que ser:
(X + TIR ou juros básicos capitalizados por 25 anos) / (25 x 30 milhões).
Ou seja, o preço da outorga será repassado inexoravelmente na planilha de custos do pedágio, para amortizar o capital.

5) Como não existe investidores "bobos" com esse montante de dinheiro, então quando há cobrança da outorga há, na verdade, privatização da cobrança de taxas governamentais (como fizeram os tucanos). O governo cobra do concessionário à vista, para o concessionário cobrar à prazo do cidadão usuário.

6) Pedágios mais baratos não afeta apenas a classe média, mas principalmente o custo Brasil no frete, tornando nossos produtos produzidos longe dos portos menos competitivos, com transferência da riqueza das mãos dos produtores, para o próprio governo, conforme explicado no item 5.

domingo, 14 de outubro de 2007 17:35:00 BRST  
Blogger Cesar Cardoso disse...

É, Alon.

Enquanto isso, Lula vai tomando as bandeiras do condomínio oposicionista PSDB-DEM-PPS. Basta o Pronasci sair do ponto morto e só sobra a bandeira da "ética na política" a separar o condomínio do puro e simples radicalismo bushiano. E "ética na política", como se sabe, só vence eleição em Ipanema e nos Jardins e elege um Gabeira aqui e ali.

E o pior? Essa tática nem é nova. Clinton fez isso no seu segundo mandato, e ganhou a eleição de 2000 (sim, perdeu na Maior Fraude Eleitoral de Todos os Tempos, mas isso é outra história)

domingo, 14 de outubro de 2007 18:39:00 BRST  
Blogger Cristiano disse...

Olá Alon,

Se entendi direito, quem pagou pelas estradas fomos nós, os contribuintes, através dos impostos. Então, se o governo cobra isto das concessionárias, elas cobrariam na forma de pedágio, encarecendo-o. Isto foi o que aconteceu nas estradas privatizadas do Paraná e São Paulo. Então, achei o modelo utilizado no governo Lula muito justo. Não quero pagar novamente por algo que já paguei.

domingo, 14 de outubro de 2007 21:37:00 BRST  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Gostei muito do post. Sua tese é irretocável. Mas, pense bem. Esse governo tem a marca do pragmatismo. A solução dada é ótima se partirmos do pressuposto que a “privatização” é a única saída. O cerco se aperta nos chavões da grande mídia repetidos ad infinitum: “estado grande e ineficiente”, “políticos corruptos e/ou incompetentes”, “impostos altos e sem retorno” etc. O resultado final desse leilão, você há de concordar, pegou os “especialistas” da grande mídia no contrapé. Jogou o jogo. E quebrou paradigmas expondo fragilidades de modelos anteriores. Na realidade que se tem no Brasil, um belo exemplo de gestão inovadora. Espero que dê certo. E que no futuro seja mais fácil fazer compreender a todos os brasileiros que a razão do Estado é, simplesmente, oferecer a melhor condição de vida aos seus cidadãos. Um abraço.

domingo, 14 de outubro de 2007 23:22:00 BRST  
Anonymous JV disse...

E o Alon acordando é uma beleza....

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 01:03:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Outorga onerosa, como fizeram os DEMOS e TUCAS implica em pagar duas vezes o custo das estradas. Sem outorga onerosa apenas a manutenção é paga duas vezes. O IPVA (no meu tempo era TRU) serve para que? Com o perdão da infeliz lembrança, se num estado capitalista o usuário deva pagar pelo que usa, já que pagamos água, esgôto, pedágio, estacionamento em via pública, eletricidade e outras utilities, devemos pagar também pelo ar que respiramos? Ou pagar pedágio para transitar da rua para casa?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 01:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

A Taxa Rodoviária Única foi criada em 1969 pela Junta Militar que sucedeu Costa e Silva após sua morte. Se era taxa e ainda mais única, constituia um obstáculo para a cobrança de pedágio. Aí, em 1985 já no govêrno Sarney, os doutos em tungar o povo mudaram o nome para IPVA, um imposto. Não satisfeitos, os neocom doutos, criaram essa tal de outorga de concessão onerosa, em que o concessionário além de arcar com a manutenção, deveria ressarcir o estado pelo investimento na rodovia. Que nós hoi polloi havíamos já pago. Como ninguém trabalha de graça, o concessionário repassa esse ônus ao preço do pedágio. Total, pagamos duas vêzes pela construção da rodovia e manutenção. Agora, os doutos não tão maus, fazem-nos pagar apenas a manutenção em duplicidade, além lógico de permitir o necessário lucro do concessionário, que ninguém trabalha de graça.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 01:48:00 BRST  
Anonymous Marcos disse...

Esse post do Alon é simples de refutar.
- O custo de manutenção das estrada é muito menor na mão de empresas focadas no negócio.
- O governo não precisa mais fazer licitações, que encarecem a manutenção, até mesmo se for necessário trocar as placas das estradas.
- O BNDS """"EMPRESTA"""" dinheiro. Não dá!!!!
-O governo pode concentrar atenção e recursos em estradas com menor fluxo de veículos, proporcionando maior desenvolvimento a regiões que hoje são difíceis de serem acessadas.
-Só paga pela conservação da estrada quem a utiliza.
-O argumento do Alon não inclui o quanto será economizado pelos motoristas com a economia de combústiveis, tempo e peças dos veículos. (lembrando que o sindicato das transportadoras comemoraram o leilão).
- E o melhor de tudo: O governo pode focar mais sua atenção para area social.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 03:10:00 BRST  
Blogger Roberto disse...

Alon,

Estou historicamente convencido que o governo (este, ou qualquer outro) é mal administrador. Na verdade, tenho minhas dúvidas se o governo, com sua ineficiência crônica, seus líderes politicamente escolhidos em vez de meritocraticamente escolhidos tenha feito as estradas mais barato do que a iniciativa privada o teria feito. Mas, verdade seja dita, ao menos retirou do preço das estradas o custo da corrupção, seja na contribuição ao caixa do partido, seja no Land Rover novo do camarada. Dentro do que era possível no momento, acho que se fez o melhor.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 08:57:00 BRST  
Blogger Jefferson Milton Marinho disse...

Olá Alon,

Dizer que existe outorga de graça e outorga onerosa é uma falácia. Se o concessionário vai cobrar todo o dinheiro pago na outorga, com taxa de juros e ainda embutido o lucro na TIR, então o pagamento da outorga nada é mais do que um acréscimo na arrecadação do Estado utilizando-se do pedágio. Seria mais um imposto para os usuários das estradas. Seria muito mais honesto que se o governo quer aumentar sua arrecadação que aprove mais impostos, não use o pedágio para realizar isso.


Há argumentos para a defesa da tese de que as estradas sejam gratuitas, uma vez que o cidadão já paga impostos. Também há bons argumentos em contrário. Os impostos gerais já financiaram a construção das estradas. Talvez seja mesmo justo que os usuários diretos bancassem a sua manutenção. E a forma de obter isso é cobrando pedágio. O seu argumento é que se o governo fizesse isso o pedágio seria mais barato ainda, pois poderia dispensar a taxa de lucro. Esse argumento é bom. Não vou aqui refutá-lo. Então o governo poderia montar uma empresa de cobrança de pegágios, pegar dinheiro no BNDES para tocar os investimentos em manutenção, supondo-se que não haja diferenças entre a administração pública ou privada, o pedágio sairia menor. É uma tese. Mas parte do dinheiro não vem do BNDES, vem das empresas, então o governo teria que tirar dinheiro dos impostos para colocar na empresa de pedágio. Não acho uma boa idéia.

Abraços,

Jefferson

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 10:17:00 BRST  
Blogger Nehemias disse...

Alon,

Eu não creio que o governo (genericamente) seja obrigatoriamente ineficiente. O exemplo que vc citou, das estradas alemãs é muito bom. Agora, tbém não sou contra a concessão. Cabe avaliar o que o melhor, dentro de um juízo de "conveniência e oportunidade" (conveniência e oportunidade da sociedade, bem entendido, e não dos políticos desejosos de financiamento eleitoral ou outras benesses).

Agora, conhecendo o governo que eu tenho, acho que foi muito bom. O melhor de tudo é que (acredito) teremos um preço razoavel e estradas melhores.

O Elio Gaspari escreveu um artigo esse domingo comemorando o feito. Acho que ele esta certo. Até hj, vc tinha estradas ruins admnistradas pelo governo, e, principalmente em SP, excelentes estradas com preços extorsivos.

É absurdo pagar R$ 13,80 para ir de SP a Santos. Claro, a estrada é de primeiro mundo, mas se nossas estradas como um todo fossem concedidas a iniciativa privada e as tarifas seguissem esse padrão, o custo brasil iria pro espaço. Vc acabaria gastando com pedágio um pouco menos do que com combustível. Em vez de melhorar, seria um desastre, pois como quase tudo que é transportado no Brasil é via rodovia, um pedágio cara se reflete nos preços dos fretes que impactam os custos de transporte de manufaturados, alimentos, matérias-primas. Haja aumento de custo em cascata!

Então o grande avanço desse último leilão foi a concessão a um custo razoavel, o que permite que mais e mais trechos sejam concedidos, as estradas melhorem e investimentos sejam feitos.

E o Lula podia aproveitar para dar uma reduzida na CIDE do diesel, seria uma forma de compensar o aumento de custo imediato com os pedágios, e teria o efeito colateral de reduzir o preço do diesel nas cidades, permitindo tarifas de trasporte urbano mais baratas, algo que seria muito bom para a apopulação mais pobre.

Nehemias

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 10:44:00 BRST  
Anonymous Taq disse...

Você acertou em cheio o principal ponto deste leilão, que foi a não cobrança da Outorga(FHC fez isso também nas concessões federais anteriores, apenas a TIR era maior, mas também eram outras as condições de mercado), Assim reduziu-se o custo. O governo federal pode utilizar-se deste mecanismo pois ele acaba depois recebendpo tributos sobre o valor arrecadado nos pedagios (os municipios tb ganham). Os governos estaduais não possuem este recurso, isto é, não tem nenhum tributo incidente diretamente nos pedagios, sendo assim caso os estados façam a concessão não onerosa eles simplesmente entregam para o operador privado as rodovias.
Quanto ao argumento que a outorga gera bitributação pois o estado investiu e cobrou encarrecendo o pedagio importante lembrar que a Outorga tem a intenção justamente de recuperar parte deste investimento e aplica-lo em outras estradas.
Bem isso vai longe e apenas quis demonstrar a diferença entre as duas formas de concessao e o porque cada ente federativo usa os diferentes modelos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 11:01:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

A resposta é simples: é mais eficiente e menos custoso ao contribuinte pagar o lucro da iniciativa privada, do que a ineficiência e a robalheira do poder público. Triste? Neo-liberal? Pode ser, mas é a realidade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 11:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Na teoria, um serviço prestado pelo Estado deveria ser mais barato do que o mesmo serviço prestado por particulares, uma vez que o Estado não busca lucro sobre o investimento. Porém, na prática, o setor privado é mais eficiente. Seria interessante discutir as causas dessa diferença. Corrupção pode ser uma delas, mas também corrupção em empresas privadas. Talvez o problema resida nas nomeações políticas, que desestimulam os funcionários a trabalhar bem. Acho que há muito para se discutir e comparar com outros países.
Sds., de Marcelo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 12:37:00 BRST  
Anonymous Mello disse...

A questão ideológica me parece que ultrapassada no Governo Lula. E tem muito tempo. É um governo de continuidade.
Se favorecido ou não pouco importa ao cidadão. Em realidade, nos aspectos objetivos, tem alcançado resultados melhores dos que os dos governos anteriores.
Aconteceu de novo na privatização das estradas. A menos que as estradas agora privatizadas ofereçam condições muito (ressalto) piores que as demais.
No entanto, na chegada da TV Digital e seus preços estratosféricos, é possível que o debate recoloque mais realismo nas coisas, propiciando inclusive a visão de que os demais contratos de concessão (telefonia inclusa) foram ratificados no atual governo.
Muito sangue rolará por essa ponte.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 12:46:00 BRST  
Anonymous ortuño disse...

Caro Dines,desculpe, Alon,investir ou não investir?O modelo paulista de "privatização",(ou será concessão),é desvantajoso para o usuário:a venda de outorga ao concessionário.O custo de partida,refletidos nas cabines dos pedágios,é escorchante.Os espanhóis vão angariar simpatia pelo custo civilizado ,e o governo Lula,votos.
Equação bem mais fácil,do que os exercícios de econometria ,coisa e tal.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 13:15:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Me parece que há uma boa razão que ajuda muito entender a magnanimidade e a pressa do governo petista:

São as eleições, estúpido!

Pedágio a 0,99 é melhor que loja de 1,99. Só perde pra Miami.

Sobre estradas admnistradas pela iniciativa privada:

O modelo "paulista" funciona e tem peculiaridades que precisaríamos conhecer melhor antes de afirmar uma ou duas bobagens sobre as concessões e os preços cobrados nos pedágios.

O modelo "federal" só poderá ser avaliado no seu resultado após as eleições de 2010. Sob o risco de dizermos uma ou duas boabagens sobre o "novo" modelo, o melhor a fazer agora é esperar os resultados para, então, avaliar o que foi feito. Hoje dá apenas para ler os contratos.

Enfim, não se pode comparar o que existe hoje com o que ainda vai ser, sob pena de afirmarmos uma ou duas bobagens. Como são as concessões iniciadas no governo Mário Covas, gostando ou não, todos sabemos. Como serão as concessões iniciadas no governo Lula é uma incógnita.

Auspicioso no episódio é que só após a implantação e efetivo funcionamento do modelo "federal" poderemos, então, nos debruçar sobre elementos empíricos e, após análise, exercer sobre os modelos um juízo correto. Ou seja, poderemos comparar os modelos e decidir corretamente sobre o modelo mais indicado para concorrer com o modelo estatal de administração das rodovias (esse modelo não vai cair em desuso. Ele ainda é um grande negócio para políticos corruptos e empreiteiras idem).

Poderemos até concluir pela convivência de ambos modelos. Quem sabe, tais modelos possam ser até uma fonte de financiamento para abertura de novas estradas pelos governos federal, estadual ou municipal.

Uma coisa é fato: a divergência sobre as concessões não é mais ideológica. Governos do PSDB e do PT aceitam conceder a manutenção e admnistarção das rodovias à iniciativa privada, reconhecendo, desse modo, a eficiência do setor privado nessa questão das rodovias. A divergência é quanto a modelos de concessão.

Para quem não quer falar uma ou duas bobagens sobre as concessões, um bom começo é ler o artigo do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, publicado no ESP.

Está no site dos democratas

http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=751471&idcontato=45917&origem=fiqueatento&nomeCliente=DEMOCRATAS&data=2007-10-15

Abs.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 15:07:00 BRST  
Blogger Julio Neves disse...

Meu ponto de partida é que na administração pública a corrupção é alta e o serviço oferecido é ruim. Já numa administração privada a corrupção é baixa e o serviço é bom.

Sobre as estradas concordo com o Alexandre Porto: "Estradas boas e com preços de pedágios baixos aquecem a economia e diminuem o Custo Brasil." E também com o que disse o Roberto: "Estou historicamente convencido que o governo (este, ou qualquer outro) é mau administrador."

No resultado do bolsa pedágio sei que teremos a chance de ter um país mais desenvolvido e menos pobre. Já no bolsa esmola teremos uma pobreza continuada e eleitoreira.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 16:58:00 BRST  
Anonymous JV disse...

Mas não era o Lula que criticava as privatizações? e esta incongruência ninguém nota?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 23:47:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Independente do cenário vigente na época das outorgas onerosas do govêrno tucano, as taxas internas de retôrno praticadas eram escorchantes. O retôrno é calculado em cima do lucro, que por definição é líquido dos demais custos e despesas sejam altos ou baixos. O que afeta a TIR é a expectativa de risco, no caso principalmente, o político de que os contratos sejam rompidos ou no meio do caminho seja aumentada a carga tributária. O fato do BNDES financiar o concessionário, apesar da finitude de recursos de longo prazo, não é um mal em si. Levantar financiamento no exterior esbarra em taxas mais altas em função do risco Brasil, que a médio prazo deverá baixar com o upgrading para grau de investimento. Então o tomador poderá quitar a dívida com BNDES e tomar a uma taxa e prazo mais vantajosos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007 01:06:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

No caso há um enfoque de metodologias diferentes para atingir o mesmo objetivo: atrair a iniciativa privada nacional e/ou estrangeira para aplicar na infra-estrutura os recursos que o Estado não possui. Em todos os casos de rodovias, parece que não houve privatização, mas sim concessão. O Estado concede a exploração por dado tempo em troca de melhorias e o concessionário é autorizado a cobrar pedágio para amortizar os investimentos realizados. No caso atual, nas rodovias federais, foi adotado o critério da menor tarifa. Por eixo. Pode ser que em outros casos não seja o melhor método e possa até ser adotado o critério da outorga. De todo modo, é mais uma incorporação de método de gestão capitalista dos ativos públicos, só renegados para efeitos políticos.
Sotho

terça-feira, 16 de outubro de 2007 10:07:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O ocorrido é metodologia diferente para atingir o mesmo objetivo: atração de capital privado nacional e/ou estrangeiro para aplicações em infra-estrutura rodoviária, dado a exaustão da capacidade do Estado. Concessão com outorga ou pela menor tarifa por eixo, são aspectos que podem vir a ser adotados em casos específicos. Talvez a menor tarifa não seja tão adequada para outras situações. De todo modo é mais um instrumento capitalista de gestão de ativos públicos que vêm sendo adotados desde 2002.
Sotho

terça-feira, 16 de outubro de 2007 10:16:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Mesmo nos anos 70, onde os governos eram nacionalistas e estatizantes, foi adotado modelo tripartite na petroquímica: capital público, privado nacional e estrangeiro. Depois, foram privatizadas. Portanto, o governo atual daqui para a frente tenderá a adotar mais processos deste tipo, coerente com a profissão de fé dada na Carta ao Povo Brasileiro. No plano político, o arco de alianças dará sustentação.
Sotho

terça-feira, 16 de outubro de 2007 10:24:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Pensei um pouco na questão da diferença entre a eficiência da gestão pública e privada. NO caso das rodovias, o que pesa contra a gestão pública é a deseconomia de escala. Quero dizer: o gerenciamento de um sistema de transporte tão grande como as rodovias acaba ficando mais caro do que a operação feita por várias empresas. Isso fica muito claro no caso das rodovias federais: é preciso ter um gerente de obra, um gerente de divisão, uma superintedência regional, uma superintendência federal, um ministro e toda a burocracia envolvida em cada nível. Uma alternativa para isso seria estadualizar e municipalizar toda malha rodoviária, mantendo apenas um nível de coordenação no ministério.
Em tempo: acho que o modelo de outorga onerosa (caso paulista) é o adequado quando há concessão de uma estrutura existente e funcional para empreendedores privados, pois é preciso remunerar o Estado pelos investimentos já feitos. Quando a estrada parte do zero, o modelo de concessão sem ônus parece ser mais indicado.
Sds., de Marcelo.

terça-feira, 16 de outubro de 2007 10:44:00 BRST  
Anonymous Ricardo disse...

Caro Alon,
Não é verdade que as concessões foram feitas gratuitamente. Na verdade, além de operar as estradas, as concessionárias se comprometeram a realizar inúmeras obras nos trechos concedidos. ou seja, elas devem um "contraprestação", um preço pela concessão. As estimativas são de investimentos da ordem de 20 bilhões de reais nos sete trechos concedidos para as obras que envolvem "recuperação geral", duplicação, instalação de equipamentos de segurança e serviços para os usuários. Compare-se esse valor de investimento com o gasto do governo com esses trechos de janeiro a setembro deste ano, que foi de míseros e inacreditáveis 10 mil reais. Assim, a afirmação de que houve entrega a preço de banana não é correta. Veja, não estou fazendo propaganda deste governo, até mesmo porque não gosto dele nem um pouco. É só uma questão fática. Os dados sobre os contratos e licitações estão no site da antt (www.antt.gov.br).
Abraços
Ricardo

terça-feira, 16 de outubro de 2007 14:16:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

No caso específico da rodovia Fernão Dias a outorga deveria ser onerosa (modelo paulista). Sua duplicação e a construção de trevos e viadutos, que eliminaram os perigosos cruzamentos no sul de MG, aconteceram durante os governos FHC. Os trechos não duplicados (em obras) herdados pelo governo Lula foram insignificantes. Se não me falha a memória, menos de 10km do percurso. Se não me engano, a duplicação recebeu dinheiro do BIRD.

Faz quase 25 anos que viajo periodicamente nesta estrada.

A concessionária que levou a Fernão Dias vai pegar a estrada em condição muito boa. Os trechos que precisam de manutenção são localizados e ainda não comprometem a segurança. A sinalização é precária.

No lado mineiro, o trecho de grande movimento é o que liga BH a Lavras (São João Del Rey e Tiradentes.). Este trecho é rota para Contagem, Betim e outras adjacências industriais, para cidades de "fim de semana" dos belorizontinos, para o triângulo mineiro e outras adjacências agroindustriais. O trecho paulista de grande movimento começa em Bragança. Na volta do feriado de 7 de setembro a estrada parou perto de Bragança!

No caso da Fernão Dias, posso afirmar sem medo de dizer bobagem: o governo Lula entregou graciosamente aos concessionários essa estrada. Um negocião.

Estranho o silêncio da "mídia golpista". Entendo o silêncio dos aliados e amigos do governo "democrático-popular".

Abs

terça-feira, 16 de outubro de 2007 15:47:00 BRST  
Anonymous Richard Lins disse...

Alon, pessoal, acho que vcs deliraram!!! Li o texto 2x e não achei ele irônico, o que leva à crer, Alon, que vc acredita mesmo na ingenuidade da classe média.
Não vejo a conexão entre pagar pedágio e votos... se vc ainda vai continuar pagando IPVA e demais impostos embutidos no preço dos combustíveis.
E, como disse o Paulo Araújo: são as eleições, estúpido! Logo depois de visitar a Espanha, uma empresa espanhola ganha a "concorrência", com preços abaixo do que já pratica em estradas estaduais, que, "coincidência", estão nos estados dominados pela oposição... pô, até cego vê uma armação destas!!!!!!!!!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 16:34:00 BRST  

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