sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sustentado pelo poder de fato (14/09)

Coluna (Nas entrelinhas) publicada na edição de hoje (14/09/2007) do Correio Braziliense:

É improvável que Renan Calheiros abra mão da Presidência do Senado, temporária ou definitivamente, depois de vitorioso na batalha de plenário da última quarta-feira. É legítimo que a oposição mantenha a intenção de removê-lo da cadeira. Tal desejo é componente natural da luta pelo poder. Assim como a resistência oposta pelo senador de Alagoas. Entretanto, a oposição só poderá alcançar seu objetivo se fatos novos ensejarem rearranjos políticos entre os senadores. Em outras palavras, ou a oposição consegue dar um jeito de dividir a base do governo e transformar o caso Renan numa guerra santa ou Renan Calheiros continuará sentado em sua cadeira presidencial até o final de 2008.

Quais são as armas da oposição para rachar a base governista e tentar retomar a onda anti-Renan? A mais vistosa delas é a ameaça de não votar a renovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Trata-se, entretanto, de uma ameaça relativa. Melhor dizendo, é uma ameaça ao contrário. Como o governo sabe que as bancadas do DEM e do PSDB não querem votar a favor da prorrogação da CPMF e da DRU, o Palácio do Planalto naturalmente já concluiu que vai depender mesmo é de sua base, ainda que vitaminada por defecções pontuais no campo tucano-democrata, eventualmente estimuladas por governadores. Ou seja, se Luiz Inácio Lula da Silva quer mesmo a CPMF e a DRU, não seria hora de o Planalto desestabilizar a aliança PT-PMDB.

Outra possibilidade é a oposição enveredar pelo caminho da obstrução sistemática, negar-se a votar qualquer coisa, colocar fogo no circo. Os termômetros do Congresso Nacional não indicam que a temperatura tenha chegado a tal ponto. Pode chegar um dia, mas ainda não chegou. Dois vetores operam em sentidos contrários nesse caso. À oposição parlamentar pode eventualmente interessar o quanto pior melhor, mas não há indícios de que tal seja o desejo dos governadores oposicionistas.

Aliás, não se notou antes da votação sobre Renan Calheiros qualquer movimento dos principais governadores do PSDB e do DEM para colocar lenha na pilha de madeira em que se pretendia queimar o presidente do Senado. Ou seja, nem o poder federal nem os estaduais (que se confundem com a expectativa de poder para 2010) moveram-se para incinerar Renan. E ele não foi incinerado. Talvez seja o caso de relacionar uma coisa com a outra. O fato é que Renan pode estar mal avaliado pelo poder da opinião pública, mas está sustentado pelo poder de fato. E o divórcio entre a opinião pública e o poder de fato não parece ainda suficientemente litigioso para deixar o poder de fato com a pulga atrás da orelha.

Diante do processo contra ele, Renan Calheiros decidiu pela tática do aparente imobilismo. Ficou parado onde estava, na certeza de que os potenciais adversários não se entenderiam sobre os cenários de sua substituição. Pelo resultado da votação da última quarta-feira, o presidente do Senado moveu corretamente, até agora, as peças no xadrez mortal em que se decide o seu futuro. Mas, como o jogo ainda não terminou, resta aos que desejam remover Renan construir uma alternativa que seja satisfatória ao poder de fato.

É difícil, pois nem o Palácio do Planalto nem os governadores parecem estar interessados em desequilibrar e desestabilizar o jogo nesta altura do campeonato. Lula e os chefes políticos estaduais querem mais é administrar, investir e ter realizações materiais para mostrar em 2010. Aliás, o que o poder de fato menos deseja é ver emergir um presidente do Senado com força e brilho próprios para dividir a mesa e desarranjar o quadro para 2010. Para sorte de Renan Calheiros.

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Ou Renan será uma alternativa à candidato à presidência da base aliada? Deveriam inicicar uma campanha já: demonstrou ter base para tanto. E fôlego. Seria a jóia da coroa?
Sotho

sábado, 15 de setembro de 2007 08:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

SERIA UMA DISPUTA CARICATA PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ENTRE OS DOIS ÚLTIMOS CANDIDATOS A PRESIDÊNCIA DO SENADO: RENAN CALHEIROS X JOSÉ AGRIPINO. ESCOLHAM QUEM MELHOR NOS REPRESENTA. NÃO VALE NULO OU ABSTENÇÃO.

DESCULPEM-ME MEU TECLADO ESTÁ TRAVADO NAS LETRAS MAIÚSCULAS.

ROSAN DE SOUSA AMARAL

sábado, 15 de setembro de 2007 20:08:00 BRT  
Blogger Joel Palma disse...

Bem... a gente tem mesmo é que falar do outro lado, dos corruptores...a imprensa tá só comendo bola, ou tá comendo bola ?
é óbvio ululante que o sistema é corrompido, não importa o homem que esteja lá....então, vamos tomar vergonha na cara e lembrar que os corruptores nem estão sendo lembrados, quanto mais sendo processados....prestenção né ?

domingo, 16 de setembro de 2007 01:07:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Pelo visto, a eleição de 2010 já começou mesmo. E é triste constatar que a grande maioria dos políticos está tão preocupada com seus "futuros" cargos.
Propostas, trabalho, dedicação ao interesse público nem pensar... só cargos-cargos-cargos!!!!!
Continuarei no voto nulo mesmo...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007 18:20:00 BRT  

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