segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Retórica antimilitarista e antinacional (03/09)

Da Folha Online:

Uma moção aprovada ontem por unanimidade no final do 3º Congresso do PT pede a "democratização das Forças Armadas" (...). "O PT entende ser uma tarefa urgente do governo brasileiro iniciar um processo de democratização das Forças Armadas, que precisam ser transformadas em instituições a serviço da população e da democracia", diz a moção. De acordo com o documento, "é inaceitável que alguns generais em postos de comando continuem a fazer manifestações públicas em defesa da ditadura, ou que as instituições militares possam constranger o regime democrático, colocando-se acima da lei ao desacatar decisões judiciais e administrativas legítimas".

Clique aqui para ler a íntegra da reportagem. Vocês sabem que eu andei reclamando do ministro Nelson Jobim. Para o meu gosto, ele está pegando leve demais com as companhias aéreas e já parece enredado nessa coisa de privatizar a Infraero. Mas num ponto eu sou obrigado a dar o braço a torcer. Ainda que premido pelas circunstâncias, fez bem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nomear um ministro da Defesa que não é do PT. Pode até ter sido pura sorte de Lula (um cara de sorte), mas foi uma boa. Depois dessa de "democratizar as Forças Armadas", minha sugestão é que o PT seja mantido a uma distância prudente de qualquer decisão sobre a política de Defesa do Brasil. Eu li a notícia e fiquei imaginando o que seria a tal "democratização" proposta pelo PT. Talvez alguma coisa na linha da anarquia e da quebra de hierarquia que o ministério da Defesa -quando era comandado pelo PT- estimulou, ao longo de meses, entre os sargentos do controle de tráfego aéreo nacional (A crise aérea, março e abril de 2007). Só falta o PT explicar se a "desmilitarização" dos controladores de vôo e a entrega do controle a um sindicato amigo do PT faria parte da "democratização". As Forças Armadas brasileiras não precisam de quem as queira "democratizar". Não precisam da agitação político-partidária nos quartéis. Não precisam da quebra da hierarquia e da disciplina. As Forças Armadas não são do PT, nem do governo -que circunstancialmente é do PT. Ela são do Brasil. São profissionais, obrigadas a obedecer aos governos eleitos pelo povo. Se o PT discorda das opiniões dos generais, almirantes e brigadeiros que hoje comandam as três Forças, basta que a direção do partido peça uma audiência a Lula e exiga que o presidente troque a cúpula militar por uma nova, alinhada com o PT. O presidente tem poder para fazer isso. É preciso, entretanto, saber se o presidente quer fazer isso, se ele acha que as Forças Armadas devem ser colocadas sob o comando de generais, almirantes e brigadeiros escolhidos pelo critério de alinhamento com o PT. Se o PT quer mandar nas Forças Armadas, esse é o caminho legal, institucional. De novo, as Forças Armadas não precisam de quem as queira "democratizar". Do que as Forças Armadas precisam é dinheiro. Para comprar aviões, embarcações e veículos que as tornem operacionais para defender o nosso território. Nesse aspecto particular, o governo do PT dá contnuidade a todos os governos desde Fernando Collor, ao manter as Forças Armadas à míngua. Com uma retórica antimilitarista que mal disfarça seu caráter antinacional. Enfraquecer as Forças Armadas nada tem a ver com a democracia. Tem a ver com o abandono das nossas fronteiras, com a ação de Organizações Nào-Governamentais (ONGs) vocacionadas para a neutralização da nossa soberania, especialmente na Amazônia. Tem a ver com a submissão às pressões internacionais para que capitulemos à idéia de "nações" indígenas autônomas dentro de territórios que são nossos. Tem a ver com nossa incapacidade de adotar uma liderança militar regional, deixando esse espaço aberto para os Estados Unidos. Tem a ver com coisas assim. Entre outras. Tomara que Lula não ceda a essa pressão do PT.

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8 Comentários:

Anonymous Na Prática a Teoria é Outra disse...

É meio triste, mesmo, a incapacidade da esquerda lidar com o simples fato de que as forças armadas são necessárias. Ainda mais com o clima geopolítico turbulento nos Andes, que qualquer hora dessas pode muito bem transbordar para cá.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 15:35:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Que importância tem o Mercadante no PT? Ele não é de uma família de militares? Ele sabe como é a alma das Forças Armadas. Como deixa o partido falar um besteira desse tamanho!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 17:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo em gênero, número e grau com seu comentário. Não, diga-se, que a direita brasileira seja muito melhor, como você notou. A verdade é que a maior parte das elites brasileiras, tanto à direita quanto à esquerda, desistiu do país enquanto projeto de nação. A direita pensa apenas na globalização, de preferência a financeira, enquanto possibilidade de se desligar do país econômicamente (não que deixem de querer ter empregados domésticos). Já a esquerda, decepcionada com o aparente fracasso da luta de classes, desembocou na *Nova Esquerda* ocidental e seu discurso pseudo'egalitário e tribalista, sendo em boa parte cooptada pela indústria das ONGs. O que ambas têm em comum é acreditar que não é possível um projeto nacional, pois são profundamente cínicas e um tal projeto requer uma certa dose de altruísmo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 17:30:00 BRT  
Anonymous Mello disse...

É isso aí. Mas tem um porém: Jobim é cara complicado. Se continuar bancando o marechal, vai enfiar, rapidinho, os coturnos, ops, os pés pelas mãos. Quis se impor num grito e já enguliu uma nota dura do alto comando. Ajudou a quem?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 19:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, estou com você prefiro o antigo DAC do que um sistema civil dominado pela CUT.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 21:14:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Alon, será que você não está descontextualizando a crítica à tendência (compulsiva) de tutela? Eles são condicionados na filosofia do "manda quem pode e obedece quem tem juízo". Isso faz sentido quando é preciso fazer um ataque massivo contra uma metralhadora embasada que vai matar 1/3 da minha Companhia. Como as sociedades democráticas elegeram o consenso para tratar das instituições, o meu receio é que a cúpula passe a idéia para a tropa que "casaca" é chegado num nhenhenhém.

terça-feira, 4 de setembro de 2007 05:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O PT e a esquerda em geral ainda vêem as forças armadas como um inimigo a destruir. Parabéns pelo artigo.
Sds., de Marcelo.

terça-feira, 4 de setembro de 2007 11:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não gostei nem um pouco do seu artigo, Alon, já que ele mistura alhos com bugalhos no mesmo plano e saco. Primeiro: ONGs aparecem onde o estado está ausente, e querer fazer de madeireiros e latifundiários os portadores do interesse da Nação não me parece a melhor maneira de incorporar à Amazônia ao estado nacional brasileiro. Segundo: ninguém que eu saiba quer destruir as FFAA; apenas, diante dos recorrentes episódios envolvendo o legado da ditadura, em que os militares da ativa recusaram-se assumir uma postura inequívoca de defesa da institucionalidade democrática (e aí caberia muito bem alguma espécie de retratação) não há quem deseje dar recursos a um clube de viúvas dos anos de chumbo. Na verdade, os militares é que se colocaram fora do Corpo Político da Nação - o que é lamentável, quando se sabe o quanto as FFAA já fizeram em defesa de causas progressistas no passado remoto, e o quanto devemos a uma figura como o Mal. Lott, por exemplo...

terça-feira, 4 de setembro de 2007 15:29:00 BRT  

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