sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Quando a mediocridade pede salvo-conduto (21/09)

Corre solta a polêmica sobre o livro didático de História criticado pelo jornalista Ali Kamel, da TV Globo. Antes de eu entrar no assunto propriamente dito, aproveito para sugerir que ele dê uma olhada em algumas coisas veiculadas pela tevê em que trabalha. Como, por exemplo, o quadro do Fantástico criticado aqui e também pelo prefeito Cesar Maia (em seu ex-blog) por ridicularizar a Proclamação da Independência. Segundo o Fantástico, Dom Pedro (que viria a ser Primeiro) proclamou a Independência em 7 de setembro de 1822 porque, entre outras coisas, estava com diarréia e tinha levado um fora de uma mulata. É engraçadinho, mas não deixa de ser uma grossa estupidez. Bem, o fato é que o livro criticado pelo Ali Kamel parece ser mesmo bem ruim. Na preliminar, é um escândalo que livros didáticos adotados pelo Ministério da Educação contenham erros de português. A editora deveria ser multada, para aprender a fazer as coisas direito. Mas voltemos ao conteúdo do livro. Eu não formei minha opinião sobre ele por causa dos trechos destacados na crítica do Ali Kamel. Eu cheguei às minhas conclusões pelos trechos que o autor do livro pinçou para responder aos ataques sofridos, e também por declarações do autor. Como, por exemplo,

"Nosso grande ideal não é o de Stálin ou de Mao Tsetung, mas o de Kant: que os indivíduos possam pensar por conta própria, sem serem guiados por outros."

Eu não levo a sério, ideológica ou intelectualmente, pessoas supostamente de esquerda que pedem salvo-conduto à direita para contrabandear opiniões também supostamente "progressistas". Virou moda nos últimos tempos o sujeito atacar personagens históricos relacionados à luta pelo socialismo para tirar uma espécie de alvará. "Eu sou legalzinho, vejam como eu ataco Stálin e Mao Tsetung. Como eu sou bonzinho, vocês não deveriam me criticar quando eu defendo que o socialismo é bacana."

Alguns trechos do livro, destacados pelo autor para mostrar "eqüidistância":

"A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas stalinistas...'' (pp. 63-65).

"O Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível.'' (p. 191) ''Ouvir uma fita com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...) Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país...'' (p. 247)

É isso aí. O autor resolveu recorrer ao anticomunismo para ser simpático à direita. Deu errado. Ressalte-se que eu divirjo frontalmente do Ali Kamel na crítica que faz ao socialismo. As posições dele sobre o tema são rigorosamente reacionárias. Entre erros e acertos, as experiências socialistas na Europa e na Ásia significaram e significam grandes avanços para a humanidade. Terei a oportunidade de discutir o assunto daqui a alguns dias, por ocasião do nonagésimo aniversário da Revolução Russa. Por enquanto, vamos aproveitar para dizer as coisas como são. Ao longo de anos, o PT e arredores abraçaram o anticomunismo como o passaporte que lhes abriria as portas para serem aplaudidos pela direita. E a direita retribuiu com os esperados aplausos, além de generosos espaços nos aparelhos com que a direita constrói a sua hegemonia ideológica na sociedade. Sim, a direita também usa Antonio Gramsci, ainda que o aponte como o belzebu que inspira a tomada "pacífica" do poder pela esquerda. O problema é que a direita quer Gramsci só para ela. Quer falar sozinha. De volta ao PT. O que a direita não poderia supor era que o bichinho criado com tanto cuidado chegaria ao poder. Pois ele chegou e vai bem. A vida das pessoas tem melhorado e o presidente da República desfruta de sólido apoio político. E as idéias de esquerda vão penetrando na consciência coletiva, pois encontram referência na vida material. Para a direita, sobraram os resmungos e as lamentações. Por ver como a chegada do PT ao governo no Brasil abriu novas possibilidades para o avanço da luta dos trabalhadores, aqui e nos países vizinhos. É aquela história, o papel objetivamente desempenhado pelo indivíduo não se confunde com o papel que o indivíduo imagina para si. No futuro, as diatribes anticomunistas do PT serão esquecidas, mas ficará o registro do processo histórico desencadeado pela emergência social e política dos grupos sociais trazidos ao poder e ao protagonismo com a ajuda do PT. Isso compensa o fato de sermos obrigados a suportar as bobagens ditas pelo PT e arredores sobre o socialismo. Como fez hoje o ministro da Educação, Fernando Haddad, n'O Globo:

"(...) No caso específico do sistema soviético, eu escrevi um livro sobre o assunto e tenho uma visão inteiramente crítica sobre aquele processo. Defini aquele regime, tanto o soviético quanto o chinês, como despotismos modernos. Com a contradição que o próprio termo revela. É uma posição pessoal minha. Há pessoas que pensam diferente. Aliás, quase todas as pessoas pensam diferente. Essa caracterização do sistema soviético e chinês desagrada, de um lado, a stalinistas e maoístas e, de outro, a neoliberais."

É o velho truque do petismo em ação. Eu acho arriscado um ministro da Educação no Brasil falar mal da União Soviética ou da China. Corre o risco de ser confrontado com a distância entre a excelente qualidade do ensino nas escolas chinesas e russas e a péssima qualidade do ensino nas escolas públicas do Brasil. Por falar nisso, li na BBC Brasil que

China e Brasil lançam 3º satélite em parceria

(Marina Wentzelde, de Hong Kong) - Brasil e China lançaram nesta quarta-feira (19/09) o terceiro satélite produzido em parceria. O equipamento saiu da base de Taiyuan, província de Shaanxi, sudoeste da China levado pelo foguete chinês Longa Marcha 4B. O Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-2B) deverá tirar fotografias da superfície da Terra que serão utilizadas para estudos ambientais. "Cedemos as imagens para instituições que monitoram o desmatamento da Amazônia e que pesquisam programas agrícolas e climáticos", explicou à BBC Brasil o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara, que veio à China acompanhar o lançamento do satélite. O lançamento contou com a presença de autoridades brasileiras e chinesas. A delegação do Brasil foi liderada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende. (Continua...)

Eis a vida real. Enquanto o ministro da Educação, responsável pelas escolas em que os estudantes brasileiros não conseguem aprender Português ou Matemática, discorre sobre sua ojeriza ao "stalinismo", ao "maoísmo" e, claro, ao "neoliberalismo", um satélite brasileiro vai ao espaço levado por um foguete chinês de nome Longa Marcha. A situação constrangedora deve-se ao fato de as universidades brasileiras sob a responsabilidade do ministro não serem capazes de produzir um foguete que consiga decolar. A mesma razão explica que o Brasil tenha celebrado um acordo com a ex-república socialista da Ucrânia para operar a base de Alcântara (MA). A divisão de tarefas no acordo é bem definida, segundo o ministério da Ciência e Tecnologia:

O Brasil vai entrar com a área de lançadores, situada em Alcântara (MA), e a Ucrânia com a tecnologia do lançador, que foi desenvolvida por eles.

Clique aqui para ler a reportagem no site do MCT. Ou seja, nós entramos com o que Deus nos deu, a geografia, e os ucranianos entram com o que o socialismo permitiu que alcançassem, o domínio da tecnologia de foguetes. Mas nem tudo está perdido. Felizmente, o nosso ministo da Educação é contra o "stalinismo" e o "maoísmo". Ainda bem.

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22 Comentários:

Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Não li o tal livro didático! Não é preciso, nem eu teria estomago para tal!
Se apenas UMA das frases constantes no artigo de Ali Kamel é verdadeira, isso é motivo para condenar a obra toda.
Se essa é a honestidade intelectual da esquerda, meu Senhor, livrai-nos de-la!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 16:17:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

É por isso que eu bato ponto aqui no Alon Feuerwerker. Não se envergonha de suas idéias.

Notem que discordo frontalmente da opinião do Alon com relação ao legado socialista. Entre "erros e acertos", o preço que essas sociedades pagaram para obter competência tecnológica em alguns nichos específicos (em geral, atrelados à indústria militar), na forma de décadas de tirania e perseguições, faz-me crer que não tenha valido a pena. Outras sociedades obtiveram resultados muito mais satisfatórios, no campo da tecnologia e do bem-estar de modo geral, conduzindo os assuntos internos de modo diametralmente distinto. Ok, as condições iniciais eram diferentes, mas isso é assunto para outro post.

Mas há que se respeitar a coragem do Alon de dizer o que pensa e o porquê de sua divergência do conteúdo do livro em questão.

Eu só acho que a questão do livro do Schimidt é bastante anterior a alinhamento ideológico ou coisa que o valha: trata-se de livro mal redigido e prenhe de incorreções mesmo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 16:26:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Nada como colocar pingos nos i's. Esse uso folgado do anticomunismo como salvo-conduto costuma resultar na cobra que come o próprio rabo.
E adorei o trecho do monopólio de direita sobre Il Rosso.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 16:26:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Por essas e outras é que quando eu me formei no clássico - lá se vão décadas - jamais passei da unificação alemã nas aulas de História Geral e da proclamação da República no Brasil. O mundo do século XX só me foi apresentado na universidade. Também por essas e outras é que minha filha se formou no científico e jamais passou do início do capitalismo, a famosa acumulação primtiva, e no Brasil da Lei do Ventre Livre. Como dar aulas de história do século XX sem passar pelo comunismo, fascismo, imperialismo, pelas guerra mundiais, pela Guerra Fria, etc.? E como explicar essas coisas complexas sem notar que os historiadores têm visões de mundo, ideologias, epistemologias, que devem ser compreendidas e analisadas?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 16:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
vamos por partes:
1) o processo de compra de livros didáticos pelo MEC parece uma grande ação entre amigos, as grandes editoras do ramo. A baixa qualidade do material é patente. Faz o Eduardo Bueno parecer um scholar.
2) Dar cinco no cravo e uma ferradura não torna ninguém equidistante. O autor é parcial. Em princípio, todos somos parciais. Mas um livro da rede oficial deveria ser mais objetivo e melhor cuidado, em especial com a língua.
3) Não sei se a ditadura e a opressão do estado, incluindo os assassinatos, são um preço aceitável para a boa educação do povo. Prefiro um sistema democrático com vergonha na cara e com um sistema educacional bem montado, como existe na Suécia e na Finlândia.
4) Gramsci é cria da esquerda. Os direitistas podem até tentar usar o método, mas não creio. As evidências estão no sentido contrário. É a esquerda que tem ocupado os espaços da sociedade civil. Basta ver os livros didáticos da rede pública. E os professores da universidades nacionais.
Sds., de Marcelo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 17:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Perfeito, Alon. A crítica ligeira, distante de critérios históricos, tem um objetivo: "ser aceito". Vale indagar: aceito com qual objetivo? Vicente

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 17:37:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Alô n, os chineses não estão só aproveitando nossos recursos materiais, porém os equipamentos e instrumentos de precisão de laboratórios de ensaios de satélites do INPE que nos foram cedidos por insistência dos militares nacionalistas no final da ditadura, quando os gringos não imaginavam que uma parceria arrojada como essa seria bem sucedida. Nossa incompetência tecnológica foi devidamente avaliada, mas não nossa COMPETÊNCIA política. Eu percebo muitas políticas do nosso PCB no atual PT, por isso o apóio.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 17:40:00 BRT  
Blogger Walmir disse...

Tanto quanto você, caro Alon, não li o livro.
Penso que é insano criticar o que não se leu. Criticar a crítica de alguém que leu. Criticar a crítica da crítica, falar em guerra de editoras. Tudo isso me parece leviandade.
É como criticar o comentário de um jogo que não se viu, opinando sobre ele, fazendo alusões outras.
Falar apenas porque se ouviu falar.
Falar porque foi fulando quem disse.
E aí misturam-se ideologias.
Vaidade das vaidades.
Acho que vc caiu nessa.
Paz e bem
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 19:00:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Também discordo da avaliação do legado. Em linhas gerais, concordo com as ponderações do Frank e do Marcelo.

Sobre Gramsci e o legado, Alon, adoraria discutir bem mais. Mas aqui não é o lugar. Não por você, que é um interlocutor esperimentadíssimo e honesto.

Faço apenas um adendo. Tudo o que Gramsci escreveu está muito bem e solidamente articulado com o papel dirigente do "moderno príncipe" na construção da nova hegemonia. Ou seja, no fundamental Gramsci nunca rompeu com Lenin. Impossível "purificar" Gramsci sem destruir o essencial no seu pensamento e obra. Desconheço a história do edulcoramento do pensamento de Gramsci, mas desconfio que ela foi protagonizada por outros esquerditas envergonhados (na verdade, cínicos) bastante chegadinhos nesse alvará (na verdade, indulgência), que é a melhor garantia para o usufruto pleno de prebendas estatais e de prestígio social.

Enfim, Alon, na Itália de Gramsci o "moderno príncipe" tinha nome e sobrenome, além de uma antiga linhagem de comunistas a lhe atestar o essencial: estirpe. E cadê o nosso "moderno príncipe"? Onde a linhagem que lhe pode conferir o essencial (estirpe)?

Essa baixa linhagem que você cita (os bichinhos de carteirinha e seus acólitos da Universidade), Alon, são os conhecidos homines novi (arrivistas) de sempre. Também tenho por eles um profundo desprezo.

Em relação aos livros, concordo com você. Concordo quando você aponta a parcialidade da crítica do Kamel (quando li, não atentei para o episódio do Fantástico. Ótima lembrança) e concordo com a crítica ao jogo espertinho da editora e do autor para fazer o seu produto isento (na verdade, marketing) e, portanto, palatável (esses valentes devem estar nadando no dinheiro público que pagou pelo produto).

Ainda em relação à parcialidade do Kamel, lembro a anedota de Hegel. No caso, não interessa saber se a mocinha é uma prostituta. Interessa saber se os ovos que a mocinha traz ao nosso conhecimento estão ou não podres. Fica evidente que estão.

Abs.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007 21:01:00 BRT  
Anonymous José Policarpo Jr. disse...

Prezado Alon,

Sou leitor assíduo do seu blog, embora seja a primeira vez que deixo um comentário.
Gostaria só de deixar registrado que o mundo não se divide em direita e esquerda. A política é algo muito anterior a essa própria divisão tornada clássica no período revolucionário francês, e não pode se resumir a isso, como querem pensar muitos marxistas. Criticar - e criticar com contundência, com base e fundamento - todos os regimes políticos anti-humanos (sim, anti-humanos), como a ditadura castrista em Cuba, as ditaduras direitistas na América Latina, na África e Ásia, os totalitarismos de direita (nazismo) e de esquerda (stalinismo e maoísmo), a ditadura em formação na Venezuela de Chávez, tudo isso, em minha opinião, é mais do que direito, é DEVER de alguém que possua um compromisso autêntico com princípios humanistas. Não interessa a ideologia pela qual um governo ou sistema se investe do pretenso direito de aniquilar ou torturar seus opositores - isto é algo que uma mente civilizada não pode tolerar, e, também para os que sofrem tais perseguições, o cassetete da esquerda não dói menos do que o da direita não. Os que se opuseram a Hitler não eram todos necessariamente de esquerda, nem também eram de direita todos que se opuseram a Stálin, assim como também não é verdade que todos os adversários de Chávez sejam movidos ou hegemonizados pelo imperialismo. Essa é uma visão muito pequena e de forma alguma representa a realidade completa.
Também dizer que a tecnologia alcançada pela China, Rússia, etc., veio do socialismo, é um argumento pouco sólido, em minha opinião. Se aceitarmos esse tipo de argumento, então temos que, de forma definitiva, dizer que o socialismo é infinitamente inferior ao capitalismo, pois nenhum desses países jamais chegou a fazer sombra aos avanços alcançados de forma ampla e plural (e não só no campo militar) nos países de economia aberta e de regimes políticos liberais do ocidente, como EUA, e países europeus ocidentais.

sábado, 22 de setembro de 2007 00:13:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Bom, não li o tal livro, mas pelas passagens do livro me assusta a ruindade. E aí é aquela história, a ruindade é absoluta, até um cidadão que soma 2+2 e acha 22 como o Ali Kamel consegue reconhecer isso.

Quanto à esquerda que namora com a direita, só lembrando que a base do neoconservadorismo americano (cujos gênios vão levar os amigos da Al Qaeda, de maneira triunfal, ao poder no Afeganistão e no Iraque) é de intelectuais de esquerda que 'migraram' para a direita. Tipo ex-fumante que vira radicalmente contra o fumo, ex-prostituta que vira exterminadora de inferninhos? Pois é.

sábado, 22 de setembro de 2007 02:10:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Peraí, Alon, o que sai no Fantastico não tem relação com livro didático. O Fantástico é um programa de entretenimento, noticias banais e jornalismo , não é didático.

sábado, 22 de setembro de 2007 09:25:00 BRT  
Anonymous Kelly disse...

Alon, o MEC não é o ministério da educação e cultura. Existe um, q vc deve saber, com o Gil ministro, só da Cultura, há quase décadas.
No mais, parabéns pela análise aprofundada, apesar de discordar do q vc conclui.

sábado, 22 de setembro de 2007 16:56:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Kelly,

Obrigado. Corrigi.

Alon

sábado, 22 de setembro de 2007 18:06:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Meus estudos de história no ensino fundamental e médio (antigos 1o. e 2o.graus) foram na época da ditadura. Tomei certa hojeriza pela matéria, porque o método de ensino era muito na base do "decoreba" de atos e fatos ocorridos ali e acolá, sem se preocupar com explicações lógicas de causas e efeitos.
Só reconciliei meus interesses com a história depois de ter conhecido o método científico e ler autores que descreviam a história como um processo.
Existe um enorme tabu no estudo de regimes comunistas (e mesmo fascistas). Há uma espécie de maldição de que é preciso falar pouco sobre o assunto, e quando aborda é preciso vilanizar. O resultado são esteriótipos.
Os regimes comunistas foram fortes catalisadores de movimentos libertários. As conquistas femininas no século XX seriam mais lentas, se não fosse o comunismo. O direito a voto, a igualdade de cidadania às mulheres foi alcançada primeiro nos Estados comunistas.
As políticas universalizantes também. Educação para todos, saúde para todos, livros para todos foi uma conquista realizada primeiro nos Estados comunistas.
Os índices de alfabetização em qualquer ex-república soviética é maior do que nos EUA até hoje.
Durante a década de 30, enquando os EUA experimentavam a depressão, a URSS vivia um ciclo expansionista sem precedentes.
O Sputinik e a conquista do espaço por Gagarim deflagaram a corrida espacial e nas comunicações por satélites.
E se a Rússia não fosse comunista em 1940, teria lutado junto às forças aliadas ou ao lado do eixo?
É fácil criticar a China comparando-a aos países ocidentais do 1o. mundo. Mas como seria a China hoje se não tivesse passado pelo comunismo? Teria prevalecido o tráfico de ópio, e transformado numa Colômbia gigante? Teria havido esse controle populacional? É possível que tivesse governos colocados e depostos por potências como Japão, Rússia e EUA, tal qual ocorre no Oriente Médio, e ocorreu na própria Ásia. É possível que tivesse se fragmentado, e seu território rateado em áreas de influência dessas potências.

Na história do Brasil seria fácil pintar Getúlio Vargas apenas como um ditador escroque, selecionando o lado pior de seus governos. Mas seria um enorme reducionismo.

O mesmo reducionismo acontece no nosso estudo de história sobre a China de Mao, a URSS de Stalin, para ficar nos 2 exemplos citados no texto. E nem é preciso ser simpático ao marxismo para reconhecer isso.

sábado, 22 de setembro de 2007 21:42:00 BRT  
Anonymous Bora Baêa disse...

Alon,
Concordo plenamente com o artigo.
A imparcialidade é uma mentira, e a nossa imprensa prova isto a cada dia. Nossos estudantes devem ser colocads perante esta realidadedesde o começo, desafiados a fazerem suas opções.
O "Socialismo Real"(este termo é péssimo) de fato deixou uma herança maravilhosa, não só em aspecto tecnológico, mas também de caráter social. Os erros cometidos são expostos e analisados todos os dias no mundo inteiro(diga-se de passagem os próprios Socialistas foram os primeiros a denunciarem estes erros). No entanto o sistema em que vivemos produz muito mais miséria e assassina muito mais pessoas do que qualquer outro regime. Enquanto tem gente aqui qualificando regimes de "humanos" e "anti-humanos", milhares de pessoas morrem de fome todos os dias no planeta cuja única "super-potência" São os Estados Unidos...
Se existem regimes "humanos" e "anti-humanos" eu não tenho certeza de quais são ou foram os "humanos", mas sem dúvidas vivemos no mais DESUMANO de todos os tempos.

domingo, 23 de setembro de 2007 03:19:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Seus posts recentes estão muito bem encadeados e ajudam a desnudar, num estilo sempre inteligente e sofisticado, um fato importantíssimo da nossa história contemporânea que é decisão da grande mídia em se assumir como poder, explicitando, à céu aberto, sua capacidade de influência perante os demais poderes formalmente estabelecidos. Acho, avaliando prós e contras, muito bom que a mídia tradicional tenha tirado a máscara e se colocado com clareza. Abriu-se ao combate, acorda cedo e trabalha muito. A postura de má perdedora e, às vezes, quase histérica de ver fantasmas em toda parte mostram apenas um sofrimento antecipado pela perspectiva de perda de espaço e, conseqüentemente, poder. Na verdade, piscou. O processo será lento e angustiante. No final, Deus sabe quando, teremos, graças à Internet, através de um exercício salutar de contraditório, certamente um país melhor. Parabéns pelos textos. Você é um profissional diferenciado. Um abraço.

domingo, 23 de setembro de 2007 11:28:00 BRT  
Anonymous Maurício Serenata disse...

Oi Alon ,

Tô gostando da discussão em vários blogs .

Parece até que o público alvo destes livros está lá muito preocupado com a discussão; se o socialismo foi , é ou será bom.

A realidade destes brasileirinhos é familia desestruturada , pobreza, falta de perpectiva, escola em péssimo estado , professores idem , etc etc etc

A discussão é válida , desde que acompanhada da opinião dos brasileirinhos

É só o livro de história que está ruim na educação pública brasileira ???

Abração

segunda-feira, 24 de setembro de 2007 00:15:00 BRT  
Anonymous Roberto disse...

Prezado Alon,

deixando de lado se você leva o autor do dito livro a sério ou não (este parece um bom motivo para não discutir os fatos), você pode apontar erros factuais nos trecho que você cita?

Ei-los: A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas stalinistas... (pp. 63-65)

e

O Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível.'' (p. 191) ''Ouvir uma fita com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...) Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país... (p. 247)

Deve-se lembrar que seu argumento é que o livro parece ser mesmo bem ruim por conta dos trechos que o autor do livro pinçou para responder aos ataques sofridos, e também por declarações do autor.

Em seguida, você apenas nos diz que não leva a sério pessoas supostamente de esquerda que pedem salvo-conduto à direita para contrabandear opiniões também supostamente "progressistas" sem uma análise dos fatos mencionados.

Já perto do fim de seu post, você apenas louva alguns resultados obtidos pelo stalinismo e pelo maoísmo sem em momento algum analisar de fato os trechos citados? Por quê? Só porque você já desqualificou o autor antes da largada? Isso é um bom argumento?

Saudações,
Roberto Baginski

segunda-feira, 24 de setembro de 2007 11:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Décadas de tirania e perseguições" eram o que os Romanov faziam antes de 1917.

*

"Entre "erros e acertos", o preço que essas sociedades pagaram (...), na forma de décadas de tirania e perseguições, faz-me crer que não tenha valido a pena."

segunda-feira, 24 de setembro de 2007 16:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bom dia. Primeiramente quero deixar claro que sou leitor assíduo do blog. Seus textos geralmente são fortes, bem escritos e argumentados. Porém, desta vez devo dizer que EU NUNCA VI TANTA BESTEIRA JUNTA!
Por acaso Ali Kamel agora é algum tipo de Deus? Provavelmente seja, já que vocês absorveram tudo o que foi dito por ele. É incrível o que a rede Globo e seus grandes nomes (como Ali Kamel) conseguem fazer.
Ao contrário de todos que comentário e de você (Alon Feuerwerker), eu li o livro inteiro, página por página. Posso afirmar que o livro não é de direita e nem de esquerda. Apesar do Mario Furley Schimidt ser esquerdista e até um certo ponto comunista, ele não deixa nada disso tranparecer em nenhum de seus livros. O livro é 100% NEUTRO. Ele mostra "os dois lados da moeda", tanto do capitalismo quanto do comunismo. E isso é ótimo, já que as nossas crianças estão crescendo em um mundo totalmente capitalista e, por isso, não podem escolher que corrente seguir.
Na minha opinião as Organizações Globo pretendia (e conseguiu) reduzir as vendas do Livro Nova História Crítica da editora Nova Geração (unica editora 100% brasileira, sem capital estrangeiro). Por que a Globo quer diminuir as vendas do livro do Mario? Ora, simplesmente porque o livro é um sucesso estrondoso com mais de 1 milhão de cópias vendidas! Imagina só o prejuízo que a editora Globo deve estar tendo... Os livros de história deles estão apodrecendo nas prateleiras...
Enfim, sugiro a todos que leiam a matéria em que Mario se defende das acusações:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=25279

Peço desculpas em relação a erros de concordancia, grámatica, etc... Não sou nenhum jornalista (até porque ainda estou no primeiro ano do ensino médio), mas acho que conseguir expressar minha opinião.

Parabéns pelo blog, só não cometa o erro de absorver informações sem filtrá-las e pesquisa-las (como você vai críticar um livro que não leu?!) novamente.

Grande abraço.

terça-feira, 2 de outubro de 2007 14:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Todos os livros estão errados: uma pouco surpreendente descoberta, artigo de Antonio Carlos Pavão

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=60850

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 09:54:00 BRST  

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