quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O prefeito tem razão (12/09)

Um comentário do prefeito Cesar Maia em seu "ex-blog" merece registro. Eu tinha visto o Fantástico e pensei em escrever, mas o prefeito foi mais rápido:

"FANTÁSTICO": DESMORALIZANDO A HISTÓRIA BRASILEIRA!

1. No domingo o Fantástico da TVG iniciou uma série de quadros sobre a história brasileira, começando com a Independência do Brasil. Uma verdadeira chanchada, onde o historiador E. Bueno se prestou a um papel ridículo que o deixa muito mal. Essa chanchada com deformações da história em nome de uma comédia de mau gosto, começou com o filme repulsivo de Carla Camurati sobre Carlota Joaquina e seguiu com uma mini-série da TVG na mesma lógica.

2. Será que nossos irmãos americanos fariam a mesma chanchada no dia de suas independências, com Bolívar, Sucre, Moreno, San Martin, Nariño, Santander, George Washington, Lafayette, Thomas Jefferson, Bernardo O'Higgins... e numa emissora de TV com a audiência e o alcance da TVG? Nesses países um quadro destes de 13 minutos, em programa popular, como seria recebido pela população, pelos professores, pelos historiadores?

3. Qual o objetivo? Um país sem heróis? Um país sem história? O que uma criança, adolescente ou jovem levará como imagem da história de seu país?

4. Triste, muito triste! Espera-se que no próximo domingo esta chanchada termine e se passe a contar a História de Nosso País de forma adequada, mesmo que com uma linguagem suave e não debochada.

Clique aqui para ver o quadro do Fantástico a que se refere Cesar Maia
. Apenas como complemento, reproduzo o que escrevi aqui alguns dias atrás, em A boa notícia e a esquizofrenia ideológica:

São teorias que servem ao discurso estéril da ultraesquerda, para quem nunca o povo foi protagonista de nada decisivo no Brasil. Para quem, até o surgimento do sindicalismo de São Bernardo, a História do Brasil era um desfile de movimentos elitistas destinados unicamente a ferrar os de baixo. Uma ficção estúpida e paralisante, que serve também (de novo) à direita cosmopolita, empenhada diuturnamente em nos provar que a busca de identidade nacional (e portanto popular) seria pura perda de tempo. Que somos supostamente um país fracassado, que a nossa cultura "nacional-estatista" está na raiz do nosso atraso e precisa ser eliminada. Da minha parte, estou cheio de tudo isso. Por mim, todo esse lixo ideológico deveria ser imediatamente varrido da nossa vida, do nosso pensamento e da nossa cultura.

Nada a acrescentar, por ora.

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20 Comentários:

Blogger Luiz disse...

Apenas uma correção: Eduardo Bueno não é historiador.

Segundo ele: “Eduardo Bueno que vem a ser eu mesmo, isto é um escritor, um tradutor, um editor e um jornalista”.

Desde que ele lançou os primeiros livros, foi muito criticado pelos historiadores pelo conteúdo dos seus livros.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 09:52:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Nao havia visto. Lamentavel que se apresente isso como historia.

abs

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 11:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, concordo e vou além.
Como tenho filho em idade escolar, vez por outra (véspera de provas) tento estudar com ele pelos livros aprovados pelo MEC (para a faixa escolar do antigo ginásio). Convido a todos a fazer o mesmo. Eduardo Bueno é fichinha perto das bobagens que constam dos livros didáticos atuais. O problema começa em estudar a história pelo ângulo do politicamente correto, ou seja, querem incutir um pensamento único na cachola das crianças. Depois vem as confusões, fatos incorretamente citados ou mesmo omitidos. É trágico. Vc. se lembra da briga de uma senhora contra as apostilas do COC, que ganhou as páginas da Veja? É mais ou menos isso.
Sds., de Marcelo
PS: não deixem de analisar o material escolar dos seus filhos, especialmente os de história e geografia.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 11:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nelson Rodrigues ja dizia que o brasileiro é um narcisista ao contrario: cospe em sua imagem. A eliet meu caro faz questao de lembrar que o povo brasileiro é incapaz, assim garante a manutençao do satus quo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 12:23:00 BRT  
Anonymous Paulo Adolfo disse...

Caro Alon,

De longa data sou apreciador de Voltaire e de sua deliciosa ironia. No entanto, mesmo gozação tem seus lugares e horas. Pelo que assisti na lamentável produção da Rede G., o 'dublê' de historiador e jornalista Eduardo Bueno, resolveu exibir-se comicamente plagiando uma obra do famoso habitante de Ferney, em que um dos personagens - o sábio Sidrac - expôe sua jocosa tese de que são os humores dos intestinos que movem as ações humanas na História. A obra é "Os ouvidos do Conde de Chesterfield" e pode ser encontrada no URL abaixo:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000013.pdf

A tese do "Dia de Fúria", do stress de D. Pedro I, foi reforçada com a cópia da piada que se lê a partir da página 14 desse arquivo PDF da obra de Voltaire.

O sr. Eduardo Bueno mais propriamente deveria se apresentar no programa "Zorra Total" da mesma Rede G. e deixar a História para historiadores.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 12:53:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Alon,

Eu assisti a trechos desse quadro e tive a mesma impressão que o prefeito do Rio: foi um achincalhe desnecessário, deseducador e - como arremate - extremamente sem graça.

Lamentável o papel desempenhado pelo Eduardo Bueno (que escreveu uns livros interessantes) e pelo Pedro Bial (um jornalista com tutano, mas que parece render melhores frutos à GLOBO no papel de eterno apresentador de Big Brother).

Tenho - quero crer - algum traquejo em História do Brasil (Boris Fausto, Alencastro, J. Murilo de Carvalho, Francisco Iglesias, etc.) e li os 3 primeiros livros da coleção História do Brasil do - como nos lembra um comentarista - jornalista Eduardo Bueno.

Não obstante a ausência de qualificação formal , os livros do E. Bueno são interessantes e agradáveis de se ler, apesar da implicância com algumas incorreções e, sobretudo, com sua falta de formação na área por parte da Academia.

O espírito do escritor E. Bueno, que emprega em seus livros de História um texto ágil, à moda de narrativa, de epopéia, poderia ter sido aproveitado em um quadro sobre o assunto.

Mas “erraram a mão” feio, e transformaram esse estilo em chanchada e, para piorar, extremamente sem graça.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 14:00:00 BRT  
Anonymous emanuel lima disse...

Um velho amigo de meu pai, muito gozador, contava uma historia que, só agora percebo, não era de todo fantasiosa.

Ele dizia que a independencia do Brasil se deu por um equivoco!
D. Pedro fazia suas necessidades às margens do Ipiranga e pediu que providenciassem uma roupa de baixo limpa. O encarregado de guardar as malas do imperador, um militar da intendência ( setor do exercito encarregado do suprimento) mandou dizer pelo ajudante de ordens que não havia trazido ceroulas de reserva.
Dom pedro irritou-se e gritou: Essa INTENDÊNCIA é de morte.

Alguem da comitiva entendeu errado e repetiu a frase que ficou na história.
Pronto! estava liberto o Brasil!!!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 15:15:00 BRT  
Blogger moises disse...

Não sei se Caetano Veloso viu este quadro no domingo, mas a entrevista que ele deu ontem (3ª feira)no Jornal da Globo foi exatamente isto!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 16:12:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alom, vocë é o único esquerdista digno de nota que eu conheço. O Peninha, é um mala desde os tempos de Colegio Anchieta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 17:01:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Olha, só para destoar um pouco da aparente unanimidade, gostaria de salientar que:

a) Eu não tenho irmãos americanos. Se os irmãos de César Maia tem problemas de auto-estima patriótica, isto é lá problema deles. Mas eu já vi dezenas de quadros do Saturday Night Live satirizando a luta pela independência norte-americana, os idolatrados "founding fathers" e quase todos os aspectos da História oficial daquele país. Isto cheira a complexo de inferioridade do prefeito preferido de dez entre dez socialites cariocas.

b) Então é isto, nos rendemos? História, Geografia e Biologia se aprende no Fantástico, domingo à noite. Educação Sexual na novela das oito. Português nos diversos telejornais. Entretanto, se você quiser aprender Física e Química tem que assinar a TV à cabo e assistir ao CSI.

c) Eu não assisto o Fantástico nem na Internet, mas se o quadro é tão errado, é uma oportunidade maravilhosa para qualquer bom professor de História discutir o assunto. Até pela a audiência. E também é uma boa chance para os professores excelentes discutirem o papel da mídia na educação brasileira ("or its lack thereof", como diria um amigo).

d) E só para o Marcelo ("não deixem de analisar o material escolar dos seus filhos, especialmente os de história e geografia."), eu diria que a ignorância não é desculpa para excluir os livros de Física, Química, Biologia, Português. Nada habilita ou desabilita ninguém a criticar nenhum material didático, mas há que ter cuidado para não confundir História com a sua idéia do que deveria ser a História. E nem falo só da dialética, que é o que costuma ser criticado pelo eterno "Movimento da Família com Deus contra Hegel" (abreviando, o MSH, Movimento dos Sem-Hegel). Poucas pessoas tem condições de examinar com critério os textos de história das mentalidades. Ou a nova historiografia grega (Nas palavras de Vernant, "...com a decifração, nos anos 50, da escrita micênica, o nosso conhecimento da Grécia aumentou em cerca de 1000 anos." As conseqüência disto são fabulosas.)

E erros em livros didáticos ocorrem o tempo todo, em todas as matérias. Simplificações também. Ou alguém acha que física da ensino médio se parece com a física do século XXI?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 17:59:00 BRT  
Blogger Mozart disse...

O ser humano é dual, sempre existira o lado ruim, mas sempre existira tambem o lado bom. Devemos nos orgulhar de ter tido no país um Imperador como D. Pedro I, mulherengo autoritario, narcisista, mas um brilhante estrategista, um homem de personalidade que amou nosso país, muito mas até do que muitos politicos da atualidade. Resaltar o lado ruim é que é o problema. Eduardo Bueno é jornalista e um gozador, nada do que escreveu é mentira, mas não precisa enfatizar isso para uma população com baixa auto estima, e com baixo nivel de escolaridade. Dixe a parte podre para os livros, para a chamada elite, para as massas mostremos a parte boa, não se trata de omitir e sim de não escancarar, é o que fazem os outros paises. Quem fala da senzala, dos escravos e das amantes de Thomaz Jefferson, ou das amantes de Mitterand

quarta-feira, 12 de setembro de 2007 19:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Paulo C,
visite uma dessas grandes livrarias e conheça os livros didáticos atuais, em especial os de história e goegrafia. Depois a gente conversa. Não é preciso ter um doutorado em humanidades na Sorbonne para ver que alguma coisa está errada. Não quero tirar-lhe o prazer da descoberta.
Os livros de exatas são até mais interessantes que os da minha época e priorizam conceitos, que não mudam muito de um milênio para outro. É claro que a artimética é a mesma desde os egípcios...
Sds., de Marcelo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007 10:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Além disso, caro Paulo C, o tal quadro do Fantástico assume ares de aula de história nacional. O Saturday Night Live é um programa satírico de nascença, alinhado com os democratas. Apesar disso, zoaram muito com o Bill Clinton. Eles não posam de historiadores.
Sds., de Marcelo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007 10:59:00 BRT  
Anonymous João disse...

Mas o que foi falado no programa é verdade. A mentira é o quadro de Pedro Américo sobre o grito de independência. Isso não tem nada a ver com as bestas-fera do PT. Acontece que a história do Brasil é uma farsa, desde o descobrimento, passando por Tiradentes e até os tempos atuais.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007 14:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo C, C foi ótimo. Alguns comentários aqui lembram-me o espírito de leis (acho que ainda estão em vigor) que consideravam crime, por exemplo, tocar o Hino Nacional com um arranjo diferente.

Anônimo (Marcelo?), eu acho que ele conhece livros didáticos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007 19:06:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, minha ficha demorou a cair, afinal por que tanta animosidade com o quadro despretensioso e leve de Eduardo Bueno no Fantástico? Apesar do humor e da irreverência, não vi ofensa a qualquer personagem ou evento históricos. A história não muda nem quebra, ainda que a reviremos ou a reinterpretemos como quisermos, a menos que a História de que estamos tratando seja uma frágil elaboração ideológica, sempre prestes a desmoronar. Uma História que, por exemplo, recebe o agora coronel Carlos Lamarca (há um post seu de 14/6), como herói do panteão nacional. Evidente que não fica bem para a esquerda, hoje representada no poder, ver-se como parte da conclusão de um desenrolar histórico esculhambado, toda História oficial é empertigada. De resto, as novas personagens do panteão oficial foram convenientemente recepcionadas em palácio, longe de qualquer "protagonismo" popular (para lembrar o post anterior que você cita neste, e que também comentei). Assim como o elemento popular também esteve longe da distensão política ou do golpe/revolução de 64 (esteve sempre presente a mesma classe média, que é povo mas não pode representa-lo sozinha, e sempre em papel secundário), seja com Deus e a Família, seja pedindo diretas já. Mas Eduardo Bueno não escreve para a corte (outros diriam opinião pública), tanto é que seus livros freqüentam a lista dos mais vendidos mas não se encontra muito sobre eles na mídia (a corte prefere Paulo Coelho, que habita uma terra mágica, contra quem também nada tenho). Nossa história, pouco adequada a fazer-se epopéia, cujos especialistas acadêmicos mais contribuem para seu desconhecimento que o contrário (com muito poucas exceções de meu conhecimento), depende para sua divulgação justamente de iniciativas individuais, sem medo de enxergá-la por tantos ângulos quantos forem possíveis.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007 07:44:00 BRT  
Blogger Fabio disse...

Caro Alon,

Seguindo esta linha estapafúrdia já amplamente comentada em seu blog, folgo em constatar que este programa está caminhando ao encontro da linha escrita por outro da mesma emissora, o do Faustão. Foi-se o tempo em que era atrativo e inteligente forma opinião no caminho inverso da educação e do bom senso.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007 14:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mas, Alon, o deboche da tal identidade nacional sempre foi a tônica, seja da tal esquerda ou da tal direita. Veja como vendem produtos brasileiros em feiras no exterior: lânguidas e voluptuosas curvas brasileiras, disponíveis e convidativas. Vendendo cachaça, carros, sapatos, e até etanol.
Sotho

sábado, 15 de setembro de 2007 08:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Certa vez, o Prof. João Zanetic escreveu: "Ensinemos a física do século XX antes que ele acabe".

http://fisica.cdcc.sc.usp.br/Professores/Einstein-SHMCarvalho/node21.html

*

"Ou alguém acha que física da ensino médio se parece com a física do século XXI?"

segunda-feira, 24 de setembro de 2007 16:04:00 BRT  
Anonymous Cléo disse...

ADOREI este espaço de múltiplas reflexões. Tudo o que foi dito possui a uma verdade relativa. Gostaria de acrescentar que o quadro do Fantástico incomoda. Como professora de História, o único mérito que dou a este autor, é o de ter conseguido reunir: pensamentos, conclusões, etc... de Capistrano de Abreu, e até mesmo o antigo Rocha Pombo,e outros tantos historiadores da primeira geração. Podemos considerá-lo historiador? De tudo, o que estou conseguindo fazer, é mostrar aos meus alunos as faces da história, que não se resume somente as facetas pitorescas dos nossos personagens históricos apresentados no Fantástico. O problema, é que para alguns professores, este programa passou a ser uma verdade absoluta. Falta preparo e leituras a estes docentes.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007 22:00:00 BRST  

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