quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mercadores de ilusões (26/09)

da Agência Senado:

Brasil foi mantido entre os países com melhor nível de segurança de vôo, informa superintendente da Anac

Durante audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) nesta quarta-feira (26), o superintendente de Infra-Estrutura da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Luiz Kazumi Miyada, informou que a Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci) manteve o Brasil no Grupo 1, dos países com melhor nível de segurança de vôo. (
Continua...)

Clique aqui para ler a íntegra da reportagem. Pouco a pouco as coisas vão entrando nos eixos. A "grave crise" no controle do tráfego aéreo nacional era mesmo uma artificialidade. Produto de um cruzamento, como se dizia antigamente, do jacaré com a cobra d'água. Os mortos do acidente da Gol de setembro do ano passado foram usados como escada pelos mercadores de ilusões para vender ao país a tese de que o controle do tráfego aéreo nacional precisa ser urgentemente privatizado ("desmilitarizado"). Entre os mercadores de ilusões incluem-se controladores de vôo interessados em criar para si o melhor emprego do mundo. Um que daria a eles simultaneamente o poder de 1) decidir se os aviões vão decolar ou não e 2) fazer greve sem sofrer qulquer conseqüência. Incluem-se também os vendedores de equipamento e software que procuram impor ao país uma despesa de bilhões de reais para duplicar o sistema de controle aéreo -já que ninguém propõe, pelo menos até o momento, que os sindicatos de controladores de vôo se encarreguem também da defesa aérea nacional. Mas o lobby privatista não saiu de mãos abanando. Ganhou no relatório final da CPI aérea da Câmara dos Deputados uma menção à necessidade de abrir o capital da Infraero. Já estava no script (leia Bravata e dinheiro).

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10 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Waldir Pires,era a "espinha" atravessada nas gargantas castrenses e enxergaram nos sargentos "sparrings" ideais.A colizão dos jatos foi oportuna.Empreenderam uma ação,que lembrou a velha "república
do Galeão",com efeitos bastante preocupantes.Manipularam os controladores e a mídia.Esta, mais para voluntária do que para subalterna, desempenhou seu papel com louvor.Quase chegaram "lá"...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007 19:12:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O problema do Waldir Pires é que ajudou a deixar correr solta a insubordinação dos controladores de vôo em setembro.

Já o Nelson Jobim está cumprindo muito bem o papel que, aparentemente, Lula lhe designou: desmontar a Anac (não que isso seja uma coisa ruim, o velho DAC era menos servil às grandes empresas aéreas), recolocar ordem no galinheiro dos controladores e jogar umas açõezinhas da Infraero pro lobby privatista ficar feliz.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007 21:11:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, em seu texto faltou citar (pelo menos explicitamente) aquilo que se convencionou chamar de "imprensa golpista".
Acho indispensável fazer essa citação (não por você, pois você é parte da imprensa - não a golpista - e não lhe cabe criticar colegas), porque quando pessoas como eu, que enxergamos isso mais cedo, reclamamos, fomos imediatamente taxados de sermos contra a imprensa livre, quando apenas queríamos um noticiário que obedecesse a lógica do que nos era mostrado.

Abrir capital da Infraero não é privatização. Furnas, Eletrobrás, Petrobrás, todas tem capital aberto.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007 22:09:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, greves sem conseqüências desfavoráveis aos grevistas somente existem no Estado, com exceção das forças armadas. Mas estas, que como qualquer outra corporação tem lá também seus interesses, também podem considerar útil a mobilização alheia para incrementar seu poder dentro do espaço burocrático.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 06:57:00 BRT  
Anonymous Pedra disse...

Alon, admiro muito seus posts pelo equilíbrio, mas desta vez você estrapolou. Alon, dois acidentes horríveis em menos de um ano!! Ou você não viaja de avião, ou tá de brincadeira. Nunca na história deste país tivemos acidentes tão premeditados, tão claros sob a responsabilidade de gente incompetente em tão pouco tempo! Me diz qual país no mundo morreram mais de 300 pessoas em acidentes aéreos nos últimos anos?

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 09:27:00 BRT  
Anonymous Gurupi disse...

Pedra,Pedra.Não faça o Alon perder o tempo dele respondendo o que já está no post.Sem panfletagem,por favor

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 10:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, concordo em parte.
Não posso concordar com vc. quando diz não existir crise na aviação civil. Vejo superlotação de alguns aeroportos, obsolescência de equipamento de controle e comunicação aeronáutica (não temos ILS cat. 3, nem rádio digital, por exemplo). Sem falar nos baixos soldos da Aeronáutica, que desestimulam o aperfeiçoamento dos técnicos (eles ainda não falam inglês). Waldir era um estorvo. Nelson também é um estorvo e, pior, empavonado, autoritário e ineficiente. A Anac está funcionando com um único diretor, o Zuanazzi. Se ele se demitir, a aviação civil pára, pq. os susbstitutos precisam ser aprovados pelo Senado e não há data prevista para isso.
Concordo com vc. quanto à manutenção do controle aéreo pela Aeronáutica, pelos motivos que vc. citou. Mas, quanto à gestão dos aeroportos, não vejo impedimentos para uma privatização.
Sds., de Marcelo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 10:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pedra. O custo espiritual para todos os brasileiros com a morte destas 300 pessoas não será resgatado tão cedo por todos nós. Mas o que o Alon aborda é lógica, é bom senso, é a correta busca humana da solução racional dos problemas concretos. Sua sensibilidade não diminui o enfoque do Alon.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 11:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, se os mercadores de ilusões conseguiram fazer com que aviões voassem sem condições, que os aeroportos transbordassem de gente, que vôos atrasassem (fiquei 17 horas em Curitiba), que os controladores manipulassem a "crise" e que obras fossem superfaturadas, você não acha que giramos sobre o mesmo eixo? Não faltou uma ação institucional que pusesse um fim nisso? Não falo em culpa, pq isso se resolve com analista. Falo de responsabilidade e o governo teve, sim, responsabilidade na festa feita pelos mercadores de ilusões, no mínimo, por permiti-la.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007 13:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caso o objetivo seja abrir supermercados ou shoppings em aeroportos ai daria para pensar em privatizações lucrativas. Se o objetivo for dar segurança a passageiros e às pessoas, cá embaixo, que ficam olhando para cima a cada avião que passa, não. Pena que a discussão já deixou longe quem perdeu pessoas próximas nos acidentes, tal qual o caso Palace II. Assim, é totalmente extemporâneo falar em privatização da Infraero. Muito menos em negócios lucrativos. Que tal, então, falar em abertura de rotas para empresas internacionais, de carga e passageiros, entrarem no mercado regional brasileiro?
Sotho

sábado, 29 de setembro de 2007 12:04:00 BRT  

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