domingo, 30 de setembro de 2007

A marca do reacionarismo (30/09)

Há poucas dúvidas nesta altura do campeonato de que a política fundiária de Luiz Inácio Lula da Silva é não apenas conservadora, mas corre o risco de ser classificada como reacionária, pelo seu prussianismo. Dois trechos de reportagens do Jornal do Brasil esta semana:

1) Desenfreada invasão estrangeira

Governo não controla compras de terras por grandes multinacionais

Vasconcelo Quadros

BRASÍLIA - O esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vender o Brasil como futuro pólo mundial do biocombustível está provocando uma explosão no mercado de terras, mas desnudou uma realidade grave para a soberania do país: o governo não tem qualquer controle sobre quem são e quantos milhões de hectares de terras estão nas mãos de estrangeiros hoje. Nem tem mecanismos legais para controlar a voracidade de grupos estrangeiros que, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estão investindo pesado na compra de terras no Oeste da Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e em São Paulo. (...)

2) Brasileiros perdem o interesse

BRASÍLIA. O presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse que o aumento da procura e compra de terras por estrangeiros pelo interior do Brasil está afastando do mercado os investidores nacionais e criando dificuldades ao governo na aquisição de propriedades para formação de estoques destinados à reforma agrária um dos eixos do programa de inclusão social do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há uma competição forte com a reforma agrária porque os compradores estrangeiros pagam em cash, enquanto o governo usa Títulos da Dívida Agrária (TDAs) quando desapropria uma área conta o presidente do Incra. Além de dinheiro em espécie, os estrangeiros aparecem com moedas mais fortes, como o euro e o dólar e, em muitas regiões, quando não encontram terra barata, aumentam a oferta. (...)


Clique aqui para ler algumas coisas que escrevi sobre a mistificação patrocinada por Lula quando diz que o Brasil tem terras sobrando para a cana do etanol. A começar de Governo vegetariano e terras finitas, de abril. Nada a acrescentar. Apenas a lamentar.

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5 Comentários:

Anonymous JV disse...

Alon, impressionante como você chega a conclusões óbvias só anos depois que os pundit conservadores. Ao mesmo tempo que Lula faz discurso anti-imperialista rifa as terras úteis brasileiras.

domingo, 30 de setembro de 2007 11:32:00 BRT  
Anonymous VJ disse...

Conversa sua, JV. Os "pundir conservadores" são aliados de Lula como mercadores do etanol. Quem denunciou desde o começ no que isso ia dar foi o Alon.

domingo, 30 de setembro de 2007 11:54:00 BRT  
Anonymous JV disse...

não confunda os meta-capitalistas com os conservadores.

domingo, 30 de setembro de 2007 18:15:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Aliás, FHC começou, Lula só piorou. As críticas conservadoras vêm desde o período FHC.

domingo, 30 de setembro de 2007 18:16:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Nem o movimento da reforma agrária é um bem em si e nem o movimento de aquisição de terras por particulares não residentes no país é um mal em si.

Ambos os movimentos só podem ser analisados do ponto de vista das leis brasileiras. Movimentos que estiverem fora da lei devem ser imediatamente enquadrados pelas instituições do estado. Isso vale para os protagonistas da reforma agrária e para os empresários residentes ou não que compram terras com vistas à implantação de agronegócios.

Até onde sei, o movimento de compra e venda de terras obedece a nossa legislação. Preocupante é o movimento das ongs na amazônia.

Gostei do texto do Segatto. Desde os tempos do CEHAT ele era o nosso gramsciano preferido. Ou seja, as questões que ele levanta neste artigo são velhas conhecidas. É bom saber que ainda há vida inteligente nesse campo. hehe

Faço apenas um reparo. Não concordo que a resenha defrontou-se com "compreensões díspares e de análises realizadas por intelectuais de variadas concepções e orientações teórico-históricas". Tanto não foi assim (no meu entendimento, elas são complementares e funcionais, isto é, todas aceitam como ponto de partida de suas naálises os marcos teóricos estabelecidos pelos intelectuais da 3ª Internacional. Apesar de citar Sérgio Buarque, ele o faz como que para marcar uma posição de distanciamento.) que o o autor termina concluindo que "todas elas apontam algumas características essenciais comuns da revolução burguesa no Brasil". Ou seja, no essencial elas não são díspares. São complementares.

Também estranho a ausência (mas não muito: os estudos clássicos de referência sobre a revolução burguesa no Brasil foram obra de historiadores ligados ao PCB.) na resenha do Segatto de dois clássicos da historigrafia brasileira:

1.Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), de 1973, do Antõnio Novaes. Novaes foi um dos jovens intelectuais da USP não ligados ao PCB e que nos anos 60 participou do grupo do "Seminário do Capital".

2.O outro é o Homens Livres na Ordem Escravocrata de 1964, da Maria Sylvia de Carvalho Franco.

Estes dois trabalhos, Alon, ocupam lugar de destaque na produção acadêmica que se reivindica de Marx.

Cito os dois trabalhos como contraponto à teoria "etapista" do desenvolvimento histórico presente nos trablhos resenhados pelo Segatto (excetuando-se o Sérgio Burque). Estes dois trabalhos, Alon, caminham no contrafluxo daqueles apresentados pelo Segatto. Neles, não é o escravismo o núcleo gerador dos nossos históricos atraso e violência. Seguindo Marx, e não a ortodoxia da 3ª Internacianal, os autores identificam no capitalismo, e não no escravismo, a origem das nossas mazelas.

Tais análises, longe de serem meramente um preciosismo intelectual da academia, trazem consequências políticas de longo alcance: a alegada incompatibilidade entre escravismo e capitalismo apregoada pela ortodoxia marxista dos intelectuais do PCB nos leva a crer que qualquer transformação deveria necessaria e dialeticamente passar pela burguesia, o agente histórico imprescindível e subversivo nessa etapa do desenvolvimento histórico da formação social brasileira.

Chamo principal atenção para o estudo da Maria Sylvia, tese de doutorado apresentada no fatídico ano de 1964.

Por último, Alon, insisto na pergunta que deixei num comentário anterior. Não há em Gramsci, pelo menos no que li dele, nada que autorize o leitor a inferir que a construção da nova hegemonia, e mesmo a formação do novo bloco histórico, se fará na ausência da ação dirigente do "moderno príncipe" (elite intelectual organizada, com base no centralismo democrático, num partido político) organicamente viculado à classe que, finalmete, vai eliminar a história, vale dizer, a luta de classes. Enfim, onde o nosso (maneira de dizer. Estou fora disso faz tempo)
"moderno príncipe"? Onde os intelectuais orgânicos da classe portadora do fim último da história? Você poderia nomeá-los? Veja, Alon, se excluirmos o "moderno príncipe" nessa tarefa voltamos a Hegel e à sua metafísica. Metafísica muito influente, sobretudo na cabeça de novos e velhos hegelianos que ainda gritam no século XXI o slogam "socialismo ou morte".

Abs.

domingo, 30 de setembro de 2007 18:17:00 BRT  

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