quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Uma proposta para a Vale (30/08)

De onde menos se esperava, acaba de chegar um argumento em reforço do pessoal que propõe a retomada pelo estado do controle da Vale do Rio Doce. Aliás, esse pessoal está organizando um plebiscito popular entre os dias 1 e 9 de setembro, para que os interessados opinem sobre o assunto. É democrático. Antes de tudo, uma advertência: eu não tenho posição de princípio sobre as privatizações. Eu tento analisar caso a caso. É evidente que tem algo de errado nesse caso da Vale. É óbvio que a coisa foi um péssimo negócio para o país. A empresa foi vendida por um valor trinta vezes menor do que ela vale (sem trocadilho) hoje. Eu não condeno o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por isso. Todo mundo pode errar. FHC fez coisas boas pelo Brasil, mas na privatização da Vale ele escorregou. Então é legítimo que se reveja o que foi feito lá atrás, para consertar. Eu sei que quando a Vale foi vendida o PT liderou a turma que era contra. Sei também que de lá para cá o PT e o presidente da República construíram boas relações políticas e de amizade com o pessoal que comprou a Vale, inclusive com o Bradesco. Mas eu espero que esse aspecto não interfira na posição que o governo vai adotar no caso. Eu tenho certeza de que o PT e o governo vão colocar o interesse nacional acima de eventuais relações políticas ou de amizade. Eu, por exemplo, me dou superbem com o gerente da minha agência do Bradesco e mesmo assim estou aqui escrevendo este post. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Vamos ver se o PT discute o assunto no seu congresso, que acontece neste fim de semana. Mas eu abri o post dizendo que os defensores da reestatização da Vale ganharam uma ajuda inesperada. Ainda que indireta. O Wall Street Journal traz hoje reportagem com um monte de elogios à Petrobrás. Clique aqui para ler. Eu li e pensei: se a Petrobrás (com acento) é controlada pelo estado e vai tão bem, por que não devolver o controle da Vale ao estado? Dois são os argumentos contra essa tese: 1) haveria quebra de contrato, o que geraria insegurança jurídica e 2) a Vale só se valorizou tanto porque foi privatizada. O primeiro argumento não me desce bem. Talvez eu tenha passado muito tempo trabalhando na iniciativa privada e convivido muito com empresários. Não conheço empresário que aceite levar até o fim um contrato que passou a ser um péssimo negócio. "Segurança jurídica" é um conceito que os empresários gostam de ver saindo do teclado de seus escribas, mas que deixam de lado na primeira ameaça a suas empresas. O segundo argumento tomou um tiro na asa com essa reportgem de hoje do WSJ. Eu tenho uma proposta para a Vale. O governo retoma 51% das ações pagando o que elas valiam quando a companhia foi privatizada, mais a inflação. Paga à vista, em dinheiro. Para evitar perdas para as pessoas que investiram seu FGTS em ações da Vale, o governo poderia indenizá-las retomando essas ações a valor de mercado (o atual) com um pequeno desconto, compulsoriamente. Quem absorveria a conta? Ora, os bancos. Quem tem ações da Vale compradas com o FGTS recebria ações dos bancos, sem custo adicional. Minha proposta é justa. Está na hora de os bancos fazerem um pequeno sacrifício pelo Brasil, país que tem lhes dado tantas alegrias.

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20 Comentários:

Anonymous JBauer disse...

Faz tempo que não leio análise tão rasteira!! Segue a mesma lógica de que se um negócio privado tem valor maior ou gera maior retorno que o similar público, então o público deve ser privatizado e fim de análise... O que houve Alon??

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 10:33:00 BRT  
Anonymous Borges Pinto disse...

JBauer, acho que entendi o que Alon quis dizer. Não se trata de estatizar porque o negócio é rentável. Trata-se de desfazer um erro, que gerou prejuízo para o país. O Alon está certo. Se a Vale foi vendida por um valor quase quarenta vezes manor do que vale hoje alguma coisa tem que ser feita.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 10:43:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Primeiro, porque insistir com o fato de que Petrobrás tem acento? Será que ainda existem viúvas do Petrobrax e do estupro à língua portuguesa que era o PetrObras?

Quanto à história da Vale, claro que tem alguma coisa errada. Só que o termo de comparação não tem que ser com o quanto a Vale vale hoje, mas quanto a Vale valia à época da privatização. Alguém tem esse dado?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 11:03:00 BRT  
Anonymous Vladimir disse...

A análise não pode ser feita pelo preço que a Vale tem hoje no mercado e sim pelo preço da época em que foi privatizada.Se o valor,por acaso,hoje fosse menor que um tempo atrás o governo teria que devolver o dinheiro recebido a mais?è óbvio que não.A Vale foi privatizada e ponto.querer reestatizá-la não é pecado,mas,o preço a ser pago será o de mercado.É melhor o governo receber os impostos que a Vale paga a ter que desembolsar uma bela grana só para ter mais uns carguinhos para distribuir.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 11:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Concordo com vc, Alon.
Petrobrás tem acento. Tem que ter. Trata-se de uma oxítona terminada em "a" e portanto leva acento, inclusive depois de implementadas as mudanças na língua portuguesa/brasileira que vêm por aí.
Não entendi até hoje porque Petrobrás foi desacentuada. Seria porque o acento era um elefante branco, um resquício do estatizante nacionalismo da de´cada de cinquenta, de evidentes rasgos militares, e que nos distanciava da matriz norteamericana, tão prática com sua falta de acentos, facilitando tanto a leitura de todos nós? Será que ninguém vê que palavras como "thorough", "enough", "private", "seizure", "through", são tão fáceis de entender e pronunciar justamente porque não têm essa coisa boba que são os acentos? Afinal, o que é bom para os Estados Unidos deve ser bom para o Brasil (eu disse "deve", e não "é").

Quanto à Vale, pode ser um bom começo. Mas lembro que a soberania nacional permite, e às vezes até aconselha, outras estatizações. Passada a fúria neo, diversos outros setores devem ter companhias muito boas para estatizar. Os bancos, com seus lucros assombrosos e suas práticas desleais e lesivas são um. As companhias telefônicas são outro.

Ignotus

PS. Ah, sim: Como será que está sendo adminsitrado o tal hotel que era utilizado em todas as conversas para argumentar pelo absurdo que era o setor estatal? Foi privatizado? Alguém quis comprar? Tá dando lucro?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 13:34:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, a privatização da Vale não se resume apenas a um mau negócio, nem a simples quebra de contrato.
Há relatórios periciais feito pela COPPE/UFRJ (Coordenação dos programas de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) para subsidiar ações populares na justiça, que apontam para sub-avaliação da empresa no edital de privatização.
O maior indício de sub-avaliação são documentos internos da própria Vale: em 95 a empresa informou à SEC nos EUA (o equivalente à CVM de lá), reservas de minérios muito maiores do que as que constam na avaliação um ano depois para o edital de privatização.
Ou seja: ou a Vale forneceu informações fraudulentas à SEC para valorizar seus títulos no mercado de ações nos EUA (o que é pouco provável), ou sub-avaliou no edital de privatização.
A nulidade do leilão é questionada também pelo vínculo (proibido, pelo natural conflito de interesses) entre os avaliadores e os compradores.
Há mais de 100 ações na justiça, com estes questionamentos.
O plebiscito não é oficial como foi o do desarmamento. Não foi convocado pelo Congresso Nacional. Por isso terá valor apenas político, de pressão popular, semelhante a um abaixo assinado.
Acredito que se as ações na justiça apontarem para uma vitória da nulidade do leilão, os atuais controladores da Vale procurarão algum tipo de acordo.
Eu vejo a questão da Vale não como ideológica. Vejo como um dever de todo brasileiro (mesmo sendo de direita), em exigir o patrimônio que lhe pertence.
É como se uma família tivesse uma casa desapropriada por um valor vil. É claro que os membros dessa família entrariam na justiça para conseguir uma indenização justa que recompusesse o valor patrimonial de direito.
Por me sentir lesado como no exemplo da família acima, vou votar no plebiscito por reavermos o patrimônio que pertence por direito a todos os 190 milhões de brasileiros.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 14:26:00 BRT  
Anonymous JV disse...

É muita burrice, a Vale só vale mais porque foi privatizada, dá lucro e gera dividendos. Se estatizar, vai voltar a valer a merreca de antes, ainda ,mais na mão de petistas que vão tratar de aparelh[a-la para fins de perpetuação no poder...que tédio.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 15:00:00 BRT  
Blogger Jose Orair da Silva disse...

Ví um vídeo que está circulando pela Internet patrocinado por entidades civis detentoras, em tese, de credibilidade. Segundo o vídeo, a avaliação da Vale foi feita por um grande banco nacional que se tornou o principal acionista comprador da Vale. A crer no vídeo, foi colocada uma raposa no galinheiro e solicitado à ela que avaliasse as galinhas que iria devorar... A esperta raposa teria escondido milhões de toneladas de minério e jurado que a Vale valia pouco, muito pouco...O fato é que quem comprou a Vale fez o negócio do século... Quem vendeu, o povo brasileiro, representado pelo governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, fez o papel de otário...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 15:03:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Vladimir tem toda razão , imaginem uma empresa falida por má gestão privada e é estatizada e recuperada pelo estado, como muitas vezes neste país se faz. Anos depois, a empresa vale 200 vezes mais, porque o estado investiu e organizou (difícil de acreditar, mas estamso falando em hipóteses, certo?) , como ficaria.
Os antigos donos incompetentes deveriam receber a mais? Acho que ninguém vai concordarf com isto.
Bem, levantaram uma lebre. Se houve fraude, é crime, aí, depois de provado, cana para todos e processo de indenização a favor do estado. Mas nunca reestatização.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 16:02:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

1) Sou a favor da reestatização.
2) Petrobras é SIGLA! Petróleo Brasileiro S.A., não tem acento nem aqui nem na China... e olha que não sou tão bom assim em português!!!!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 16:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Richard, não é sigla, é acrônimo. Tem acento sim. Como Radiobrás, Telebrás e outros.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 17:14:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Quanto "valia" A Vale quando foi privatizada? Esse é o número que pessoas a favor da estatização devem tomar.
Porque na minha modestissima opinião, ainda que a Vale tivesse sido doada (e não foi) teria sido um ótimo negócio para o contribuinte.
Já imaginou só o que a Vale já pagou de imposto nesse período de privatização?
A quantidade de empregos que gerou/
Essa é a contribuição que uma grande empresa pode dar a um país, e não um título de posse! Ou vagas a serem preenchidas no toma-lá-dá-cá da politica rasteira.
Deus é grande por impedir que certas mãos se tornassem grandes em direção à Vale!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 17:50:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Eu queria ver estes privatistas venderem um patrimonio deles da mesma forma que venderam(?) o patrimonio publico. Para mim o que aconteceu foi um roubo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007 19:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O argumento de que a Vale foi subavaliada à época usa a ideologia como licença para o raciocínio desconexo: se a empresa valia 10 e foi vendida por 5, como é que não apareceu nenhum capitalista pagando 6 e fazendo um excelente negócio?

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 10:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Como de hábito, a Direita privatista perdeu a noção do interesse da Nação. Estou pouco me importando se a Vale é mais lucrativa ou produtiva sob gestão privada ou não, o que acho é que uma empresa que lida com ativos tão estratégicos para qualquer projeto de desenvolvimento não pode ter suas decisões de investimento ameaçadas de cair nas mãos de uma Rio Tinto, Hanna Mining ou Anaconda da vida, e nem deve ter como seu objetivo remunerar bem fundos de pensão de velhinhas de Montana...

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 12:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Fiz comentário sem ver o perfil do blogueiro. Perda de tempo. A matiz ideológica do Sr. Alon Feuerwerker (trabalho e fogo. É fogo!) o impede obviamente de reconher o estado como péssimo administrador de empresas. A Petrobras é somente uma exceção que confirma a regra. Analisada mais a fundo (sem trocadilho, por favor) verifica-se que muito do sucesso da empresa deriva do virtual monopólio na prospecção e distribuição e da estrutura de administração montada pelos militares que impediu ser transformada em cabide de empregos. Mas, sob nova administração (barbudinhos do sr. Ignorácio), isso está mudando, vide lucros declinantes apesar do preço do barril de petróleo na estratosfera. Desculpe o engano seu Alon, o Sr. acredita ainda em estado protetor. Eu acredito em leviatã.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 14:37:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Me angustia muito as propagandas da Vale se intitulando a "empresa brasileira" representante do Brasil no mundo. E se ela for, um dia, comprada por um indiano, ou mexicano?! Será a empresa indiana mais brasileira no mundo?!?!?!!?
A Petrobras sim, o BB sim, mas empresa privada... Bradesco, Oderbrecht etc, são antes de tudo EMPRESAS, brasileiras enquanto seus donos assim o forem.

Pergunta: acrônimo se acentua?! Nome deve levar acento ou é opcional?!?!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 18:02:00 BRT  
Anonymous Caetano disse...

Deixemos de ilusões... A Vale ,sendo estatizada, passará a ser dos políticos e de seus funcionários, como as demais estatais. Essa conversa de que é um "patrimônio dos brasileiros" é piada, sabemos muito bem como age o governo (qualquer que seja).

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 23:39:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Ótimo e oportuno texto. Um abraço

domingo, 2 de setembro de 2007 11:00:00 BRT  
Blogger Andre Kenji disse...

Ué, o artigo do WSJ fala que este é um caso raro entre estatais. E considerando que Charles Murray, do The Bell Curve, é figurinha carimbada na pagina editorial do jornal, isso quer dizer que teríamos que seguir suas opiniões sobre QI? .-)

domingo, 2 de setembro de 2007 13:51:00 BRT  

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