terça-feira, 14 de agosto de 2007

Um cenário desolador (14/08)

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Milton Zuanazzi, disse que o espaço entre as poltronas nos vôos comerciais brasileiros não é problema, já que só 5% dos passageiros reclamam do aperto. Ainda bem que Zuanazzi não é, por exemplo, ministro da Saúde. Pelo critério Zuanazzi de problema, uma epidemia de alguma doença não letal que atingisse 10 milhões de brasileiros não chegaria a ser um problema. Afinal, 10 milhões de pessoas no Brasil representam cerca de 5% da população. E se a doença não mata, para que se preocupar com essa bobagen? Como eu disse em post anterior, vai mal a turma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou para supostamente equacionar a crise aérea. O novo presidente da Infraero acena com a privatização dos aeroportos lucrativos. O ministro da Defesa dá sinais de que vai afrouxar diante das empresas aéreas que não querem largar o osso em Congonhas. E o pessoal que esbanjava indignação, na época em que o grooving parecia ser a chance de atirar nas costas do presidente as duas centenas de mortos do vôo 3054, não está nem aí. Aliás, está muito aí, afiando os talheres para os bons negócios privatizantes com que o governo acena. Pobre país, o nosso.

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14 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Essa comparação sua foi de doer Alon. Pode-se criticar os 5% doZuanazzi mas comparaçãofoi nada a ver.

terça-feira, 14 de agosto de 2007 12:38:00 BRT  
Anonymous sergio disse...

Bem interpretado! O ministro altão elencou o espaço da poltrona prá fazer firula e ir tocando o restante na surdina. O presidente da Anac mostrou que de fato defende os interesses das aéreas. A turma do pior melhor espinafrou o governo e de quebra vai se lambuzar numa privataria e o povo fica chupando o dedo.
Falta grooving na cara de muita gente!

terça-feira, 14 de agosto de 2007 13:04:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Pode até ser. Mas como o pessoal nomeado pelo presidente Lula é do agrado de alguns setores...
O noticiário Antes e depois do Jobim fala por si só.

terça-feira, 14 de agosto de 2007 13:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon este presidente da Anac é desprezivel, sem comentarios.

Vc viu o depoimento do diretor de "segurança" da TAM na CPI hoje???????

Aquilo é uma confissão de culpa!!! então agora não pousa em Congonhas com o reservo pinado e pista molhada??? por que??? não era uma operação segura????então como era autorizada antes do dia 17/07????? Por que a Gol já fazia esta restrição para seus vôos e a TAM permitia??

terça-feira, 14 de agosto de 2007 14:27:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, não é que o pessoal que o governo Lula vai mal, quem vai mal é O governo Lula. Incompetente. Houve época que o PT se gabava de seus "quadros" , lembra?

terça-feira, 14 de agosto de 2007 14:39:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O Zuanazzi, ou Zoa-a-anac como alguns rebatizaram, é faquir? Só faquir, e pequeno, pra não ter dificuldade com as poltronas dos aeroportos do Brasil. Se for um pouco mais alto e/ou mais gordinho já sofre.

terça-feira, 14 de agosto de 2007 14:51:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Você já viu privatizar algo que dá prejuízo, em algum lugar do mundo?
Coisas que dão prejuízo devem ficar para o estado! Ou o estado que pague alguém competente para fazer o trabalho que não sabe fazer.
Dos 67 aeroportos administrados ´pela INFRAERO, apenas 10 não dão prejuízo!
Pela primeira vez em toda essa estória de caos aéreo eu concordo com o Dr. Zuanazzi! É uma estupidez monumental eleger a questão da distância entre assentos como prioritária! Aliás governos não tem nada que se meter nesse assunto!

terça-feira, 14 de agosto de 2007 18:16:00 BRT  
Anonymous Chato disse...

Gosto do seu blog, Alon, mas permita-me dizer que essa nota foi definitivamente infeliz. Se você viajou um pouco no exterior, deve saber que não se encontram diferenças significativas nas poltronas dos vôos comerciais. E outra coisa. Cansei sim, de a mídia dar esse espaço todo para o 5% (do 8% que anda de avião) que se queixa pelo pouco espaço das poltronas. Será que um dia a mídia vai começar a prestar atenção, por um minuto, no que a grande maioria da população pensa e precisa?
Abraços

terça-feira, 14 de agosto de 2007 19:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon : o problema de espaço não é
tão crítico;existem outras mazelas.
Certa feita ao viajar para Cuiabá,
em Boeing da Gol lá cheguei com
dor nos ouvidos,sinal claro de
pressurização inadequada.
Perguntei a uma Comissária de bordo
se eles mantinham a pressão de
1013 milibares (pressão atmosférica
normal);ela deconversou e ficou o
dito pelo não dito!

terça-feira, 14 de agosto de 2007 22:43:00 BRT  
Anonymous Pedra disse...

Distância das poltronas? Bela maneira de esquecer os 200 mortos. Pobres de espírito nossos políticos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007 14:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Boa, Alon! s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l.
É o que dá raciocinar só com porcentagens, sem pensar no que eleas significam.
Sds., de Marcelo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007 17:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, privatizar a Infraero como bom negócio? Quais são os ativos privatizáveis da Infraero a servir de lastro? Ela não é proprietária dos aeroportos. Ou o melhor seria manter tudo como está e estatizar as empresas aéreas ao invés de privatizar serviços aeroportuários? Parece que está havendo uma profunda inversão de valores. Ademais, mais um instrumento de gestão da coisa pública vai para o espaço: o modelo de agências reguladoras. Aproveita-se uma variável mal compreendida (gestão) para invalidar a equação toda (forma de prevenir abusos em setores oligopolizados). E sem dar a resposta adequada para o problema, não ser à base do discurso oco, arrogância, gestos ofensivos, tacape, faca no pescoço e a demonização da tal classe média. Como se o serviço como um todo não atingisse representantes de classes menos aquinhoadas, ou como se a tal classe média não fosse constituída também por seres humanos cuja vida deve ser preservada com a segurança e conforto que qualquer país a obrigação de proporcionar a todos. Mesmo a uma parcela. Será que o 5% seria, na realidade, a capacidade cerebral total?
Sotho

domingo, 19 de agosto de 2007 12:42:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Do NYtimes de hoje, 3/9:

The reasons include an overtaxed air traffic control system that is probably at least a decade away from being replaced, and a handful of big hub airports that at times are operating above their practical capacity.

Airlines, to save money, compressed their schedules in recent years — often planning departures with 30 minutes or less on the ground between flights. That makes it next to impossible to catch up for the day, once a plane hopping from city to city falls behind.

Globalização é isso ai. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 15:56:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Complementando, tem mais do NYtimes de 27/8:

Em breve o problema de pilotos e controladores irá desaparecer. Eles irão se fundir numa categoria parecida com o aeromodelismo e o sindicato será um só. Civil ou militar?

Editorial
Dread of Flying = Pavor de voar
Published: August 27, 2007

Air travel has come a long way from a half-century ago, when passengers were in privileged company, themselves and their bags handled with respect. Flights were guided by a radar air traffic control system that was state of the art.

Now 750 million people take flight in a year and soon it will be one billion, but passengers have not found strength in numbers. Too often they have reason to be fed up. Actually, they’re usually not fed at all. Tens of thousands of fliers are involuntarily bumped from overbooked flights. Worst of all, flight delays are more frequent and getting longer.

Weather can be blamed for some of the problem — though not as much as the airlines might have you believe. More often, delays are caused by out-of-control congestion. There are too many commercial planes, thanks in part to a trend to fly more smaller aircraft where fewer large aircraft used to go. Add a growing number of private and corporate craft and put them into a system that depends on antique technology.

Amazingly, radar-based tracking is about the only thing that hasn’t changed since the 1960s. There are plans to replace it with a safer, more efficient satellite-guided system that should relieve some stress on oversubscribed air space. But the change is going slowly, and will not make trips easier any time soon.

Something needs to be done now to alleviate the mess. The Federal Aviation Administration says it has a solution years in the making, reconfigured air routes in the Northeast that it plans to announce shortly. But considering that air traffic has increased 24 percent just in and out of Kennedy Airport since October, that won’t be nearly enough. The situation is urgent.

Consider the uncomfortably chummy air space over New York. The three big airports — J.F.K., La Guardia and Newark — are among the nation’s most congested, and delays ripple for thousands of miles, backing up other airports in a chain of misery. At Kennedy, delays have increased two and a half times from the same period last year. Unless the airlines — chiefly Delta and JetBlue — curb themselves, sufficiently and soon, the government should step in and cap the number of craft the airport can handle, as was done in the past at Chicago’s O’Hare Airport and at La Guardia.

Air travelers print their own boarding passes. They check themselves in. They endure, generally without complaint, long lines at security checkpoints and the indignities that can accompany the process. They might not expect a smile, but they do expect the term “estimated time of arrival” to mean something.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 17:33:00 BRT  

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