domingo, 12 de agosto de 2007

Quando o crime compensa (12/08)

Da Folha de S.Paulo de hoje:

Sem laudo, investigação sobre índios pára

Antropólogos se recusam a fazer parecer que ateste se cintas-largas sabiam que cometiam crime no caso do massacre de garimpeiros


Em relatório ao Ministério Público, delegada da PF diz que, após dois anos, desiste de obter a avaliação; peça é fundamental ao julgamento

ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
Dois anos após o indiciamento pela Polícia Federal de 23 índios cintas-largas e um funcionário da Funai pelo massacre de 29 garimpeiros, em Rondônia, ocorrido em 2004, a investigação emperrou por falta de laudo antropológico que ateste se os índios tinham ou não discernimento de que cometiam crime. A Polícia Federal não conseguiu antropólogos que se dispusessem a fazer o trabalho.O laudo é peça fundamental para que os índios sejam levados a julgamento. Sem ele, o Ministério Público Federal até pode denunciar os acusados, mas os advogados de defesa conseguiriam facilmente trancar o processo judicial.Há dois meses, a delegada da PF Alessandra Borba enviou um relatório ao Ministério Público Federal em que desiste de continuar na busca pelo laudo antropológico. O relatório descreve o fracasso dos contatos feitos desde maio de 2005, quando a Procuradoria da República devolveu os autos do inquérito à polícia para que fosse providenciado o laudo.O principal empecilho, segundo a delegada, foi a resistência do antropólogo Antonio Dal Poz Neto, apontado por seus pares como o maior especialista na etnia cinta-larga do país. Ele negou-se a fazer o laudo e a orientar outros antropólogos que se dispuseram a fazê-lo, sob sua coordenação.Em entrevista à Folha, por telefone, o antropólogo disse que tem uma filha adolescente para cuidar e não pode se afastar de Juiz de Fora (MG), onde é professor na universidade federal. "A vida moderna tem coisas como paternidade responsável", disse. Ele discorda que seja o único com conhecimento suficiente sobre os cintas-largas para fazer o estudo. (Continua...)

Eu torço para que tenhamos um dia no Brasil governos com fibra e coragem suficientes para enfrentar escândalos como esse, da impunidade dos índios acusados de assassinato de garimpeiros na Reserva Roosevelt. Infelizmente, parte da intelectualidade e do pensamento politicamente correto degeneraram para um radicalismo tão irracional quanto perigoso, ao defender a inimputabilidade dos membros das "nações" indígenas. Mas talvez eu esteja sendo injusto quando uso "irracional". A loucura pode ter raízes bastante racionais, especialmente quando atende a determinados propósitos. Há brasileiros que acham que os índios não deveriam fazer parte do Brasil, mas ter os seus próprios países. Para isso, naturalmente, os índios precisariam arrancar pedaços do que hoje é território nacional. Na prática, essas pessoas defendem que desde já as "nações" indígenas comportem-se como países independentes. Claro que essa turma conta com grandes simpatias nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Que não estão interessados propriamente nos índios, mas na biodiversidade (biotecnologia) e nos minérios existentes nas terras indígenas. Segundo esse ponto de vista politicamente correto e apoiado pelo imperialismo, massacres como o de Rondônia não são assassinatos frios, cometidos premeditadamente. São meios de luta pela libertação do índio que não quer ser brasileiro. Um governo patriótico enfrentaria o problema de maneira simples: mudaria a lei para que o crime cometido pelo índio passe a ser tão criminoso quanto o cometido pelo branco ou pelo negro. Mas, infelizmente, talvez nossos governantes, a começar do presidente da República, estejam mais interessados em receber aplausos em Paris, Londres e Nova York do que em defender os brasileiros que desejam trabalhar e sustentar suas famílias. O interesse nacional exige que a questão indígena seja revista. Não há contradição entre de um lado preservar as terras dos índios e suas culturas e de outro integrar os índios ao Brasil. Integrá-los nas escolas, nas universidades, nas Forças Armadas e nas empresas. Será um processo longo, mas profícuo. Quanto ao massacre de Rondônia, a única coisa razoável a ser feita é colocar os assassinos atrás das grades. O mais rapidamente possível.

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12 Comentários:

Anonymous JV disse...

parabens Alon, eu elogio quando tem que elogiar e você sabe disso. mas como é que você consegue intercalar tanta bobagem esquerdista com coisa séria. Existem 2 Alons, um nos dias pares e outro nos dias ímpares?

domingo, 12 de agosto de 2007 13:36:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Para entender o Alon é fácil. Entre a esquerda e a direita ele fica com a esquerda. mas quando a esquerda adota posição antinacional ele não se importa de ficar à direita. Ou seja, o Alon é antes de tudo um nacionalista. Ainda que de esquerda.

domingo, 12 de agosto de 2007 14:10:00 BRT  
Anonymous t-junqueira disse...

Lamento, mas sua posição é absolutamente idiota. Desde quando garimpeiro rouba a Amazônia para sustentar a familia? Por traz deles estão os mesmos que querem a independencia das terras que alegam pertencer aos indios. Muito provavelemnte, os que querem explorar a biodiversidade e os recursos naturais, são os mesmos que agenciaram os garimpeiros e agora querem limpar a área de indios, condenando-os. O contrário, garimpeiros assassinando indios jamais foi objeto de qualquer investigação.Se isso aconteceu (a investigação) e sendo você um jornalista bem informado, deve saber quando aconteceu (não o assassinato de índios, mas a condenação dos culpados)e informar seus leitores de tão inusitada ação da justiça brasileira, a soldo dos que pagam mercenários (garimpeiros).

domingo, 12 de agosto de 2007 19:59:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro t-junqueira, responda-me por favor, se achar conveniente: os índios que capturaram, amarraram e mataram friamente os garimpeiros na Reserva Roosevelt devem ou não responder pelo crime? Sim ou não?

domingo, 12 de agosto de 2007 20:29:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Me lembro de uma reportagem sobre o infanticidio praticado por algumas tribos indigenas.
E o que é pior: havia uma discussão se deveria o homem branco interferir.
Fiquei chocado com a falta de humanidade das pessoas que tinham dúvidas se deveriam interferir.

domingo, 12 de agosto de 2007 21:01:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Existe uma história muito boa para ilustrar o episódio.
Na época do dominio inglês na India, um oficial inglês proibiu a execução das esposas do morto, para que ele não ficasse sozinho na eternidade.
- mas este é nosso costume milenar, sempre foi assim, alegou outro indiano
- pois na minha terra, é costume milenar enforcar quem mata mulheres.

Pronto, resolvida a questão civlizatória. Qual a civilização superior? Qual vai desaparecer em questão de tempos?

domingo, 12 de agosto de 2007 22:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A FUNAI como sempre trata os
índios como crianças,ou como seres
de um "jardim zoológico".
Devemos respeitá-los mas aplicar
a Lei,quando aqueles aculturados
cometem algum crime!
Também devem ser dadas à eles a
opções de ficar no estado primitivo,ou se promoverem e se
inserirem na sociedade moderna!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007 15:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, compre um capacete, porque vai chover pancada na tua cuca. O problema reside na idolatria que muitos prestam ao mito do bom selvagem do Rousseau. Os índios são, por esses idólatras, como o homem no estado puro, imaculado pelos vícios capitalistas. Daí a importância de mantê-los nesse estado de pureza. Como vc. vê, até babaquice tem filosofia subjacente.
Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007 17:26:00 BRT  
Anonymous JV disse...

O pior é que desse jeito acabarão executados. Alguém vai se aventurar por aquelas terras sem estar devidamente armado? O mesmo estado que acredita que os protege quando acoberta seus crimes não estará disposto a protegê-los quando outros garimpeiros (garimpeiro nunca acaba, sempre tem mais uma leva) resolverem tentar a sorte por lá. Se preparem que a carnificina vai ser grande.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007 20:11:00 BRT  
Blogger Edson disse...

Primeiro, Alon, um pedido: me aponte um caso - um link na internet, uma matéria jornalística com dados concretos, alguns nomes se possível - de alguém que queria que os índios formem países independentes no Brasil. Talvez seja uma baita ignorância da minha parte, mas nunca li nem ouvi ninguém declarar isso abertamente. Nem veladamente, aliás. Apenas ouvi, e muitas vezes, reclamações de nacionalistas como você, que apontam o perigo e o absurdo da idéia (que ora, é absurda mesmo!), mas sem citar nomes, ou casos concretos.

O que eu conheço bem são casos de biopirataria, mas essa é uma história bem diferente - não é nem de longe necessário criar nações independentes junto com os índios, é só roubar o saber tradicional deles e um exemplar de planta numa maleta.

terça-feira, 14 de agosto de 2007 17:37:00 BRT  
Anonymous t-junqueira disse...

Acabo de ler sua pergunta ao meu comentário. Se sim ou não?
Não.
Quem garante que a acusação é verdadeira?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007 21:14:00 BRT  
Anonymous macedo bsb disse...

É na verdade é que se nós ficarmos quiétos, o indio vai continuar cometendo crimes, e novamente estarao impunes,e tambem desmembraram o pais, que é o que eles querem, temos que nos movimentar, conte com migo,vamos fazer um protesto no concresso

quarta-feira, 22 de abril de 2009 12:30:00 BRT  

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