segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A opinião pública, os ricos e o "Cansei" - ATUALIZADO (20/08)

Há uma hostilidade contra o "Cansei" que é compreensível. Ela provém do pessoal que apóia o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. É razoável que quem apóia o governo tente desqualificar quem é contra o governo, vocês não acham? Não é desejável, mas é compreensível. Especialmente num ambiente de radicalização política. Incompreensível, para mim, é a atitude das pessoas que vivem descendo a lenha no governo federal e também achincalham o "Cansei". Pensei um pouco antes de escrever este post, porque normalmente reluto quando é para discutir o comportamento da opinião pública. Mas como este texto tratará de generalidades e abstrações acho que ninguém vai se ofender. Aquela hostilidade contra o "Cansei" que nasce exatamente da oposição a Lula me deixa, como disse, com a pulga atrás da orelha. Matutando e tentando ligar as coisas. Faz tempo, por exemplo, que eu desconfio da tese de que a opinião pública (uso a expressão a partir do método gramsciano, o desenvolvido na cadeia) é vaquinha de presépio da oposição. É o contrário. A oposição é que está refém da opinião pública. Por sinal, nessa parceria entre a opinião pública e a oposição só quem tem se dado bem é a opinião pública -que de tempos em tempos exibe o seu poder, enquanto a oposição não consegue ganhar umazinha sequer. Na eleição do ano passado, por exemplo, a oposição foi atrás dos conselhos da opinião pública e se deu mal. A opinião pública vem com suas maluquices e acaba arrastando a oposição a situações que a oposição não planejou nem desejou. Dura tem sido a vida da nossa oposição, nesse cabresto que lhe foi colocado pela opinião pública. Não se sabe o que a oposição deseja ou propõe para o Brasil, pois ela se limita a reverberar os movimento espasmódicos da opinião pública. É nessa conjuntura que aparece o "Cansei", um movimento orgânico de oposição ao governo federal mas que não nasceu da opinião pública. Aliás, um registro. O "Cansei" conseguiu em poucas semanas mobilizar mais gente contra o governo do que dois anos de campanha da opinião pública contra Lula. Querem saber? Eu aposto que o problema da opinião pública com o Cansei é porque o "Cansei" não veio da opinião pública, e portanto não está encabrestado por ela. A opinião pública está com ciúmes do "Cansei", que não lhe pediu licença para ir às ruas gritar "Fora Lula". Eu me oponho politicamente ao "Cansei". Eu defendo que Lula está fazendo um bom governo e deve ficar no cargo até o fim do mandato. Se o governo fosse meu, eu faria coisas diferentes. Mas o fato é que os votos foram do Lula e não meus. É uma premissa fundamental. Eu me limito a analisar e criticar as realizações do governo Lula no âmbito do que Lula prometeu quando pediu os votos dos eleitores em 2002 e 2006. Não no âmbito do que eu acho que o Lula deveria fazer. Mas este post não é sobre o governo. É sobre as relações entre a oposição, a opinião pública e o "Cansei". Eu saudei desde o início o movimento, pois nada há de mais saudável do que as pessoas descontentes com o governo irem para a rua dizer que estão descontentes. Eu não estou nem aí para o fato de haver gente rica no "Cansei". O problema do Brasil não são os ricos. A China, por exemplo, tem hoje muito mais ricos do que tinha trinta anos atrás. E a China está muito melhor do que estava trinta anos atrás. Enriquecer é glorioso, afirmava o arquiteto da China contemporânea, Deng Xiaoping. Ele tinha razão. Quem é rico tem dinheiro sobrando para investir e, portanto, propiciar oportunidades econômicas a quem não é tão rico assim. O Brasil deveria copiar a China nesse aspecto. Precisamos de ricos em maior quantidade, e de ricos mais ricos. Acho que nisso o pessoal do "Cansei" concorda comigo. Onde é que talvez esteja a nossa maior discordância? Pode ser que a turma do "Cansei" ache que o Brasil estaria melhor se os ricos além de ficarem cada vez mais ricos também mandassem no país. Eu penso que não, que o melhor é os ricos cuidarem de enriquecer enquanto os não tão ricos assim governam. Mas é apenas uma diferença de pontos de vista. Não é motivo para ficar brigando. Até porque quem vai decidir a parada não somos nem eu nem a turma do "Cansei". Muito menos a opinião pública. É o povo, na urna. Esse, por sinal, talvez seja o maior problema do pessoal do "Cansei" e também da opinião pública: depois dos discursos, contar o voto na urna.

Atualização, às 18:29 de 21/08: Gente me pergunta se o termo "opinião pública" pode ser substituído neste post por "imprensa". Empobrece um pouco, mas não tira o sentido do que eu quis escrever.

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35 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Cara, que houve contigo? Que troço sem pé nem cabeça. "...o melhor é os ricos cuidarem de enriquecer...". Vc deve ser o cara que escreveu um livro(???) que a veja traz na capa dizendo que o único lado bom do Brasil é a elite, ora pois. Brincadeira, sei que não chegas a tanto, mas hj foi brabo ler esse blog. Meu nome é Wilson Cunha Junior, sou de Goiânia.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 20:16:00 BRT  
Anonymous Slyce Bastos disse...

É isso aí Alon. Os ricos que tratem de ganhar dinheiro, enquanto o governo (que não é dos ricos) cuida de dar um jeito para distribuir a riqueza produzida pelo país. E eu concordo que a oposição é refém da imprensa. Você acertou em cheio.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 20:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O problema do Cansei não é apenas a presença dos ricos. É que são ricos sem noção. Ricos sem consciência social, que só vão pra rua reclamar quando se sentem prejudicados. Jamais se uniriam à maioria da população, de quem querem distância cada vez maior. Vide o abandono da cidade pela classe alta, que se esconde nos interiores, em condomínios, e ante qualquer ameaça de popularização desses lugares, se muda outra vez.
Os Cansados estão sendo ridicularizados porque merecem. Desde quando a hebe camargo pode falar em falta de ética na política? Sempre foi malufista, e nunca cobrou explicações sobre as falcatruas malufianas.
O problema do Cansei é falta de legitimidade e de credibilidade. O povo sabe que a turma é a mesma que paga pra sair na Revista Caras.
São deslumbrados, preconceituosos em relação ao povo, ao presidente Lula, a quem chama de ignorante, cachaceiro e outros adjetivos piores.
São risíveis, fazem um movimento por causa do acidente da TAM, mas os familiares das vítimas não puderam subir no palanque, só os artistas.
Alon, você quer que alguém leve a sério aquelas madames e aqueles engomadinhos?

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 20:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O melhor texto escrito até agora sobre o Cansei e a imprensa. Eu não entendia porque os jornalistas que descem o pau no Lula também chutam o Cansei. Agora entendi. Eles se acham donos das consciências alheias. Parabéns Alon. Ficou hermético, mas para bom entendedor meia palavra basta.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 20:59:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon

Veja (hehe): o campo da esquerda teve sempre seu centro numa certa unanimidade (no caso, Lula). As nuances, nesse campo, sempre foram perifericas. A novidade (o fato que e novo) hoje e que o campo da esquerda divide-se (mas nao como dividiu-se antes. Ai a novidade). Lembra-me aquilo que vivemos no final da ditadura. Cada segmento da esquerda cuidando de sair da "unidade" para afirmar politicamente a sua diferenca. Na epoca, alguns de nos vimos a diaspora como um mal. Uma minoria saudou a dispersao como vitalidade.

Cansei, o movimento, e isso. O que antes era marca exclusiva da esquerda (organizar-se politicamente), agora e tambem marca de um campo que nao lanca raizes na tradicao da esquerda. Isso, sem duvida, deixa uma estirpe de esquerdistas atordoados e atormentados.

Concordo com voce. Que mil flores desabrochem!

abs.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 21:45:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon

Um adendo: escrevi que o que a esquerda denomina como direita, ela esta fazendo o que a esquerda sempre fez. Organizar-se politicamente. Para ser mais explicito, penso que o que no Cansei incomoda a esquerda e perceber que o movimento, que nao lanca raizes na esquerda, apropria-se de formas de luta e organizacao politica que a esquerda reivindica como suas filhas unicas e legitimas. Historicamente, ha controversia. As formas de luta e organizacao politica ativadas pelo Cansei sao anteriores ao tempo marcado pelo fato da revolucao francesa que, dizem nao poucos historiadores, dividiu a politica em campos distintos e impermeaveis.

abs.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 22:05:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

O relação entre o fracasso da oposição e a fé cega nas flutuações da opinião pública é uma sacada genial.

Só não participo da opinião de que é natural desqualificar um movimento quando ele se opõe a um governo que nos é simpático. Essa idéia não parece exigir que a simpatia pelo governo seja preferível a todo e qualquer resultado que ele venha a produzir? O valor e simpatia a um governo não se medem por fatores externos que não são outra coisa senão o resultado das ações do governo e não o pressuposto anterior a toda ação?

Se não existirem critérios anteriores as simpatias pelos quais os governos são avaliados, legitimados e apoiados, não há como explicar a adesão a qualquer um dos lados.

O que está em choque nos confrontos relativos as idéias de grupos que apoiam partidos diversos são os critérios pelos quais cada um julga preferível um ou outro partido, essa ou aquela agenda. Por essa razão a "desqualificação" não é mero indício de afeição cega, mas operação racional consciente e imprescindível ao jogo político. Cada um ao seu modo, legítimos tanto o "Cansei" quanto seus opositores. Todavia, reconhecer a legitimidade não significa compactuar com suas premissas e pretensões.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 22:19:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Sou testemunha da coerência do Alon sobre este assunto.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 22:21:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Perfeito; a oposição aqui no Brasil, hoje, repercute (não é assim que se diz em jargão jornalísitoc?) as palavras de ordem do mainstream midiático, ou seja, a imprensa predominante. Basta ler os jornais de manhã (melhor, os sites dos jornalões na Internet) e depois ligar para as tevês Senado e Câmara. Quem pauta a oposição é a mídia. Ela é que afirma, propõe, julga e dita como deve agir as tais oposições. E na verdade são três ou quatro grandes grupos (Globo, Estadão, Folha e RBS), três ou quatro famílias detendo os mais de 600 órgãos de imprensa neste país.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 22:51:00 BRT  
Blogger FReaKNM disse...

Caro Alon, gostei muito do seu blog, até o coloquei nos meus favoritos, e gostei em especial desse post e do outro sobre o "Cansei". Permita-me algumas considerações:

1º Eu estou no movimento "Cansei", leio a comunidade no orkut a todo momento e fui na Sé. "Cansei" não tem nada a ver com o "Fora Lula". Ao menos em suas idéias.

2º Não sei se eram essas as intenções iniciais dos criadores do movimento, mas de qualquer forma, parte das doze mil pessoas da comunidade (eu me incluo aqui) conseguiram transformar aquele lugar em um ponto de discussão sério. Falamos de praticamente todos os problemas do país na comunidade oficial (e cito aqui bastante o orkut porque é o único meio de discussão do movimento). O maior problema, entretanto, foi a falta de esquerdistas pra balancear. Tinham alguns, mas que saíram da comunidade, e agora ela é só uma briga de fakes petistas e de outros de direita que só querem tumultuar. O "Fora Lula" invadiu o "Cansei".

O povo não se acostumou, ao meu ver, com um movimento sem propostas, vago, como era esse. E ele era ótimo justamente por isso: você deve ter os números, já deve ter visto como há um certo perdão aos corruptos por aqui. O "Cansei" se propunha a despertar o povo e fazê-lo discutir suas idéias, para que o país mudasse, seja lá pra qual lado.

Mas infelizmente o movimento foi absorvido. Continua o mesmo, mas a comunidade virou um ataque aos petistas e do outro lado os esquerdistas chamando o movimento de golpista, de anti-democrático, de sei lá mais o quê. E assim ficou.

Ficou confuso, mas é mais ou menos isso.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 22:58:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Vera, melhor assim do que o modelito Chavez, a midia calada, as crianças propriedades do estado, que suprimiu o direito a propriedade privada.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 23:16:00 BRT  
Anonymous Fernando José disse...

Alon, se eu mandasse no mundo, te nomearia editor chefe da Folha de São Paulo neste exato minuto. A forma tosca, brutal e abjeta com que a Folha está tentando desqualificar o "Cansei" é uma das páginas mais sinistras da história do jornalismo contemporâneo. Cito a Folha, mas outros órgãos também procuram satanizar os movimentos civis de oposição ao governo do PT. A Folha pode não acreditar, mas milhares de pessoas de classe média (acima de R$ 3.800, mas bem abaixo do que se pode chamar de elite) apóiam o Cansei e eu me incluo nessa turma. Sei que você é um entusiasta assumido do governo Lula, mas saluto a sua postura democrática e lúcida na abordagem ao "Cansei", que contempla essa grande novidade que é a classe média e setores da elite se juntando para reclamar, sem serem puxados pelas movimentos socias organizados de esquerda. É um fato novo, que você felizmente já percebeu Alon. Restringir o "Cansei" e a "Grande Vaia" a simplesmente ações de "reacionários", da "elite branca" ou das "dondocas das Daslu" é de uma burrice atroz. Quem embarcar nessa está perdendo o bonde da História. Parabéns pelo texto, Alon!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 23:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É a fase NEP do Alon. Deixa os Kulaks enriquecerem, depois a gente vai lá, confisca a riqueza e degola todos eles.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 23:21:00 BRT  
Blogger LUIZ disse...

Muito bom esse post Alon. Conheco vc desde o movimento estudantil. Do tempo em que vc era Caminhando, lembra? Legal. Voce foi sutil e bem humorado, para dizer que a midia e os ricos nao se entendem, porque na falta de votos da oposicao ela, a midia, acha que tem que dar as cartas. Mas estranahmento o pessoal curte as novelas e na hora de votar da uma banana para a midia. Seu post, mais que divertir, teve o merito de apontar para o momento singular que vivemos na politica brasileira com a emergencia solida e efetiva de um movimento de massas organizado e a chegada da esquerda ao poder. Tomem cegos!!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007 23:53:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

(Alon, por favor, use um parágrafo de vez em quando, senão o texto fica maçante.)

Bom... se entendi corretamente seu post, você está falando de um cisma interno na oposição ao governo, é isso? Mas não seria natural, então, que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, tendo em vista o absoluto insucesso da opinião pública+mídia no convencimento do povo de que o governo atual é ruim e come criancinhas?

terça-feira, 21 de agosto de 2007 01:17:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

O J.V. deve dormir na parte de cima do beliche, porque embaixo tem Chavez, Fidel, Lobo Mau, Lula, João Bafo-de-Onça...

terça-feira, 21 de agosto de 2007 06:09:00 BRT  
Anonymous Stevie Wonder disse...

A chegada da esquerda ao poder. A esquerda que a direita sonhou. Tomem, cegos!

terça-feira, 21 de agosto de 2007 06:47:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Chavez é um ditador ou não é? Vai se perpetuar no poder, não mais vai haver política fora do partido dele, o pátrio-poder acabou, e usa os dólares do petróleo para corromper a sociedade e até políticos argentinos. Querem o que, que eu ache bom e saia aplaudindo? Não!
Cadê os democratas da esquerda? Cadê os que queriam tanto as eleições? Qual a diferença do coronel Chavez para os generais brasileiros? Eu não sei.

terça-feira, 21 de agosto de 2007 08:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

tenho minhas ressalvas ao que você coloca, mas vou me restringir apenas a uma: você está seguro que essa turma do "Cansei" quer mesmo resolver a parada nas urnas? Será que eles são convictos que só a saída pelas urnas é que valem?

terça-feira, 21 de agosto de 2007 09:10:00 BRT  
Anonymous Vladimir disse...

Análise perfeita.somente uma correção:Quando você diz que defende que Lula complete o mandato.Oras,isto não está nem em discussão.Foram mais 60 milhões de votos para o presidente.Qualquer coisa fora disso é golpe e,o grande problema dos cansados parece exatamente este,não conseguir colocar claramente suas posições e deixar arrivistas de plantão tomarem as rédeas deste movimento o que,aparentemente,o torna um movimento oportunista.

terça-feira, 21 de agosto de 2007 10:08:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Pois eu já acho que o "cansei" tem dedo petista.
Nunca vi uma oposição tão boa para o governo como esse "cansei".
Vamos falar sério: qual governo não gostaria de "ser vitima" de perseguição das elites?

Agora disso, de tudo o que aconteceu, a única coisa que me aborrece, é não poder saber quantas pessoas compareceram no ato da Sé.
Tinha fotógrafo pra "dedéu" no evento e não publicaram uma única foto da multidão de 5000 pessoas.
Que coisa! Já não se fazem mais fotógrafos como antigamente.

terça-feira, 21 de agosto de 2007 11:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, meu caro,
interessante sua abordagem, mas aponto alguns problemas:
1) A oposição não precisa ser homogênea. Há várias formas e matizes de oposição. O Psol se opõe ao Lula, o DEM também. Mas eles defendem posições diferentes. Portanto, não existe oposição como um monolito, de sentido e significado único.
2) Opinião pública é um termo vago, quase uma quimera. Em seu artigo vc. a trata como um ente personalizado que, portanto, deveria ter comportamento homogêneo e coerente. Não vejo como isso possa ser. A opinião pública poderia ser entendida como a resultante da soma dos vários vetores encontrados em uma determinada população e em determinado período. Como esses fatores variam muito, a resultante muda de intensidade e de orientação. O difícil é saber quando o cachorro abana o rabo e quando o rabo chacoalha o cachorro. Ou seja, não acho possível relacionar a variação da opinião pública com um sucesso/fracasso da oposição apenas.
3) Ao contrário de vc., acho o governo Lula uma grande porcaria, tanto pelo seu pífio desempenho, quanto pela abulia no combate à corrupção e à imoralidade na administração pública. Mas, apesar disso, ele foi eleito democraticamente e precisa cuimprir seu mandato, a menos que surja um motivo para impeachment. Até agora, não é o caso.
4) O problema no Brasil não está na elite, mas na sua falta. Elite, no sentido francês de o melhor de cada grupo, sem a mediocridade de ligar elite à riqueza.
Sds.,
de Marcelo.

terça-feira, 21 de agosto de 2007 11:47:00 BRT  
Anonymous Fernando Trindade disse...

Parabéns, sem concorrentes. A melhor análise sobre o "Cansei" que já li. Concordo em gênero, número e grau, com apenas uma ressalva: onde se lê opinião pública,leia-se grande mídia ou pelo menos, cabe colocar aspas na expressão "opinião pública",pois como aprendemos o ano passado, opinião pública é uma coisa, opinião publicada é outra...

terça-feira, 21 de agosto de 2007 12:24:00 BRT  
Anonymous Sil disse...

Nossa, rapaz.
Eu não sou a favor de lula e acho esse movimento vazio e ofensivo.
Ricos se dizendo cansados. Do que?
Em um país miserável, onde a classe baixa não tem acesso ao mínimo para se viver dignamente, é ultrajante ver uma elite que tudo tem reclamando de barriga cheia.
O teu post é sem pé e sem cabeça.
O que estás conseguindo é trazer para o teu blog simpatizantes do Cansei e fazer assim uma propaganda de sí mesmo.
Rema contra a maré, tenta justificar o movimento Cansei como legítimo, isso dá uma boa "publicidade".

terça-feira, 21 de agosto de 2007 12:46:00 BRT  
Anonymous Duda disse...

em seis meses, não ouviremos mais uma palavra sobre o movimento "Cansei" e algumas de suas lideranças com certeza negarão sua participação no mesmo.
Um movimento que não tem proposta, não tem idéia, não tem gancho além do "Sou contra este governo" não é melhor do que uma oposição perdida - é a mesma coisa.

e concordo com o comentarista anterior: se beber, não escreva...

terça-feira, 21 de agosto de 2007 17:08:00 BRT  
Anonymous Arquivo Morto disse...

Um movimento que não tem proposta, não tem idéia, não tem gancho além do "sou conta este governo" não é mlehor do que uma oposição perdida - é a mesma coisa.

Basta olhar a batatada que o PT falava ontem e o que faz hoje, para ver que a definição acima lhe cabe como uma luva. É como diz o atual presidente: era tudo bravata, Meirelles!

terça-feira, 21 de agosto de 2007 19:46:00 BRT  
Anonymous paulo raujo disse...

Alon

Essa me escapou antes:

"Quem é rico tem dinheiro sobrando para investir e, portanto, propiciar oportunidades econômicas a quem não é tão rico assim. O Brasil deveria copiar a China nesse aspecto. Precisamos de ricos em maior quantidade, e de ricos mais ricos".

Faltou voce acrescentar que a China copiou o capitalismo. Ou seja, a China so progrediu (sou um critico feroz desse progresso com cara de sec XIX) porque aderiu ao capitalismo. Seria otimo se a China tambem aderisse aos valores democraticos das sociedades capitalistas.

Fiquei animado com a sua brava defesa do capitalismo neste post.

abs.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007 00:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Acho muito gozado que esse movimento (até compartilho com a indignação ampla deles), liderado por gente do meio publicitário, tenha escolhido um nome tão bobo como "Cansei". Qualquer pessoa normal percebe que a palavra é pouco sonora e tem significado negativo (cansaço, desânimo, fraqueza), não motiva ninguém a nada. Esses caras nunca usariam esse verbo para vender cerveja, mas o usaram para um movimento que deveria galvanizar o descontentamento de boa parte da população. Francamente, chego a duvidar da competência profissional dos envolvidos.
Sds., de Marcelo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007 12:18:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Os que criticam o Cansei dizendo que vai sumir, pergunto: Cadê o petismo?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007 14:42:00 BRT  
Anonymous sue saphira disse...

É só substituir a opiniaão pública por opinião publicada.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007 14:46:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon,

Há muito tempo as urnas desapareceram do Brasil. Não podemos contar mais nada.

O que há hoje são computadores que fazem o que os programadores querem.

Quem programa os programadores: o governo, a oposição, a opinião pública ou o povo?

Veja só o que fizeram os programadores de Ohio:
"Ohio's method of conducting elections with electronic voting machines
appears to have created a true privacy nightmare for state residents:
revealing who voted for which candidates.
Two Ohio activists have discovered that e-voting machines made by
Election Systems and Software and used across the country produce
time-stamped paper trails that permit the reconstruction of an
election's results--including allowing voter names to be matched to
their actual votes."
http://news.com.com/E-voting+predicament+Not-so-secret+ballots/2100-1014_3-6203323.html

E em Alagoas, o TSE já contou o que houve com o programa?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007 16:13:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Jura, faço coro com você. Para mim, urna eletrônica, só se for acompanhada de voto impresso.
Aliás, qual o problema de imprimir o voto? A tecnologia de hoje permite quase que um sincronismo entre o voto na tela e a impressão do voto. Portanto, perda de tempo, não deve servir de desculpa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007 11:16:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, estou chegando tarde. Primeiro, aquele negócio de opinião pública segundo Gramsci no cárcere me inibiu, agora você diz que é um pouco mais que a imprensa e eu fico um tanto frustrado. Essa entidade que você quer definir, se eu não estiver enganado, é o que há de mais relevante para entender como acontece o jogo político por aqui. Eu chamo de corte. Não é apenas a oposição que dança segundo os ditames da corte, o governo também, principalmente entre uma eleição e outra. Agora, a corte também tem suas limitações, já que não forma opinião para além de si mesma, e esse é hoje seu principal problema. Mas enquanto o eleitor não é chamado a decidir, ela comanda o circo que nossa imprensa divulga. Você percebeu bem, o Cansei não saiu da corte e as diferenças são gritantes: a corte nunca promoveria algo com esse nome, a corte é fashion. A corte tampouco permitiria esse ar de movimento conservador do cansei. A corte faz pose de esquerda: é dela que vem a justificação da violência pela miséria. Ela sabe que pode promover o que você chamou de "menoridade social", e esbravejar contra a violência da polícia, porque não está ameaçada. Imputável ou inimputável, a questão do pobre não passa tanto pela "lei de direito", quanto pela lei de fato: apanha da polícia e do tráfico, e se for para a prisão arrisca apodrecer sem sensibilizar aquela senhora cega que segura a espada e a balança. A corte, contra a violência, prefere fazer performances plásticas na areia de Copacabana, a corte é fashion. Poderíamos fazer um paralelo regional: a corte é carioca, o cansei traz a deselegância paulista, mas não se trata disso: a Fiesp e a Federação do Comércio de São Paulo (se não me engano) até põem dinheiro no movimento, mas não querem por a cara, também preferem a elegância da corte. O Cansei poderia ser uma primeira manifestação de um movimento abertamente conservador (já reparou que apesar de sermos um país de imensa desigualdade social não temos qualquer força política que se reivindique como conservadora?), mas discordando de você Alon, o Cansei me parece apenas irrelevante – o importante é a corte.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007 14:18:00 BRT  
Anonymous Leandro Rodrigues disse...

Gostei do texto.
Entretanto, o termo "opinião pública" não pode e não deve ser substituído por "imprensa". A imprensa é um dos veículos de formação da chamada "opinião pública" (ver Gabriel Tarde; "A Opinião e as Massas"). Com efeito, a substituição dos termos acarretaria a troca da causa (uma delas) pelo seu efeito.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007 16:07:00 BRT  
Anonymous Renan disse...

Deveria se diferenciar aí "opinião pública", do gegro 'publicos' - de todos, ou seja, das pessoas de uma forma geral (Povo), de "opinião publicada", ou seja, aquela opinião publicada naquele jornalão, naquela revista, etc.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007 15:27:00 BRT  

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