segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O limite da ação política da classe média (06/08)

Eu saudei desde o início a emergência do "Cansei". Não porque concorde com as motivações do "Cansei". Eu simplesmente torço para que o "Cansei" ajude a aquecer a sopa social e política do Brasil (leia É do jogo). No que depender da minha torcida, entraremos todos num novo período, em que amplos contingentes de cansados, seja qual for o motivo do cansaço, deverão ir às ruas (e à Internet) manifestar o seu inconformismo e dizer o que desejam mudar no statu quo. O "Cansei" tem despertado reações iradas. Mas a vida é assim mesmo. Do mesmo jeito que a turma do "Cansei" possivelmente possa achar os beneficiados pelo Bolsa Família um bando de vagabundos, que preferem ser sustentados pelo governo a trabalhar, é compreensível que os admiradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possam ver a turma do "Cansei" como um punhado de playboys e dondocas, insensíveis diante dos problemas sociais do Brasil. Aqui e ali no pessoal do "Cansei" nota-se gente que enxerga o governo federal como a ponta-de-lança de um movimento para transformar o Brasil numa nova Cuba. E do outro lado tem gente que desconfia das convicções democráticas do "Cansei". Que vê nele o embrião de uma articulação golpista, como a que pretendeu em abril de 2002 na Venezuela tirar, pela força, o presidente Hugo Chávez do poder. Tudo isso é do jogo. A opinião é livre. Só não vale ficar choramingando diante da agressividade alheia. Desde Isaac Newton sabe-se que a força aplicada por um corpo sobre outro produz como efeito outra força de mesma intensidade, só que aplicada pelo segundo corpo no primeiro. E o interessante nesse princípio da física clássica é que, ao contrário do que poderia supor o senso comum, as forças não se anulam. Porque os pontos de aplicação são diferentes. Eu repito, não acho ruim que as múltiplas insatisfações transbordem para as ruas. Os países não ficam piores quando as pessoas saem às ruas para atuar politicamente. Eles ficam melhores. O problema maior do "Cansei" é que por enquanto ele é um movimento restrito à classe média. Nada contra a classe média. Eu sou de classe média. Meus amigos são de classe média. Mas se eu tivesse projeto político, se tivesse projeto de poder, não investiria meu tempo e minhas melhores energias organizando movimentos de classe média. A classe média tem um problema. Ela tem grande dificuldade para enxergar além dos seus próprios limites de classe. Antigamente a classe média era chamada de pequena burguesia. A pequena burguesia (ou classe média) de hoje agrupa empresários e assalariados. A espinha dorsal do discurso dela e de sua ideologia é a rejeição ao estado. Sintomaticamente, essa rejeição cresce na medida que o Estado é penetrado por novas forças sociais e políticas -e à medida que as massas de trabalhadores e pobres conseguem arrancar do estado benefícios que antes eram exclusivos da classe média e dos ricos. É comum ouvir de representantes da pequena burguesia que "antigamente a escola pública era boa". Em geral, o comentário omite que "antigamente" a escola pública atendia meia dúzia de pessoas e que a maioria dos pobres estavam condenados ao analfabetismo. Mas a reclamação mais freqüente vinda da pequena buguesia é que o estado não devolve, na forma de bons serviços, os impostos que o contribuinte paga. A reclamação em muitos casos é justa. Só que a decorrência costuma ser tipicamente pequeno-burguesa: se o estado gasta mal o dinheiro dos impostos, então o sujeito deduz que o certo é pagar menos imposto. Você não vê por aí movimentos de classe média pelo fortalecimento e pela melhoria da qualidade da educação e da saúde públicas. Por que motivo eu digo que essa conclusão (vamos então pagar menos imposto) é pequeno-burguesa? Porque seus efeitos práticos esgotam-se no limite dos interesses imediatos da pequena burguesia. A classe média pagar menos imposto é uma solução para a classe média, mas não é uma solução para a maioria das pessoas. Para o trabalhador que não é de classe média o mais conveniente é que o imposto pago pelo pequeno-burguês (e pelo grande burguês, por que não?) resulte em educação grátis e boa para o filho do trabalhador que não é de classe média. E em atendimento médico bom e grátis para a família do trabalhador que não é de classe média. Anos atrás tomei conhecimento de uma pesquisa que me abriu os olhos para certas coisas. Acho que foi feita pelo ministério da Saúde quando o ministro era José Serra. A pesquisa mostrou na época que a avaliação do atendimento médico na rede pública era bem melhor entre os usuários do serviço do que entre a população em geral. Ou seja, a classe média xinga o atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do qual ela não precisa, mas o pobre que depende do SUS defende e valoriza o SUS. Possivelmente porque a pequena burguesia tem plano de saúde enquanto o trabalhador que não é de classe média só tem o SUS. Até a oposição entender coisas como essa, vai ficar do jeito que está. Com um ar apalermado a cada nova pesquisa de opinião sobre a avaliação do governo.

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33 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Na boa, até o momento esse Cansei foi ridiculo.

Agora mais ridiculo ainda é achar que a aprovação do Lula decorre só do Bolsa Família.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 12:39:00 BRT  
Anonymous Fantasma do Amador Aguiar disse...

A sua aulinha de marxismo até que foi interessante. Mas muito curta. Poderia comentar o lucro do Bradesco?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 13:12:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Fantasma:

Leia "Um país humilhado. E o geverno, nem aí". Está em http://blogdoalon.blogspot.com/2007/03/um-pas-humilhado-e-o-governo-nem-1203.html. Se tiver dificuldade, faça uma busca por "hayashi" na janelinha que fica na barra escura no topo do blog. Um abraço e obrigado.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 13:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este fantasma não entendeu nada. Apelou para o clichê do marxismo.
Alon, PARABÉNS!

Cristiano Medri

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 14:30:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Só tem outro detalhe que você se esqueceu: a população pobre também não está interessada na melhora do ensino público e da saúde. Ou seja, a culpa da "classe média" é a culpa de toda a população brasileira, indolente e satisfeita com caraminguás. Volto a insistir na leitura do livro "O Arcaísmo como Projeto", que faz picadinho das "culpas externas" que Caio Prado infelizmente acreditou e que nossa inteligêntsia comprou.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 14:47:00 BRT  
Anonymous Fantasma do Amador Aguiar disse...

Talvez a classe média esteja cansada do país ser humilhado, como você afirmou.
Na verdade, Lula é o pelego mais barato que nós pudemos comprar. É o feitor mais eficiente do nosso Fazendão. Deixou a CUT, a UNE e o PT quietinhos a preço de banana. Algumas diretorias de estatais e umas cadeiras nos fundos de pensão. Sabe como é: there's no such a thing as a free lunch. Mas almoço barato a gente sempre paga. Vide o bolsa família.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 15:53:00 BRT  
Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

SOU CLASSE MÉDIA. o PIOR DA CLASSE MÉDIA É A SUA LUTA PRA SAIR DELA E ASCENDER A CLASSE RICA. ESTE É O GRANDE CONFLITO DA CLASSE.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 16:23:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Alon,

E há um fato interessante, mas que eu não vi ninguém comentar.

A classe média não esta insatisfeita com o governo Lula, ou "cansada" dele. Segundo o Datafolha, entre os entrevistados com renda superior a 10 mínimos, 30 % consideram o governo bom ou ótimo, 40 % regular e outros 30 % ruim/péssimo. Desempenho semelhante é encontrado entre os usuários de avião. Quer dizer, se para os pobres e população em geral o governo é bom tendendo ao ótimo, para a classe média é regular.

Se o país fosse composto apenas por pessoas de classe média, o governo Lula seria considerado bom/ótimo por quase o mesmo n° de pessoas que o consideram ruim/péssimo, e na média geral regular.

E a gente deve lembrar que a grande sacada do Lulinha no 2° turno da eleição passada. Foi só falar que o Alckmin ia privatizar o BB, Caixa, Correios, Petrobrás, Eletrobrás e Furnas, bem como demitir funcionários públicos e congelar seus salários, que ele cresceu instantaneamente. Por que? Porque grande parte da classe média é de servidores públicos, funcionários de estatais, ou tem alguém próximo que é. E ai filho, nesses assuntos, "não se troca o certo pelo duvidoso".

Nehemias

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 16:24:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Alon, quando o povo resolver protestar contra tudo que estiver errado no país, vai ser tudo de bom. Só que eu acho que os mesmos que criaram o movento "Cansei" não vão gostar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 17:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
a classe média não aguenta mais pagar convênio médico e escolas particulares. Os jornais (a Folha, por exemplo) já registraram a migração de alunos de escolas particulares para algumas estaduais, como o Fernão Dias Paes, em Pinheiros. A classe média vai buscar remédios em postos de saúde. A classe média também tem direito aos serviços de públicos e faz muito bem de criticá-los. Quem sabe eles melhoram um pouco.
Sds., de Marcelo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 17:19:00 BRT  
Anonymous Fernando José disse...

Alon, seu texto está ótimo como sempre (aliás, você é o único jornalista de esquerda com quem consigo concordar ultimamente).
Só um comentário: a classe média, da qual também faço parte, é quen está arcando com a parte mais brutal das políticas sociais e econômicas do governo Lula. Mesmo que todo integrante de classe média vivesse numa boa, ainda que contribuindo com impostos pesados, a forma como Lula beneficia escancaradamente os mais ricos do País (*a saber os banqueiros), já tornaria legítima qualquer manifestação, por uma simples questão de Justiça. Eu, que fui eleitor do Lula em duas eleições, me sinto traído, pois ele tinha prometido fazer justiça e na verdade está deixando os menos pobres mais perto dos mais pobres./Isso não é marxismo, é populismo mesmo.
Pode parecer um raciocínio simplista, mas é assim que a classe média que ganha na faixa dos 4 mil (meu caso) está se sentindo. Temos motivos de sobra para reclamar do Lula e do PT, Alon, sem que seja necessário sermos demonizados por setores do jornalismo impresso. Eu torço para que a OAB e a Fiesp e outros setores conhecidos realmente abandonem o "Cansei" e deixem a organização dos protestos por conta dos profissionais liberais e autônomos de classe média. Queria só ver como a Folha descreveria as passeatas.
Aliás, tem dia em que a Folha de São Paulo não serve nem para forrar gaiola de passarinho.
Ao não fazer coro com os linchadores do "Cansei" você mostra mais uma vez porque está anos luz à frente da esquerda brasileira Alon.
Abraços

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 17:49:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Perai Alon, querer pagar menos imposto é coisa pequeno-burguesa? Que nada, o que é coisa de socialista é o seguinte raciocínio. Pagou imposto, não recebeu o serviço, qual a solução? Mais imposto. Só um funcionário púiblico socialista pensa em jogar mais dinheiro num negócio que não dá resultado. Um empresário pensa: Não deu certo, para tudo e volta atrás.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 18:36:00 BRT  
Anonymous Luis Hamilton disse...

Alon,

Não vejo o Cansei como um movimento de classe média. É, como em inúmeras vezes anteriores, um movimento liderado por parte da elite empresarial, tentando canalizar descontentamentos da classe média a seu favor.

O que você chamou de classe média (o que, socio-economicamente no Brasil é classe A, na verdade) realmente tem uma dificuldade de enxergar além do limite de classe. Mas me parece um pouco pior do que você escreveu: o limite de classe enxergado é o da classe rica!

A um cidadão de classe média que fosse realmente capaz de enxergar seus interesses de classe, muito mais interessante que baixar impostos seria aumentar os da classe rica. E muito melhor que pagar um bom plano de saúde seria exigir a melhora do atendimento público!

Só que como nossos "médios" só pensam em ficar ricos, preferem adotar a bandeira alheia e pedir o fim dos impostos e maior fiscalização no planos de saúde! E ainda reclamar quando alguém de classe "inferior" é beneficiado de alguma forma (depois de ANOS de luta social).

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 19:49:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Na verdade, Alon, se você tem um governo que tira de José para dar a João, sempre vai ter o voto de João, mesmo que e médio prazo João empobreça em vez de José enriquecer. A lógica socialista é sempre distribuir a riqueza presente, nunca a de criar riquezas. Por isso países socialistas se tornam inviáveis, e os não-socialistas enriquecem.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 19:56:00 BRT  
Anonymous jv disse...

http://www.wired.com/wired/archive/5.02/ffsimon_pr.html

como v. tem uma formação marxista, e por consequencia uma visão de mundo muito específica, te dou este link sempre na esperança sincera que seja útil

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 20:17:00 BRT  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

Alon, hoje uma das experiências mais exitosas de assistência médica pública com cobertura universal é da Espanha, com destaque para a Catalunha. Estive com dirigentes daquela província-estado que afirmaram que a chave para o sucesso deles foi "ganhar a classe média" (disse média, não médica) para a proposta do sistema de saúde. Ela - a classe média - é fundamental para a manutenção de qualquer política pública, afirmou o "gringo", que nem sabia do "Cansei", "Cansamos", etc.
Outra questão importante no caso da saúde é que todos os sindicalizados com direito a planos de saúde são os que mais criticam o SUS, sem utilizá-lo. Isso explica, o desprezo que o Ministério da Saúde sofre e sofreu dos originários da CUT, seja qual for o governo, Sarney, FHC, Lula.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 20:51:00 BRT  
Anonymous JV disse...

O médico recebe 2 reais pela consulta do SUS. Afinal, quem quer um médico que aceita trabalhar por um valor vil como este? Que tipo de atendimento o sujeito pode dar? É o médico escravo do paciente?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 22:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns Alon. Pela primeira vez concordo contigo!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 22:34:00 BRT  
Blogger FReaKNM disse...

Alon, parabéns por esse tópico. Você é a oposição que eu gostaria de ter. Sensata e coerente, sem preconceitos.

=)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 22:53:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

O Nehemias foi no ponto: existe uma parte importante da classe média que está com Lula, e não é apenas os que subiram de vida para a classe média baixa. Imagino que boa parte, ou a maior parte, da turma que conseguiu comprar casa a juro baixo, ou carro em 60 meses com juro zero, ou notebook razoável ou bom em sei lá quantas vezes é eleitora do presidente, da mesma maneira que uma boa parte dos executivos de montadoras, donos de lojas de varejo etc e tal certamente estão com o Lula.

E aí entra o drama da oposição: como não dá pra usar um discurso para a classe média, mas tem que usar um discurso que consiga atingir a todas as classes, e ainda não parou pra procurar as reais fraquezas do governo e explorá-las, fica sem discurso corente. O único discurso mais ou menos coerente da oposição é o de FHC, que repete como um papagaio o discurso de auto-glorificação, de como no tempo dele o mundo era melhor, não existia efeito-estufa nem terrorismo nem espinhela caída nem impotência masculina. E aí, quando o mais senil dos próceres da oposição é o único discurso coerente, é que a coisa está feia.

terça-feira, 7 de agosto de 2007 02:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Seria bom lembrar um velho lugar comum do marxismo clássico - que não é menos verdadeiro por ser lugar comum: a pequeno-burguesia tem um papel importantíssimo na luta de classes em geral e na política como fiel da balança que determina para que lado a dita balança vai inclinar-se; mas ela não tem condições de fazer política independente; exatamente por isso é que movimentos do tipo "cansei" estão destinados ao fracasso, na medida em que a pequeno-burguesia só pode agir sobre o jogo político aliando-se, ou à burguesia, ou ao proletariado; no caso brasileiro, em que temos o Governo Lula apoiando-se sobre a Burguesia e a massa proletária (e subproletária)a única chance da classe média ser ouvida está em buscar alguma espécie de aliança com os "de baixo"...

terça-feira, 7 de agosto de 2007 08:05:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, permita uma opinião oposta à sua. A rejeição ao governo Lula não vem de uma classe social e não rejeita o Estado, vem antes de um estamento que gravita em torno do Estado, mesmo quando formalmente se trate de iniciativa privada, e luta para não perder o controle desse Estado, principalmente o direcionamento dos gastos desse Estado. A chiadeira generalizada contra a carga fiscal visa ampliar o alcance social dessa rejeição, e começou em 2003, apesar da escalada fiscal ter tido início em 1999, com um tal pacote 51, para quem lembra. Exemplo de setor privado imbricado no Estado? Os veículos de comunicação. Toda esta discussão atinge uma parte muito pequena da sociedade, mesmo da parte mais rica dessa sociedade (é o que dizem as estatísticas, como mostra o Nehemias em comentário acima), uma discussão que parece girar no vazio. Eu chamo de corte, você diz que é a crosta de gordura sobre a sopa gelada.

terça-feira, 7 de agosto de 2007 08:33:00 BRT  
Blogger Na Prática disse...

Muito bom o Post, concordo totalmente que o Cansei, em si, é legítimo, porque quem é contra mim também tem o direito (dentro de certos limites) de ficar com raiva. A propósito, não conhecia a pesquisa sobre o SUS, mas, se me lembro bem, houve uma semelhante na Inglaterra (onde o sistema de saúde é muito bom e público) e o resultado foi o mesmo.

terça-feira, 7 de agosto de 2007 09:26:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Alon, eu acho que quem vem promovendo um clima artificial de enfrentamento de classes é o governo, com Lula à frente. Essa estratégia política funciona muito bem do ponto de vista eleitoral, mas é de uma irresponsabilidade sem tamanho: eu acho que se tem de cobrar responsabilidade - em primeiríssimo lugar - do governo , e não de categorias despersonalizadas e difusas, como classe média, por exemplo.

E ainda acusam a oposição (??) de buscar “venezuelar” o país.

E eu pergunto: que benefício político os oposicionistas tirariam de uma possível venezuelização, se o Chavez daqui chama-se Lula? Essa tese poderia ter algum nexo causal se a oposição tivesse um Chávez para colocar no poder - mas eles não têm. Ou será que a oposição está em busca de pretexto para dar um golpe de Estado? De quais indícios de preparação de golpe os que acusam a tudo e a todos de “golpismo” dispõem? Eu gostaria de conhecer esses indícios, pois também me preocupo com nosso Estado de Direito. Até agora, no entanto, os indícios de golpe que me são apontados são:

- As matérias raivosas da Veja (que, nas palavras do dono da empresa, visam tão somente a aumentar a vendagem e agradar a seus consumidores).
- As articulações obscuras do senhor João Dória Jr.

JV: a propósito das mistificações pessimistas que o pessoal de Esquerda costuma abraçar (como no artigo que vc indicou sobre a luta do Julian Simon contra os ecocatastrofistas americanos), vale a pena conhecer o pensamento do diplomata brasileiro Paulo Roberdo de Almeida acerca da cantinela dos anti-globalizadores. PRA destrói a maioria dos "argumentos" dessa turma, que simplesmente não encontram respaldo nos fatos.

terça-feira, 7 de agosto de 2007 11:17:00 BRT  
Anonymous ROGÉRIO disse...

BRILHANTE SEU TEXTO, CARO ALON....
CONFESSO QUE NÃO ERA FREQUENTADOR DO SEU BLOG....AGORA SOU OBRIGADO A MUDAR MEUS HÁBITOS.....

PARABÉNS....

terça-feira, 7 de agosto de 2007 12:27:00 BRT  
Blogger Orlando Tambosi disse...

Alon, respondi lá no meu blog, mas reproduzo aqui:

"Prezado Alon,

sua manifestação não é de ódio (mas que a campanha existe, existe: não passa dia sem que nós, os esbulhados, apanhemos do colunismo político e quejandos).

Falo especificamente na minha condição de professor há quase 30 anos, e mais próximo da marmita que da classe média. Com a experiência, os títulos e publicações acumuladas, ganho aproximadamente o que ganhava no início dos anos 80, quando nem mestrado eu tinha.
Um delegado de polícia, que comece sua carreira hoje à tarde, ganha mais que um professor-doutor em fim de carreira. Não é só culpa do incensado lulismo, é verdade: começou com o segundo governo FHC - mas só fez piorar agora, com o mal disfarçado ódio a quem tem um pouco mais. Os que têm muito não se queixam; e os que tem menos, também não. Os remediados é que estão fu...

Abraço"

terça-feira, 7 de agosto de 2007 14:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Se existissem socialistas no mundo, eles pensariam na "propriedade social dos meios de produção". Atualmente, o único comunista vivo é o Oscar Niemeyer e não acredito que ele defenda o aumento da carga tributária.

Hoje, a obrigação da esquerda, da centro-esquerda e da centro-centro-esquerda (Campo Majoritário do PT?) é defender que o Coeficiente de Gini (medida da distribuição de renda) seja sempre melhor do que o do ano anterior, mesmo que a melhoria seja de milésimos. No limite, o Brasil terá uma distribuição de renda igual à do Japão, o que não significa "construir o socialismo".

Se alguém acha que o problema do Brasil são os "funcionários públicos socialistas", é só
aproveitar a campanha eleitoral de 2010 e incentivar o PSDB a prometer a privatização da
educação, da previdência e da saúde.

*

"Que nada, o que é coisa de socialista é o seguinte raciocínio. Pagou imposto, não recebeu o serviço, qual a solução? Mais imposto. Só um funcionário púiblico socialista pensa em jogar
mais dinheiro num negócio que não dá resultado."

terça-feira, 7 de agosto de 2007 14:43:00 BRT  
Blogger Kleyn disse...

Acho que na era Lula a classe média é aquela que não tem prebendas oficiais, seja o bolsa-família, seja o bolsa BNDES, e agora de fato está um pouco cansada de bancar a festa.
Não gosto de nivelar por baixo. Não gosto da idéia de que, ora se somente alguns andam de avião, vamos igualar e fazer com que ninguém consiga andar de avião...

terça-feira, 7 de agosto de 2007 15:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O básico é que o Brasil nunca foi e não é um País socialista. Se será, bem, ai vai uma grande fase de discussões. Pois bem, se o desenvolvimento dos empregos, da renda e da educação forem mesmo para valer, é de crer que teremos um aumento do contingente de classe média. Por óbvio, alguma redução do fosso entre aquinhoados e não aquinhoados. E ai? Como vai ser essa classe média, gerada pelos esforços do Governo em desenvolver o País?
Sotho

terça-feira, 7 de agosto de 2007 15:54:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Quarenta por cento de carga tributári...ISTO É SOCIALISMO!

terça-feira, 7 de agosto de 2007 20:13:00 BRT  
Anonymous Neves disse...

Fernando José,

São só os banqueiros que se beneficiam da política de juros altos do Banco Central?
Eu diria que não. Há até setores da classe média se beneficiando. Explico.
Assim como apelaram para serviços privados de saúde e educação, as camadas médias aderiram a planos de previdência fechados ou abertos para ter complementados os valores de aposentadoria da previdência social.
Esses fundos aplicam pesado em títulos da dívida pública. Um bom fundo previdente hoje em dia, bom no sentido de estar ancorado em investimentos de baixo risco, tem pelo menos 90% aplicados em renda fixa. Se tiver, digamos, só 60%, eu diria de que se trata de um fundo pouco previdente, esta é pelo menos a opinião que ouço de avaliadores de risco de investimento.
A classe média que está cima do teto da previdência é beneficiária dos juros altos da dívida pública. É só abrir o olho e enxergar.
Outra coisa, quando os mais pobres ficam menos pobres, eles vão se aproximar dos setores médios, isto se chama distribuir renda, não é populismo. Um salário mínimo alto significa dignidade para o trabalho, é algo que todos aqueles que acreditam no valor trabalho devem reivindicar. Veja seu caso, você ganha dez vezes mais do que o mínimo, nem está no ápice da pirâmide salarial, você acha que existe essa disparidade em país decente?
Um abraço.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007 12:56:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Pobre paga imposto, ponto. Por essa lógica eles são cidadaes mesmo sob a ótica dos nossos "liberais". E 40% de tributação para cobrir dividas de empresários no exterior e financiar lucros dos bancos? Isso é o nosso capitalismo...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007 13:03:00 BRT  
Anonymous Neves disse...

Alon,
O "Cansei" na minha opinião é um movimento de iniciativa de ricos para manipularem segmentos de classe média. Estamos numa democracia e adere quem quiser. Há setores de classe média que desejam ficar ricos e não se sentem manipulados pelo jogo. Estão nos seus direitos democráticos. Quem critica também exerce um direito democrático, até porquê são criticados pelos cansados
Há também setores médios em que a ficha caiu, desistiram de ficar rico, não alimentam mais ilusões, a idade provoca essas coisas, se dão por satisfeitos e rezam para continuarem onde estão.
São setores que optam pelo realismo político. O capitalismo pode trazer benesses para eles, mas não promove a riqueza de todos. Vira e mexe provoca desgraças, desemprego e falências. Um mínimo de seguridade social para eles é necessário. Só não dão valor para isto quem acha que não precisa nem nunca vai precisar. Não se sabe o dia de amanhã. A bíblia nos ensina que nunca diga dessa bolsa esmola não comerei.
Não diria que a rejeição do estado é unânime entre as classes médias. Já foi predominante, quando o projeto neoliberal empolgava mais, mas deixou de ser. Veja bem, a pergunta por trás da denúncia de que existe um "apagão" aéreo é: cadê o governo, cadê o estado?
A classe média fugiu dos serviços públicos quando eles começaram a piorar. Tem a haver com a urbanização explosiva a partir do final dos anos 60. Os setores populares vindos do meio rural, desorganizados e desarticulados, não conseguiram impor uma cobrança de qualidade nesses serviços, no qual eles sobrecarregavam a demanda, fazendo a qualidade decair. Tem a haver também com a coincidência de uma época de cerceamento da opinião pública e das mobilizações sociais, que poderiam pressionar pela qualidade dos serviços.
Na medida em que o setor de opinião pública mais articulado foi caindo fora, a classe média, e com uma demanda social em expansão, contribuindo para a perda de qualidade, a espiral de deterioração dos serviços foi se alargando.
Onde a classe média permaneceu e lutou, como foi o caso das universidades públicas, o serviço manteve a qualidade e melhorou. Onde ela começou a recorrer ao serviço de forma crescente, a previdência oficial, também muitas coisas melhoraram.
O envelhecimento populacional está levando setores da classe média a descobrirem que a ética dos planos privados de saúde se resume ao lema: a bolsa, ou a vida.
Apelar para o SUS é questão de tempo. Só os mais jovens, aqueles que não precisam recorrer serviços caros de saúde, acreditam em baboseiras ideológicas neoliberais na saúde. Quando ficarem velhos pedirão o socialismo já da medicina, antes que morram.
Quando o custo do barril de petróleo pular para cima dos cem dólares, não demora muito, o carro permanecerá mais na garagem e os aeroportos voltarão a ser frequentados apenas por ricos, o transporte coletivo terrestre será novamente valorizado pela classe média. Atualmente, excetuando o metrô, que o classe média frequenta tapando o nariz, o único transporte coletivo do pequeno burgues tupiniquim é o aéreo.
Resta apenas discutir a educação pública no ensino básico de qualidade. Acredito que o regime de cotas para alunos oriundos da escola pública nos vestibulares de universidade pública é um caminho, mas ainda não é o bastante.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007 17:33:00 BRT  

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