quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Falta de realismo (01/08)

Depois que a falta do grooving (ranhuras na pista para escoamento de água) parece ter fenecido como explicação para o acidente com o vôo 3054, a curiosidade investigativa concentra-se na dúvida entre falha humana ou da máquina. Eu vou aqui, entretanto, discutir a questão do tamanho da pista de Congonhas e a ausência de áreas de escape. De início, trata-se de afastar o argumento de que o tamanho da pista é inadequado para o Airbus 320. Ninguém dizia isso antes de o avião atravessar a Washington Luís e explodir num prédio da própria TAM. Então não vale chegar agora e dizer que um Airbus desses não pode pousar em Congonhas. Não pode por quê? E de quanto teria que ser o tamanho ideal de pista para que Congonhas se tornasse capaz de receber um equipamento assim? A pista de Congonhas mede cerca de dois quilômetros. Como os aviões pousam a cerca de meio quilômetro da cabeceira, a pista útil é de no máximo quilômetro e meio. Vamos supor então que a pista devesse ser ampliada em um quilômetro e meio. Quem sabe 750 metros em cada extremidade? Para ficar com uns três quilômetros de extensão útil para o pouso. Mas isso não seria suficiente no caso do vôo 3054, pois, como se sabe, o avião guinou para a esquerda a 180 km/h. Então, naturalmente, precisaríamos de boas e amplas áres de escape laterais. Até para afastar o terminal de passageiros para bem longe do lugar onde pousam os aviões. Ou seja, seria necessária a desapropriação de uma área de centenas de milhares de metros quadrados (ordem de grandeza) em torno de Congonhas para esticar a pista e construir as áreas de escape. Agora olhem para o entorno do aeroporto na vista acima, extraída do Google Earth (clique na imagem para ampliar). E digam se é realista essa solução de aumentar a pista e fazer áreas de escape. Não é. Há pessoas, como o empresário Benjamin Steinbruch, que perceberam isso e propõem diminuir o tamanho da pista, para restringir o tamanho dos aviões que pousam em Congonhas. É uma boa solução para uns poucos. Aqueles poucos que são vítimas habituais da verve do ex-governador Cláudio Lembo. Para a maioria dos paulistanos, porém, a melhor alternativa é a que propus em posts anteriores. Modéstia à parte. Fechar o aeroporto e transformar a área num parque público, com um shopping e um belo estádio. E usar parte da área para uma especulação imobiliária que gere recursos para ajudar a fazer todas essas coisas boas para o povo da cidade de São Paulo. E você, acha o quê? Aliás, quanto custaria para os cofres públicos cada metro quadrado desapropriado em torno de Congonhas? Não seria melhor usar esse dinheiro para facilitar o acesso a Viracopos e Cumbica?

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8 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

O Steinbruch disse o óbvio: se o problema é válvula de escape, encurte-se a pista. Se o problema é tamanho do avião pousando, limita-se o peso e o tamanho dos aviões que poderiam pousar ali (e nesse ponto, sou mais radical que o Steinbruch, em Congonhas e no Santos Dumont tem que pousar avião de até 130 passageiros, se a Boeing e a Airbus não têm aviões que cumpram esses requisitos, tchau e bênção).

Pronto. Congonhas voltaria a atender à função de aeroporto de fluxo rápido, que exerceu entre 1985 e 1994.

(De passagem: se os cansadinhos não estivessem tão preocupados em contar com o grande e importantíssimo apoio de Athina Onassis, estariam implorando pro governo colocar a idéia do Steinbruch em prática. Continuariam pousando do lado de casa. Mas pensar cansa.)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 01:31:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

É, Alon, acho que a solução é mesmo fechar, tentando salvar toda a grana que já foi enterrada ali. Além do shopping e do parque, eu incluiria um cemitério no projeto e convidaria as famílias de todas as vítimas do aeroporto a levar pra lá as ossadas - ou melhor, os restos - de seus entes queridos.

Quando eu era garoto, também durante os jogos Panamericanos, caiu um avião perto da minha casa, próxima a Congonhas. Acho que foram 39 mortos. Eu tinha um parente que morava na cabeceira do Jabaquara. Quando íamos visitá-lo, mal dava pra conversar. A casa tremia inteira. O barulho das hélices era pior do que o dos jatos de hoje.

Com tudo isso, permitimos que o aeroporto fosse cercado pela cidade, como você inteligentemente demonstrou aqui. Onde estava a Prefeitura nesse tempo todo? A mesma que agora quer estender a pista. Pois é disso que ela vive: de metro quadrado. Uma cidade que se financia por metro quadrado construido só pode acabar enquadrada.

Na última sexta-feira assisti - na tucana TV Cultura, pasmem! - um filme sobre a máfia na Sicília, onde exatamente um prefeito mafioso permitia a construção de um aeroporto na cidade, contra a vontade da população. E não apenas isso: deixava outros mafiosos construírem prédios na cabeceira da pista.

Como sempre, a arte imita a vida. Só não vê quem não quer e todos nós não quisemos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 08:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Posso ser totalmente ignorante. Mas sempre acreditei que o melhor para Congonhas era fazer exatamente o que você propõe: uma bela área de lazer para o Paulistano, financiada com dinheiro do mercado imobiliário que financiaria, de quebra, transporte rápido e seguro para Viracopos e Cumbica. A "elite branca" poderia perfeitamente descer com seus jatinhos em Jundiaí e vir de helicoptero para o centro financeiro da captal. Aliás, não é o que eles já fazem hoje?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 08:32:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Dinheiro não é problema. Vai se gastar 3 bilhões (a poucos dias atrás era 2 bilhões) num "mordenoso" trem que ligará o centro de São Paulo a Cumbica.
Claro que obras como o Rodoanel, que tiraria o trafego de caminhões da cidade, e as novas pistas das marginais prometidas pelo governador, ajudariam e muito todos os paulistanos e não só aqueles que vão viajar de avião. Isso sem falar que o tal 20 minutos de acesso a Cumbica com o novo "possante" paulistano já é uma realidade com as marginais sem congestionamento.
Se Serra pensa em ganhar votos com esse nova obra, deveria fazer uma pesquisa com as pessoas que usam os trens que ligam a Zona Leste de São Paulo a Mogi das Cruzes. Posso garantir que ele vai perder mais votos do que ganhar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 10:29:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Como disse Flávio Musa, presidente da VASP nos anos setenta sobre a desativação de Congonhas (ou transformação em parque): "Esta desativação só interessa a quem invadiu a área (por descaso da PMSP), especulou, comprou imóveis a baixo custo, pois todos sabiam dos inconvenientes sonoros e de tráfego, e hoje querem fazer um baita lucro imobiliário às custas de enormes custos logísticos para o país." Do blog de Jorge Hori.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 15:50:00 BRT  
Anonymous jv disse...

Olha Alon, sua idéia e boa, não sei se é politicamente possível. Mas manter Congonhas como o Steinbruck falou é mais fácil. Passo sempre em SP para o sul de carro, e é patente a saturação da malha viária. Construindo-se o que falta do tal anel, se resolvem 2 problemas de uma vez só, o de Cumbica, e do engarrafamento da Dutra.
Como lembrou o comentarista, a Embraer não tem problemas em fabricar aviões de 100 lugares.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 15:56:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Essa conversa de vender prá depois entregar, quando é com o PSDB não funciona. A antiga ferrovia Sorocabana foi privatizada junto com a CONGÁS e a estação de Santos vendida para um hiper-mercado. Tudo para pagar um Veículo Leve sobre Trilhos em 1995. Até agora nada. Hoje o que se tem na região é a Viação Piracicabano do Constantino da Gol, que vence todas as licitações feitas pelo Estado. Essa viação é tão ruim que teve 1/3 dos motoristas afastados por licença de saúde! Imaginem como prestam o serviço.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007 05:55:00 BRT  
Anonymous Marcelo Pinto disse...

Alon, você já pensou na Embraer? Porque não existem jatos da Embraer na malha aérea braileira?! Por que não aviôes econômicos de 118 lugares? Mais baratos, consomem menos querozene e que são brasileiros. Ideais para mais vôos diretos que desafogariam os grandes centros. Exigem pistas mais modestas e nunca cairam. Outros leitores já opinaram sôbre o assunto.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007 10:20:00 BRT  

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