sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Capitalismo de ouvir falar (31/08)

Meu post sobre a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) despertou reações iradas. Fui "acusado" de estatista. Eu me recuso a debater esse assunto pelo ângulo da ideologia. Ideologia demais emburrece. Eu quero discutir o caso da CVRD pelos critérios do management e do business na iniciativa privada. Eu não tenho MBA nem estudei em Harvard, mas uma armadilha do destino colocou-me certo dia em contato com as terminologias e os critérios do mundo dos negócios. Foi entre 1996 e 2002, quando pusemos de pé o Universo Online (UOL). Dia sim dia não conversava-se com banqueiros e investidores sobre market capitalization, IPO e coisas assim. Não sei se cheguei a aprender alguma coisa naquela época, mas pelo menos de uma piada eu me lembro. Quando você entrar numa reunião com banqueiros, procure, cuidadosamente, por um pato. Se não encontrar, cuidado redobrado. O pato deve ser você. Como eu disse, topo discutir a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, mas só pelos critérios do capitalismo. O que eu sei é o seguinte: se você for o acionista de uma empresa privada e o seu executivo lhe propuser a venda da empresa nas condições em que a CVRD foi vendida, demita-o. Imediatamente. Imagine que você é o acionista principal de uma companhia. Aí aparece um banco para medir o valor de mercado da empresa e organizar o processo de venda. O banco diz que a empresa vale "x" e, em seguida, o mesmo banco participa do consórcio de investidores que compra a empresa por cerca de "x". Poucos anos depois, a empresa está valendo vinte ou trinta vezes "x". Você vendeu o ativo para pagar dívidas e hoje suas dívidas estão maiores do que antes. E o banco comprador fez um dos melhores negócios do mundo, um verdadeiro Nobel de relação custo-benefício. Como eu disse, é no mínimo demissão. No mínimo. Se a CVRD fosse vendida hoje em bolsa ela traria para o caixa do Tesouro recursos suficientes para cobrir quase metade do dinheiro público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para os próximos cinco anos. Sim, você poderá argumentar que a valorização da CVRD deu-se pelo brilhante management da companhia depois de privatizada. Conversa. A Petrobrás é estatal e a trajetória dela nos últimos anos é tão brilhante quanto. Outro argumento é que a valorização da CVRD deu-se por causa do aumento de preço das commodities, coisa que não se podia prever. Não se podia prever? Mas como, se os encarregados de prever o futuro da empresa na época eram os maiores interessados em comprá-la? Tanto que acabaram comprando. Ah, sim, tem também o argumento de que se o negócio era previsivelmente tão bom teria aparecido no leilão da Vale um monte de gente disposta a fazer um negócio não necessariamente tão bom assim, mas ainda bom, o que teria elevado o preço da ação. Se você acredita nisso, se você acredita que um leilão dessa magnitude rege-se pelas "leis do mercado", então você entende mesmo de capitalismo. Do capitalismo de ouvir falar.

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30 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

"Se a CVRD fosse vendida hoje em bolsa ela traria para o caixa do Tesouro recursos suficientes para cobrir quase metade do dinheiro público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para os próximos cinco anos."

Ou seja: para reestatizar a Vale hoje, o Tesouro teria que tirar metade do dinheiro que seria investido no PAC para pagar aos atuais acionistas.

Não dá nem para começar o debate. Arruma outro tema.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 14:45:00 BRT  
Anonymous OutroAnônimo disse...

Bola fora, anônimo, pela lateral. Ninguém propõe reestatizar a Vale pelo que ela vale hoje. 1 a 0 para o Alon. Tente outra. Leia o post anterior do Alon sobre o assunto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 15:01:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A Vale vale (sorry) alguma coisa pq saiu das garras dos políticos, que a entulhavam com milhares de diretorias muitíssimo bem remuneradas e sinecuras doentias. O destino da Vale era se transformar em sucata, nas mãos dos nacionalistas, dos comunistas e dos políticos de ocasião. E quem ganhou dinheiro colocando seu fundo de garantia em ações da Vale? Vai ter de devolver a bufunfa? Gente, esse papo já era. Façam as contas de capitalizaçõa a valor presente de quanto a empresa já arrecadou de impostos e gerou de investimentos depois da privatização. Isso se traduz em empregos e distribuição de renda. Anular tudo isso é coisa de maluco! Seremos vistos como o país das incertezas. Uma coisa parecida com a Venezuela chavista. Tenham dó...
por Marcelo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 16:32:00 BRT  
Blogger mmartinelli disse...

Alon,

Já queria ter escrito um comentário no seu post anterior sobre esse assunto mas como você retornou o tema vou fazê-lo aqui mesmo.

Em primeiro lugar, avaliar o quanto valia de fato a Vale quando da sua privatização tomando como base a avaliação de mercado da empresa hoje (10 anos depois da venda) é, no mínimo, a melhor maneira de se chegar a conclusões fáceis e, na maioria dos casos, errada. Deve-se avaliar qual era a avaliação que o mercado fazia da empresa quando da sua venda e não hoje. Caso o governo tentasse vendê-la por 2 ou 3 vezes o valor de mercado de suas ações naquela época não teria êxito algum na venda. Muito menos por 30 vezes.

Outro ponto é que nenhum crédito é dado à administração atual da empresa pelo aumento no valor de mercado da Vale. Quais foram as decisões tomadas pela nova direção desde a compra do controle acionário? Essas decisões deram resultado? Qual é a estrutura de custo da empresa atual em comparação com a Vale estatal? Ela é mais eficiente? E em relação aos lucros? Os lucros sobre o capital são melhores hoje ou eram melhores na época estatal? Quantas empresas a Vale adquiriu desde a sua venda pelo estado brasileiro? Ou seja, existe uma série de perguntas a serem respondidas para que se possa fazer uma avaliação isenta dos resultados da venda da Vale. Uma coisa é fácil de se afirmar, com certeza o mesmo mercado que operava com as ações da Vale na época estatal parece atribuir um valor muito maior à atual administração do que o fazia para a antiga. Claro que a Vale de hoje realiza lucros muito maiores do que era o usual na época estatal mas, outra vez, cabe a pergunta: caso a Vale ainda fosse estatal teria ela alcançado o mesmo sucesso?

Para responder essa pergunta basta fazer uma comparação com a Petrobrás que você tanto elogia em seus dois posts. O valor de mercado das ações da Petrobrás negociadas em bolsa hoje é de algo em torno de R$250bilhões (fazendo dela a maior empresa brasileira - privada ou estatal - em valor de mercado). A Vale (sob o mesmo aspecto) é valorada a R$225bilhões, aproximadamente (os dados são da Bloomberg). Pois bem, aqui vai meu ponto, a Petrobrás sempre foi avaliada bem acima da Vale pelo mercado quando as duas eram estatais ou, em outras palavras, quando o dono e controlador das duas era o mesmo (a Vale em média era valorada a, aproximadamente, 50% do valor de mercado da Petrobrás). Desde então, usando também o seu ponto sobre a valorização dos commodities, não só os produtos vendidos pela Vale mas também os da Petrobrás (petróleo no caso) valorizaram-se muito favorecendo as duas empresas. Porém há um detalhe: enquanto que as commodities tiveram uma valorização média (desde Janeiro de 97, ano da venda da Vale) de pouco mais de 35% (utilizando o índice de commodities da Reuters que é o padrão de mercado) o petróleo se valorizou em pouco mais de 200% no período (em outras palavras, quase 6 vezes mais)! As duas empresas tiveram um desempenho excelente contra o Ibovespa: enquanto o índice Bovespa valorizou +/-580% no período a Petrobrás teve uma valorização de algo em torno de 1000%. Já no caso da Vale essa valorização foi de 2000%, ou seja, o dobro da Petrobrás. Portanto, nessa comparação bem rudimentar entre as duas empresas podemos, facilmente, chegar a conclusão que, caso a Petrobrás tivesse sido vendida junto com a Vale, ela valeria hoje o dobro do que vale, ou seja, pouco mais de R$500bilhões! Esse é o quanto de riqueza não foi criada pela privatização da Petrobrás R$250bilhões que é a diferença entre o valor de mercado da Petrobrás hoje, contra o que ela valeria caso tivesse sido vendida à mesma época da Vale e, ainda mais, assumindo que a nova administração da Petrobrás fosse tão competente quanto a da nova Vale. Um detalhe: o PIB nominal brasileiro hoje é da ordem de R$2.4trilhões. Essa perda de R$250bilhões em virtude da não privatização da Petrobrás equivale a, mais ou menos, 10% do PIB brasileiro.

Existe ainda outro ponto: o que diz respeito à qualidade do administrador. Sim, porque quando o mercado analisa uma empresa ele não olha só para o potencial do setor mas, também, a qualidade da administração da empresa, os competidores, e muito mais. Uma péssima empresa atuante em um setor lucrativo e em crescimento recebe uma péssima avaliação comparada aos seus competidores, e por aí vai. Não quero entrar muito nessa questão por que aí o comentário ficará mais longo ainda, porém, vou citar só um caso que deve servir de exemplo para o tipo de problemas que uma empresa estatal passa e que não ocorre com empresas privadas: o caso da Petrobrás Bolívia. Pelo menos para mim ficou claro naquele episódio que decisões políticas fora da influência da administração da empresa determinaram o comportamento da Petrobrás naquele episódio. A empresa acabou tendo de assumir um prejuízo da ordem de bilhões de reais para acomodar os anseios do Palácio do Planalto. Independente do mérito da questão, isso tudo é colocado no preço da empresa pelo mercado. Fosse a Petrobrás uma empresa privada e o tombo teria sido muito maior. Afinal de contas, no caso da Petrobrás o contrinuinte assume a conta não é mesmo?

Bom já ficou longo demais. Espero ter ajudado na discussão.

Abs.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 17:05:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Seu argumento morre a partir do fato em que houve um leilão e due diligence por interessados. Se a empresa não foi arrematada pelos concorrentes por um preço melhor, é porque na época, não se via esse potencial todo. Aliás, cabe lembrar que a CRVD descobriu novas áreas APÓS a privatização e a China aconteceu no meio do caminho.
Aliás, sua visão de capitalismo é tosca. Não é sempre que se há patos, se ambos lados podem ganhar. Dá uma lidinha no material da HBS sobre negociação e você entenderá.
Fato é que o Estado não tinha sequer capacidade de investimento para a CRVD. Fez bem em vender. O erro foi deixar fundos de pensão estatais participarem.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 17:07:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Da privatização da Vale, quem participou do negócio e ficou com um naco da empresa, parabéns, fez um negócio da China. O fato de ter lesado o povo brasileiro, é um problema de consciência que não costuma incomodar muito investidores capitalistas ("it is not my business").
Os demais Brasileiros que não foram beneficiários deste negócio da China, são os "patos" da reunião citada pelo Alon. Eu mesmo sou um "pato", ainda que involuntariamente, porque sempre fui contra a privatização da Vale, salvo se quem fizesse um negócio da China fosse o governo brasileiro.
Todo leilão (sobretudo de bens públicos) tem um valor mínimo, com base em avaliações. Se não atingir esse valor mínimo, não vende. Simples assim.
Como diz o Alon, acreditar que esses leilões obedecem regras de livre mercado é elevar o "pato" ao quadrado.
A Vale era lucrativa quando estatal. E reinvestia muito de seu resultado (por isso era acusada de lucros "baixos"). Grande parte da infraestura logística ferroviária e portuária brasileira nas áreas de atuação da Vale foram construídas com investimentos da empresa. Além disso a Vale tinha frota de navios própria através de sua subsidiária Docenave, e impulsionou os estaleiros nacionais durante muitos anos, até o escândalo da Sunamam no Governo Figueiredo.

Mas o mais grave é uma contradição simples, e é por aí que os atuais controladores da Vale e os responsáveis pela venda estão encalacrados na justiça:

A própria diretoria da Vale estatal registrou suas reservas na SEC (a CVM dos EUA) em 1995 em valor muito maior do que o que foi avaliado no ano seguinte para o edital do Leilão.
Então não tem desculpa: ou mentiram para a SEC para as ações da Vale negociadas na Bolsa de Nova York valorizarem (o que é bastante improvável, pois a SEC não aceita informações sem comprovação justamente para evitar fraudes especulativas no mercado acionário), ou mentiram sub-avaliando no edital de privatização (o que é mais provável).

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 18:00:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Não sei porque quando leio que "a Petrobrás é estatal e a trajetória dela nos últimos anos é tão brilhante quanto", eu lembro da Bolívia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 18:05:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Mmartinelli, eu também penso na situação se nossa malha ferroviária hoje estivesse em condições de um país de primeiro mundo e na mão da administração privada. O que aconteceria? Os petistas e estatistas estariam chorando do mesmo jeito que o fazem pela Vale.

Como é um monte de ferro enferrujado, então...

Não, mas a Petrobras sendo pública é um sucesso. Eu digo: Santa Bolívia!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 18:20:00 BRT  
Blogger Cristiano disse...

Concordo plenamente contigo, e se entendi a tua provocação, você não acredita, realmente, que haveria a possibilidade de reestatizar a Vale. Entretanto, esta discussão serve para uma reflexão sobre o modo como as coisas foram feitas. Não sou estatista e nem privatista. Prefiro analisar caso a caso, fui contra a venda da Vale, por todos os motivos que você colocou. Em outra ocasião, fui a favor da privatização de uma empresa pública. Aqui em Londrina, a empresa de telefonia é municipal, inclusive com a venda de celulares (Sercomtel Celular). Algum tempo atrás, o prefeito (que é do PT), propôs a venda da Sercomtel Celular. Fui a favor, acho que o município tem coisas mais importantes para cuidar do que vender celulares.
O engraçado é que a oposição, que é do PSDB, foi contra. Este mundo tá virado...

Cristiano Medri - Biólogo
Londrina, PR.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 19:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bom, sobre a trajetória brilhante da Petrobras, talvez fosse interessante perguntar quanto a dita cuja custou, de verdade, aos brasileiros antes de classificar a trajetória como brilhante. A pergunta é: quanto dinheiro o Estado brasileiro pôs na Petrobras desde a sua fundação, incluindo os aportes para o fundo de pensão? Alguém sabe? Depois de feita essa conta ainda se dirá que a trajetória é brilhante?

sexta-feira, 31 de agosto de 2007 19:35:00 BRT  
Blogger Cláudio de Souza disse...

Post brilhante. E o maior indício de que vc (quase) sempre acerta é o fato de que a blogosfera direitista sequer ousa te mencionar como adversário.

Continue assim.
Abs, Cláudio.

sábado, 1 de setembro de 2007 01:46:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

A classe média foi nacionalista até o Consenso de Washington, e isso foi um dos motivos que fez o país um campeão de crescimento de 1920 a 1980. Hoje, ela me parece personagem do Disney, quando expedicionários de Patópolis chegam a locais riquíssimos e são recebidos por nativos indolentes e bossais que lhes entregam até a dignidade. Obrigado pelo amor que você demonstra ao povo brasileiro.

sábado, 1 de setembro de 2007 05:29:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Olha só o que você diz:"Sim, você poderá argumentar que a valorização da CVRD deu-se pelo brilhante management da companhia depois de privatizada. Conversa."
Com uma palavrinha você desqualifica os fatos, sem ao menos analiza-los! "Conversa!"
Não é conversa Alon, basta você analizar os fatos de então, quando a Vale era apenas mais um monstrengo estatal. A Vale não dava lucro. A Vale não crescia porque seu "dono" o governo devia até as calças, como investir?
A Vale era mal gerida. Era mais um puleiro de cargos gordos para serem "negociados" com as bases governistas de então.
"Last but not least", desconsiderar os efeitos da gestão profissional da Vale privatizada, a mudança do patamar mundial de consumo de minérios, é fechar os olhos para os fatos e pensar ideologicamente.
Quanto à "brilhante" Petrobras, perdeu 30% de seu valor nos últimos anos!
A vale, cresceu 100%! Precisa dizer mais?

sábado, 1 de setembro de 2007 07:05:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

Frodo, a Vale tinha em caixa R$ 700 milhões quando foi vendida por 3,3 bilhões. Um valor que não pagava nem a sua frota de navios.
Mas fazer afirmativas me incomoda. Prefiro lançar perguntas. Tens como explicar-me o caso do Bradesco nessa venda?

sábado, 1 de setembro de 2007 10:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Bola fora, anônimo, pela lateral. Ninguém propõe reestatizar a Vale pelo que ela vale hoje."

Bola furada a sua então amigão. Confiscar a Vale não dá nem para começar o jogo.

sábado, 1 de setembro de 2007 12:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, normalmente seus comentário são bem lúcidos ainda que se possa discordar de algumas posições. Nesse caso, parece que seus anos de UOL não conseguiram apagar o "viés ideológico" de sua formação, tamanha foi a simplificação de sua análise. Essa de buscar os "patos" foi típica.
Para além dos valuation de agora ou de antigamente, o que mais vale para mim é o seguinte: na Vale de hoje tem espaço pro PMDB buscar um carguinho a mais??

sábado, 1 de setembro de 2007 15:06:00 BRT  
Anonymous João Índio disse...

No Brasil temos especialistas de tudo!
Quando ocorreu o acidente em Congonhas apareceram milhares de especialistas em aviação. Sabiam tudo sobre grooving, reverso pinado.

Infelizmente é assim preferimos ouvir a opinião do Datena ou do Jô sobre assuntos que estes não têm a menor experiência, a ouvir especialistas.

Concordo com a discussão de revermos a CVRD e vou além:
- Há um relatório do BIRD de 2004 ou 2005, mostrando que a EMBRAER não agrega valor ao Brasil. É apenas uma montadora com ajuda do governo para exportar. A China logo logo passa a Embraer e aliás a Embraer já está na China ensinando-os. Não temos tecnologia de aviação. Enganam-se aqueles que acham que SJC é um pólo fantástico. Tragam-me números. Façamos as análises da Embraer também.

- E para não dizer que o PT é bonzinho na história, o PT poderia ter revisado os contratos das teles ano passado. Estava nos contratos, dentro da SEGURANÇA JURÍDICA. Não o fez! O modelo de telecomunicações é uma porcaria. Copiamos o modelo americano e o que mais conseguimos é passar de um monópolio estatal para um oligopóliio privado.

Temos que discutir sim estes assuntos, sem paixão.

sábado, 1 de setembro de 2007 16:54:00 BRT  
Anonymous Alexandre disse...

"Meu post sobre a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) despertou reações iradas. Fui "acusado" de estatista. Eu me recuso a debater esse assunto pelo ângulo da ideologia. Ideologia demais emburrece"


Entretanto sua posissao em relassao ao assunto vem a ser ideologica.

Vc se recusa a tal ideologia se ela nao for a sua.

domingo, 2 de setembro de 2007 04:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parece que há uma figura chamada "golden share", na privatização da Vale, que garante a atuação do governo na gestão da cia. O que salta aos olhos é que se a Vale era eficaz quando estatal continuou a sê-lo como privada. O presidente sempre disse a investidores: "venham ganhar dinheiro no Brasil". Depois, mais recentemente:"...ganharam muito dinheiro no Brasil...". Pois bem. Tais falas pressuporiam garantia de segurança jurídica na emergente e dependente economia capitalista brasileira. E respeito aos contratos. Agora, essa campanha de reestatização mostra, na realidade, a máxima da dubiedade: por um lado defende e garante o capitalismo. De outro, dá asas a um nacionalismo débil e palanqueiro. Deve ser por isso que o tal "investment grade" demora para chegar. Se chegar, podem ter certeza, surgirão campanhas para reverter o grau como exorcismo ao avanço do capitalismo, da elite má sobre o patrimônio do povo. É mais um crônica inacabada de um País tornado provisório.
Sotho

domingo, 2 de setembro de 2007 07:23:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Começem perguntando aos índios xikrins, do Pará, o quê acham disso tudo. Um abraço.

domingo, 2 de setembro de 2007 11:08:00 BRT  
Anonymous JV disse...

No mais, quem pretende ver a Vale estatizada, deve estar sabendo que ela será gerida com a mesma competência que são geridas a Saúde e a Educação no país....quer dizer, vai quebrar rápido. Dominada por sindicatos, vai ser rapidamente retalhada.

domingo, 2 de setembro de 2007 11:11:00 BRT  
Blogger Briguilino disse...

Para os privatista só faço uma pergunta, algum deles venderia algum bem que possuem avaliados pelo comprador? "Aquilo" não privatizou...doou o patrimonio publico.

domingo, 2 de setembro de 2007 14:37:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Alguém disse ai que a Petrobrás perdeu 30% do valor!!!!
Da onde essa pessoa tirou esse número?????????????????????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 2 de setembro de 2007 14:58:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Briguilino, preste atenção. Toda venda, mas toda e qualquer venda, é feita pela avaliação do comprador, ou menos. Nada é vendido pelo preço que o dono pensa que vale. Lembre-se disso, dinheiro na mão é poder de barganha, quem não tem liquidez, tem que baixar o preço, principalmente se está devendo a todo mundo.
Compre sempre na "bacia das almas", e venda sempre sem pressa.

domingo, 2 de setembro de 2007 21:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É isso aí JV, por isso é que a venda da Vale foi um crime. Porque ela foi vendida com pressa. deveria ter sido saneada e hoje seria vendida por um valor 30 vexes maior.

domingo, 2 de setembro de 2007 22:19:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, li que o congresso do PT pretende que o partido levante a questão da privatização da Vale, pode ser um caminho promissor, se houver clareza quanto às irregularidades do negócio e a forma de comprová-las. Quer dizer, precisa ser algo como o ponto levantado pelo José Augusto em comentário de 31/8: subavaliação fraudulenta da companhia. Mas, nesse caso, deve-se esquecer toda a discussão sobre a qualidade das administrações públicas e privadas, tampouco se trata de reestatizar a Vale, mas de anular a transação na justiça e punir as pessoas físicas envolvidas. Nem todo negócio para ser vantajoso precisa contar com um pato, mas se contar ganha-se muito mais. Também não há razão para um leilão da magnitude do leilão da Vale não ser realizado em condições de mercado, nem a ausência de concorrentes (não me lembro quantos houve ou se houve) é indício de que o preço fosse justo. O certo é que nenhum ator com potencial para comprar a Vale pudesse ser um pato, e somente um pato chegaria perto de algo que cheirasse a negociata sem ser convidado. De resto, a Vale não se encaixa na justificativa mais usada nas privatizações, já que não estava quebrada e não precisava de aportes do Tesouro para continuar investindo. Empresas de extração mineral, como a Petrobrás inclusive, cujo valor da produção e rentabilidade depende menos dos custos de produção e eficiência do que da escassez natural do recurso, cujas fontes ela controla, são como monopólios naturais, e sobrevivem bem mesmo carregando muita gordura. Dá para ganhar bastante dinheiro sem muito esforço, e sem precisar de grandes qualidades empresariais. Se a hipótese levantada pelo José Augusto se comprovar, e se for verdadeira deve ser relativamente fácil de comprovar, caberia também comprovar a vantagem da turma que vendeu: seja apropriando-se, como acionistas minoritários, da valorização certa das ações, seja arrumando uma boquinha no staff da companhia. Além disso, o partido vai precisar fazer muito barulho, porque, ao contrário do “mensalão”, que faz muito sucesso sem que ninguém saiba ao certo do que se trata, a corte vai trabalhar contra.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 07:51:00 BRT  
Blogger Kelly Christynna disse...

parabéns pelo blog e pela posição e argumentacao deste post. so os imbecis nao entendem o q vc esta defendendo. essa venda da Vale foi das maiores canalhices de toda a historia. e quem se deu bem certamente nao foi o brasil.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 12:56:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Pela leitura dos comentários, vc deve uma explicação pelo menos, senão uma retratação.

Se vc ainda for a favor da tese da reestatizaçao, qual a sua proposta para implementação da mesma? Ou trata-se somenete de retórica?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 13:31:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Nào vejo motivo para retratação. Minha proposta está no post anterior sobre o assunto. Obrigado.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007 13:48:00 BRT  
Anonymous Clever Mendes de Oliveira disse...

Alon,
Sempre considerei a venda da Vale uma falta de massa cinzenta. A esquerda em geral culpou a política liberal do governo FHC pela venda, mas nunca levei a sério a alcunha de liberal para quem aumentou a carga tributária como o governo de FHC fez.
O argumento da eficiência só acho correto para ser utilizado na venda de estatais do setor financeiro, desde que não haja a necessidade de prestar o serviço em locais sem interesse econômico.
Menciono como exemplo do contra senso da busca de eficiência a escolha de um presidente da China em razão de promessa de dobrar a produtividade do serviço público chinês e esse tomar como primeira medida a demissão de metade dos servidores públicos. Mas há massa cinzenta na China suficiente para não se implementar política tão tacanha. Lá se tem o exemplo contrário. Uma dessas revistas de língua inglesa divulgadoras do capitalismo já censurou os planejadores chineses pelo fato de eles, invés de demitirem metade dos empregados de uma siderúrgica, planejarem a duplicação da produção nos próximos sete anos de tal modo que ao fim ficarem mais ou menos com o número desejado de empregados.
Costumo exemplificar também com a busca de eficiência no setor fiscal. Se só se contratar fiscal para fiscalizar grandes empresas, pois nessas o retorno seria maior, os pequenos contribuintes não serão fiscalizados e passarão a sonegar com mais facilidade e continuarão a não ser fiscalizados pois representam muito pouco em valor. Ocorre que o cidadão conhece apenas o pequeno contribuinte e ficará com a impressão de qe o estado é um bando de larápios (a tal da "magna latrotinia").
No final da década de 80 assistir a uma palestra de um súdito inglês em que esse reconhecia só duas razões para a privatização, a necessidade de recurso e o intuito moral de evitar que a população ficasse muito dependente do estado e possuísse mais espírito de iniciativa.
Quanto a venda de empresas no setor de exploração de recursos minerais com o objetivo de eficiência parece-me destituída de sentido. Se essa eficiência for alcançada, teremos um aumento da oferta, o que reduz os preços dos recursos e esgota mais cedo as jazidas. Como eu disse uma pura questão de falta de massa cinzenta (ainda mais quando se considera que os recursos que entravam com a venda eram desperdiçados com juros estratosféricos).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/09/2007

terça-feira, 4 de setembro de 2007 01:20:00 BRT  

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