sábado, 4 de agosto de 2007

A boa notícia que vem de Pernambuco, o Metrô de São Paulo e o serviço civil para estudantes de Medicina (04/08)

Médicos do estado em Pernambuco decidiram deixar o serviço público, como forma de protesto pelo não atendimento de reivindicações sindicais. É uma das melhores notícias dos últimos tempos. Eu proponho que essa forma de luta seja estendida ao país inteiro. Todo médico que trabalha no serviço público e está insatisfeito deve pedir demissão. Imediatamente. Nas esferas federal, estadual e municipal. Claro que haverá transtornos no curto prazo, mas os ganhos da sociedade vão compensar os problemas momentâneos. É nessas situações que eu me lembro do saudoso David Capistrano. Entre idas e vindas na nossa relação política, entre concordâncias e discordâncias, tive a oportunidade de trabalhar com ele por um certo período, quando foi prefeito de Santos. Assisti ao vivo e em cores à luta do David para fazer os médicos da prefeitura trabalharem o correspondente às suas obrigações legais. Capistrano, como se sabe, era médico e tinha sido secretário de Saúde no município. O programa que implantou na área levou-o à cadeira de prefeito. Onde colecionou adversários políticos. O David dizia que muitos médicos funcionários públicos encaram a atividade como um consórcio previdenciário. Com uma vantagem: no consórcio você paga prestações mensais, mas no serviço público você, além de não pagar nada, ainda recebe um salário. O que é o tal consórcio previdenciário do David? O sujeito entra no serviço público com o único propósito de ficar ali o tempo suficiente para ter direito a uma aposentadoria integral. O atendimento às pessoas? Ora, é um transtorno pelo qual se passa devido à circunstância de ser funcionário público. Mas agora, finalmente, alguns médicos de Pernambuco mostram que têm ética e preocupações sociais. Em benefício do povo pernambucano, especialmente do povo mais pobre, demitiram-se. Parabéns a eles. Quem sabe o exemplo não sensibiliza, entre outros, alguns funcionários do Metrô de São Paulo? O emprego é ruim assim? Ruim a ponto de levar a categoria a transformar a vida de milhões de paulistanos num inferno, de modo frio e insensível? Pois façam como os médicos de Pernambuco: peçam demissão. A comunidade agradece pelos bons serviços prestados, mas não vai continuar pedindo a vocês que prossigam nesse terrível sacrifício de trabalhar no Metrô de São Paulo. E voltando ao assunto dos médicos, eu tenho uma proposta. Todo estudante de Medicina das universidades públicas ou do Prouni deveria prestar, compulsoriamente, um serviço civil na rede pública depois de formado. Pelo número de anos correspondente ao período em que estudou de graça às custas do povo.

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15 Comentários:

Anonymous jv disse...

Alon, não poderia concordar mais com você, que sua proposta seja imediatamente implantada em todo serviço público. Mas os médicos depois de formados tem que se apresentar no exército, onde são convocados para trabalhar no Brasilo inteiro, seja formados na escola pública, ou na escola particular.

sábado, 4 de agosto de 2007 11:57:00 BRT  
Blogger M.Savarese disse...

Concordo absolutamente com a idéia do serviço público compulsório para os formandos da rede pública de ensino. Há três anos eu repito isso e já taxaram a idéia de militarista, demagógica e até de israelense, porque lembra a exigência desse país de que todos sirvam às Forças Armadas.

Quem estuda nas universidades públicas deveria ter a obrigação de devolver um pouco de suor ao povo que financiou os seus estudos. É um método justo que traz contrapartidas não só para os adendidos por bons médicos, professores e técnicos, mas também para esses formandos, quase sempre endinheirados, que passariam a ter um contato mais profundo com o Brasil da maioria.

sábado, 4 de agosto de 2007 12:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A greve do metrô foi mais um ato de amor da cut e do lulismo ao povo sofrido deste país.

sábado, 4 de agosto de 2007 12:57:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Aqui no Rio pelo menos, os formandos em Medicina fazem residência em hospitais públicos, federais ou estaduais, e os que realmente desejam adquirir experiência prática disputam a tapa as vagas para esses estágios obrigatórios.

sábado, 4 de agosto de 2007 14:04:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Alon,

A idéia do serviço civil compulsório é boa. Poderia ser implantada não só no curso de medicina, mas em outros também (direito, administração, engenharia...).

Agora, quanto ao resto, discordarei de vc.

Primeiro, desde a Emenda Constitucional 41, não existe mais integralidade de aposentadoria para o servidor público. Todo mundo que entrou após 2003 vai se aposentar com o mesmo teto do INSS.

Segundo, o caso dos médicos é preocupante, porque se o cidadão abre mão tão facilmente assim de seu emprego, o seu "consórcio de aposentadoria", isso indica que algo está muito estranho. Quem garante que encontraremos (bons) substitutos? Será que isso não quer dizer que ser médico de hospital público em Pernambuco é tão ruim, que talvez um dia ninguém mais queira ser?

Houve uma época que os professores faziam greve e alguns pais diziam "se vcs estão tão insatisfeitos assim, porque continuam trabalhando? Peçam demissão".

Bom, as vezes temos que tomar cuidado com os nossos desejos. O tempo passou, o salário dos professores continuou baixo, e hj ninguém quer mais ser professor do estado, pelos menos nas disciplinas de ciências exatas. Aqui no Rio, é crônica a falta de professores de matemática, química e física. Os estudantes se formam no 2° grau sem nunca ter tido uma aula de física ou de química, porque falta professor.

Nehemias

sábado, 4 de agosto de 2007 23:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Aqui em Porto Alegre no governo do PT, anterior ao atual do PPS a prefeitura tentou fazer com que os médicos cumprissem a carga horária prevista nos concursos que fizeram (acho que 6 e 8 horas) e não a rápida passagem pelos postos de sauda antes de irem aos seus consultórios ou hospitais particulares que ai a barra pesava . Sentiu não é? Foram 2/3 semanas de greve com apoio dos sindicato médico, da imprensa , TV etc. Erá pau puro pra cima da prefeitura e secretário da saude. Conseguiram o que queriam que era não cumprir o horário de atendimento das funções para as quais fizeram concurso.

domingo, 5 de agosto de 2007 02:03:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Alon, a combatividade dos metroviários é uma garantia da qualidade do serviço. Concretamente: existe na torre de controle metroviária uma função semelhante ao controlador de tráfego aéreo, porém exercida em uma dimensão, não em três, e sem as complicações meteorológicas. Tais profissionais ganhavam MAIS que seus análogos do aeroporto. Imagino que a liberdade dos metroviários de organizar-se e lutar tenha agregado mais segurança, o que vem com melhores condições de trabalho. Também não descarto a possibilidade da direção do metrô ter piorado a prestação do serviço precarizada pelo movimento, a fim de facilitar a ilegalidade.

domingo, 5 de agosto de 2007 07:07:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Pagam baixo salário aos professores? Falta professor. Pagam mal aos médicos? Falta médico. Este é o resultado de um programa socialistóide da sociedade brasileira, onde todo mundo quer almoço grátis. Aliás, o mundo quer almoço grátis, pena que não exista. Colocar o estado brasileiro de atravessador na prestação de serviços, deve ser uma das piores idéias que alguém já teve.

domingo, 5 de agosto de 2007 08:43:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Enquanto não existir almoço grátis, estaremos na barbárie. Por que não o inventamos?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 03:36:00 BRT  
Anonymous Vladimir disse...

Infelizmente aqueles que abandonam o serviço público desta forma ainda são os melhores.Os que vêem o serviço como o consórcio previdenciário que David Capistrano tão bem ilustrou não largam o osso de forma alguma.Uma das saídas seria a avaliação através de metas de desempenho.Assiduidade,neste caso,não diz nada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 09:16:00 BRT  
Anonymous Marco Silva disse...

Alon, acho que neste post vc misturou alhos com bugalhos. Independente da opinião quanto a legitimidade de greves em serviços públicos essenciais, comparar médicos e metroviários foge a qualquer parâmetro de lógica. Médicos são mão de obra qualificada, que, bem ou mal, podem pegar suas coisas e achar novo emprego com razoável facilidade. Já um metroviário, se legitimamente insatifeito com suas condições de trabalho abrir mão da luta por melhorias e pedir demissão, não achará novo emprego com a mesma facildiade. Existem companhias de metropolitanos contratando em cada esquina? O metroviário poderá trabalhar como profissional liberal? Acho que não.
Veja bem: não estou concordando com a sua generalização a respeito dos profissionais de saúde, não estou afirmando que a greve dos metroviários têve motivos legítimos, nem que o movimento adotou forma adequada; digo apenas que a comparação entre médicos e metrovários, considerados como categorias e não individualmente, tem qualquer cabimento.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 10:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, concordo em parte com vc. Muitos funcionários públicos têm essa mentalidade citada em seu post. Mas, no caso da saúde, é preciso verificar se as condições de atendimento aos pacientes são minimamente aceitáveis. Pelas imagens que aparecem na televisão, os hospitais pernambucanos são mais sujos e caóticos que hospitais de campanha no Iraque.
Sds., de Marcelo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 11:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Os metroviários de SP deveriam ser substituídos por um sistema de comando computadorizado dos trens. Ficaria mais barato e o serviço seria melhor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007 11:11:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, acho que você está sendo injusto com os médicos, estão longe de ser a única categoria que enxerga o serviço público como um consórcio previdenciário, esse é o padrão que sempre encontrei (a propósito, a reforma da previdência que equipararia o teto da aposentadoria do servidor público ao teto do INSS não está regulamentada, na prática, para quem conhece como funcionam essas coisas, vai acabar não valendo). Quando o ministro da saúde imagina as tais fundações públicas de direito privado o que busca é justamente romper com isso, como se dissesse: “até te pago mais, mas quero empenho no trabalho”, mas não acredito no resultado. Tampouco os convênios são lá aquelas maravilhas, em geral encaminham o paciente para uma infinidade de exames e procedimentos desnecessários, mas que os pacientes não precisam pagar, e tratam enfermidades que não incomodam. Já quando você realmente precisa, acaba descobrindo que não tem cobertura. Para quem se fia nos convênios, fica um alerta: tenha especial cuidado com cirurgias, ou você pode acabar descobrindo que tiraram bem mais do que disseram a princípio – os médicos são remunerados pelo “tamanho” da intervenção. Eu também possuo um convênio, parcialmente pago pela “viúva”, mas quando sei que preciso de um exame mais sério, uso o talão de cheques mesmo. Mas o pior está por vir: nossa medicina pública não se satisfaz em dar uma cobertura básica, ela também disponibiliza procedimentos e medicamentos caros e sofisticados – para quem? Com certeza não para quem foi diagnosticado em uma consulta paga pelo SUS, esse sequer fica sabendo de que padece. Aqui, como na educação, nossos cansados se apropriam dos melhores e mais caros serviços, enquanto a plebe sofre o péssimo atendimento básico. A propósito Alon, em vez de apelar para generosidade de nossos médicos recém formados, por que não cobrar pelos cursos universitários? De quebra, os professores poderiam reclamar sua autonomia junto aos “papais” pagantes, em vez de usar os “pimpolhos” para invadir reitorias.

terça-feira, 7 de agosto de 2007 06:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Acho ótima a idéia e creio que deveria se estender a todas as outras cadeiras, aumentando a oferta de cursos de reciclagem profissional, alfabetização, serviços odontológicos nas escolas, etc, etc.
A grande maioria dos estudantes universitários nunca prestou o serviço militar, acho que o serviço civil durante um ou dois anos seria uma retribuição à sociedade.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007 21:14:00 BRT  

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