quarta-feira, 18 de julho de 2007

Voando ou derrapando? (18/07)

Duvido que alguém nesta altura dos acontecimentos tenha certeza do que causou o acidente com o avião da TAM em Congonhas. Lembro de quando caiu o outro avião da TAM, mais de dez anos atrás. Primeiro colocaram a culpa nas rádios piratas e nos telefones celulares. A turma que tem interesse no fechamento das rádios piratas trabalhou duro para consolidar sua versão, mas acabou derrotada pelos fatos, quando se concluiu que o mau funcionamento do reverso é que tinha derrubado o avião e matado seus passageiros e tripulantes. Agora são as tais ranhuras na pista (grooving). Eu não entendo nada de avião, mas viajo muito de avião. O que eu vi até agora sobre o acidente de ontem? É preciso saber se o avião caiu sobre o prédio da TAM ou colidiu com o edifício depois de se arrastar pela pista e atravessar a avenida Washington Luís. O que se sabe até agora é que o avião não causou danos na avenida. Ou seja, é razoável supor que o avião chegou voando ao prédio da TAM, e não se arrastando. Como disse, não entendo nada de avião, mas viajo muito de avião. Parece que o bicho toca no solo com rapidez de Fórmula 1, uns 300 quilômetros por hora (ou um pouco menos). Numa primeira fase sua velocidade se reduz rapidamente por efeitos aerodinâmicos e pela ação das turbinas. Não é no pedal. Ou seja, a diminuição da velocidade para valores "normais" não depende do atrito com o solo. Tanto que os pneus correm soltos sobre a pista, no comecinho. Os freios e o atrito da pista com os pneus entram em ação quando a velocidade já é bem menor. Ou seja, quando já passou da hora de tentar arremeter. Ou seja, quando a única alternativa é tentar brecar de algum jeito. Eis a minha dúvida. O avião da TAM cruzou a avenida derrapando, brecando, arrastando-se? Ou ele atravessou voando? Se ele voava é porque tentou arremeter. Mas se ele tentou arremeter é porque tinha velocidade para tal. Agora, como é que um avião em (relativa) baixa velocidade, derrapando, tenta arremeter? Como é que um avião todo torto, derrapando, aquaplanando, tenta aremeter? Mas se ele não tinha arremetido como é que ele chegou voando ao prédio da TAM? Na condição de leigo, são as minhas dúvidas. Se você é especialista ou tem informações que possam esclarecer essas questões, ajude-me. E minhas condolências aos familiares e amigos das vítimas. Em respeito a sua dor, abstenho-me, por enquanto, de fazer política sobre o episódio. Na foto, copiada do G1, a cauda do avião da TAM acidentado.

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24 Comentários:

Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

A Globo hoje no Bom Dia Brasil, já disse qual foi o motivo do acidente: o governo Lula.
Fez uma análise dos acidentes no aeroporto de Gongonhas a partir de 2003.
Nada foi analisado, tudo que a Globo disse, tinha um só objetivo, jogar nas mãos do governo a culpa como sempre.
Para mim isto é golpe, de modo disfarçado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 09:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

De um fisico no Blog de Eduardo Rodrigues:
“Pela intensidade do impacto, está claro que o avião não derrapou. Isso ocorre no final da frenagem, depois da utilização do reverso e do freio aerodinâmico. Deste modo, o avião teria caído no final da pista de Congonhas, que está num nível de altura acima da avenida que a circunda.
Tenho para mim que, por alguma razão, talvez falha no reverso, o avião tentou arremeter a partir do solo, isto é, tentou decolar novamente. Deve ter saído do solo e, não conseguindo se manter em subida, caiu do outro lado, em cima do prédio da TAM.
É cedo para dizer, isto é só uma especulação, mas dificilmente, derrapando no final da pista, já com velocidade diminuída, o acidente teria estas proporções.
Espero que não partidarizem este meu comentário. Ele expressa apenas a minha impressão a partir do que vi pela televisão.”

quarta-feira, 18 de julho de 2007 09:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

“Pela intensidade do impacto, está claro que o avião não derrapou. Isso ocorreria no final da frenagem, depois da utilização do reverso e do freio aerodinâmico. Deste modo, o avião teria caído no final da pista de Congonhas, que está num nível de altura acima da avenida que a circunda.

Se o avião começasse a aquaplanar, ou derrapar, no inicio, ele nao teria passado reto por toda a pista. Como parece ter sido o caso relatado por algumas testemunhas.

Tenho para mim que, por alguma razão, talvez falha no reverso, o piloto percebeu que não conseguiria frear, deste modo o avião tentou arremeter a partir do solo, isto é, tentou decolar novamente. Deve ter saído do solo e, não conseguindo se manter em subida, caiu do outro lado, em cima do prédio da TAM.



É cedo para dizer, isto é só uma especulação, mas dificilmente, derrapando no final da pista, já com velocidade diminuída, o acidente teria estas proporções.



Espero que não partidarizem este meu comentário. Ele expressa apenas a minha impressão a partir do que vi pela televisão.”

quarta-feira, 18 de julho de 2007 09:14:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Não se esqueçam que a pista esta em um nivel superior ao da avenida, que o local onde ele bateu não é em linha reta com a pista, (assim se ele estivesse tentando arremeter teria caido na bandeirantes), que a aquaplanagem pode fazer com que ele tenha tido velocidade para saltar a pista.

Assim tudo pode ter acontecido, mas para cada raciocinio há uma contestação

quarta-feira, 18 de julho de 2007 09:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Qual a diferença? Porque isso é relevante?

A questão é saber se a pista de Congonhas tinha condições de operação segura. Ouvi agora uma entrevista do Tarso Genro dizendo que a PF abriu um inquérito para responder essa pergunta. Espero que a resposta venha logo.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 10:29:00 BRT  
Blogger Vera disse...

Não entendo nada de segurança na aviação,mas viajo muito de avião,como o Alon, e quase sempre para São Paulo. Não tenho exatamente medo de avião, mas também observo tudo isso que o post afirma, e mais: me assusta sim chegar em Congonhas, passando pertinho das piscinas das coberturas dos prédios próximos, onde se pode ver gente lavando louça na cozinha, me lembro daquela outra tragédia com um avião da Tam no Jabaquara. E o mesmo acontece quando volto ao Santos Dumont no Rio, onde se enxerga até bicicleta na ponte Rio-Niterói, e o perigo de a pista acabar bem perto da baía de Guanabara. Por isso, prefiro pagar ônibus ou táxi, demorar mais a chegar ao compromisso, e saltar em Cumbica ou no aeroporto Tom Jobim. Fico pasma com a recente transformação de um aeroportozinho dentro da cidade de SP (construído há décadas, para servir a aviões de pequeno porte e a uma população muito menor que a de hoje) no hub de maior movimento do país, quiçá da América Latina, passagem quase obrigatória para as principais conexões, com um movimento de 18 milhões de pessoas por ano, recebendo aeronaves internacionais não mais do tamanho do velho Electra, mas dos ônibus-aéreos para 300 passageiros ou mais, e também de pequenos jatos fretados para vôos regionais. Evidente que isso é do interesse das cias. aéreas, à cata do maior número possível de passageiros,porque todo mundo prefere chegar em Congonhas às alternativas de Viracopos e Cumbica, que acabam saindo mais caro,devido à distância da capital.Planejar isso é que deve ser discutido, enfrentar esses interesses privados é que cumpre fazer, e, perdoem minha ingenuidade, alguém, algum órgão público, tem de ter (ou deveria ter) autoridade para frear as ambições de lucro imediato e crescente das cias. aéreas (a Tam vai querer jogar a culpa na pista para se eximir das indenizações) e zelar pelos interesses do país e dos viajantes, impondo-os. Mas há muitos que vêem na tragédia uma oportunidade de "fazer política" (partidária ou comercial), como bem disse o Alon,determinar sentenças já tomadas antes de qualquer análise técnica (ou lógica, como sugeriu o Alon), não uma ocasião de reflexão e decisão visando o interesse público. Parece-me claro que há um interesse comercial na privatização dos aeroportos e do sistema aéreo brasileiro sem discussão (ainda não sei se privatizar o controle dos aeroportos e do espaço aéreo nacional é a solução; sei que o espaço aéreo dos EUA não é privatizado).

quarta-feira, 18 de julho de 2007 10:42:00 BRT  
Anonymous lotufo disse...

Alon, você deve conhecer esse prédio. Era o antigo estacionamento da TAM, onde eu (e, toda da galera que achava o Comandante Rolim, um exemplo) sempre deixava o carro e, pegava a van. Felizmente, foi desativado, porque o número de vítimas seria 30 ou mais naquela hora de pico.
Lembre do local a diferença de altura entre a cabeceira da pista e avenida é considerável e, basta uma velocidade não muito alta para atravessar a pista.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 10:47:00 BRT  
Anonymous Leonardo disse...

O que se pode lamentar é que no meio de toda essa agitação e sofrimento existam pessoas dispostas a tornar o acidente um recurso político.

Qualquer avaliação, como enfatizou Alon, deve acontecer após um exame pericial. Toda consideração anterior é mera especulação com propósitos obscuros (noutras vezes claros).

Vou guardar a URL da coluna de uma jornalista de um grande jornal de SP, pra fazer confronto posterior.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 11:13:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

anônimo que perguntou Qual a diferença? Porque isso é relevante?: responder a estas perguntas pode significar fechar Congonhas para Boeings e Airbuses.

Se ficar claro que o problema é da pista, não tem como justificar pousar avião grande naquele aeroporto. Se ficar claro que o problema é do avião, o lobby das companhias aéreas e do pessoal que não quer pagar mais R$100 de táxi a partir de Guarulhos vai varrer a questão para debaixo do tapete.

No fundo, acho que quem tem razão é o José Augusto Valente: não dá mais pra avião grande pousar em Congonhas.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 11:44:00 BRT  
Blogger André Lux disse...

Embora eu raramente concordo com suas opinões Alon, dou-lhe os parabéns pela postura que adotou ao analisar o acidente da TAM, ao contrário do restante dos abutres da mídia corporativa que já estão usando o sangue das vítimas para tentar novamente golpear o governo Lula.

É em momentos como esse que eu tenho absoluta vergonha de dizer que sou jornalista, salvo raríssimas excessões.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 11:58:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

A postura do Alon deveria ser a postura de qualquer jornalista.
Alias, qual a diferença entre a opinião de um jornalista e a de um cidadão comum? Responda a esta pergunta e ficará com nojo da cobertura feita logo após o acidente.
E está ficando cada vez mais claro que não foi culpa da pista.
Claro que temos que achar um culpado.
Então ao trabalho carniceiros!!!

quarta-feira, 18 de julho de 2007 12:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ontem na Globo News a Monica Waldvogel cortou na hora um especialista que disse que talvez o avião é que estivesse rapido demais. Só vale especilista que diga que faltou grooving, que aliás varios aeroportos dobrasil nãotem.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 12:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Todo acidente aéreo ocorre por uma conjunção de vários fatores. É uma árvore de eventos interdependentes. Se um deles for evitado, o acidente não acontece. Portanto, não existirá nunca uma causa única, mas cada um dos fatores tem sua parcela de responsabilidade. Congonhas é inadequado? Quantos acidentes aconteceram lá em toda a susa história? Foram poucos. É um aeroporto próximo de centro, com trnasporte disponível para qualquer lugar da cidade. Há muito especulador imobiliário querendo fechar o aeroporto e valorizar terrenos do entorno que não podem ser edificados com arranha-céus. Agora, só nos resta rezar pelas vítimas e pelas famílias. E aguradar o resultado das investigações. Espero que dessa vez deijem os especialistas da aeronáutica trabalhar em paz. Ou vamos ter um novo caso Gol, ou seja, muito barulho e poucas respostas.
Sds.,
de Marcelo.
Ao Antonio Lyra: assisti ao mesmo telejornal e não vi essa atribuição de culpa ao Lula.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 12:30:00 BRT  
Blogger Agente 65 disse...

Opinião equilibrada, me ganhou. Até aqui foi a coisa mais inteligente que li sobre o assunto. Vou reproduzir no Agente 65.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 12:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Discussao muito importante, que esperemos desta vey evolua para uma apuracao isenta e legitima. As questoes levantadas pelo Alon sao absolutamente pertinentes. Quanto aas coberturas dos predios e o aeroporto do Rio, ha uma semana aterriyei em um aeroporto em que os sinaliyadores estao dentro do mar (Kastrup, Copenhague), e nao consta que isso tenha dado algum problema a eles alguma vez. Pode ser problema de grooving, e do piloto e do aviao. Pode tudo. Vamos ver como a coisa evolui. Perdao pela grafia.
Ignotus

quarta-feira, 18 de julho de 2007 14:04:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Marcelo: o problema é que deixaram a cidade crescer em torno de Congonhas. É um aeroporto sem área de escape, errou dançou. Para um avião de 180 lugares, é problemático, porque se ocorre qualquer coisa, não tem como o piloto manobrar aquele monstrinho, é entregar pra Deus.

Airbuses e Boeings NÃO PODEM operar em Congonhas, tem que ser aviões menores, no máximo 110 lugares. Isso já era óbvio já fazia algum tempo para quem passa por lá. (E a minha opinião vale também para o Santos Dumont e para a Pampulha).

quarta-feira, 18 de julho de 2007 14:30:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,
fiz essas mesmas perguntas ao meu filho, estudante de física, ontem.

A conclusão dele é que seria impossível ele arremeter se já estivesse sofrendo os, supostos, efeitos da aquaplanagem.

E que, nesse caso, o piloto certamente tentaria um cavalo de pau para a direita e não para a esquerda pois teria mais chances de não invadir a pista.

Mas é claro não somos especialistas em aeronáutica.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 15:04:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Quem voa, voa para cima. Quem derrapa, derrapa para o lado.

Acho que isso responde a pergunta.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 15:57:00 BRT  
Anonymous Vladimir disse...

aparentmente a física não faz parte do estudo da maioria dos jornalistas.Este exercício simples de física,como você bem postou,sequer foi levado em consideração.desde o início preferiram as manchetes de tragédia anunciada.A partir do momento que as coisas forem sendo esclarecidas,o mínimo que pode-se esperar desta gente é que venham pedir desculpas ao público que foi enganado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 16:20:00 BRT  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Já esculhambaram o negócio!

O que a PF sabe de investigação de acidente???? NADA!

deixem o CENIPA trabalhar!

quarta-feira, 18 de julho de 2007 16:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Alon está na linha certa. Deu no Jornal Hoje, da TV Globo:

O JH conversou com o responsável pela área de risco da COPPE, a Coordenação de Programas de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Moacir Duarte.

Jornal Hoje: Já é possível dizer o que aconteceu naqueles segundos antes da colisão? Se fala em pista molhada, se fala em erro humano, problema mecânico. É possível já ter uma previsão?
Moacir Duarte: Pela natureza da ferramenta que a gente tem para investigar acidentes já é possível dizer o que não aconteceu. Certamente uma colisão daquela magnitude não tem a ver com a ranhura nem com o processo de frenagem, porque já é a última etapa de parada do avião. O avião chegou com muita energia ao final da pista para cruzar a avenida e ter um impacto no prédio. Isso parece que exclui como causa decisiva a questão da ranhura e do atrito.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 18:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Passei pelo local 10 minutos antes do acidente caia uma chuva fraca e constante o que descarta a possibilidade de excesso de agua na pista, assisti ao video do pouso que mostra o avião pousando suavemente, e logo depois acelerando ainda na pista...por algum motivo ele não conseguiu arremeter meu palpite seria falha da aeronave (reverso).

quinta-feira, 19 de julho de 2007 12:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Acho um absurdo um avião com um dos reversos desligado pousar em uma pista curta(Congonhas)e ainda com chuva...a vida humana não vale nada mesmo!!! a ganancia ganha mais uma vez .

sexta-feira, 20 de julho de 2007 14:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Seguindo o manual do avião a jato moderno... , todo e qualquer avião a jato certificado para vôo deve em situação de emergencia decolar e ou pousar com apenas uma turbina ou reverso funcionando.
Situação de emergencia não é = a situação de operação comercial normal . Quem é o responsavel pelo vôo da morte (TAM ou MAT)!!!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 14:41:00 BRT  

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