segunda-feira, 2 de julho de 2007

Uma pergunta para você (02/07)

Se só houvesse as duas opções, você preferiria viver numa ditadura 100% ética ou numa democracia em que houvesse corrupção (ainda que combatida)? Perguntando de outro jeito: é razoável atropelar o estado de direito para combater a corrupção? Para adiantar, a minha posição está em Deputado cassado, jornal fechado, post que escrevi a propósito do processo contra o deputado federal José Mentor (PT-SP) ano passado. O deputado acabou absolvido no plenário da Câmara. O post conclui assim:

Um lugar comum é dizer que o Brasil vai ser um país melhor no dia em que todos os corruptos estiverem na cadeia. Não concordo. O Brasil vai ser um país melhor no dia em que estiverem na cadeia todos os corruptos contra quem haja provas e estiverem livres os demais. Espero viver ainda bastante, se Deus assim o permitir, mas estou muito velho para acreditar que a ditadura é um instrumento legítimo, ou eficaz, para defender o interesse público. Desse remédio, já provamos várias vezes e nunca funcionou. Ao contrário, quase nos matou.

Ou seja, eu penso que a democracia, o estado de direito e o rigoroso respeito às leis constituem a melhor maneira de organizar uma sociedade. E também a maneira mais razoável de se combater a corrupção.

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22 Comentários:

Anonymous Alexandre Porto disse...

Pera aí?

Vc está sugerindo que nossa ditadura foi ética?

Que nos 20 anos de governo militar não houve corrupção, fisiologismo, aparelhamento do esado e desvio de verbas públicas?

Vc sabe quanto custou a ponte Rio-Niterói, Itaipu, Transamazônica?
Tem algum relatório do TCU sobre os gastos?

segunda-feira, 2 de julho de 2007 10:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A ditadura só é boa para o próprio ditador e seus amigos e parentes. É burrice acreditar que uma ditadura beneficiaria a maioria da população. E "ditadura 100% ética" é uma hipótese absurda. Quem nós convidaríamos para ser nosso "ditador 100% ético"? Um senador gaúcho? Um senador amazonense? Um general de exército? Um motorista de táxi? Um proprietário de jornal de grande circulação? Um ex-reitor da USP? Um âncora de telejornal? Um economista que fez doutorado em Chicago? Um professor de Harvard? Um cantor-compositor-intelectual da MPB?

segunda-feira, 2 de julho de 2007 10:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon : esta conversa de que todo
mundo é inocente até prova em
contrário, não cabe em discussão
sobre a corrupção dos políticos!.
Eles são suficientemente espertos,
não deixando provas digamos
"concretas",como papeis assinados
com firma reconhecida......
O Maluf não chegou a dizer que a
assinatura dele foi forjada?
Gravações telefônicas são provas
cabais,se juntadas a outros
indícios lógicamente!

segunda-feira, 2 de julho de 2007 11:16:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Esse papo me lembra da UDN destruindo a democracia em prol do "combate à corrupção"

segunda-feira, 2 de julho de 2007 12:35:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, não provoque porque uma ditadura 100% ética, pode não ser uma má idéia (se não fosse utópica)...
Mas melhor a democracia com Estado forte. Num Estado fraco, onde o contrato social da nação não é respeitado, proliferam máfias e prevalecem organizações de poder econômico sobre o interesse popular.
A redemocratização que vivemos me lembra o período de Boris Yeltsin na Rússia (de Kerensky também, pouco mais de 70 anos antes). Corromperam tanto a democracia, que o povo Russo se sentiu excluído do próprio regime democrático (era chamado à votar, mas não tinha para si os benefícios da democracia), mesmo após quase 1 século de ditadura soviética, preferiu reeleger Putin, egresso da velha ordem, após ele promover reformas totalitárias.
A Democracia no Brasil vem sendo ancorada pela relativa acomodação satisfatória da política econômica e social. Em uma situação de crise econômica e social, poucos terão estímulo para defender uma democracia corrompida, que parece não pertencer ao cidadão comum. Na pesquisa CNT/Sensus 58% defenderam o fechamento do Congresso. Os ímpetos de anseios totalitários do cidadão vem sendo moderados, por enquanto, pela atuação do Ministério Público e da Polícia Federal.
A classe política e as instituições judiciárias precisam apresentar respostas menos tolerantes às investidas de máfias. Os legislativos precisam abandonar o corporativismo e reatar relações com seus eleitores representados. Pelo menos um pouco da vontade do cidadão precisa voltar a ser protagonista das políticas públicas para preservar os sentimentos democráticos.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 13:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Toda a assepsia ,é suspeita.Hitler, por exemplo, era um higienista radical, era partidário da "fornologia" depuradora.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 13:49:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Discordo totalmente do encadeamento de seu raciocínio!
José Mentor foi julgado na Camara Federal, a quem cabe um julgamento político.
José Mentor não foi inocentado de nada do ponto de vista criminal! Foi julgado pelos seus pares que "julgaram" não ter havido "quebra de decoro". Não julgaram, e nem poderiam, se houve crime ou não.
Seu processo continua, no STF, que a seu tempo dira se a quadrilha denunciada pelo Procurador Geral da Republica, que "teria" como chefe o ex-deputado José Dirceu, cometeu ou não os CRIMES pelos quais foi indiciada!

segunda-feira, 2 de julho de 2007 14:15:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Esta postura é um dos motivos pelos quais, apesar das divergências, eu ainda considero você um dos melhores jornalistas da sua área.

Não se pode perder de vista o lastro institucional (normativo) das investigações, mesmo que se acredite que há distorções no seu curso. É seguramente mais difícil mudar as características que permitem qualquer tipo desvio nos padrões normativos previstos pelas instituições do que sugerir que se suspendam os direitos que lhes dão crédito. Infelizmente, parece que há muita gente disposta a subscrever esta idéia, e por consequência, conforme apresenta Alon nessa imagem, legitimar uma espécie de ditadura.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 14:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Frodo, apenas para sua informação, o deputado José Mentor não foi incluído pela PGR na denúncia sobre o "caso mensalão". Portanto, não há processo contra ele na Justiça Comum.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 14:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Onde não há provas não pode haver cadeia, mas pode haver cassação. E isto é democrático.

Um exemplo prático: Renan Calheiros deve ficar livre, mas sem o mandato.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 16:10:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Caro Anônimo das 16:10
Se ele não foi indiciado, não estava em julgamento, logo continua falho o raciocínio do Alon.
Posso efetivamente ter me confundido! Foram tantos os indiciados do PT!
Aliás, se não foi, por que não foi, se recebeu dinheiro do Dr. Marcos Valério?

segunda-feira, 2 de julho de 2007 16:45:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

O Alexandre Porto matou a discussão à pau... não vejo razão para mais posts após o seu.
Cê tá ficando velho mesmo, Alon :-)))))

segunda-feira, 2 de julho de 2007 18:44:00 BRT  
Blogger rafael disse...

Acho bonito o sofisma.
Já eu espero que em uma democracia seja possível afastar notórios malandros do poder. Ou ainda, notórios malandros que usam provas notoriamente falsas, possam, ao menos ser julgados em liberdade, mas longe de ocupar cargos de proeminência na República. Ainda que não estivessem afastados, que não se escondessem em chicanas. Taí uma democracia menos desgraçada.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 20:50:00 BRT  
Anonymous JV disse...

o problema do Brasil é que só tem uns 4 ou 5 senadores e deputados éticos, logo o povo não é ético, vota e elege candidatos corruptos, não tem educação política para recusar clientelismo, enfim , uma lástima. Esta história de ditadura ética é papo de 11 em cada 10 ditadores. Olhem o discurso do Chavez e do Evo.

segunda-feira, 2 de julho de 2007 21:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Talves seja interessante se questionar também se é possível ter um regime político ditatorial absolutamente ético. Até agora, em todas as experiências do gênero não existiu igual situação e, acredito, não existirá, porque num regime de exceção, a ética é a primeira a ser atingida em cheio pela "bala perdida" do "interesse de Estado".

segunda-feira, 2 de julho de 2007 22:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, você foi didático. Eu prefiro tentar reduzir a corrupção através de uma democracia. Se nós não somos perfeitos, nossas instituições, nossos governos, e nossos representantes também não são perfeitos. Mas nós devemos trabalhar para em conjunto melhorar nossas instituições, nossos governos, nossos representantes. E só haverá democracia com os procedimentos constitucionais respeitados - o devido processo legal sem atalhos e sem prejulgamentos.

Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 2 de julho de 2007 22:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Meu caro Alon, estou de acordo, com você: quem acusa tem que provar, do contrário, cale-se. O "problema" da democracia é que ela dá trabalho. Afirmações como a de alguns colegas comentaristas sobre eventuais malandros notórios são gratuitas e, no meu entender, pouco afeitas ao trato democrático. Este requer mais do que meras opiniões para proferir julgamentos tão peremptórios sobre assuntos tão sérios.
Juan

terça-feira, 3 de julho de 2007 13:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sr. Alon, boa tarde:
Muito se tem dito que o povo escolhe mal seus representantes.
Somos obrigados a votar.
Devemos votar concientemente.
Até aí tudo bem.
Ocorre que as opções de voto não nos deixa com esperanças pois os candidatos em sua grande maioria, ou são corruptos, e, ou prestes a se tornar um.
Quando se chega ao congresso, os ideais e promessas são facilmente esquecidos.

terça-feira, 3 de julho de 2007 14:27:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Cuba ou EUA? Quebrando o galho de Cuba no 100%, claro.

Como sou azarado, eu estaria em Cuba. Mas lá no porão estaria construindo meu barquinho...

quarta-feira, 4 de julho de 2007 01:41:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

O Thomas Jefferson comentou que se o povo não fiscalizasse o poder, eles se tornariam lobos devoradores. Lênin montou o esquemão para debelar a contra-revolução e industrializar rápido, contudo sempre foi comedido em usá-lo, ao contrário de Stálin, que matou mais comunistas que Hitler. Não sei quanto tempo mais os Lobos Devoradores do Capital e os neo-adesistas de esquerda permitirão a nossa farra de liberdade de expressão e direito à informação jornalística via internet, sei que a liberdade passa não apenas por poucos e bons, como é o Alon, mas pelo acúmulo democrático, daí a necessidade dos direitos sociais universalizados. Coisa que está a anos-luz do que o neoliberalismo nos proporciona.

quarta-feira, 4 de julho de 2007 04:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nunca valerá a pena 100% de ditadura x 0 (zero) de corrupção. É o mesmo erro que: 100% de segurança x 0 (zero) de direitos das pessoas; 100% de redução de desigualdades de renda e de oportunidades x qualquer percentual de leniência com faltas. E por ai vai.
Sotho

quarta-feira, 4 de julho de 2007 08:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

ditadura 100% ética é contradição em termos.
ou seja, trata-se de uma expressão, digamos,logicamente equivalente a ladrão honesto...

quarta-feira, 4 de julho de 2007 09:38:00 BRT  

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