quinta-feira, 26 de julho de 2007

Um plano e paciência (26/07)

Texto públicado como "análise da notícia" na edição de hoje do Correio Braziliense:

Crise velha, escudo novo

Alon Feuerwerker
Da equipe do Correio

Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter demitido Waldir Pires num dos muitos episódios da crise desencadeada pela reação dos controladores de vôo ao acidente entre o Boeing da Gol e o Legacy, em setembro. O ministro que sai desempenhou papel decisivo no enfraquecimento da autoridade do comando da Aeronáutica diante dos sargentos rebelados. Depois do motim de março, quando Lula decidiu recompor a hierarquia e a disciplina na Força Aérea Brasileira (FAB), criou-se a situação política quase ideal para a troca na Defesa. Mas Lula preferiu deixar Pires no cargo. Agora, tira o ministro na esteira de uma tragédia, a do vôo 3054 da TAM, cujas causas não estão esclarecidas. Ao remover o seu velho companheiro nessas circunstâncias, o presidente da República oferece munição aos adversários que atribuem a tragédia de Congonhas à suposta incompetência gerencial do governo. Se não é assim, por que trocar de ministro bem agora? Talvez para colocar no lugar do já desgastado Pires um novo escudo, capaz de absorver as ondas de choque do desgaste político, antes que cheguem no próprio presidente. Waldir Pires foi oferecido por Lula como carne aos leões da opinião pública unicamente para atender às conveniências políticas do próprio presidente. É a política. Agora, Nelson Jobim tem o desafio de mostrar que além de bom político, com trânsito na situação e na oposição, é também ótimo gerente. Está nas mãos do ex-ministro do STF achar a solução rápida para a crise da aviação comercial brasileira. Se não encontrar uma, restará sempre a Jobim o recurso de apresentar um plano e pedir paciência. Com Lula, tem funcionado. Resta saber se o novo ministro terá tanta sorte quanto tem tido, até agora, o seu novo chefe.

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7 Comentários:

Anonymous Marcos disse...

Acabar com a crise aerea depende de se achar uma outra crise para substitui-la. Como foi no caso do Renan Calheiros.
É tudo uma questão de conveniência politica.
Como foi com Brisola.

quinta-feira, 26 de julho de 2007 13:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Imgenuidade ou má fé,acreditar na crise aérea , como deficiência gerencial.O problema é a eleição de 2006, que não terminou, e tão cedo não se encerrará.Avizinham-se,ações diretas de contestação,como passeatas e manifestações que quem sabe, conhece, sua origem e destino.Supõe,que asubstituição do digno Waldir Pires,seja uma primeira vitória, de tática aplicada no início do primeiro governo,com resultados aquém do esperado.Impedir Lula de fazer seu sucessor, é a raíz da presente crise.As vítimas,não importam.São usadas como seus parentes, como massa de manobra.Os métodos vão recrudecer.
A história pode não se repetir, mas ensina.Até porque,hironicamente, os atores,da "contestação"são os mesmos...

quinta-feira, 26 de julho de 2007 14:00:00 BRT  
Blogger Toty Freire disse...

Mudar para justificar! Essa é a estratégia do governo. Colocaram o Jobim com cara de durão na frente da imprensa só pra causar a sensação de "agora vai!". Pobre do Pires. Saiu escurraçado, sem comando e sem legado!

quinta-feira, 26 de julho de 2007 16:04:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Sinceramente, eu não consigo entender qualquer análise que não reconheça que Valdir Pires era a pessoa errada no lugar errado (ainda que por orientação errada de Lula).

O Ministro da Defesa, antes do apagão aéreo, parecia ser apenas uma espécie de embaixador do presidente junto às FFAA (de inteira confiança, para não conspirar), para vigiar e conter ânimos.

Com o apagão, Lula precisava de um Ministro capaz de entender o que Lula quisesse (o que deve exigir certa habilidade política) e com quem Lula pudesse dizer: - Vá e faça!
Paulo Bernardo foi quem operou a crise do motim, como interventor. Foi e fez! Fez um acordo enviesado e fez confusão na hierarquia, mas debelou um incêndio maior naquele momento: a greve.

Juniti Saito foi quem passou a operar em seguida naquilo que é de sua atribuição: o controle do tráfego. Foi e fez, com louvor. Seria um bom Ministro da Defesa, se Lula pudesse promovê-lo. Mas não pôde por desiquilibrar o status político dos 3 comandos das FFAA e também não obedece o requisito de ser um homem do presidente, a quem possa depositar total confiança.

Faltou a ANAC e o INFRAERO, que não estão subordinadas a Juniti Saito e sim ao ministro da Defesa. Valdir Pires não conseguiu tornar esses órgãos operacionais a contento.
Veio a crise. Valdir Pires não sabe se comunicar na guerra midiática, vira alvo fácil da munição da mídia e expõe o governo.
Jobim é bom comunicador, dá respostas, entrevistas, apaga incêndios.
E tem o perfil "vá e faça" que Lula precisa. Vejamos se é capaz de fazer com louvor.

quinta-feira, 26 de julho de 2007 21:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A frase mais impressionante no seu commentário é: "suposta incompetência gerencial do governo." Quantos mais precisam morrer para você admitir a incompetência e irresponsabilidade deste governo?

Chega desse papo de oposição e eleição, desgate político, esquerda e direita (mesmo porque nenhuma das duas existe no Brasil). O que falta é os responsáveis admitirem suas responsabilidades.

quinta-feira, 26 de julho de 2007 22:34:00 BRT  
Anonymous Pcaval disse...

Alon!
Já te dei vários parabéns.

Blod do Ig, foi a gota
dá não!
não dou mais!

Lula é muito bom,
minha classificação pra político.

Quem faria melhor?

sexta-feira, 27 de julho de 2007 03:24:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Eu continuo me perguntando quem pode confiar em cargo de confiança. Acho que nem quem confia, nem quem é confiado, nem quem nem desconfia.

Pires podia ter apenas arranhado seu currículo honrado, acabou saindo carbonizado. Amigo é pra essas coisas?

Jobim, no entanto, está no lugar certo. Ninguém entende tanto de caixa-preta quanto ele. Foi o padrinho das urnas eletrônicas brasileiras quando esteve no TSE.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:30:00 BRT  

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