segunda-feira, 9 de julho de 2007

Trocando de amigos (09/07)

O presidente da República abordou o assunto etanol em seu programa semanal Café com o presidente. Transcrevo um trecho da fala presidencial:

O que estamos querendo provar é o seguinte: primeiro, (...) [é] importante olhar a política dos biocombustíveis sem olhar o mapa da Europa. É preciso olhar o mapa do mundo, olhar África, olhar América Latina, para que eles percebam que tem países com potencial de produzir de forma extraordinária para atender aos interesses do mundo. Ou seja, hoje nós temos 20 países que produzem petróleo por 200 países. Com o biodiesel nós vamos poder ter mais de 100 países, ou seja, nós vamos democratizar a produção de combustível no mundo. Aí levantam o argumento de que vai ter problema no alimento. Ora, é preciso imaginar que o ser humano seria irracional. A primeira energia que o ser humano precisa é a sua própria. Ou seja, é se alimentar para poder ter força, para poder produzir a outra energia. Acho uma coisa totalmente descabida. A segunda coisa que eu acho que eles fazem de grave na discussão é dizer que nós vamos invadir a terra da Amazônia. Eu lembrei a eles que Portugal chegou aqui em 1500, há 470 anos introduziu a cana no Brasil e a cana não chegou na Amazônia por uma razão simples. Mesmo quando não se tinha uma visão de preservação que a humanidade tem agora, os portugueses descobriram há muito tempo que na Amazônia não é lugar de plantar cana porque a temperatura não é propícia para isso. Esse é um debate que o Brasil não tem de ter medo. Nós não vamos aceitar, não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme numa grande nação.

A parte relativa à penetração da cana de açúcar na Amazônia já foi respondida pelo jornalista Altino Machado em seu blog (obrigado a quem indicou a referência). Peço licença ao Altino para transcrever:

Lula disse que o cultivo da cana-de-açucar no Brasil ocupa menos de 10% da área cultivada do País, ou seja, menos de 0,4% do território nacional. "Essa área – é bom que se diga – fica muito distante da Amazônia, região que não se presta à cultura da cana", afirmou, tendo acrescentado que "se a Amazônia fosse importante para plantar cana-de-açúcar, os portugueses que introduziram a cana-de-açúcar no Brasil, há tantos séculos, já o teriam feito na Amazônia". Lula chegou a agradecer aos antepessados de uma dupla portuguesa presente na solenidade "por não terem utilizado a Amazônia para produzir álcool nem açúcar". Mal assessorado, Lula gera constrangimento com declarações desencontradas quando repete frases de assessores da Casa Civil. Na Amazônia, já existem usinas de porte expressivo em Presidente Figueiredo (AM), Ulianópolis (PA), Arraias (TO), além de meia dúzia no Mato Grosso. De acordo com o último levantamento oficial da Conab, um órgão do Ministério da Agricultura, de maio deste ano, na safra passada houve mais de 19 milhões de toneladas de produção de cana-de-açucar na Amazônia Legal, entre Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Amazonas e Pará. Ainda não consta no documento a produção do Acre, isto é, da agroindústria Álcool Verde, pertencente ao Grupo Farias, que os políticos petistas do "governo da floresta" consideram como o grande trunfo de investimento. Uma antiga usina, que jamais havia produzido álcool, foi revitalizada com dinheiro público e privado. O investimento já atinge mais de 2 mil hectares de cana-de-açucar plantados ao longo da BR-317. O ex-governador Jorge Viana, que preside o Fórum Empresarial do Acre, já anunciou que uma segunda usina será instalada na região. É falso o mito de que o cultivo da cana-de-açúcar é inviável na Amazônia. De acordo com o relatório da Conab, a produtividade média na região amazônica é de 70 toneladas por hectare, bastante próxima à media nacional de 79 toneladas, e muito superior àquela de estados como Alagoas e Pernambuco, que são grandes produtores tradicionais de cana, e que apresentam, respectivamente, produção de 63 e 52 toneladas por hectare. Um dia antes de afirmar que o cultivo de cana fica muito distante da Amazônia e que a região não se presta à cultura da mesma, o jornal Diário do Pará noticiou a assombrosa quantidade de pessoas libertadas numa única operação de repressão ao trabalho escravo no país. Blitz do Grupo Especial Móvel encontrou 1.108 trabalhadores em condições degradantes de trabalho em uma fazenda de propriedade da empresa Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S.A.), em Ulianópolis. Os trabalhadores dormiam em alojamentos superlotados e trabalhavam na colheita de cana-de-açúcar.

Lula vende gato por lebre quando diz que a cana não vai chegar à Amazônia. Ela já chegou. E o problema não é só a cana. São o gado e a soja. O governo não diz como vai impedir que a pressão de cana por terra acelere o desmatamento e a invasão de terras indígenas. Nem explica como essa pressão vai evitar o aumento global dos preços dos alimentos. Bem que Lula tentou de novo, na fala de hoje:

Aí levantam o argumento de que vai ter problema no alimento. Ora, é preciso imaginar que o ser humano seria irracional. A primeira energia que o ser humano precisa é a sua própria.

O ser humano certamente não é irracional. O problema é que coisas como essa de transformar etanol em biocombustível global não são decididas por um abstrato "ser humano". São decididas pelo mercado e pelos governos. Houve tempos em que Lula e o PT não confundiam a categoria "ser humano" com a categoria "mercado". A força política (ou moral) dos pobres é insuficiente, por si só, para fazer prevalecer no mundo a justiça social. Lula, presidente de um grande país, não consegue ser ouvido nas reuniões do G-8. Mas quer nos convencer de que o "ser humano" da África vai ter um fórum adequado para influir no zoneamento das culturas de biocombustível, para garantir que terras destinadas à produção de comida não sejam tomadas por culturas destinadas a encher "ecologicamente" os tanques dos carrões da classe média americana. As negociações da Rodada de Doha caminham para o colapso porque dois dos maiores emergentes, Brasil e Índia, não conseguem convencer a Europa e os Estados Unidos a reduzir seus subsídios agrícolas, mas Lula acredita que o "ser humano" da América Central terá vez e voz num hipotético fórum universal que promova os biocombustíveis com justiça social. Talvez num futuro ainda utópico o ser humano consiga tomar em mãos seu próprio destino. Por enquanto, porém, quem está no comando é o capital. Mas o trecho mais revelador da fala de Lula é este:

Esse é um debate que o Brasil não tem de ter medo. Nós não vamos aceitar, não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme numa grande nação.


Se eu bem entendi, "o cartel dos poderosos tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme numa grande nação" é o pessoal que se opõe a que Luiz Inácio Lula da Silva desempenhe no etanol o papel que Tony Blair tomou para si na invasão do Iraque. O de mais importante aliado de George W. Bush, agora na luta do presidente americano para tornar seu país menos dependente do petróleo. Pela lógica do discurso do presidente Lula, eu entendi que o tal "cartel" é composto por Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales. Haja mudança!

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

12 Comentários:

Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
Se eu tivesse entrado em coma logo após a posse do Presidente, em janeiro de 2003, e acordasse agora, estaria atônito com o que classificaria de "surto", que ele estaria surtado...
Mas acompanhando a trajetória em que ele se embebedou de Poder, acho natural que comece a falar que Fidel, Chavez e Morales estejam jogando contra o "Brasil".
Coloco Brasil entre aspas porque não sei onde fica esse país que os presidentes da República mais recentes, especialmente FHC e o atual, se referem, pois nada parece com o Brasil que a gente conhece. Deve ser o Brasil dos poderosos que eles passaram a freqüentar após empossados no cargo.
Os caras que decidem o que plantar e o que fazer com o que foi produzido já garantiram, faz muito tempo, o alimento que precisam. Ninguém, em sã consciência, pode imaginar o investidor no cruel dilema entre plantar e vender alimentos básicos ou produzir combustíveis que trarão uma rentabilidade muito maior ao seu capital.
A racionalidade que existe nesse momento é a do capital, não do ser humano, e no contexto do capitalismo. Seria inteiramente irracional o cara decidir pensando no futuro da Humanidade, ou nos pobres que passam fome (pois estes não fazem parte do mercado consumidor, não têm renda para isso).

segunda-feira, 9 de julho de 2007 18:34:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Quanto à Amazônia, o problema, com cana ou sem cana, é fiscalização do zoneamento florestal. Se não for gado, nem soja, será madeira e outras coisas.
Hoje a Amazônia já sofre com irregularidades, desde o garimpo ilegal, biopirataria, pesquisas científicas disfarçadas em ONGs, até à catequese populações indígenas, em desrespeito ao estatuto do índio.

Fiscalizar essa área imensa custa caro. Então é importante que a agricultura brasileira seja rica onde pode-se produzir, para gerar impostos que paguem a fiscalização das áreas de reserva.
O governo brasileiro poderia aumentar vagas no serviço militar aos jovens de 18 anos, com quádrupla função: como política de primeiro emprego, como política auxiliar na formação e educação dos jovens, política de segurança pública nas fronteiras, e como política de vigilância do bom uso do território nacional (como a Amazônia).

Quanto ao preço dos alimentos, os países de 1o. mundo saturaram a exploração de seus territórios com produção intensiva e subsídios polpudos, mantendo a produção do 3o. mundo uma atividade primitiva, incerta e irregular. Há muito ainda por plantar e colher no 3o. mundo para alimentar a todos, e produzir biocombustíveis. Falta é dinheiro para aplicar as técnicas, e acesso a mercados consumidores.

Quanto ao Brasil e Índia "não convencerem" os países ricos, vou reproduzir um trecho do blog do Luiz Nassif:

"A União Européia e os Estados Unidos estão encalacrados com a questão dos subsídios agrícolas. A cada dia que passa, aumenta o peso sobre os orçamentos públicos. Com a revolução do etanol, a situação ficará ainda mais complicada para eles. A partir de um certo preço do milho, parte relevante das usinas de álcool ficarão inviabilizadas. A falta de terras, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, será um fator adicional, ou expulsando culturas já estabelecidas, ou obrigando à importação do álcool.

Portanto, no campo dos subsídios agrícolas, o tempo corre contra os desenvolvidos.

Tudo o que eles queriam seria um acordo que resolvesse dois problemas: fornecessem argumento para tomar uma decisão que, mais cedo ou mais tarde, teriam que tomar; e ainda seus produtos industriais ganharem acesso amplo e irrestrito ao mercado dos emergentes.

Para o Brasil, reduzir ainda mais as tarifas de importação de industrializados seria um suicídio. O real apreciado já significou uma abertura inimaginável. Sobre esse câmbio, colocar uma redução tarifária adicional seria ampliar o desastre. E em troca de muito pouco, que, afinal, será oferecido mais cedo ou mais tarde."

Diferente de você, Alon, eu entendi claramente que Lula está se referindo a este proteciosismo agrícola do 1o. mundo como adversários, e não a Fidel, Chavez ou Evo.

Alon, acho que a imprensa deveria tratar as gafes e erros nos pronunciamentos de improviso do presidente Lula com a devida diferenciação das políticas de governo, como a imprensa dos EUA fazem com Bush.
Ninguém trata as gafes e erros ditos em pronunciamentos de improviso de Bush como se fossem políticas oficiais. Ou seja, as gafes e erros depõe contra o político e não contra a nação.

Por fim, há a questão agrária e as condições de trabalho. Lutemos por políticas governamentais de distribuição de renda mais justas. Mas ainda que não vierem, a história mostra que, no capitalismo , setores retrógrados da economia que se modernizam, acabam por melhorar a vida dos trabalhadores envolvidos. Os metalúrgicos da indústria automobilística tiveram um padrão de vida e condições de trabalho muito melhores do que os estivadores dos portos por onde vinham os carros importados.

segunda-feira, 9 de julho de 2007 19:41:00 BRT  
Anonymous jv disse...

tenho a impressão que o Lula se deu conta (como disse sempre, de burro ele nada tem, só faltou instrução) de que ou o Brasil vira um Jogador nos mercados internacionais ou vai virar um baita " Cuba-Libre".

segunda-feira, 9 de julho de 2007 23:56:00 BRT  
Blogger Dourivan Lima disse...

Mesmo que essa paixão do Lula pela sua própria lábia possa acabar gerando efeitos inversos ao que pretende, concordo com o que disse o José Augusto.

Acrescento alguns pontos:

A grande pressão dos biocombustíveis existente hoje sobre os preços dos alimentos vem da política americana de proteger o etanol de milho, o que já está afetando seriamente a "cadeia" dependente desse cereal (carnes) e por tabela da soja.

Minha leiga opinião sempre foi de que os EUA vão contentar os pobrezinhos dos seus produtores de milho até o ponto em que haja uma demanda séria por etanol, quando terão que abrir as portas ao álcool de cana.

Essa minha impressão (leiga, repito) foi confirmada num artigo do Cristiano Romero no Valor Econômico, baseada em fontes americanas, há coisa de um mês.

No mesmo sentido, numa matéria da Sônia Bridi para a TV Globo, um produtor de álcool de beterraba na Europa (que também tem usinas no Brasil) diz que não há como evitar a invasão do álcool de cana vindo dos países tropicais, portanto a União Européia deve subsidiar a produção local pra conseguir segurar uma faixa do mercado.

Tudo isso vai depender de os preços do petróleo continuarem altos - e há muita gente mais entendida que eu dizendo que vão.

Quanto à comparação com o Blair, acho que falta um certo physique du role pro Lula virar poodle do Bush. Talvez um espécime mais roliço e "criollo".

Falando sério, se os interesses do Bush coincidem com os nossos, por que se preocupar com o Chávez? Até porque duvido que os EUA consigam ficar sem o óleo que ele vai continuar vendendo pra sustentar sua retórica bolivariana.

terça-feira, 10 de julho de 2007 10:03:00 BRT  
Anonymous Luiz Lozer disse...

Queridos

Tô com o Presidente e não abro (com gafes e tudo)

Essa é uma grande oportunidade, tem problemas, é claro, mas ainda assim, vale a pena.

Até os problemas, se observados por uma ótica menos derrotista, são também uma oportunidade. Somos CAPAZES de fazer um zoneamento agrícola, que proteja a amazônia e garanta a produção de alimentos, e isso vai garantir a sustentabilidade na hora de exportarmos para o resto dos paises pobres um modelo sustentável de produção de combustíveis.

Dá para fazer, com respeito a produção de comida e preservando a floresta, é questão de método.

O que não dá é para já de saída derrotarmos a proposta, isso é tipico de brasileiro complexado, vamos apresentar os problemas, mas, vamos apresentar também as soluções.

terça-feira, 10 de julho de 2007 10:31:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Alon, quem se surpreende com os discursos pró-etanol do presidente é quem não prestou atenção na lógica da política comercial do atual governo.

Desde que assumiu o governo, Lula tem adotado uma postura agressiva de ampliar o campo das exportações brasileiras. Reabriu o mercado africano, abriu o mercado dos países árabes, foi à China e agora, surfando na onda "vamos-salvar-o-planeta-antes-que-seja-tarde", vende o etanol (produzido por brasileiros, porque o etanol brasileiro em si não entra nos EUA, por exemplo) para os países ricos.

Mas no comércio internacional é assim, não? O mesmo Lula que abraça Bush e fala de etanol implode a rodada de Doha quando o representante americano fica no protecionismo. E o mesmo Lula que fala de Banco do Sul e otras cositas más com Chávez disputa mercado com o petróleo venezuelano nos EUA.

Talvez devêssemos ser menos maniqueístas, não?

terça-feira, 10 de julho de 2007 11:15:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

(ah, pra esclarecer: a implosão da rodada de Doha foi o ponto alto da política comercial do atual governo. Xeque de mestre. O mico ficou na mão dos países protecionistas. Eles é que vão ter que abrir seus mercados.)

terça-feira, 10 de julho de 2007 11:16:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
Essa estória de exigir que os países do capitalismo central abram seus mercados é uma ilusão sem tamanho: eles abrem para nosssas matérias primas e alguma commodity agrícola semi-processada (óleo vegetal, carnes...), para o agronegócio, que beneficia de fato um pequeno número de famílias e empresas, e em troca de abrirmos o nosso mercado para bens de alta tecnologia e serviços. Não tem ida sem volta, um não sai sem o outro acontecer.
A população brasileira ganha com isso? pode até ser que a classe média e aqueles que estão chegando nela passem a ter acesso a produtos mais sofisticados com menor preço, aumentando sua renda real (dos consumidores), mas em termos de geração de renda (já não falo mais emprego, pois isso está se acabando...) certamente terá impacto negativo em muitos setores da economia.

terça-feira, 10 de julho de 2007 12:09:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Vocês que são de esquerda, não se dão conta de um ponto. O aumento dos preços agrícolas interessa sobremaneira os pequenos agricultores, messetês ficam viáveis e o campo volta a valera pena. Já pensaram nisso?

terça-feira, 10 de julho de 2007 19:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Há, no Brasil, muita terra improdutiva. É essa terra que tem de ser conquistada para a produção seja lá do que for. A produção de cana pode ser um bom negócio, e contrapo-la à produção de alimentos numa sociedade de mercado é, penso eu, inútil. O que determina a produção é a busca dos resultados e não qualquer outra consideração de caráter ético ou ambiental.
Juan

quarta-feira, 11 de julho de 2007 12:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Volto a repetir o que postei em outra oportunidade: a Amazônia não é adequada para a produção econômica da açúcar e álcool. O rendimento em sacarose por hectare é ridículo, pior até que o do Nordeste. Este é quase a metade do alcançado na região Sudeste. Até o Roberto Rodrigues que é produtor de cana e agrônomo já afirmou isso, com todas as letras. Além do baixo rendimento, há o probelma do transporte dos produtos para as regiões consumidoras, que seria absurdamente caro, inviável. Repito: não é a cana que vai devastar a Amazônia, mas as pastagens e as culturas anuais deslocadas para lá pela cana.
Não esperem demais dos EUA e da Eruopa. Etanol para eles é só um paliativo. A solução em energia virá de outras fontes, que ainda demoram uns dez anos para se tornar econômicas (hidrogênio, eletricidade, etc.).
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 11 de julho de 2007 15:01:00 BRT  
Anonymous JV disse...

E tem mais ainda, se os preços das comodities agricolas subir, os países industrializados não mais precisarão dar subsídios para seus produtores.

quarta-feira, 11 de julho de 2007 16:56:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home