quinta-feira, 19 de julho de 2007

Só porque eu viajo muito de avião (19/07)

Eu continuo querendo saber qual foi a causa principal do acidente com o avião da TAM em Congonhas. Causa principal é aquela que se não existisse teria evitado o desfecho. Como, por exemplo, os pilotos americanos do Legacy desligarem o transponder. Foi a causa principal do acidente de setembro que matou todos os ocupantes do Boeing da Gol. O meu motivo para querer o esclarecimento completo do que aconteceu é um só -e egoísta: como eu ando muito de avião, eu quero que a tragédia do vôo 3054 tenha servido ao menos para que as causas que derrubaram agora o Airbus da TAM não se repitam no futuro. Cada erro humano é uma oportunidade para que ele não aconteça de novo. Aprender com os erros é, além de tudo, uma bela homenagem às vítimas desses erros. Outra coisa indispensável é punir eventuais culpados. Só que, no meu caso, a simples punição de culpados e a execução de possíveis bodes expiatórios não satisfaz. Eu quero saber o que aconteceu de verdade. Se eu tiver que morrer um dia de desastre de avião, se esse for o desejo do Senhor, que seja pelo menos um acidente de causa original, ou imprevisível. Eu compreendo quando os adversários do governo dizem que as mortes de Congonhas se devem à incompetência do governo. Essa conclusão serve a quem faz oposição ao governo e tem por objetivo trocá-lo. Mas, e se o avião da TAM tiver se acidentado por outra razão qualquer? Caso a incompetência do governo seja adotada intempestivamente como explicação oficial (e se de fato a razão principal não tiver sido essa), eu, que viajo muito de avião, estarei exposto a um risco maior do que o necessário. Pois o problema principal que causou o acidente não terá recebido a devida atenção. Vejam por exemplo o caso da pista escorregadia. Numa dia ela explicava o desastre. No dia seguinte não explicava mais. Então eu peço um favor, na condição de alguém que viaja muito de avião. Eu não me incomodo que as pessoas xinguem o governo e o apontem como responsável pelo acidente. Nem me incomoda que o governo planeje pirotecnias para dizer que está agindo. A oposição que ataque o governo. E o governo que se defenda. É a política. Eu não gostaria, entretanto, que a investigação sobre as causas do acidente com o vôo 3054 fosse conduzida com critérios políticos. Não é por nada não. É só porque eu viajo muito de avião.

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12 Comentários:

Anonymous Rodrigo disse...

Acho que o mundo tá ficando louco, Alon. Post perfeito.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 14:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mentiras sao emntiras em qualquer situaçao. Temos o direito de nos defendermos das tentativas de manipulaçoes. Deram a tragedia cunho politico. Como urubus aproveitaram-se das carniças para ganhos eleitorais. Ai reside a maior tagedia. Quanto a viajar de aviao, ha muito sempre soube que partir e chegar com vida em um veiculo que nao obstante mais pesado que o ar, voa, é um MILAGRE. Devemos todos estar preparados para o pior. É a teoria dos risco de voar sem ter azas.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 14:31:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Sabendo-se que a aviação brasileira opera em regime de virtual duopólio (TAM e Gol+Varig) e que as companhias aéreas são fortes em propaganda e patrocínio na mídia corporativa...

...alguém acredita que a mídia corporativa vai exigir que se ache e puna os responsáveis?

quinta-feira, 19 de julho de 2007 14:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Como sr. aceitou que o transponder foi o causador do acidente da Gol,tambem aceitara quando o governo informar que a culpa deste acidente foi do piloto da Tam.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 15:51:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon.
Acho que vc está confundindo investigação com as suposições que a imprensa é obrigada a soltar a cada minuto (no caso da virtual)para poder $obreviver.

Certamente você vai saber o que aconteceu, mas não dá para esperar que as respostas sejam dadas com essa rapidez. O cado do avião da GOL é didático.

O que podemos ter, a curto prazo, é a exclusão de algumas possibilidades, como no caso das ranhuras da pista.

Essa sua cobrança, na minha opinião, precipitada, só faz aumentar a ansiedade e a procura por culpados a qualquer preço.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 16:07:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, quem foi que excluiu as ranhuras da pista como um problema? Não ouvi nenhum piloto falar isto. Ou você está levando em conta o depoimento do presidente da TAM?
Se for levar a sério o depoimento do presidente da TAM, você entrará em rota de colisão com a opinião média da maioria dos que frequentam aqui: Você sabe, muitos são xiitas anti-mercado. Logo, devem por princípio descartar a opinião de alguém do "sistema", ainda mais alguém que compõe o, como é mesmo, "duopólio".

Enfim, especialista mesmo nas condições da pista, não acredito haver melhores do que os pilotos. Se você quiser eu te envio por e-mail a contundente entrevista de um deles a um programa de rádio.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 16:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, você demonstra ser um blogueiro sério e imparcial. O que importa realmente são as causas dos problemas para depois se cobrar soluções a quem de direito. Neste país de triste realidade, político de oposição só quer é tirar a sua lasquinha e torcer para que tudo dê errado. Enquanto isso o nosso governante mor vai cada vez mais demonstrando a sua inépcia, falta de autoridade, etc., etc.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 16:58:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Angelo, texto de reportagem de hoje do Jornal Hoje da TV Globo:

O JH pediu a Jorge Barros (especialista formado pelo Cenipa, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos) para analisar as ultimas cenas do avião que se acidentou. As imagens foram gravadas pelas câmeras da Infraero. Uma cena mostra o avião ainda no inicio da pista logo depois de tocar o solo. “O vídeo mostra que ele tocou no ponto certo da pista, porém essa velocidade que ele deslancha ainda é muito alta para quem pretende pousar”, fala. Dois minutos antes um outro avião que desceu em Congonhas levou 13 segundos para percorrer esse trecho da pista. O Airbus que se acidentou levou apenas três segundos. “Nessa seqüência o avião percorre o último terço da pista e essa cortina de água que a gente vê logo abaixo do avião significa que o ar que está sendo impulsionado pelo motor se dirige à parte da frente do avião, numa tentativa de frear esse avião pela força aerodinâmica. Os dois reversos estão ativos porque esse avião não perde a direção nesse momento”, disse. Jorge Barros comentou também as condições da pista molhada. “A comparação desse vôo com os vôos anteriores mostra que vários aviões antes conseguiram efetuar o pouso em condições normais, mesmo tocando onde esse avião tocou. Quer dizer, a característica da pista estaria sendo igual para todos os aviões.”
No trecho final da pista, o Airbus continua em alta velocidade. Antes de desaparecer da imagem surge um clarão na parte de trás do avião. “Fogo saindo do motor, que pode sair por meia dúzia de motivos. Um deles é uma aceleração muito abrupta, onde o motor reage ao comando do piloto lançando combustível em excesso na carga de combustão para poder gerar a potência que o piloto necessita naquele momento. Pode ser um indício que ele tentou arremeter e isso aí vai ser pesquisado pela comissão que está investigando o acidente”, conclui.


Caro Angelo, espero ter esclarecido a sua dúvida.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 17:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Seria ocioso tentar descobrir quem primeiro começou a politizar uma questão que parece eminentemente técnica. Em termos de marcos regulatórios, recursos para investimentos etc. O que preocupa é ou o silêncio de autoridades ou ministro responsável pela área dizendo que o momento pede cautela. Como o momento pede cautela? O momento pede soluções, indenizações rápidas dos vitimados. A única cautela talvez seja não viajar de avião ou morar perto de aeroportos ou rotas.Infelizmente foi a este ponto em que lograram colocar atividade de tal importância. Quem tiver ânimo para politizar que politize. Só que o estrago já está feito.
Sotho

quinta-feira, 19 de julho de 2007 18:26:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Você nunca vai convencer alguém que só pensa em colocar Lula como culpado pela tragédia, Alon.

Foi divulgado há pouco que o avião entrou e saiu da pista na mesma velocidade, como, de certa forma, mostra aquela imagem.

"O avião entrou e saiu da pista com a mesma velocidade, sempre 110 nós (203,72 Km/h). Isso significa que ele não conseguiu reduzir a velocidade durante o pouso".

Ranhuras não seriam capazes de parar esse avião. Só uma vossoroca.

Derrapar então seria impensável.

Repito, a urgência em encontrar um culpado, se possível o presidente, está deixando o debate patético.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 18:31:00 BRT  
Blogger sueli halfen ( POA) disse...

Não ouvi ninguém dizer do por que ele tentar arremeter...
Se os motores no freiar estavam funcionando,será que os comandantes dormiram no pouso,descompressão???

sei lá...aguardarei a decifração da caixa preta.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 20:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mas, caramba! O que tem a ver o Presidente com "grooving"? Então porque a toda hora ficam afirmando que "o Presidente não tem nada a ver com acidente", "o Presidente não tem nada a ver com isso e aquilo", "tem gente querendo que o Presidente seja por isto ou aquilo". Todo mundo sabe que o Presidente não tem nada a ver com a extinção dos dinossauros, pitombas!!! Será que nem 200 vítimas conseguem parar com a paranóia?
Sotho

sexta-feira, 20 de julho de 2007 10:14:00 BRT  

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