domingo, 22 de julho de 2007

A responsabilidade de Lula (22/07)

O governo decidiu reduzir os vôos em Congonhas. É uma boa decisão, pois criará as condições para fechar o aeroporto definitivamente, um dia. Com o dinheiro que já foi enfiado ali, o melhor mesmo é achar alguém (ou mais de um alguém) que esteja disposto a comprar as edificações e fazer daquilo um shopping center. Seria um crime, depois de centenas de milhões investidos na infra-estrutura, deixar Congonhas como um aeroportozinho meia-boca para passageiros da Ponte Aérea, para quem se destina a Ribeirão Preto e Londrina ou para o deleite de quem tem grana para alugar um jatinho. Aliás, um colega de redação do Correio Braziliense deu uma ótima idéia. Se o problema para fazer de São Paulo uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 é a ausência de bons estacionamentos nos estádios já existentes, por que não construir um estádio moderno em Congonhas, para aproveitar os novíssimos estacionamentos recém-erguidos? Fica a sugestão. Um bom dinheiro também poderia ser obtido, como escrevi antes, com a destinação de parte da área para especulação imobiliária. A excelente infra-estrutura local e a perspectiva da construção do shopping e do estádio valorizariam suficientemente o terreno para o poder público obter de volta os recursos que enterrou ali. Só rezo para que a sensata decisão de fechar Congonhas não precise esperar por um novo acidente, por um novo avião caindo sobre a cabeça das pessoas que moram numa das regiões mais densamente povoadas de uma das maiores cidades do mundo. Mas vamos em frente. O governo anunciou que vai fazer um novo aeroporto perto de São Paulo. Bom. Parece também que vai fortalecer a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). É uma pena. A ANAC deveria ser fechada. Como Congonhas. E ela será, um dia, quando houver no Brasil um governo que decida enfrentar a plutocracia (1) nos atos, e não apenas nos discursos. Como escrevi em outro post, há certas coisas que no Brasil não funcionam. A ANAC provou que não funciona. Você poderá argumentar que o problema foi não terem colocado ali as pessoas certas. Mas que mecanismo institucional é este que depende de "pessoas certas" para funcionar? A estabilidade dos dirigentes da ANAC deveria teoricamente operar como uma vacina contra ingerências políticas. Seu resultado prático, porém, é a autonomia da ANAC para realizar os desejos das companhias aéreas. Pode haver exceções (dizem-me que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Anvisa é uma delas), mas no Brasil as agências reguladoras regulam com os interesses de quem deveriam fiscalizar. E não com os interesses de quem deveriam defender. Outro assunto é a responsabilidade do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na crise. Como vocês já sabem, eu vou esperar as investigações antes de dar uma opinião sobre por que caiu o avião da TAM na semana passada em Congonhas. Mas tem algumas coisas em que já dá para ter opinião. O governo federal, por exemplo, é o principal responsável por a crise com os controladores de vôo ter chegado onde chegou. O governo federal foi durante meses parceiro, por meio do ministro da Defesa, da quebra da hierarquia e da disciplina na Força Aérea Brasileira (FAB), ao estimular e afagar os "companheiros controladores". Que tentavam vender ao país a tese de que o choque entre o Boeing da Gol e o Legacy em setembro tinha acontecido por outra razão qualquer que não o fato de os pilotos americanos terem desligado o transponder do jatinho. Ao alimentar a indisciplina militar na FAB, o governo imaginava estar criando as condições para desmilitarizar o setor. Eu até hoje estou curioso para conhecer os bons negócios que se tornariam viáveis com a desmilitarização. Mas isso a nossa oposição, como diria o Tutty Vasques, não vê. Ou não quer ver. A oposição adora xingar o Lula, mas gostaria mesmo é de ganhar uma beirinha na doce relação entre o governo e a plutocracia. Os inimigos de Lula surfam nas lágrimas e na dor dos parentes e amigos dos mortos do vôo 3054. E por enquanto vão bem nesse surfe. Até porque ninguém cobra deles o que fariam se estivessem no lugar do presidente. Quantos deputados ou senadores da oposição subiram à tribuna antes do último acidente para pedir que vôos com aviões de grande porte fossem transferidos de Congonhas? Vamos em frente. Quando acordaram, depois do motim de controladores de 30 de março, o governo e o presidente viram que tinham se metido numa enrascada. E correram para devolver a autoridade ao comando da FAB. Mas aí a confusão já estava criada. E um sistema que funcionava bastante bem, até aquele fatídico dia em que o Boeing e o Legacy se tocaram no ar às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, já tinha sido ferido. Os controladores de vôo são mesmo para Lula o que os sargentos e marinheiros foram para João Goulart. Brincar de sindicalismo no Palácio do Planalto dá nisso. A pessoa acha que a agitação sindical pode ajudá-la a alcançar determinados propósitos, mas quando o olho se abre a pessoa percebe que a confusão se tornou uma arma na mão dos seus inimigos.

(1) Sobre a plutocracia, vale a pena ler Tacão de Ferro, de Jack London. Pode ser baixado gratuitamente da rede, em inglês, clicando aqui.

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18 Comentários:

Anonymous josé maria de souza disse...

Coincidência ou lógica?
Antes de ler seu post, mandei comentários sobre as agências para o Blog dos Blogs, lembrando que a única agência decente é a Anvisa. Também acho que o papel das tais agências (Anel, Anatel e agora Anac) tem sido o de defender as companhias e não os usuários. Para elas, os usuários que se dirijam ao Procom!
José Maria

domingo, 22 de julho de 2007 13:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
O Lula não derrubou os dois aviões, mas é responsável por ser um líder indeciso, fraco, titubeante, hesitante. Falta-lhe pulso até para demitir um ministro que vem dando problemas há tempos, como o Waldir Pires.`
É responsável porque tem medo de enfrentar as situações de frente. Ele deveria ter feito um pronunciamento no dia do acidente, vindo a São Paulo, mesmo correndo o risco de enfrentar a fúria dos familiares da vítimas.
Diante de situações imprevistas, o Lula deixa transparecer sua fragilidade, enquanto isso, a oposição ganha terreno.
Sempre votei no PT, e no Lula, menos no primeiro turno do ano passado, por causa dos escândalos, mas, na hora H, votei nele no segundo turno, para evitar um mal maior, para mim, representado pela volta dos tucanos.
Mas, não dá pra fechar os olhos à fraqueza do presidente e das confusões dos petistas. Eles são seus maiores inimigos.

domingo, 22 de julho de 2007 15:05:00 BRT  
Anonymous JV disse...

É impressionante como você Alon consegue dar um jeito de culpar as oposições pelos erros do governo Lula.

domingo, 22 de julho de 2007 15:36:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, seu Blog está sendo uma ilha de sobriedade, cada vez mais exceção na mídia. É bom ler aqui proposições sérias, de soluções, e críticas substanciais.
Outra exceção louvável foi o Roda Viva da TV Cultura.
A maior parte da imprensa grande venezuelou de vez.
As edições dos telejornais estão surreais.
Em poucos SEGUNDOS narra um laudo do IPT mostrando a pista como ACIMA das especificações internacionais. No MINUTO seguinte entrevista um piloto autorizado a falar pela própria empresa suspeita (êta fonte confiável!) dizendo o óbvio (com avião de grande porte muito pesado, não acha seguro pousar na pista sob chuva). O próprio telejornal faz várias denúncias contra a aerolinha poucos minutos antes. O depoimento do piloto claramente foi produzido para "garantir o álibi à barriga jornalística" explorada à exaustão sobre a falta de grooving (coisa já praticamente descartada por todos os especialistas). Quem viu o Roda Viva, entendeu que a decisão de pousar quando há qualquer fator de risco que não seja impeditivo, é do comandante da aeronave e não da torre de Controle.

O desabafo do réu inocentado, contra seus algozes acusadores, mesmo que de péssima educação, é explorado como se fosse escárnio contra a vítimas.

Há um clima de pregação ao pavor de voar, misturando atrasos com falta de segurança, para atingir o governo. É louvável criticar atrasos e criticar segurança, só é errado desinformar associando coisas desconexas). Deixam em segundo plano comunicados da próprio ICAO (autoridade internacional em segurança aérea). Isso prejudica o Brasil e os brasileiros. Dizem que os seguros das aeronaves podem subir (consequentemente as passagens).
Não peço um jornalismo chapa branca. Mas sim, críticas substanciais como as suas.

Estou pessimista. O governo Lula vem trilhando o estrito respeito à ordem institucional, a oposição não vem fazendo o mesmo, e não vem fazendo seu papel de apresentar-se como ALTERNATIVA de projeto de poder, limitando-se a viver do denuncismo, no perigoso terreno da especulação.
Posso estar errado, mas episódios históricos anteriores mostra que, em ambientes radicalizados, com desconstrução mútua de duas forças por longo período continuado, fora do período eleitoral, é maior a probabilidade de uma terceira força chegar ao poder.
Isso poderia até ser bom, mas é uma aposta aleatória. Foi assim em 64 (Lacerda não chegou ao poder, foi alijado), foi assim com Fujimori no Peru, foi assim com Collor (Situação PMDB+parte_PFL x oposição PDT+PT+PSDB x Collor+parte_PFL).

Se o confronto se radicalizar demais entre oposição, situação e imprensa, como na Venezuela, os adeptos do presidente com certeza não ficarão inertes e reagirão também, conforme aconteceu em Caracas. E não acho esse clima nada bom. O país vai bem na economia e na promoção social. As raízes dos problemas nacionais, são instituições que precisam de reformas, ainda que graduais: política, do judiciário, administrativa e tributária. Essas raízes é que não estão sendo atacadas, e é sobretudo pelo imobilimismo da oposição. Pode-se criticar o que for no governo, mas todas as iniciativas, boas ou ruins, tem vindo de lá.

domingo, 22 de julho de 2007 15:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A primeira vista, ambos os sargentos se parecem, do exército e da aeronáutica, o primeiro de Jango ,os outros de Lula.As semelhanças, acabam por aí. Estes, são a versão em azul, dos caminhoneiros de Allende.

domingo, 22 de julho de 2007 22:59:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Para Zé Augusto, que papo aranha de caminho constitucional é este, ninguém disse nada a respeito do assunto. Apenas cobram a responsabilidade de um governo que é ao mínimo omisso.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 00:47:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

JV, tomara que o caminho seja constitucional ou "barbeiragem" como noticiou o Estadão sobre a pane no Cindacta.
Estamos entrando num caminho perigoso.
Infernizar a vida do governo é legitimo. Faz parte do jogo. Agora se o que estiver ocorrendo com o sistema aereo for sabotagem a coisa muda de figura. Sinceramente, estou interessadissimo sobre o a pane do Cindacta. Pena que tenhamos poucas noticias.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 13:33:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

José Augusto,

Fica-se com a impressão, pelo teor de seus comentários (nesse post e em outros) aqui no blog do Alon, que vc acredita que havia imprensa equilibrada, à época em que vocalizava e endossava muitos dos ataques políticos do grupo petista (como o que se fez contra o Eduardo Jorge, por exemplo), e agora existe uma imprensa golpista porque dá voz aos ataques políticos de oposicionistas contra o grupo governista – ou seja, faz o mesmo que fazia durante o governo FHC, mas com sinal trocado.

Para que se mantenha um mínimo de coerência, eu vejo 2 posições:
1) condenar o oposicionismo de agora e de então (pergunta: vc apoiava o denuncismo petista, à época em que eram oposição?).
2) justificar o comportamento oposicionista (de agora e de então) com o seguinte argumento: são coisas da realpolitik.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 14:10:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Marcos, a acusação de golpe, de armar contra a constituição é contra a direita. Se houve sabotagem, foi feita por sindicalistas, nada a ver com a direita.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 17:07:00 BRT  
Blogger Toty Freire disse...

Concordo. Essa agência deveria mesmo ser fechada. Mas uma coisa importante: as tragédias brasileiras revelam o desmonte e o despreparo do estado para arranjar soluções minimamente modernas para os problemas-surpresas. O estado é atrasado e suas decisões são muito mais. É preciso modernidade administrativa e planejamento decente. É preciso calcular riscos. Isso o governo Lula só fala, mas não faz.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 19:17:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, deu erro ao enviar este comentário. Se já foi enviado, desconsidere.

Frank,

Reconheço que Tanto a 1 como a 2 são válidas no jogo político. A opção 1 seria tomar o caminho civilizado da política européia. A 2, hoje, é tomar o caminho da política Venezuelana, mesmo que no passado o PT também esteve errado ao pré-condenar denunciados.

Além do mais, do ponto de vista frio e calculista, tem o fator oportunidade. O PT era "virgem" no poder federal, então a tese do "partido da ética" soava mais razoável, como soa hoje ao Psol e outros que não tem histórico de ocupação de poder.
A atual oposição PSDB/DEM não é "virgem". Não dá para querer mostrar-se como tal. O eleitor não acredita.

Quanto à mídia, apenas lembro, que a antiga oposição não era dona (ou associada) da mídia. A atual é. Isso faz toda a diferença.

O caso Eduardo Jorge foi noticiado (pré-condenando errôneamente), mas acusaram apenas o próprio, e pouparam FHC.
No governo Lula, acusam Lula de tudo, às vezes esquecem até de quem é o próprio real acusado.
Há um acidente aéreo que poderia acontecer em qualquer circunstância (se o erro for humano ou mecânico - vamos aguardar), e como houve atrasos em Aeroportos durante meses, logo a culpa tem que ser de Lula. A pista foi reformada? Melhor ainda, decreta-se que não estava pronta para uso, mesmo que isso não seja necessariamente verdade.

O Renan envolve-se em escândalos? Lula é o culpado por conjunturalmente estarem aliados, sem estabelecerem o elo de ligação nos escândalos ao governo. Quando Jáder era presidente do Senado, você viu envolverem FHC? O noticiário torpedeou Jáder, com a SUDAM (órgão do governo federal, com nomeações em troca de apoio político, logo estava estabelecido o elo de ligação), mas o noticiário foi totalmente descolado do governo FHC, limitando-se às vicitudes pessoais do alvo.

O Alon faz críticas contundentes ao governo, direto aos assuntos que interessam, nas políticas e atitudes onde Lula é fraco e vulnerável (algumas que não concordo, mas raramente deixo de reconhecer a pertinência da crítica), sem recorrer a expedientes que beiram o grotesco, como chamar Vavá de um poderoso lobista em Brasília, ou como chamar Evo Morales de imperialista sobre os interesses brasileiros.

Eu disse que não defendo nem oposição, nem imprensa dócil.
Mas a imprensa é dócil com os governos estaduais de oposição.
Então estão fazendo marketing político disfarçado de jornalismo, ao protegerem uns e perseguirem outros.

Não quero aqui o que aconteceu na Venezuela. A imprensa lá virou porta-voz da oposição, pelo que dizem.
Os chavistas, incluindo população da periferia, se organizaram e começou a haver enfrentamento. Uma divisão de classes fomentada pela elite, porque não aceitaram o resultado da eleição limpa. Tentaram o golpe, e fortaleceram Chavez. Isso pode acontecer no Brasil se continuar nessa escalada.

Sorte a nossa, que quem está sendo sensato é o Governo Lula, ao não responder às provocações. Acredito que a imprensa está querendo que Lula revide, para chamá-lo de Chavista e de querer "calar" a Imprensa.

Talvez Lula esteja sendo mais esperto do que todos pensam. Está deixando a imprensa enforcar-se na própria corda. O tempo passa, os ânimos serenam, e a palavra final será de Lula, como foi em 2006: mostra os resultados com reformas em aeroportos, equipamentos, pessoal e reorganização do sistema aéreo daqui a um ou dois anos. Mesmo que atrasado, os resultados de ter dado solução aparecerão. E quem colocou o ônus todo nas costas dele, como impedí-lo-á de ficar com todos os bônus da solução quando ele disser "nunca na história desse país...?".
Quem vôa se sentirá mais seguro. O eleitorado de baixa renda que vôa pelas primeiras vezes, e o de renda mais alta que aproveita o dólar barato para ir ao exterior, se sentirão mais seguros ao voar, e cairão no colo dos candidatos apoiados por Lula nas eleições (principalmente porque o candidato não será outro operário, terá o perfil que a elite dizia ele não ter - outra munição gasta à toa pelas oposições).
Nesse cenário a oposição aparecerá catatônica e sem propostas, como em 2006.

Paralelamente os resultados dos laudos oficiais dos acidentes vão saindo, e a imprensa vai ficar meio desacreditada. No fim da ditadura aconteceu isso. Parte da imprensa tentou esconder comícios de 1 milhão de pessoas pelas diretas. Foi a desmoralização, o que saía no noticiário destes veículos ninguém mais acreditava, às vezes nem no que havia de verdade. Acreditava nas notícias que gostavam, naquelas que não gostavam, simplesmente considerava mentira.

O cenário de ordem institucional acima (com uma oposição com alternativa fortes, e a imprensa denunciando a corrupção que quiser, mas atendo-se aos fatos e exercitando o contraditório), é o que eu desejo. O calendário eleitoral é cumprido com regras atuais, e que vença o melhor (e acho que a oposição tem chance se Serra, Aécio e outros tiverem bons governos estaduais de fato para apresentar, e não se apresentaram como anti-Lula. Ou então alguma terceira via de face nova, se todos estiverem desacreditados, como aconteceu com Collor em 89. Lula não será candidato e o poder sempre apresenta fadiga de material, com o tempo, não sei se até 2010).

Mas pode haver outro cenário, se descambar para quebra institucional, tentativas de impedimento. Uma tentativa de depô-lo politicamente (não me refiro juridicamente de forma legalista, que seria mais aceitável), criará um movimento de sustentação à Lula e abrirá as portas para teses de terceiro mandato, por outro lado. O que também é bom para Lula, pois volta mais forte, porém eu acho essa radicalização ruim para o Brasil.

Um terceiro cenário (pouco provável, mas estão brincando com fogo, alguns poucos de propósito), pode ser o de 64. A oposição planta a semente da derrubada, mas não leva (como Lacerda não levou), simplestamente porque Lula é popular e a oposição não está com apoio popular, para chegar ao poder sem votos. E na força, tipo golpe militar, ninguém entra na briga para entregar o poder a outro, e ninguém sabe qual a "quimera" que sairia disso.
Nesse cenário, meus amigos, serei grato a Lula por contornar o apagão aéreo, porque o melhor caminho será o Aeroporto.

Alon, desculpe me estender, mas elocubrando deu nisso.

segunda-feira, 23 de julho de 2007 20:02:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Quando o censor sandinista Nelba Blandon foi inquirido em 1984 a razão de o governo ter fechado um jornal da opsição, ele respondeu:
" Eles nos acusaram de suprimir a liberdade de expressão. E esta era uma mentira que não poderíamos permitir publicar...." (tóóóóiiinnnggg).

segunda-feira, 23 de julho de 2007 21:14:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Essa estória de oposição responsável é uma tremenda balela!
Quem tem que ser responsável é o governo irresponsavel.
As oposições tem que devolver na mesma moeda o tipo de oposição hidrofóbica que receberam durante o reinado FHC!
Ou voc~e já se esqueceu do FORA FHC? Ou das posições burras tomadas pelo PT como um todo contra medidas necessárias, mas contra as quais vociferaram por ser oposição?
A ANAC por sua vez, não pode nem deve ser extinta! Basta que se nomeie para a mesma gente competente e isenta. A ANAC foi a única agência reguladora criada no governo Lulla. Veja no que deu! Aparelhamento completo! Aliás, como tudo nesse governo! O modelo de agências reguladoras é o adotado no mundo todo. Pelo menos no mundo "civilizado"! O "modelo" não é responsável pelo mau uso que dele se faça por gente que nada tem a ver com a aviação civil! O que os Drs. Zuanazzi, Denise Abreu, Leur Lomanto ( para ficar apenas com os "condecorados" pela FAB) tem de atributos para dirigir essa agência?

terça-feira, 24 de julho de 2007 07:03:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Então ficamos assim, o Lula desligou o transponder do jatinho e não consertou o reverso e os freios do Airbus.



Ai é que reside o golpe da midia, misturar alhos com bugalhos sem saber se é verdade ou não.

terça-feira, 24 de julho de 2007 10:58:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Que estória é essa que não tem que haver oposição responsável? O que que eu ganho se a oposição não apresenta alternativas a situação e nem deixa a situação gorvernar? E tem mais, quer dizer que é só a ANAC que não funciona? Tá contente com a ANATEL? Gosta da Anvisa? Reclamar com essas agencias é o mesmo que reclamar com o bispo. E não é de hoje e nem do governo Lula.

terça-feira, 24 de julho de 2007 11:18:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Prezado José Augusto,

Obrigado pela resposta.

Eu, respeitosamente, divirjo de sua opinião.

Penso que a imprensa tem sido mais dura com o governo Lula simplesmente porque ele é pior.

Os erros, trapalhadas e tramóias têm sido mais freqüentes e, em geral, mais graves dos que ocorreram nos anos FHC – note que evito a palavra escândalo, pois busca evitar a contaminação que esses arroubos histéricos causam.

E o que dá certo, no governo de Lula, tem, em geral, mais a ver com o que vinha sendo feito antes do que com inovações introduzidas por Lula e sua equipe.

Com relação à mídia, o fato de Lula e seu grupo político não possuírem jornais ou revistas de grande circulação nunca foi obstáculo a que gozassem de espaço nos principais jornais do país para que fizessem seus ataques políticos. Da mesma forma, não creio que o volume de mídia negativa dado a Lula tenha alguma relação consistente com a orientação política dos donos de jornal. Os principais articulistas, formadores de opinião, etc. continuam os mesmos de antes. O efeito dessa influência anti-Lula é, quando muito, marginal - desaparece no quadro geral.

terça-feira, 24 de julho de 2007 11:43:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Uma parte importante da imprensa, os jornalistas, são majoritariamente a favor do PT, com grande viés (que moda) esquerdista. Eles sofrem de conflitos internos imensos quando tem que criticar Lula, em quem depositavam enormes esperanças da quela tragédia que se costumou chamar "um mundo melhor"...(para eles, decerto).

terça-feira, 24 de julho de 2007 21:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Se o modelo for realmente com base em gestão, tornar o Estado ágil e eficaz, as Agências Reguladoras devem ser mantidas e o mandato dos ocupantes concluídos. É a idéia de burocracia estável na gestão pública. Contudo, mais uma vez, mais um instrumento de gestão do Estado está sendo demonizado, no caso as Agências Reguladoras. Sob o manto retórico e tacanho de não privatizar, também não se reestatiza. O resultado é o que antes cunharam de desmonte do Estado, já inoculado de ineficácia.
Sotho

quarta-feira, 25 de julho de 2007 12:40:00 BRT  

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