quarta-feira, 18 de julho de 2007

Pendurados na brocha (18/07)

Os entusiastas do etanol, da desestabilização do Mercosul e de colocar no lugar do bloco um acordo bilateral com os Estados Unidos deveriam ler uma reportagem de hoje da The Economist: Saying no to free trade - Congress rejects a deal with Colombia (Dizendo não ao livre comércio - O Congresso rejeita um acordo com a Colômbia). Transcrevo um trecho, em inglês mesmo:

The US Congress has postponed discussion of free-trade agreements (FTAs) signed with Peru and Panama for several months, while indicating that it will not consider the accord with Colombia at all at this time. This represents a huge setback for the Colombian government of President Alvaro Uribe, who has invested much political capital in his strong alliance with Washington and in promoting a bilateral trade agreement. The deal is now unlikely to be revived until 2008 at the earliest, and could even be put off indefinitely. (...) the Democratic leadership in the House of Representatives has essentially rejected the Colombia-US FTA, citing concerns about ongoing political violence, particularly against labour activists, as well as the lack of investigations and prosecutions, and the role of paramilitary organisations. The US lawmakers say they want to see “concrete evidence of sustained results on the ground in Colombia [in these areas]… before consideration of any FTA”, according to an official statement. There are no specifics as to what this evidence might comprise. Many Colombians will see Congress’s act as a betrayal, since Colombia has been the US’s closest political ally in Latin America and a partner in its war on illegal drugs—at a time when some leftist governments have displayed increased anti-US sentiment.

Clique aqui para ler a íntegra da reportagem da The Economist. Eu sugiro, fortemente, a leitura do texto aos estrategistas do Palácio do Planalto e do Itamaraty. O governo brasileiro segue por uma trajetória perigosa. Graças basicamente ao etanol, vai afastando-se de seus amigos e aliados regionais e aproximando-se dos Estados Unidos. Mas, como se sabe há muito tempo, os americanos não têm amigos nem inimigos, têm interesses. Quando interessar aos Estados Unidos, eles não terão dúvidas sobre nos deixar ou não pendurados na brocha. A Colômbia que o diga.

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8 Comentários:

Anonymous JV disse...

isto é coisa dos democratas para ferrar o Bush.

quarta-feira, 18 de julho de 2007 21:29:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Antes dos EUA, o Brasil (desde FHC) já estava negociando exportações para o Japão (para misturar a gasolina) e com a Alemanha (acho que era créditos de carbono, para usar mais álcool aqui mesmo, mas isso não tenho certeza).

No PAC existe um alcoolduto a ser construído de mais 1000 Km iniciando em Goiás, passando pelo Triângulo Mineiro, e cortando o Estado de São Paulo, até o porto de São Sebastião. Esse projeto é pré-conversão de Bush ao etanol. Se não me engano foi projetado para atender às garantias de abastecimento aos japoneses.
Nada disso foi motivo de dissenso no Mercosul, nem com Chavez, até então.
Agora que os EUA aderiram ao que já fazem os Japoneses e os Europeus, eu não vejo motivo para discriminar os EUA.

Chavez não precisa perder dinheiro por causa do álcool. A OPEP pode controlar a oferta, para manter os preços como sempre fizeram.
A subsidiária da Petrobrás explora petróleo no Golfo do México, e isso não provocou celeuma no Mercosul.

Discriminar os EUA como importadores do álcool brasileiro, me parece mais aderir à mentalidade da sonhada ALBA de Chavez do que ir contra o Mercosul.

Porque em suas análises, é sempre Lula quem se afasta de Chavez e Evo, e nunca são Chavez e Evo quem se afasta de Lula?
A construção do Mercosul e integração Latino-americana, ainda haverá muitas arestas a serem aparadas. Basta ver que já houveram atritos bélicos, entre Peru e Equador, Peru e Chile. Há péssimo ambiente de negociação entre Bolívia e Chile, e entre Venezuela e Colômbia.

Dentro do Mercosul, Paraguai está interessado em produzir Etanol. Eu acredito que na Bolívia, onde se produz soja, poderia produzir Etanol também, e eles ainda vão seguir este caminho. Uruguai também mantém boas relações com os EUA.

Não vejo Lula negociando um acordo bilateral de livre comércio com os EUA. Está apenas exercendo o multilaterismo e abrindo mercados às exportações de etanol.

Quanto à Uribe, todos sabem que fazer negócios com EUA exige negociar duro. Quem é subserviente é tratado como o lado fraco nas negociações e os EUA não cedem em praticamente nada. O governo Lula tem negociado duro com os EUA, como quando "melou" a ALCA e a Rodada de Doha, nos termos em que eram propostos, exigindo novas negociações mais atrativas para o Brasil.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 00:13:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Quem seriam os "estrategistas" do ethanol no governo? Que eu saiba não existe nenhum! Essa é a razão de termos esse entusiasmo juvenil de Lula e seus "especialistas" pelo ethanol.
Não existe uma só pessoa no governo fzendo uma análise de longo prazo sobre energia e futuro!
Dentro de 10 anos, ethanol, petróleo, bio diesel serão passado.
As energias do futuro são aquelas baseadas em tecnologias que ainda não existem ( comercialmente falando) e o Brasil tera um imenso cemitério de usinas tornadas obsoletas pelo progresso científico/tecnológico, onde somos um zero a esquerda! Hidrogênio, que existe de forma quase infinita na natureza é o nome do futuro!

quinta-feira, 19 de julho de 2007 07:46:00 BRT  
Blogger Dourivan Lima disse...

Alon,

Assino embaixo do que diz o José Augusto.

São três coisas distintas: Mercosul, Chaves e comércio com os EUA.

A não ser o grande talento para o espetáculo de Chaves (que continua vendendo seu petróleo para os americanos) não há no momento por que qualquer uma dessas questões deva ser tratada com a necessária exclusão de qualquer das outras.

Se vier a surgir qualquer conflito além da retórica chavista, que se empregue a velha máxima que você citou, mas em sua forma original: países (incluindo o Brasil) não têm amigos, têm interesses.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 17:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
Eu concordei com você quando disse que a exploração do etanol deveria levar em conta as condições de trabalho nos canaviais. Por que ir contra a pressão do congresso americano contra o tratamento repressivo que o governo colombiano vem dando aos trabalhadores daquele país?

quinta-feira, 19 de julho de 2007 19:26:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Anônimo, eu não disse ser favorável ou contrário a que o Congresso americano aja como bem entender. Só disse que confiar cegamente nos americanos é um erro.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 19:34:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Confiar cegamente em qualquer um é um erro. Outra coisa é dizer que a negativa de assinar um acordo bilateral com base em repressão ao movimento de trabalhadores seja deixar o povo colombiano com a brocha na mão...

quinta-feira, 19 de julho de 2007 19:44:00 BRT  
Anonymous N Almeida disse...

Frodo,
Hidrogênio livre na natureza ocorre muito disperso no espaço sideral, concentrado nas estrelas ou em certos planetas, que felizmente não é o nosso. Os lugares mais próximos para buscar hidrogênio livre e abundante são a superfície do sol e o núcleo de Júpiter. Não creio que algum dia tenhamos tecnologia para "minerar" hidrogênio desses lugares. Por não termos hidrogênio livre disponível,ele não pode ser considerado fonte primária de energia.
Mesmo que arrumássemos uma nova fonte primária de energia para produzir hidrogênio, independente de combustíveis fósseis, não há nada apontando para isto nos próximos dez anos, outros problemas imensos teriam de ser superados.
Quando digo que felizmente não temos hidrogênio livre em nosso planeta, é porquê esse gás é muito reativo com o ozônio, ao mesmo tempo em que é muito leve e sobe rápido para a estratosfera. Ele é um elemento com diâmetro atômico diminuto, fato que dificulta sobremaneira seu armazenamento, em outras palavras, vaza com muita facilidade; e não se trata de tecnologia de vedação, pois consegue vazar pelas paredes dos vasos onde estão contidos. Imagine o efeito do vazamento dos tanques de milhões de veículos que viessem a ser construídos. Não haveria camada de ozônio.
Manusear hidrogênio é extremamente perigoso. Não seria recomendável guardar tanques de hidrogênio em, por exemplo, garagens no interior de condomínios. Veículos a hidrogênio teriam de ser guardados ao ar livre e de preferência em algo semelhante a um paiol.
Mas, por que mesmo temos que salvar essa horrorosa "civilização do automóvel"? Essa será uma discussão seríssima para a humanidade. Será que temos área agricultável suficiente para substituir por biocombustível o consumo atual de 1000 barris de petróleo por segundo? Como fazer essa substituição e continuar alimentando a humanidade? Fidel está pleno de razão, não é viável essa "civilização".
Acho que você tem um entusiasmo juvenil pelo progresso científico/tecnológico. Anda lendo muita ficção em quadrinho.

quinta-feira, 19 de julho de 2007 20:37:00 BRT  

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