quinta-feira, 12 de julho de 2007

Para entender o que quer o eleitor (12/07)

O presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), escreve artigo no site do partido sobre as razões do momentâneo fracasso da tentativa de votar uma reforma política na Câmara. Transcrevo um trecho:

O PT fez todo o esforço possível para compor uma maioria, sacrificando inclusive parte de sua tese, ao aceitar o voto em lista com a flexibilidade de uma escolha individual depois da opção pelo partido. Mas, dada a configuração que se apresenta para a continuidade da votação dessa limitada reforma, cabe ao partido realinhar suas bandeiras, aprofundar o debate em suas bases e estabelecer uma estratégia para retomar essa questão em perspectiva mais ampla e com a convicção popular como força motriz de uma mudança de fato. Não haverá mudança estrutural sem participação popular, sem mobilização social. Afinal, não é demais reconhecer que essa agenda estava dissociada de qualquer forma de mobilização que pudesse sustentar essa votação. A falta de acúmulo de debate em relação ao voto em lista e ao financiamento público facilitaram argumentos contrários.

Clique aqui para ler a íntegra do texto. O presidente do PT está certo quando afirma que não haverá mudança estrutural sem mobilização social. Mas a explicação é insuficiente para explicar o fiasco da reforma. Por que a proposta de lista fechada, preordenada, não obteve apoio popular e, em conseqüência, político? Foi por falta de divulgação? Não creio. Faltou apoio político e popular à proposta de lista fechada porque o eleitor viu nela uma forma de reduzir a participação dele no processo eleitoral. Qualquer um sabe que os partidos no Brasil são, em sua ampla maioria, cartórios controlados por caciques que usam as relações com o governo para alimentar o seu próprio poder e impedir a renovação partidária. Se o PT quer apoio social a uma reforma política, que se esforce para encontrar e propor mecanismos que aumentem o controle da sociedade sobre os políticos, e não o contrário. Por que o PT não propõe que os partidos fiquem proibidos de lançar candidatos onde tiverem apenas comissões provisórias? Por que o PT não diz claramente qual o mecanismo democrático que os partidos deveriam ser obrigados a adotar para compor a lista de candidatos a vereador e deputado? Por que o PT não propõe que as direções partidárias sejam proibidas de intervir nos diretórios para revogar decisões democraticamente adotadas? O debate da lista fechada lembra em certa medida aquele do parlamentarismo, quando do plebiscito de 1993. O parlamentarismo tinha apoio maciço na intelectualidade, no establishment e na imprensa. Os argumentos para defendê-lo pareciam tecnicamente consistentes e lógicos. E o impacto ainda recente do impeachment de Fernando Collor parecia reforçar definitivamente os argumentos contra o presidencialismo. No que erraram os estrategistas do parlamentarismo, incluídos os petistas, década e meia atrás? Subestimaram o eleitor. Porque o eleitor, mesmo decepcionado com Collor, não iria mesmo concordar em delegar a terceiros a missão de escolher o chefe do governo. Agora, com a lista fechada, as coisas andaram de uma maneira parecida. Todas as pesquisas recentes indicam rejeição maciça ao voto em lista fechada. O eleitor pode não estar satisfeito com os vereadores e deputados que elege, mas certamente desconfia da tese de que tudo vai melhorar se a escolha dos nomes ficar unicamente a cargo dos partidos. Acho que nem o presidente do PT vai discordar que, no caso, o eleitor está coberto de razão.

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2 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

Ué? Releio a frase do presidente do PT e chego à conclusão de que vocês dois falaram a mesma coisa. Sem que o eleitor assim o queira, pouco importando aí a definição de "eleitor", não muda nada.
O problema é que máximo que se conseguiu foi o apoio da "opinião pública", que no Brasil não significa nada.

sexta-feira, 13 de julho de 2007 10:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Oras, não houve mobilização porque ninguém teve peito de mobilizar por pura falta de alguma idéia-força para catalizar a mobilização. A coisa foi mais na base do coloca-se e se pegar pegou. Quem bobeasse, perdia o bonde. Parece que, por osmose, todos perderam o bonde. Ainda bem. Ao menos por enquanto, fica só a parte do butim de recursos públicos para horários eleitorais e fundo partidário, que já existia. E já é muito.
Sotho

sexta-feira, 13 de julho de 2007 13:03:00 BRT  

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