quinta-feira, 5 de julho de 2007

A oportunidade do Supremo Tribunal Federal (05/07)

Quando, daqui a algumas semanas, o Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente julgar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra os acusados de pertencer ao esquema que passou à História como "mensalão", o país estará diante de uma oportunidade histórica. Haverá, por certo, os que do alto de sua autoridade autoconferida esperarão, não sem uma ponta de angústia, que o STF chancele todas as decisões já adotadas em rito sumário pelo "tribunal da opinião pública". Já eu digo que estaremos diante de uma oportunidade histórica porque, finalmente, a corte maior do país poderá, pedagogicamente, mostrar que mesmo na esfera política o juízo precisa repousar sobre provas. Que o STF aceite as denúncias contra quem achar adequado, e que julgue com base em provas. O que certamente fará. E que, depois, os inocentados, se houver, sejam também absolvidos retroativamente no tal "tribunal da opinião pública". Seria uma boa. Para começar, os que foram cassados e julgados inelegíveis deveriam ser pelo menos anistiados, para que possam, se assim desejarem, concorrer às próximas eleições. E os condenados? Eles deveriam ir para a cadeia. Vocês não acham que faz sentido os inocentes saírem limpos e os culpados irem para a cadeia? Eu acho que faz. Isso teria alguma semelhança com o que se convenciona chamar de Justiça. Mas no Brasil, infelizmente, pouca gente quer Justiça. Os que têm poder político e econômico preferem continuar acumulando as funções de polícia, promotor, juiz e carrasco. O que não têm poder, e que por isso poderiam de algum modo forçar o processo civilizatório entre nós, preferem esperar pelo dia em que eles próprios, uma vez no poder, possam ir à desforra. E a vida segue. Sem que os atuais detentores da força política e econômica percebam o óbvio: que, estrategicamente falando, eles mesmos deveriam ser os mais ardorosos defensores da consolidação do estado de direito.

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19 Comentários:

Anonymous Fernando Trindade disse...

É isso aí. Sem comentários.

At. Fernando Trindade

quinta-feira, 5 de julho de 2007 14:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Existir pouca gente que quer justiça não é bom. Contudo, pode-se perceber que o que muita e muita gente quer mesmo experimentar, de fato, é o sentimento de justiça. Só que dentro do emaranhado engendrado de que voto popular é absolvição, tende a prolongar ainda por muito tempo de chegada de tal sentimento. Isto tb. é ruim.
Sotho

quinta-feira, 5 de julho de 2007 14:49:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, mais uma vez eu entro na questão do Collor: Quando foi absolvido pelo STF, ninguém sugeriu que lhe fosse permitido reaver os direitos políticos. Ou você sugeriu isto?
Por que fazer isto agora com Zé Dirceu? Porque eu tenho certeza que não é pensando em Roberto Jefferson, outro cassado, que você escreve isto.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 16:06:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Errado, Angelo. Leia Anistia para Jefferson, de dezembro do ano passado. Foi postada no mesmo dia de um outro post, com o título Anistia para Dirceu. O link é http://blogdoalon.blogspot.com/
2006/12/anistia-para-jefferson-0212.html.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 16:28:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Perfeito, Alon.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 16:40:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon disse:

"Vocês não acham que faz sentido os inocentes saírem limpos e os condenados irem para a cadeia? Eu acho que faz. Isso seria algo parecido com Justiça."

Quando essa impunidade acabar os jovens não terão mais exemplos a seguir.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 17:21:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon disse:

"Vocês não acham que faz sentido os inocentes saírem limpos e os condenados irem para a cadeia? Eu acho que faz. Isso seria algo parecido com Justiça."

Quando essa impunidade acabar os jovens não terão mais exemplos a seguir.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 17:21:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Disse tudo, Alon.
Só lamento o desapreço de nossa pela justiça, sobretudo quando envolve absolvição.
Ontem, no Programa do Jô, o apresentador mostrou um dossiê enviado por Renan Calheiros com sua defesa. Jô Soares comentou comunicando seu recebimento, sua incapacidade para analisar os números (apesar disso não impedí-lo de praticamente pré condená-lo), mas não conseguiu disfarçar que NÃO leu e NÃO gostou.
Só faltou dizer que tal relatório era um desmancha prazeres, tal sua inconveniência diante da pauta "mata-e-esfola" Renan, no "gabinete da crise" que o apresentador ressuscitou em nova temporada, depois daquela de 2005/2006.
Esse comportamento de uma grande parte da imprensa assusta. Que não gostem de Renan eu entendo. Que não acreditem em sua defesa eu entendo. Que queiram desmentir seu dossiê de defesa, eu entenderia. Mas ignorá-la já é um sério problema de partidarização de boa parte de nossa imprensa.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 17:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

O mensalão deve ter existido, mas jamais poderá ser provado porque não se passa recibo neste tipo de transação. O pagamento a deputados para votar projetos do governo existe desde a Monarquia, mas só virou encândalo em 2005 porque o Zé Dirceu tentou passar a perna na cobra criada do Roberto Jefferson e se deu mal. Todos puderam ver o circo que foi armado pela tevê.
Vamos aguardar para ver o que vai decidir o Supremo, acho que todos serão absolvidos. E o Dirceu vai voltar para terminar a sua grande "obra".

quinta-feira, 5 de julho de 2007 17:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Vou dar uma de mãe Diná: o STF vai mandar para o arquivo os processos sem decisão de mérito, com base em algum detalhe processual. Se decidir menter algum processo, só vai adiar a mesma decisão por uma dúzia de anos.
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 18:06:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Se o STF não confirmar as decisões, com base na "falta de provas" este será apenas mais um capítulo da nossa impunidade. Se o Supremo quer provas, chame a PF! Mas, dirá vc, o tribunal não chama, ele julga.
O problema é que estes detalhes técnicos, muito justos e lógicos, apenas reforçam a sensação de faz-de-conta do Brasil.
Será que ninguém percebe que é preciso um esforço a mais, aquela força que os grandes líderes tem de vencer os desafios buscando alternativas dentro e fora do sistema?!!?

quinta-feira, 5 de julho de 2007 18:36:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Para essa turma Alon, ninguém é absolvido. Participou de uma pizza. Assim não precisam se retratar.

Eu não gosto nadinha do Renan, mas estou louco para ele conseguir se defender, só para ver o que vai escrever o Noblat.

quinta-feira, 5 de julho de 2007 19:12:00 BRT  
Blogger FPS3000 disse...

Uma coisa que eu não entendo: todo mundo denuncia o que é (ou deveria ser) errado, mas ninguém fala o que deveria ser o certo - alguém pode me explicar isso?

quinta-feira, 5 de julho de 2007 19:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Oba!!!
Quando o Collor vai voltar a ser Presidente?

quinta-feira, 5 de julho de 2007 22:29:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Enquanto uma página de propaganda das Vejas custar um apartamento, qualquer conselho editorial estará capturado pela lógica da luta de classes num país como o nosso, onde trabalhadores socorrem-se nas estruturas jurídicas de movimentos sociais que, depois, são retaliados pela mídia patrocinada pelo PIB. A mídia vai resistir em assumir que ela tem partido e não é o do dinheiro governamental, pois este é desprezível.

sexta-feira, 6 de julho de 2007 05:58:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

O Congresso absolveu um caminhão de deputados hiper enrolados. Condenou o ZD. Alguma coisa sabiam...

E sobre a tal prova, sabemos que é quase impossível existir alguém tirando uma foto no exato momento do crime. Mas, os deputados sabiam...

sexta-feira, 6 de julho de 2007 11:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nossa Suprema Corte se manifestará. Mas muitos insistem que nunca haverá justiça no Brasil. Se o Supremo absolver dirão que foi coopado pelo governo Lula, se a denúncia for acatada dirão que foi comprado pelo sistema. Ou seja, qualquer resultado gerará controvérsas. Nós brasileiros temos que construir instituições e procedimentos para acreditarmos nelas. Se o caminho foi respeitado e a instituição se manifestou devemos acreditar que foi feita a justiça dos homens livres no Brasil. A verdade formal dos fatos declarados pela nossa Alta Corte tem que encerrar os conflitos. É o que os cientistas jurídicos e sociais dizem chamar efeito "erga omens" (verdade declarada que supera as opiniões individuais e pacifica a sociedade). A política é subjetiva, mas a Justiça tem parâmetros objetivos e um caminho para chegar à decisão final: o devido processo legal. Na política é saldável que continuem os debates até a próxima eleição. Na Justiça tem que haver um fim para as lides, para que a sociedade ponha uma pedra acima daquela querela. Desculpem a prolixidade.

Rosan de Sousa Amaral

sexta-feira, 6 de julho de 2007 23:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Perdão pelo "saldável" no texto anterior. Eu pretendia editar SAUDÁVEL.

Rosan de Sousa Amaral

sábado, 7 de julho de 2007 19:22:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Este último comentário, só reforça a minha opinião: um país de faz-de-conta, com pessoas achando mque fazem o certo, o justo e o correto, mas apenas jogam "pérolas aos porcos".
Voto nulo, sonego e minto descaradamente para nossas ôtoridades... não finjo ser um cidadão honesto, eu SOU um cidadão honesto que não participa desta farsa chamada Brasil!

sábado, 7 de julho de 2007 19:39:00 BRT  

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