terça-feira, 24 de julho de 2007

O vento e o breque - ATUALIZADO (24/07)

Recebi obervações técnicas sobre os meus posts dedicados ao acidente, como havia pedido. O cerne dos meus argumentos não foi contestado tecnicamente. Mas se os meus argumentos estiverem furados tampouco será um problema para mim. Eu não quero estar certo por cima de todas as coisas. Eu quero, a cada dia, saber mais do que sabia no dia anterior. É por isso, também, que faço o blog. Para que as sabedorias de quem aqui passa ajudem a diminuir a minha própria ignorância. Meu argumento principal desde a queda do vôo 3054 da TAM em Congonhas é que não há como um avião normal descer numa pista de 1.500 metros (úteis) com uma velocidade pouco abaixo de 300 quilômetros por hora, brecar e, mesmo assim, chegar ao fim da trajetória com velocidade suficiente para atravessar uma avenida voando. De três uma: ou o breque não funcionou ou o piloto tentou arremeter ou aconteceram as duas coisas. A tese da oposição ao governo é que o breque não funcionou porque a pista estava molhada demais. A TAM, espertamente, vai pegando uma carona nessa explicação. Pois se o problema tiver sido de origem mecânica, se o breque do avião tiver falhado, a vida da companhia vai ficar bem difícil. Assim como vai ficar difícil a vida do fabricante do avião. Eu mantenho as minhas dúvidas. Que pista molhada é essa em que um avião moderno com freios ABS reduz tão pouco a sua velocidade (de 250 km/h para cerca de 180 km/h, segundo a revista Veja desta semana) depois de brecar por quilômetro e meio? Além disso, vários aviões uaram a mesma pista naquele dia, nas mesmas condições, e tudo correu normalmente (1). Sobre as correções a partir das informações recebidas, eu espero fazê-las rapidamente, e os posts corrigidos aparecerão como atualizados. E as partes corrigidas aparecerão ao lado do que escrevi. [ATUALIZAÇÃO, em 28/7: mudei de idéia, vou esperar as conclusões do inquérito sobre o acidente para atualizar, até porque conforme o tempo passa as informações que surgem validam crescentemente o que escrevi.] Assim, quem sabe?, vamos aprendendo juntos. A principal crítica ao que escrevi é que no Airbus acidentado há uma semana os freios são acionados imediatamente ao tocar o solo. E são acionados por computador. Numa primeira fase da freada trabalham juntos os pneus e a aerodinâmica (o vento contra). Numa segunda fase, em que o avião já está mais lento (e, portanto, a aerodiâmica já não tem tanta importância), os pneus trabalham praticamente sozinhos. Eu escrevi um pouco diferente. Escrevi que numa primeira fase opera a aerodinâmica (o vento) e numa segunda opera a borracha dos pneus.

(1) Atenção, esse argumento não é meu. É de Jorge Barros, especialista formado pelo Cenipa, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos, ouvido em reportagem do Jornal Hoje (JH), da TV Globo. A frase do Jorge Barros, entre aspas: “A comparação desse vôo com os vôos anteriores mostra que vários aviões antes conseguiram efetuar o pouso em condições normais, mesmo tocando onde esse avião tocou. Quer dizer, a característica da pista estaria sendo igual para todos os aviões.”.

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18 Comentários:

Blogger Paulo C disse...

Mino Carta, lembrando um ditado italiano que é perfeito para descrever a atitude de parte da mídia nesta crise: "Piove, governo ladro, e il popolo si bagna" (Chove, governo ladrão, e o povo se molha).

Aqui

terça-feira, 24 de julho de 2007 14:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Já é por demais obvio que apista tinha atrito suficiente. Quer discutir que não tem area de escape , tudo bem, mas fica mais claro a cada dia que o maior problema é no avião. Menos pra Globo é claro.

terça-feira, 24 de julho de 2007 14:38:00 BRT  
Anonymous Fernando Silva disse...

Também não entendo nada de Aeronáutica Alon. Mas tenho dois comentários a fazer:
1) A TV Globo já veiculou diversas conversas entre pilotos e a Torre de Congonhas, alertando que a pista está muito escorregadia. Vários pilotos, de diversas companhias, já deram entrevistas reclamando da falta de segurança na pista de Congonhas. Ontem e hoje vários deles se recusaram a utilizar as pistas com medo de novos acidentes. O fato de não terem acontecido outras tragédias no mesmo dia não isenta a pista de ter sido um fator adicional ao acidente;
2) Mesmo que se comprove um eventual defeito mecânico ou humano no acidente, o governo não estará isento de culpa, pois a ANAC é responsável pela fiscalização das operações das empresas que se utilizam de Congonhas. Se existem carroças voadoras nos céus de São Paulo, ou se as companhias fazem o que vem entendem,, cabe ao governo federal botar odem na casa. Até o momento, a única aparição pública de Milton Zuanase, diretor da ANAC, foi para receber aquelas incômodas medalhas da Força Aérea. Isso é no mínimo muito estranho, pois o Estado, por meio da agência reguladora, não poderia estar fora dos debates sobre a crise.
Abraços!

terça-feira, 24 de julho de 2007 16:03:00 BRT  
Blogger Bruno Daniel disse...

O acidente com o avião da TAM não se relaciona diretamente com a crise aérea que tomou conta do país nos últimos meses e que dá sinais que caminha para muitos outros dias de fila e espera. Entretanto será difícil não eximir o governo de culpa, pois se comprovada a falha mecânica, com certeza, a falta do famigerado grooving será considerado um fator contribuinte. Mas se quisermos chegar-mos a soluções será necessário fazer uma distinção clara entre a crise e o acidente.

A crise tem como cerne a falência da Varig que ajudou a aumentar o monopólio e os desrespeitos das companhias aéreas, aliada a uma inacabada e mal feita redistribuição dos vôos no Brasil, sobrecarregando a Gol e a TAM, que na ânsia pelo lucro passaram a vender bilhetes independentemente de terem capacidade ou não.

Tudo isso, alimentado por uma crise de comando entre FAB e Governo Federal, numa onda de sabotagens e greves brancas por parte dos controladores.

Já o acidente, ainda em investigação, não teria essas proporções se a pista tivesse área de escape maior. E aí entra uma outra grande questão, muito se falou na segurança de Congonhas, levando em conta o número de vôos neste e a sua localização, mas importante é lembrar, que, Congonhas não chega nem perto do movimento e número de passageiros dos principais aeroportos do mundo. O aeroporto Internacional de Atlanta opera numa área urbana, com movimento em 2005 de 88.4 milhões de passageiros, o nosso aeroporto teve movimento de 16 milhões de passageiros em 2006 e nem é o maior da América Latina como muito se falou, o da Cidade do México é muito mais movimentado. Alon, existem muitos “mistérios” ainda... coisas que só acontecem no Brasil...

terça-feira, 24 de julho de 2007 19:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A/O GLOBO,na falta de argumentos substanciais, que justifiquem as críticas contundentes ao governo,na "crise" aérea,refere-se a fontes imprecisas:pilotos, controladores,técnicos, oficiais da FAB,assessores ,de tais e quais palácios, todos anônimos.Seria versão jornalística do popular, "todo o mundo".Confundem-se informações, truncam-se pareceres técnicos,forjam-se entrevistas,depoimentos, artigos de "especialistas"internacionais e analistas idem,compilam-se
reportagens de "idôneas"publicações.
Por fim,com o intuito de degradar,não só as instituições mas a auto-estima nacional, invoca-se e defende-se intervenção internacional ,uma tutela, nos órgãos incumbidos da segurança de vôo.Lembra, a solicitação de "ajuda", ao "Tio Sam",no golpe de 1964,com o codinome ,nada sutil ,de "Brother Sam"...

terça-feira, 24 de julho de 2007 19:52:00 BRT  
Blogger lico disse...

Tudo indica que a cada dia as coisas ficarao pior para TAM. Em varias parte do globo companhias aereas faliram quando se descobriram suas responsabilidade sobre acidentes aereos.
A TAM caminha para o mesmo buraco.
Sua unica chance e' ter a mídia parcial lhe apoiando.
Talvez seja isto o que esta ocorrendo.

terça-feira, 24 de julho de 2007 19:59:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, você está melhorando, sua cultura aeronautica melhora a cada acidente. Cenipa para você, a doutrina de segurança acima das outras questões.

terça-feira, 24 de julho de 2007 20:59:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Para mim, o diagonóstico da cobertura jornalística é simples:
- Quase todos os que falaram demais, mesmo "especialistas", não passam de palpiteiros (salvo quem ressaltou tratar-se de possibilidade e hipótese, ou que ateu-se aos fatos: imagems gravadas e experiência própria).
- Autoridades sérias jamais apontariam causas sem maiores investigações prévias. Se foram ouvidos, não disseram nada de relevante, e isso não foi levado em consideração pelas editorias: não se pode tirar conclusões ainda!
- A experiência pregressa, pela cobertura do acidente do Gol 1907, ano passado, deveria servir para recomendar cautela.

Mas o que eu estou dizendo? Pedindo racionalidade? Ingenuidade minha. Isso não interessa para atingir o governo Lula ...

terça-feira, 24 de julho de 2007 22:56:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O fato de outros aviões terem pousado antes sem problemas não implica em que o avião acidentado poderia ter pousado sem problemas. Pode perfeitamente ter acontecido uma situação de alagamento temporária. A pista foi considerada escorregadia às 17:00 por um piloto que pousou. A inspeção feita às 17:00 foi meramente visual. Nada foi medido. É perfeitamente possível a pista ter se tornado escorregadia de novo.

O fato real é que as autoridades são responsáveis pela margem de erro praticamente zero com que aviões desse porte têm para operar em Congonhas. Esse é um argumento irrespondível, por mais que tenham havido falhas na aeronave ou humanas.

terça-feira, 24 de julho de 2007 23:27:00 BRT  
Blogger Bruno disse...

O avião aquaplanou por 1,5km na pista ? Então o avião pousou numa verdadeira piscina.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 03:19:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Hoje já sabemos que o aviao chegou a reduzir a velocidade, o que realmente falta determinar é o que levou ao avião não reduzir por completo, problemas no freio, aquaplanagem, reversor, tentativa de arremeter e o que o levou a sair da pista lateralmente, pois se estivesse em linha reta teria caido na avenida bandeirantes batido no viaduto, etc.
Fora isso podemos discutir tb outros aspectos deste acidente, falta de area de escape (isso sem solução em congonhas) permissão de aviões deste porte utilizarem esta pista para pouso, a concentração dos voos neste aeroporto, sendo que, estes fatores não são as causas do acidente.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 10:00:00 BRT  
Blogger Nehemias disse...

Pessoal,

Sem dúvida se o governo (ou governos, não é só Lula e não só o governo federal) é o pai da crise, a maternidade é das companhias aéreas. Infelizmente, filho feio não tem pai (nem mãe). Por isso o jogo de empurra.

Ora, dizem as companhias áereas, Congonhas tem uma pista pequena, sem área de escape. Os pilotos reclamam das condições da pista. Nos momentos anteriores do acidente, a pista estava escorregadia e sem grooving. O avião do acidente, pousou lá duas vezes antes, no mesmo dia. Em uma das vezes o piloto relatou grandes dificuldades para pousar. O avião estava sem um dos reversos.

Então, porque insistir mais? Porque insistir em pousar em Congonhas naquele dia, se já foi um "parto" pousar antes lá, se vc esta sem reverso (e, vc sabe, quem não tem reverso, tem medo), se vc sabe que não tem área de escape? Porque não mandar o avião do reverso "pinado" para Guarulhos? (Vj o piloto implorando a seu chefe para ir para uma pista melhor, e ele dizendo "para de frescura").

Agora, TAM e Gol dizem: "sem grooving e com chuva não pousamos mais em Congonhas". Porque não tiveram essa "macheza" antes?

Isso em relação ao acidente, em relação a crise, por que brigar para concentrar o máximo possível de voôs em Congonhas? Porque pressionar para liberar a pista? Porque? Porque?

E tem a parte do Governo. Porque 10 meses se passaram e nenhuma cabeça rolou? Porque a ANAC se curvou a pressão das áereas e aceitou a concentração de rotas em Congonhas? Porque a Infraero liberou uma pista sem "grooving"? Porque Infraero e ANAC não adotaram para Congonhas as mesmas regras restritivas existentes para o Santos-Dumont?

Porque? Porque?

P.S: E já saiu hj no Estadão que a terceira pista em Guarulhos (aquela que resolveria os nossos problemas) foi pro saco. Motivo: As construções em volta do Aeroporto. Sim, vc já viu esse filme.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 10:46:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Notícia "aparecida" e depois "sumida", por não interessar ao apriorismo da "cobertura jornalística": o MESMO aparelho, com outro comandante, pousou, antes do acidente, DUAS vezes em Congonhas no MESMO DIA, com lâmina d'água maior - em uma das vezes 3 vezes mais profunda - e nada ocorreu. Mas, claro, a culpa é do governo...

quarta-feira, 25 de julho de 2007 10:57:00 BRT  
Blogger guybarroso disse...

Caro Alon,

Avião não pousa, cai de maneira controlada, lembre-se que são 20 ou 30 toneladas de metal.
Todo acidente aeronáutico tem múltiplas causas.
O Governo se porta como culpado, sua primeira reação foi se esconder da sociedade, mas na verdade independente de culpa é responsável por tudo.
Essa é a questão que causa revolta, o governo não assume as responsabilidades.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 12:17:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Duas observações pertinentes:

1) Uma das maiores interessadas no acidente, a Airbus (se for falha aperfeiçoável, fará recall em quase 3000 aeronaves), não se aventurou a dar palpites, parece que preferindo aguarda as autoridades de investigações aéreas.

2) Enquete do observatório da imprensa:
"Como definir a cobertura da mídia sobre o desastre de Congonhas?"
Informativa 8%
Investigativa 5%
Sensacionalista 88%
Total de votos: 424

quarta-feira, 25 de julho de 2007 12:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parece que descobriram a pólvora: o problema era no avião, de empresa privada e lógico, com cobertura maniqueísta de mídia grande, conservadora, preconceituosa, contrária ao Governo popular e democrático. Oras, haja paciência! O Presidente não tem a nada a ver com grooving, mas estão forçando demais a barra. No afã de defendê-lo, acabarão colocando-o mais ainda no olho do furacão.
Sotho

quarta-feira, 25 de julho de 2007 12:48:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Governo é culpado de tudo agora, de cada assassinato a um prego torto em um construção. Deste jeito vamos ter que ter metade da população para ser fiscal e a outra metade para fiscalizar o fiscal. Dá um tempo. Se ficar provado que a TAM resolver arriscar com a vida de seus passageiros permitindo uma aeronave com um defeito que eles já tinham conhecimento, portanto negligência, é só prender o responsável pela manutenção ( e se conseguirem provar, a diretoria e o presidente da TAM) e dar uma multa monstro a empresa.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 12:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon: o especialista Jorge Barros
parece ter esquecido dos reversos.
Se eles são instalados no avião é
para serem usados;já ouvi na mídia
que o reverso direito estava
propositadamente "pinado"(travado)e
o esquerdo operando;isto se for
confirmado é uma estupidez,como
por exemplo deixar operando apenas
freios das rodas do lado esquerdo
de um automóvel!
Tenho ex-alunos trabalhando na
Embraer e na Gol,logo sendo
aposentado como professor de
mecânica(industrial)não devo estar
falando bobagens.

quinta-feira, 26 de julho de 2007 22:21:00 BRT  

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