quarta-feira, 25 de julho de 2007

Lula pede água a quem deseja o seu sangue - ATUALIZADO (25/07)

Luiz Inácio Lula da Silva demitiu Waldir Pires. O presidente não conseguiu do ministro da Defesa nem ao menos um pedido de demissão (veja atualização no pé do post). Leia o que disse a respeito o porta-voz do Planalto:

Bom dia a todos. Temos um anúncio sobre a troca de comando no Ministério da Defesa. O presidente Lula reuniu-se esta manhã com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e pediu a ele que entregasse o cargo. O Presidente agradeceu, em primeiro lugar, pelo extraordinário trabalho realizado pelo Ministro nos três anos em que esteve à frente da Controladoria-Geral da União, mudando o perfil daquele órgão, para torná-lo efetivamente fiscalizador da devida aplicação dos recursos públicos repassados pelo governo federal aos estados e municípios. Este trabalho pode ser considerado um marco no combate à corrupção. Em segundo lugar, o Presidente agradeceu ao ministro Pires pela altivez com que assumiu e conduziu o Ministério da Defesa. No entanto, o Presidente ponderou ao Ministro que, neste momento, era necessário um novo perfil para conduzir o Ministério e, particularmente, a crise do setor aéreo. O Presidente convidou para assumir o Ministério da Defesa o ministro Nelson Jobim, que aceitou o convite. A posse do ministro Jobim está marcada para as 16 horas de hoje, no Salão Leste do Palácio do Planalto. O currículo do ministro Jobim estará à disposição em breve.

O ministro Waldir Pires deve ter lá os seus motivos para recusar-se a pedir demissão. Meus respeitos ao ministro, um homem de bem e leal ao Brasil e ao governo a que serviu. Qual foi o principal erro dele na pasta? Ter estimulado a indisciplina na Força Aérea Brasileira (FAB). O assunto se resolveu após o motim de 30 de março, quando um Lula colocado contra a parede pelos comandantes militares aceitou devolver a autoridade ao chefe da Aeronáutica, Juniti Saito. Depois de meses em que o Palácio do Planalto assistiu impassível ao florescimento da anarquia militar. Você conhece a minha opinião. O governo flertou com a bagunça nos quartéis porque achou que ela lhe poderia ser útil no projeto de desmilitarizar o controle do tráfego aéreo nacional. Por uma ironia, nos últimos dias a única coisa que parece funcionar bem na área é o controle do tráfego aéreo. Ainda que sujeito a soluços, como o da semana passada em Manaus. Mas a caixa de pandora da aviação foi aberta e agora Lula não sabe como fechá-la. Eu acho que Waldir Pires não quis pedir demissão porque tudo o que fez na pasta foi com o conhecimento e a anuência do presidente da República. Agora, junto com a saída de Waldir, parece que o governo acena com a privatização da Infraero. Ou de um pedaço da Infraero. Pelo visto, Lula pode até estar deprimido com as vaias no Maracanã e atrapalhado com a chuva de ataques que sofre desde o acidente com o Airbus da TAM, na semana passada. Mas o presidente parece que sabe de onde vêm os ataques. Talvez por isso acene com carne aos leões, com uma privatização. Bem ele que prometeu na campanha que nenhum patrimônio estatal seria privatizado em seu segundo mandato. Lula nomeou para a Defesa alguém com trânsito entre os seus (de Lula) algozes. O presidente resolveu pedir água. Uma dúvida que eu tenho é se é inteligente um presidente da República pedir água aos que desejam beber o seu sangue.

Atualização, às 18h35: Cinco horas depois de informar que o ministro Waldir Pires tinha sido demitido, o porta-voz mudou a versão. Eis a segunda nota do porta-voz:

De acordo com informações recebidas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o porta-voz Marcelo Baumbach anunciou, nesta manhã, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o cargo ao ex-ministro da Defesa, Waldir Pires. A informação correta é que Waldir Pires solicitou a sua exoneração ao Presidente, a qual será formalizada nesta quinta-feira (26/7), no Diário Oficial da União (DOU).

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11 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Sr. Alon, o senhor bateu no ponto. Eles nao vao se contentar com agua, eles querem sangue. E usarão todos os meios ilicitos e imorais para consegui-lo. Eles prometeram isso em 2006, caso Lula fosse reeleito, nao deixariam-no governar em paz. A liçao daremos novamente a midia em 2008, mesmo que saibamos que nao irao aprender. A guerra so esta na começo, a batalha final sera em 2010.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 15:21:00 BRT  
Blogger Toty Freire disse...

A privatização e o novo ministro representam mais uma manobra para apagar incêndio causado desde o início da crise aérea até a explosão do avião da Tam. Nesses turbulentos anos de governo Lula, eles aprenderam que, para acabar com um problema, é bem eficiente se criar outro. Lula não quer um novo sistema aéreo. Ele quer um novo foco para voar em um céu de brigadeiro! "A caixa de pandora foi aberta". Muito bem colocado...

quarta-feira, 25 de julho de 2007 15:27:00 BRT  
Blogger Fernando disse...

Eu não entendo. Tudo que ele faz é errado. Se vai pela esquerda tá errado. Se vai pela direita tá errado tb.

O PHA acabou de postar dizendo que "eles" não vão descançar. Pq o que esta em jogo, é a sucessão de 2010, com um pequeno trampolim no meio (2008).

O Lula sempre quis o Jobim do seu lado, como forma de pacificar o PMDB e ficar menos dependente das legendas "mensaleiras" (arghh) e mais forte no Senado. Nao conseguiu ante, pq a forma como o Jobim perdeu a eleição, qualquer coisa q viesse seria espolio da derrota. Agora resurge como solução. Alem disso ele consegue tirar a Infraero das maos do PT (alguem duvida que ele vai, junto com o Jobim e a Dilma fazer a nomeações para a diretoria "a dedo?).

E vamos e convenhamos, essa lorota que ele nao queria nenhum ministro que fosse pre-candidato a 2010 é conversa fiada do PT. Lá estão a Marta (A Infeliz) e a Dilma. O Ciro não foi, pq sabia que seria "fritado" e ficou aonde pode tacar pedra e depois dar beijos.

Do meu ponto de vista, o que está havendo é um jogo complexo, e acreditem, belissimo. Estou aprendendo muito de politica e estrategia (ou a falta dela). Se um dia for virar politico, vou ter uma bagagem boa.

O resto, e as consequencias, é historia.

Asta,

quarta-feira, 25 de julho de 2007 16:07:00 BRT  
Anonymous Caetano disse...

O Alon quis ser hiperbólico usando o "querer sangue", mas não é a realidade, apesar de sabermos que fraquezas de um governo sempre serão exploradas pela oposição.
De minha parte, pelo menos, não quero sangue nenhum, não quero derrubar o governo, não quero depor o Presidente. Só quero uma coisa: competência, sem loteamento de cargos a sindicalistas e pessoas não técnicas. Seria um bom começo para resolver o problema.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 17:28:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Estou com o comentarista Fernando.
Não acho que o Lula está dando água à seus algozes (acho apropriado para quem deseja o sangue). Está neutralizando-os. Para sempre? É claro que não. Procurarão outros flancos para atacar. Mas reforçou suas linhas defensivas.
Admirava muito Waldir Pires no TCU, mas na defesa era a pessoa mais errada no lugar mais errado possível.
Aldo Rebelo seria um bom nome para a defesa, mas não nessa conjuntura política. O fato de ser um comunista, seria explorado à exaustão, pelas cassandras e vivandeiras. Era outra crise anunciada.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 18:47:00 BRT  
Blogger FPS3000 disse...

Só duvido de uma coisa: o governo dificilmente vai privatizar a Infraero, até porque a gritaria petista será muito mais pesada.

O provável é botar o Jobim para consertar a estrutura da Defesa, e ir enrolando, e enrolando, e enrolando ...

quarta-feira, 25 de julho de 2007 19:03:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
dar água de beber a quem quer o sangue só aguça o apetite, costuma não dar certo.
Mas como ninguém que chega a um cargo público eleito -seja deputado, senador e, muito menos, presidente da República- é bobo, vamos ver como será conduzida essa estratégia de "privatizar" a minoria das ações da Infraero. Talvez uma grande rede de shopping centers se interesse.

Me permita incluir aqui, o relato de minha segunda experiência de apagão aéreo:

Na terça feira passada houve a prestação de contas do primeiro ano da declaração da Moratória da Soja na Amazônia, em São Paulo.

Como avô da criança, não poderia deixar de estar presente. Mineiro, tinha que sair com antecedência. Programei meu vôo, então, na segunda-feira às 15h30, pela Gol, indo para Guarulhos.

Cheguei ao aeroporto de Brasília, às 14h30, fiz o chek-in "rápido", sem bagagem, pois a fila para o "normal" devia ter umas 100 pessoas. Não havia previsão de saída, já que Guarulhos e Congonhas estavam fechados por mau tempo. Como isso existia antes mesmo do chamado "apagão" aéreo, achei que passaria logo e poderia chegar ainda na segunda em São Paulo.

Fiquei por ali, nos corredores do aeroporto de Brasília, matutando e observando o que estava acontecendo. Comprei um jornal, Valor Econômico, pois tinha a informação que na segunda ele publica as cotações de automóveis da FIPE, e eu poderia verificar quanto a Seguradora vai pagar pela perda total de minha Alfa 164 (que foi "assassinada" na quinta feira passada, dia 19, quando um carro bateu em sua traseira).

Tomei um expresso curto, nas mesas do 3º piso em frente aos cinemas, li o jornal (e a info não estava lá, eu havia caído em propaganda enganosa), bebi uma Coca-Cola...
Estava vivendo minha segunda experiência de apagão aéreo, e ainda não sabia.

O "clima" interno do aeroporto comecou a piorar lá pelas 17h: muita gente chegando sem poder viajar, nem mesmo fazer o check-in, boatos de cancelamento de todos os vôos para São Paulo, pessoas ficando irritadas e brigando com os funcionários das companhias -acho que isso aconteceu mais com a Gol, mas não tenho certeza.

Decidi sair desse clima, que não faz bem pra saúde de ninguém, e esperar uma solução em casa (que fica perto do aeroporto). Perguntei a um funcionário da Gol se poderia me dar o número do telefone do check-in, para que pudesse saber do início dos vôos e retornar ao aeroporto para embarcar. A resposta é que só existem ramais internos, não há como se comunicar com eles de fora do aeroporto....

Mesmo assim, prevendo que a coisa ia demorar, fui para casa. De lá, acessei a página da Gol na Internet e seu telefone 0800, conforme relato mais abaixo.

Às 20h, sem quaisquer informações sobre o que iria acontecer tomei a única decisão que tinha governança plena, desistir da viagem - e retornei ao Aeroporto, onde enfrentando uma fila com cerca de 25 pessoas, meia hora depois consegui fazer o cancelamento na loja da Gol.

Quero dividir, aqui, minhas conclusões quase definitivas, sobre o que anda acontecendo:

1- não vejo como uma companhia de transporte aéreo, que depende de uma logística refinada, não tenha um plano de contingência para lidar com problemas em seus aeroportos-chaves, que servem de pião para toda sua malha aérea;

2- Se você escolhe Congonhas como pião, não vai buscar o histórico de sua operação, ou de seus fechamentos, para se preparar para o que lá não é uma eventualidade mas algo perfeitamente previsível, falta de condições climáticas para operação? isso aplica-se, também, a Guarulhos, a Curitiba, etc;

3- como uma cia. que atende e depende do público -algumas até agradecem em suas mensagens durante o vôo o fato do cliente a ter escolhido - não capacita suas equipes de frente, de atendimento, e seus gerentes, para lidar com a pressão de dois, quatro e até dez vôos atrasados, ou seja, de 300 a 1.500 pessoas se apinhando e ficando nervosas, tensas, desesperadas até, em busca de informações e atendimento em seus pontos de checagem ou atendimento geral? não é fácil suportar essa pressão, vamos e venhamos;

4- Na tarde dessa segunda feira, para se conseguir qualquer informação da Gol era preciso entrar na fila do check-in, naturalmente com mais de 300 pessoas, e que permanecia parada o tempo todo, ou furar fila sob olhares de admoestacão, como acabei fazendo;

5-Fui para casa e entrei na Internet, na página da Gol, pois era mais fácil que entrar na fila. Ali, havia um local de informações sobre horários de vôo: cliquei, pedi o relativo ao meu vôo, e a informação é que ele havia decolado às 15h30 para Guarulhos. Ou seja, mera programação sem relação com a realidade, sem atualização;

6- Na página havia, então -maravilha! - um "Atendimento on-line, Novo!. que, depois de preenchido um formulário de identificação, indicava: "você é o 20º da fila, não desligue...". Fiquei pacientemente esperando, em uns dez minutos chegou a minha vez, surgindo a informação: "carregando...". E assim ficou, carregando, por outros dez minutos, até que caiu, desligou;

7- Otimista que sou, consultei novamente a página da Gol e descobri, finalmente, que ela havia deixado os 0300, em que pagamos para esperar ouvindo anúncios e musiquinhas, por um 0800 para informações, sem custo para o cliente. Cerca de 80% das opções de digitação terminavam remetendo a uma consulta no site;

8-Lá pela décima tentativa, resolvi adotar uma opção que nada tinha a ver, já que as outras me remetiam ao site, e fui atendido por uma pessoa, ao vivo, e que até buscava ser simpática e tentava resolver o problema. A essa altura, o que eu desejava era cancelar o vôo sem ter mais prejuízos ainda. Ah, isso não pode ser feito pela internet ou pelo 0800; tem que ser pessoalmente, na loja da cia.
Aí voltei ao aeroporto e enfrentei uma fila de 25 pessoas, e cancelei a viagem.

Qual é a conclusão? perguntarão vocês.

Ora, quando um dono de uma companhia que prefere empresdar, isso mesmo, vocês leram direitinho, empresDar (leia com um sotaque de "batrício" que aprendeu a língua portuguesa na marra, depois de aqui aportar, que fica até bonitinho) dois milhões de reais a políticos "amigos", ao invés de aplicá-los em planos de contingência ou capacitação de pessoal para enfrentar crises que se tornaram absolutamente "normais" no dia-a-dia da empresa, e que certamente afetarão sua imagem e faturamento, quem é o culpado? o governo, a infraero, os controladores de vôo, o guarda da esquina, o varredor de rua???? claro que é a mãe ! (geralmente dizem ser a nossa, tadinha...).

Quem sabe, quando o Capitalismo chegar nessas plagas (eu escrevi plagas, não "pragas"), existirão empresários e empresas comprometidas com seus clientes.

Por enquanto, são todos herdeiros dos Donatários, que receberam as Capitanias Hereditárias, e que vivem às custas da Viúva graças às suas relações inconfessáveis com os detentores do poder...

quarta-feira, 25 de julho de 2007 19:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A Eron, na meca do capitaliso, USA provou como é estar comprometido com seus clientes e consumidores. Ha respeito quando existe um Judiciario forte e comprometido com a Justiça. Nos USA ha um certo respeito ao consumidor porque nos USA, o Judiciario, quando condena em indenizaçoes, nao alivia, condena em milhoes de dolares.O que serve de exemplo.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 22:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Difícil crer em algo mais brusco em termos políticos no meio de uma situação indefinida. Pode tanto amainar como recrudescer, dado o grau de comoção que causou e que se repete. A única coisa que fica cada vez mais nítida é a incapacidade de conter uma maré de insatisfação. Ainda pequena, mas montante. Tudo parece girar em torno da popularidade do presidente e dela depender. O foco das análises, ou curiosidades, salvo engano, passará a ser as pesquisas de satisfação da população com o Governo. Outra coisa difícil de atestar é quem antecipou o debate eleitoral de 2006 e quem estará antecipando agora, os de 2008 e 2010. Nas atuais circunstâncias, não parece estar alguém tranquilo para tal empreitada.
Sotho

quinta-feira, 26 de julho de 2007 12:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A escolha do Jobim para Ministro
da Defesa me pareceu mais política,
que técnica como deveria ser.
Aliás o arrogante Ministro quando
de sua passagem pelo Supremo,já
adotava posições e pretensões
políticas,incompatíveis com seu
cargo!

quinta-feira, 26 de julho de 2007 22:09:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Hummm, Alon, acho que o erro de Pires não foi só brincar com pólvora, não...

Acho que foi, também e principalmente, não ter identificado quem pilotava o vôo deles, com o transponder desligado também.

Pires fazia vôo cego, sem TCAS. Não caiu de nariz embicado como o Boeing, e não sumiu na selva amazônica. Como o Airbus, derrapou e se espatifou por falta de pista e de freio durante uma tempestade na selva de pedra, diante das câmeras de TV.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:52:00 BRT  

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