terça-feira, 10 de julho de 2007

Governo investe em prisões para os jovens (10/07)

Vale uma boa pesquisa no Google para saber quantas vezes alguém do governo veio a público para explicar, didaticamente, com números, que é muito mais barato e eficaz construir escolas do que construir prisões. O argumento faz parte do arsenal retórico empregado para tentar convencer de que o melhor investimento em segurança seria colocar mais e mais dinheiro na educação. Agora ficamos sabendo que vem aí o novo plano de segurança do governo federal, o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). Entre outras medidas importantes, vai concentrar esforços na construção de mais de uma centena de presídios especiais para jovens infratores e condenados pela Justiça, com o objetivo de acelerar e facilitar a sua recuperação. É uma medida positiva e que deve ser aplaudida. Um de seus méritos é melhorar as condições para que seja revista a inimputabilidade de menores de dezoito anos. Um forte argumento dos defensores da menoridade penal até dezoito anos é o absurdo que supostamente seria atirar adolescentes no sistema penitenciário atual, uma universidade do crime. Mas se vai haver um sistema prisional especial para jovens o debate sobre a necessária revisão da inimputabilidade pode ser retomado num outro patamar, mais racional. Por essas e outras é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz um governo bem avaliado. Quando a retórica se esgota e a realidade se impõe, ele não hesita em jogar a própria retórica no lixo e toma medidas práticas para enfrentar a realidade. É verdade que nessas ocasiões Lula deixa órfãos os que acreditaram em sua retórica e a endossaram. Mas, como dito no post anterior, não se faz omelete sem quebrar ovos, não é?

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9 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

O investimento em mais presídios só dará resultado se for acompanhado de uma reforma do poder judiciário e das leis. Infelizmente, criar mais presídios para encarcerar jovens pobres que não têm recursos para pagar bons advogados e com isso diminuir suas penas, só fará aumentar ainda mais a desigualdade de tratamento entre pobres e ricos.
A violência e a insegurança não têm poupado ninguém. Mas, o debate hoje, por a sociedade está tão revoltada, pára na pena de morte; diminuição da maioridade penal; e construção de mais presídios.

terça-feira, 10 de julho de 2007 11:20:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Alon,
Acho que ele deveria reservar uma dezena de cadeias prioritariamente para encarcerar os políticos corruptos, antes dos jovens pobres.
Assim, seu Ibope subiria às alturas. Onde estão seus marketeiros?
Sei que elas correm o sério risco de ficarem às moscas, já que o Judiciário nada faz efetivamente para julgar os ditos cujos, mas seria algo simbólico e cuja inauguração - com o primeiro preso - acabaria em feriado nacional...

terça-feira, 10 de julho de 2007 12:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nada como o tempo, que tem o mérito de aprimorar o humor.
Aumentar a produção de etanol sem agredir o meio-ambiente e inibir áreas de produção de alimentos é impossível. A lei da oferta e demanda existe. A lei da escassez existe. O custo de oportunidade e a curva de utilidade etc. também existem. Não seriam obras apenas do abominável demônio neo-liberal. A não ser para quem, talvez, tenha sido, na boa-fé, logrado a crer ter a economia brasileira atingido algo diferente de capitalista, emergente e dependente. E que a sociedade, saciada em sua sede de esperanças, prescindiria de prisões para jovens. Interessante.
Sotho

terça-feira, 10 de julho de 2007 12:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Achei a iniciativa bastante positiva, contanto que tais presídios não sejam novas FEBENS, e sim locais onde haja, efetivamente, um processo bem amparado de recuperação. O esforço tem que ser concentrado mais nas necessidades destes jovens do que na repressão.

Cristiano Medri

terça-feira, 10 de julho de 2007 18:28:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Muito elogiável a medida,mas resta
saber qual será o percentual de
"ocupações" das celas.
Se for para prender e soltar,vamos
trocar 6 por meia duzia!

terça-feira, 10 de julho de 2007 19:52:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Minhas "preces" foram atendidas: finalmente criminosos vão ficar em estabelecimentos penais, em vez de continuarem sua escalada criminosa nas ruas. E presídios dignos e população carcerária segmentada, reabilitará muitos.
Eu sou defensor do fim da inimputabilidade de menores de 18 anos, por racionalidade.
Mas acho essa construção de presídios especiais voltados para maiores de 18 a 24 anos, um inibidor muito maior da deliquência de menores, do que a própria redução da menoridade.
O motivo é simples: ajuda a interromper a correia de transmissão dos maiores para os menores no mundo do crime.
Do momento que criminosos maiores são punidos, fica o exemplo de que o crime não compensa. Quando não punidos (ou recebem punição simbólica), a mensagem é que o crime compensa.
Continuo achando que o investimento em educação está para o crime assim como a medicina preventiva está para a saúde.
Mas depois que o crime se tornou uma epidemia violenta, nada mais há a fazer para saná-la senão construir esses presídios.

Outra medida que o governo deveria adotar é aumentar as vagas no serviço militar. Para muita gente, o serviço militar é uma oportunidade de qualificação, que desejaria servir voluntariamente e não tem vagas suficientes.
Funciona como um primeiro emprego, e complementa a educação e formação de jovens.

quarta-feira, 11 de julho de 2007 01:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

parabens pela nova foto. estah muito boa.
ignotus

quarta-feira, 11 de julho de 2007 08:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A retórica é uma ferramenta muito interessante de discurso, mas é fácil de ser desautorizada por raciocínios, ainda que silogísticos. Exemplo: Renan é formado em direito, Collor em jornalismo e administração, Maluf em engenharia. De que adiantou estudar? Em compensação, meu jardineiro não estudou nada além do primário e criou três filhos honestos e trabalhadores, nunca roubou nada na vida.
O que inibe o crime é a certeza da punição. Só isso. Em qualquer faixa etária.
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 11 de julho de 2007 14:48:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Já melhorou, Alon. Desse jeito você vai acabar me convencendo que a redução da maioridade pode resolver alguma coisa.

A história da Febem, agora fundação Casa, continuará sendo um emblema assustador. Mas desejo sinceramente que a história não se repita.

sexta-feira, 13 de julho de 2007 18:26:00 BRT  

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