segunda-feira, 30 de julho de 2007

Eu já tinha cansado antes. E uma sugestão (30/07)

Estou pensando em processar o pessoal do "Cansei". Por plágio. A idéia foi minha. Escrevi em dezembro, no post Uma conversa de bar sobre Caim e Abel:

(...) o nosso país não tem um mercado, mas dois. O mercado vai mal entre nós por causa do seu irmão, o Mercado (que passarei a grafar com caixa alta, maiúscula). O Mercado não deixa o mercado funcionar direito porque não aceita a concorrência. Como Caim e Abel. E quem tinha que arbitrar essa diferença lava as mãos. Os liberais sempre dizem que o Estado no Brasil é inimigo do mercado. Eles têm razão. Talvez porque o Estado seja muito amigo do irmão do mercado, o Mercado. Querem saber? Eu cansei. Na próxima eleição, eu vou votar num candidato que defenda radicalmente o mercado. E que faça o Mercado enfrentar concorrência de verdade, nem que seja estrangeira. Ou então é melhor casar de vez o Mercado e o Estado, estatizar o Mercado. Melhor do que esse concubinato que fere a decência, o nosso bolso e a nossa paciência. Mas talvez eu devesse agora parar de beber e ir para casa. Pois todo mundo que bebe tem que saber a hora de parar, não é?

O negrito é só para destacar a autoria do slogan. Mas deixa para lá essa coisa de processo. Vou voltar aqui para o meu ramo, o bloguismo. Eu sugiro que aproveitemos a onda do "Cansei" para cada um dizer do que cansou. Eu, por exemplo, cansei de o Brasil ser o país do capitalismo de conveniência. O capitalismo de conveniência é uma modalidade verde-amarela do modo de produção capitalista em que o empresário escolhe do capitalismo apenas o que lhe convém, deixando o resto sob a responsabilidade do estado. Enquanto xinga o estado por ser supostamente ineficiente. Voltemos ao transporte aéreo brasileiro. As empresas do setor afirmam que se Congonhas tiver seu movimento reduzido elas vão demitir gente, pois sua lucratividade vai cair. Leia em Para evitar "prejuízos", empresas querem manter sobrecarga de Congonhas, da Agência Brasil. Ou seja, as empresas aéreas brasileiras afirmam que não conseguirão lucrar se tiverem que operar em aeroportos adequados ao tipo e tamanho de avião que possa lhes proporcionar lucro. Temos então uma contradição. Grave. Ainda que momentânea. Contradição entre o lucro das companhias e a segurança dos passageiros que voam nos aviões delas. Eu já tinha percebido essa contradição em outro detalhe. Uma parte do lucro da TAM nos últimos anos deve ter vindo da economia que a empresa fez ao deixar de treinar seus pilotos de Airbus para pousos com um reversor inoperante. Se a prioridade da TAM fosse a segurança, ela seria uma empresa obcecada por reversores. Uma avião da TAM caiu em Congonhas anos atrás por causa de um reversor. Ou seja, a TAM e seus pilotos deveriam ser, desde então, gente que conhece tudo de reversor. Nos mínimos detalhes. Mas parece que não conhecem. É por essas e outras que eu cansei. Enquanto a iniciativa privada não demonstrar que é capaz de administrar companhias aéreas simultaneamente lucrativas e seguras minha sugestão é que o estado assuma esse tipo de atividade. Se faz sentido privatizar ramos e empresas em que o estado é ineficiente, por que não estatizar empresas e ramos em que a iniciativa privada já provou que é ineficaz? Que as companhias aéreas sejam estatizadas. E que os preços das tarifas sejam tabelados, garantindo-se uma margem razoável de lucratividade. E que os seus funcionários ganhem estabilidade (pelo menos momentânea) no emprego, para que possam trabalhar tranqüilos. Para que nós, passageiros, também fiquemos tranqüilos. Os ativos dessas companhias poderiam ser pagos em títulos públicos, resgatáveis progressivamente em, digamos, 30 anos. Para quem acha o prazo muito longo, sempre haverá o recurso ao mercado secundário. E para quem acha que as empresas estão caras, o anúncio da estatização delas em troca de títulos públicos de 30 anos certamente contribuirá para torná-las mais baratas, já que muito provavelmente o seu valor de mercado será revisto pelo mercado. Uma vez estatizadas as companhias aéreas e garantidos o conforto e a segurança dos passageiros, poderíamos procurar com calma pelo mundo gente capaz (que já se tenha mostrado capaz) de gerir empresas aéreas simultaneamente seguras, pontuais e lucrativas. Quando encontrarmos, a gente privatiza de novo. Não se trata de ideologia. Trata-se de diminuir a probabilidade de cada um de nós morrer num desastre de avião enquanto os responsáveis pela bagunça, espertamente, colocam lenha na fogueira de coisas como o "Cansei".

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

15 Comentários:

Anonymous Rodrigo disse...

Assim não dá Alon! Onde já se viu capitalismo sem risco? Isso os nosso liberais (liberais estes que jogam a democracia pro alto com lhe convêm) não querem. Que liberal é esse que quer mamar nas tetas do governo? Que bicho estranho. Aliás, deviam lançar a campanha "Tô cansado de sonegar imposto".

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Uma vez estatizadas as companhias aéreas e garantidos o conforto e a segurança dos passageiros...

hehehe boa piada!

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:35:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, o raciocinio certo seria o seguinte. A TAM só consegue ter lucros em aeroportos centrais, não há pista nestes aeroportos para utilizar os aviões lucrativos. Para tudo e a TAM vai comprar outros aviões ou repensar os negócios (e comprar ônibus?). Mas a corrupção (estado no meio, sempre) permitiu com que ela voasse aviões inadequados. Resultado=acidente. (veja que estou raciocinando em cima de hipóteses que vocë levantou.
Mas você quer estatizar a aviação nacional? Como ? Desapropriando ou comprando uma frota? Pode parar, eu não permito que usem o dinheiro dos impostos que pago para comprar aviões, prefiro trens.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:37:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Ah, dá um tempo! A TAM que começou a usar os vôos para Congonhas como diferencial para atrair clientes da Varig. Foi pra lá porque quis, não teve governo (talvez teve a falta dele) nisto não. O problema que este não foi o primeiro e parece que não vai ser o último acidente com avião da TAM de a problemas (pelo menos neste caso indiretamente) de manutenção.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 15:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O aeroporto de Confins, na Grande BH, é uma alternativa que deve ser considerada para descentralizar as conexões que hoje são feitas em São Paulo. O aeroporto pode receber mais 1,2 milhão de passageiros, rapidamente, e pode ser expandido com nova pista e aumento da atual, além de mais um terminal de passageiros. Os projetos estão prontos e isso sairia muito mais barato e rápido do que construir outro aeroporto em São Paulo. No PAC, porém, há apenas R$ 700 mil para ampliar o estacionamento do aeroporto. E as medidas tomadas hoje estão longe de representar uma descentralização de fato.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 20:57:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Quer uma sugestão pras futuras companhias aéreas estatizadas, Alon?

Se livrem de 80 a 90% dos 737-700/800 e A319/320 e troquemos por BAe, Embraer e outros aviões de 110/120 lugares.

Eureka! As companhias voltam a pousar nos aeroportos centrais com aviões que precisam de menos passageiros para dar lucro. De quebra, acabaríamos com os cancelamentos, já que 60 passageiros num E195 empata o investimento, enquanto num A320 dá prejuízo.

Ah, esqueci, essa idéia é óbvia demais...

segunda-feira, 30 de julho de 2007 21:37:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon

Nao sei quem indicou um cara pra infraero que disse que pepino pode ser cozinhado.

Bom, quem diz que pepino pode ser cozinhado e alguem que absolutamente nunca viu um pepino.

Minha pergunta

Se alguem foi posto como mandatario mor na infraero e nao sabe que pepinos nao sao cozinhados nem como metafora, como esse alguem pode ser o mandatario mor da infraero?

Entendeu? Em nome da ideologia emburrecedora, e agora assassina, assim vamos.

Definitivamnete, um equivoco.

Ficamos assim: quem achar bacana dizer que a tragedia e culpa do capitalismo, que continue dizendo.

De minha parte, estou fora.

abs

segunda-feira, 30 de julho de 2007 22:15:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

O que me chamou a atenção foi a falta de criatividade para o nome do movimento. Até o Alon tá tirando uma casquinha.

segunda-feira, 30 de julho de 2007 23:05:00 BRT  
Blogger F.T disse...

eu cansei do falso moralismo do Cansei

segunda-feira, 30 de julho de 2007 23:18:00 BRT  
Anonymous Lau Mendes disse...

A choradeira se repete. Já tentaram descentralizar o trafego aéreo brasileiro baseado no aeroporto de Congonhas. Ficou só na tentativa,até porque o primeiro mandamento da turminha de "moralistas cansados" sempre foi o lucro."É preciso levar vantagem,cérrto?"

terça-feira, 31 de julho de 2007 01:01:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu Cansei foi dos CANSADOS. Quem está patrocinando essa quimera de exploração de cortejo fúnebre, com passeata política envergonhada, para ver se cola, está na minha lista negativa de compras.

Para o Paulo Araujo:

O brigadeiro J.C.Pereira que saiu do Infraero, não entende nada de cozinhar o pepino mesmo, nunca foi cozinherio na vida, no entanto isso é fartamente divulgado (não reclamo porque é engraçado mesmo).

Só que ele foi comandante de base aérea e tem uma carreira na FAB extensa e brilhante em vários postos de comando. Mas isso a imprensa nunca deixou transparecer, nem lhe deu o devido crédito. Quem não sabe acha que é tudo "companheiro" sindicalista do PT, que nunca administrou na vida.

Acredito que o problema dele é ser militar e não ter jogo de cintura para uma boa comunicação como um política tem. Nem é responsável pelo que faz a ANAC. A função do INFRAERO é disponibilizar os aeroportos. Venda de passagens, filas, remanejamentos, não é com ele.

terça-feira, 31 de julho de 2007 01:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu cansei da "grande" midia...

terça-feira, 31 de julho de 2007 01:33:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Não sabia que saber sobre cozimento de pepinos tinha virado item eliminatório para assumir a presidência da Infraero. Dá um tempo, né?

Ah sim! Os que encheram a malha aérea de vôos um em cima do outro para que as companhias aéreas pudessem sair sempre com aviões lotados continuam lá nos seus lugares, e só saem se Deus quiser.

Será que não tem uma boquinha de diretor de agência reguladora sobrando aí pra mim?

terça-feira, 31 de julho de 2007 14:32:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu cansei do trabalho escravo e dos políticos que apóiam o trabalho escravo.

terça-feira, 31 de julho de 2007 14:36:00 BRT  
Blogger Fabrício disse...

alon, sai dessa de "cansei", é coisa de dondocas enfadadas, como disse o lembo.

largue essa sardinha e finja que não é contigo, esse tipo de indignação interesseira não combina com você - é simplório demais.

aquele abraço.

terça-feira, 31 de julho de 2007 15:39:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home