quarta-feira, 25 de julho de 2007

Cinco propostas para o novo ministro (25/07)

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que vai fazer um diagnóstico da situação do setor aéreo para depois apresentar as soluções para a crise. Eu, um patriota, apresento aqui cinco propostas para o ministro Jobim considerar em seu diagnóstico e na terapêutica que vai recomendar:

Remilitarização completa do controle do tráfego aéreo. O ministro Jobim não deve dar ouvidos à sereia que canta a doce melodia da "desmilitarização". O antecessor dele aceitou dançar por essa música e se deu mal. O novo ministro deve fazer uma aliança firme com o comandante Juniti Saito, da FAB. Deve estabelecer um cronograma para eliminar definitivamente a influência sindical sobre o controle do tráfego aéreo nacional. Nenhum país pode aceitar que um sindicato, por mais legítimas que sejam as suas reivindicações, tenha o poder de decidir quando os aviões vão subir e quando não vão. Além do mais, a Constituição que Jobim ajudou a escrever proíbe a sindicalização dos militares. Está na hora de aplicar a cláusula.

Um plano para desativar o Aeroporto de Congonhas. É preciso aproveitar o momento e dar o passo decisivo, tomar a decisão política de fechar Congonhas. A área deve ser transformada, com o tempo, num parque público, com um estádio novo para a Copa de 2014 -para aproveitar os novos estacionamentos recém-construídos. As belíssimas e moderníssimas instalações deverão ser reformuladas (de graça, por quem fez a obra) para estabelecer ali um shopping center. Assim, em vez de as pessoas terem que andar de portão em portão para achar o seu vôo elas vão andar de loja em loja. Em vez de se aborrecerem e xingarem o governo, vão lembrar de como Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o seu poder de compra. Acho que o presidente vai gostar da minha idéia. Parte da área também deveria ser utilizada para construir prédios de alto padrão. A renda dessa especulação imobiliária financiaria a transformação de Congonhas em algo útil para a maioria dos paulistanos. O ministro Jobim certamente será pressionado a ceder aos interesses de uma classe média insensível e que não abre mão de morar a quinze minutos do aeroporto. Ele deve resistir a isso.

Parceria Público-Privada (PPP) para construir um trem moderno e confortável para Guarulhos e outro igual para Campinas. As PPPs do governo federal não conseguem sair do papel. Se o ministro Jobim conseguir tornar viáveis os dois trens, para Cumbica e para Viracopos, talvez seja uma solução melhor do que construir o aeroporto novo de que Lula falou outro dia. Eu sou a favor do novo aeroporto, mas talvez ele nem precise ser construído. Talvez seja suficiente ampliar os dois aeroportos existentes. Vamos ver se o novo ministro é um bom gerente e consegue resolver isso.

Transformar Brasília no nó do sistema. Conexão, só em Brasília. Fora os pinga-pingas, é claro. Afinal, por que foi que construíram Brasília bem no meio do Brasil? E para São Paulo, só vôos diretos. Vamos fazer de Brasília uma Chicago. Uma Frankfurt. Conexão em São Paulo é coisa de país costeiro. O que, definitivamente, não somos mais. Vamos romper com essa tradição litorânea, imposta por uma elite que vive de costas para o Brasil e que só tem olhos para Miami, Nova York e Paris.

Extinguir a Agência Nacional de Aviação Civil e reinstituir o Departamento de Aviação Civil (DAC) como o coração do sistema. Eu tenho um argumento definitivo a favor do DAC: quando ele existia, as coisas funcionavam. Sei que não é um argumento muito sofisticado. Deve haver belas teorias sobre a necessidade de passar o sistema para o controle de uma agência reguladora. A melhor teoria de todas é que o país precisa de estabilidade jurídica. Se isso for assumido como verdade, proponho que o novo ministro mande equipes para estudar a estabilidade jurídica em países como, por exemplo, a Rússia, a China e a Venezuela. Eles devem ser paradigmas de estabilidade jurídica, pois sua infra-estrutura cresce bem mais do que a nossa. E seus aeroportos parece que funcionam bem. (A foto da posse de Jobim é de Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil.)

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

8 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Alon, remilitarizar e extinguir a ANAC eu concordo, mas o resto é romântico. Até extinguir a ANAC será complicado, pois a oposição apóia, para viabilizar a privatização do setor. É provável que seja mais fácil esvaziá-la de poderes de fato.
São Paulo é o melhor local para hub não por ser litoral, mais por concentrar a grande maioria da origem e destino dos passageiros.
Quem vai de Uberlândia ao Rio com escalas seria mais lógico (por milhagem) ir por São Paulo ou BH, e não passar por Brasilia. Até as emissões de carbono agradecem.
Além disso, por estatística, esse v
vôo Uberlândia-Rio seria otimizado se passasse por São Paulo. Porque uns 65% dos passageiros iriam para São Paulo e outros 35% iriam para o Rio. Fica mais econômico do que alocar 2 aeronaves em vôos diretos, e com taxa de ocupação baixa. E, em tese, 2 aviões voando correm mais risco que 1.
Congonhas dá uma sensação claustrofobia por estar cercada de edificações, mas para aeronaves menores, com ampla margem de segurança para erros, dificilmente haveria problemas. O alto risco é operar aeronaves no limite, sem margem de erro, e não usar TODA a tecnologia de segurança que existe, como o tal concreto mole. Um avião menor que usa menos pista, terá maior área de escape, em mesmo em falhas de freio ou outras coisas, não vai ultrapassar os limites do Aeroporto.
E estatisticamente quem vôa de Congonhas para outras capitais, tem um aparato e condições de segurança maior em Congonhas, do que nos destinos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007 21:32:00 BRT  
Anonymous Renan Bastos Nunes disse...

O que Alon sugere não é o desafogamento do setor aéreo. É o desafogamento do setor econômico como um todo, concentrado em São Paulo, e, por isso, tem vôos concentrados em CGH.

O que é mais fácil: deslocar o centro econômico, ou deslocar o centro áereo?

Além do mais, o cara aí encima fala que Congonhas tem um aparato e condições de segurança maior que nas outras capitais. (abre ironia)É por isso que em Congonhas não há acidentes, somente em outras capitais. Em Recife, mesmo, foram dois acidentes em 2 meses, além das derrapagens na pista aqui todo dia(fecha ironia!).

quinta-feira, 26 de julho de 2007 04:25:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Só fiquei intrigado com a visita que o novo Ministro fará ao Serra e Kassab?
E também por que eu fiquei sabendo dessa visita em horário nobre e com destaque?

quinta-feira, 26 de julho de 2007 10:20:00 BRT  
Blogger joao otavio disse...

Estou de acordo com as medidas que voce propoe, mas não seria tambem importante unificar o planejamento do transporte aereo com as demais modalidades de transporte (rodoviário, ferroviario, fluvial e maritimo), tudo sob uma mesma autoridade ? ( Min. Transporte ??)
Joao Otavio

quinta-feira, 26 de julho de 2007 10:44:00 BRT  
Anonymous doda disse...

o colega pra cima disse que boa parte das propostas são românticas. construir um trem de guarulhos até o centro é romântico? ok, pode ser inimaginável no contexto brasileiro que envolve um péssimo histórico de boas soluções nas horas corretas, mas se nesse momento de crise não houver propostas desse tipo para tentar resolver a situação, não precisava trocar de ministro, aliás, nem precisava de ministério.

quinta-feira, 26 de julho de 2007 10:52:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

1) A remilitarização do controle do tráfego aéreo já está ocorrendo, não? O que o ministro Jobim tem que fazer é botar um limite. "dia X, quem não quiser voltar a ser militar deve pedir baixa". Além disso, mulher fez manifestação, marido é expulso das Forças Armadas. Tem que ser duro assim mesmo, porque só assim vai ficar claro quem manda. Nem que passemos 2, 3 anos com controladores estrangeiros.

2) Bom: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/07/25/materia.2007-07-25.8579819378/view . A campanha para manter tudo como está está forte.

3) Aí Brasília vai precisar de um segundo aeroporto só para conexões, o terceiro aeroporto de São Paulo só vai andar uns mil quilômetros.

4) A Anac já perdeu os poderes de fato, quando entrou em campo o tal Conac.

E para o José Augusto, sobre a questão hub em São Paulo: com aviões de 100, 110 lugares, um vôo direto Uberlândia-Rio é economicamente viável, não precisa parar em São Paulo. Mas a Gol é 100% Boeing, a TAM é quase toda Airbus e está se livrando dos Fokker 100 dela...

quinta-feira, 26 de julho de 2007 11:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon: concordo totalmente com você
no ítem desativar Congonhas.
Agora destruí-lo para fazer qualquer outra obra não faz sentido;é como destruir armas
ilegais(campanha da desarmamento)
que poderiam ser adotadas pelas
polícias.
O Brasil não se pode dar ao luxo de
rasgar dinheiro;Congonhas deve ser
exclusivo para aviões executivos de
pequeno porte,bem como helicópteros.
A sandice é tão grande que o
prefeito "kisabe" mandou interditar
um edificio,recém construido!

quinta-feira, 26 de julho de 2007 22:00:00 BRT  
Blogger Alexandre Rocha disse...

Analisando uma a uma:
1)É um retrocesso. Vamos nos unir de vez a Nigéria e Argentina. A Aviação Civil envolve 40 milhões de clientes, a atividade economica, questões como a defesa do consumidor e a logística do país. Em tempos de logistica moderna não tem cabimento os modais terrestre, aquaviario ficarem em um ministério e o aéreo em outro.
2)A Infraero deve ser desativada e seus ativos passados para os estados, municipios ou consórcios de municipios. Logistica é atividade local. É o que ocorre nos EUA.Em Nova York-New Jersey os portos, aeroportos e terminais de ônibus estão em uma mesma Autoridade portuaria.
3)Esta proposta se insere no que disse acima. Planejar logistica combinando modais diversos como trens, avioes e rodovias só é possivel para uma autoridade centralizada e de caráter local. No caso um consórcio dos municipios ao redor de São Paulo.
4)Em logística a escolha do nó se dá utilizando o conceito de centro de massa. Analisando quem gera e recebe cargas e passageiros e minimizando os deslocamentos. No Brasil o nó natural é São Paulo. Uma solução é criar um mega-aeroporto (> 40 mi PAX/ano) com o fechamento da Base de Cumbica e cessão da área ao Aeroporto GRU.
5) Com todo respeito não funcionava. E o problema era menor. Tinhamos o monopolio VARIG que extorquia os consumidores e um terço da demanda atual. O mundo mudou, os problemas são diferentes. Por que não retornar a antiga DRA (Diretoria de Rotas Aéreas)? A ANAC deveria ser uma autarquia, ligada ao Ministério dos Transportes. Assumindo TODA a gestão da aviação civil, inclusive as atividades hoje no DECEA. Tal qual o FAA (EUA). Os aeroportos ficariam a cargo de estados e municipios. A atitude mudaria. O Governador Serra iria se coçar para construir um novo aeroporto. Afinal iria ele jogar 50 mil empregos fora? Foi assim que Atlanta e Houston tomaram a primazia aeroportuária de Chicago, NY e LA. Os EUA desregulamentaram o setor em 1978. O Brasil está aprendendo isso 25 anos depois.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007 18:57:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home