sexta-feira, 20 de julho de 2007

Antonio Carlos Magalhães (20/07)

Do site da União Nacional dos Estudantes (UNE):

O ano de 1977 pode ser encarado como marco para o processo de redemocratização do país. E, mais uma vez, o movimento estudantil (ME) foi pioneiro nesse processo. Apesar dos movimentos sociais já estarem se articulando naquele momento, como, principalmente, o movimento sindical e as pastorais, foi o ME o primeiro a ir para as ruas lutar pelas liberdades democráticas e exigir anistia aos presos políticos. Foi também o ano da realização do III ENE (Encontro Nacional dos Estudantes). O Encontro, que deveria ter acontecido na Faculdade de Medicina da UFMG, foi impedido inicialmente pelos militares e, depois de algumas tentativas, acabou ocorrendo na PUC São Paulo, levando a um acontecimento bastante conhecido na história do ME: a invasão da universidade pelos policiais comandados por Erasmo Dias (...). Ainda naquele ano foram reconstruídas a UEE/SP e a comissão Pró-UNE. A organização da comissão resultou na realização do XXXI Congresso da entidade, na cidade de Salvador, em maio de 1979. Coube ao presidente da DCE da UFBA, Rui César Costa, encontrar um local para o Congresso. Rui César pediu uma audiência com o então governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, que cedeu o Centro de Convenções e garantiu a viabilidade do Congresso. Depois de muitos sacrifícios e alguns ônibus de estudantes retornando para suas casas, barrados pela polícia na estrada, o XXXI Congresso da UNE, que contava com cerca de 10 mil estudantes, foi aberto pelo seu ex-presidente de 1964, José Serra, em 29 de maio de 1979.

Fiz algumas alterações de forma no texto, mas que não alteram o sentido. Assim se deu a refundação da UNE, em maio de 1979, ainda sob o governo militar mas já sem o AI-5. Os trechos acima foram copiados de A década de 1970 e a reconstrução da UNE, de Angélica Muller. No mesmo ano de 1979, em outubro, foi eleita a nossa diretoria, com a participação de 350 mil estudantes nas urnas. O senador Antonio Carlos Magalhães morreu hoje, aos 79 anos. Acho que não é necessário nem adequado nesta hora discorrer sobre as minhas diferenças com os políticos que apoiaram a ditadura. Mas é razoável fazer o registro de que em 1979 o então governador da Bahia, ACM, da Arena, ajudou a tornar possível o congresso de reconstrução da UNE e, portanto, ajudou a dar um empurrão para que a democracia avançasse no Brasil. Política à parte, minhas condolências à família e aos amigos do senador.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog.

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

3 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Belo registro de uma memória que, ao menos aqui, vai perpetuar-se.

Saudações universitárias

abs.

sexta-feira, 20 de julho de 2007 22:07:00 BRT  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Bem lembrado, Alon,
pois mostra como não dá para ver o mundo e as pessoas em alto contraste (ia usar outra expressão, mas hoje em dia velhas e usuais expressões da língua portuguesa acabam gerando incompreensões, e preferi o termo fotográfico...).

Figuras controvertidas como ACM (e existem muitas outras) recebem o carinho e reconhecimento de seus conterrâneos por trabalho e recursos que para lá foram canalizados - e que de alguma forma melhoraram, ainda que pouco, a vida das pessoas -em quase 4 décadas de atuação política, o que não é pouco e nem pode ser desconhecido por nós.
Isso independe de gostarmos ou não de suas ações e idéias políticas, são fatos.
Além disso, gostaria de registrar, ele formou grandes técnicos como Secretários de Estado, em suas gestões, e não distinguia nem tinha preconceitos quanto às posições políticas deles. Teve gente até do PC do B, pelo que fui informado.
E só recentemente parece que o Carlismo começa a decair como força política na Bahia (pois a gestão Waldir Pires, que o derrotou anteriormente, foi um desastre e só contribuiu para reforçá-lo).

Outro registro, para aproveitar, e em vida do personagem: nos primeiros dias de abril de 1964, depois de dois dias confinado juntamente com os deputados Dazinho e Bambirra (eu era o jornalista "comunista" que cobria a AL para a Folha de MInas) na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, saimos no carro do então deputado Murilo Badaró, um dos líderes da direita mineira. Que nessa hora nos deu solidariedade e cobertura. Murilo depois foi eleito senador, e ainda está atualmente em atividades políticas em MG.

sexta-feira, 20 de julho de 2007 23:05:00 BRT  
Blogger Pedro César disse...

Caro Aron,

Parabéns pelor resgate.

Esse período da história precisa ser conhecido. Ainda era garoto em 79, mas participei ativamente do processo eleitoral da UNE. Tive nesse ano um irmão que compôs a Comissão Nacional pró-UNE. João Carlos Batista, do Pará, que se formou em direito e passou a defender trabalhadores rurais sem terra naquele estado. Acabou eleito deputado estadual e assassinato de 6 de dezembro de 88. Foi o único parlamentar assassinado depois da ditadura. Entrentou os tanques dos militares e depois foi morto pelas balas da UDR. Em 2008 fará 20 anos de sua morte. Estarei publicando um livro resgatando a história desse combatente. Fazendo pesquisas encontrei seu artigo.

Abraços,

www.pedrocesarbatista.blogspot.com

Pedro

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 12:09:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home