sexta-feira, 22 de junho de 2007

A segunda chance (22/06)

O fracasso das negociações de paz entre Israel e Palestina em 2000, em Camp David (EUA), esteve na origem da queda do então governo isreaelense de Ehud Barak. E apostar na época que a carreira política de Barak tinha acabado parecia mesmo uma barbada. O colapso daquela reunião entre Barak, Yasser Arafat e o presidente americano, Bill Clinton (na imagem, a foto do encontro), teve como conseqüências previsíveis a segunda intifada (de al-Aksa) e a ascensão política de Ariel Sharon. Arafat levou a negociação de Camp David ao impasse quando exigiu 1) um compromisso para a volta dos milhões de descendentes de palestinos para o que hoje é o território de Israel e 2) a soberania total dos palestinos sobre Jerusalém Oriental. Em retrospectiva, parece claro hoje que o passo de Arafat em 2000 foi um mau passo. Desde que escrevo sobre esse tema, há quase trinta anos, defendo que a única solução viável para o conflito entre os dois povos é o entendimento entre a laica Fatah e Israel para a constituição de um estado palestino que conviva pacificamente com o estado judeu. Em Camp David naquele ano Arafat teve essa solução nas mãos mas a desperdiçou. Talvez tenha-lhe faltado força política para aceitar o que lhe propunham Clinton e Barak. Talvez sua autoridade sobre seu povo já estivesse em xeque, desafiada pela força crescente do fundamentalismo. Talvez Arafat tenha avaliado que aceitar a proposta de Israel poderia levar a uma guerra civil na Palestina. Talvez Arafat tenha avaliado que um pouco mais de pressão (a segunda intifada) poderia ampliar seus ganhos políticos. Mas essas minhas hipóteses não podem ser checadas, já que Arafat está morto. Clinton está aposentado e Sharon também está morto, ao menos em termos cerebrais. E o sonho palestino de um estado nacional em Gaza e na Cisjordânia com a capital em Jerusalém foi para a UTI, depois que o Hamas tomou o controle militar de Gaza e obrigou o sucessor de Arafat, Mahmoud Abbas, a praticamente dividir a Palestina em dois. Eu me atrevo a afirmar que todo esse desdobramento negativo para o projeto nacional palestino teve o seu pecado original naquela reunião fracassada de Camp David. Mas é apenas uma opinião. Assim como é minha opinião que a maior ameaça ao projeto nacional palestino é o fascismo de origem islâmica. Atenção, eu não estou dizendo que o Islã é fascista, estou afirmando que há um fascismo islâmico. Leia A esquerda será novamente salva de si mesma. Os acontecimentos recentes, infelizmente, parecem dar alguma sustentação às minhas teses. Bem, por uma dessas ironias da História o mais liquidado e espezinhado dos personagens de Camp David-2000 está de volta ao palco do poder. As últimas semanas assistem à ressurreição política de Ehud Barak, eleito líder do Partido Trabalhista e, como conseqüência, indicado para o ministério da Defesa de seu xará Ehud Olmert. Eu, sempre otimista, penso que talvez Barak tenha recebido da autoridade suprema uma segunda oportunidade, uma nova chance de completar o que começou sete anos atrás. Meu palpite se baseia numa constatação: como fica mais evidente a cada dia, o imbroglio na Palestina é complicado demais para ser resolvido sem ajuda superior.

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5 Comentários:

Blogger Livres Reflexões disse...

Alon,

Mahmoud Abbas não tem nenhuma autoridade sobre o povo palestino. O Hamas foi eleito pela maioria da população palestina pq a Fatah esta num estado de corrupção imenso.

sexta-feira, 22 de junho de 2007 17:05:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

A paz é tão simples e mora tão perto da solução! Mas, as pessoas conseguem deixá-lá difícil e tão longe...

Ó DEUS,..., volta-te para nós.

sábado, 23 de junho de 2007 11:03:00 BRT  
Anonymous Vladimir disse...

Acredito que o fundamentalismo islâmico só consegue a adesão macicça da população local devido as péssimas condições de vida daquele povo e da corrupção endêmica de suas autoridads.Se os países ocidentais juntos com Israel quiserem mesmo acabr com este conflito,deverão,antes de mais nada,prover estepovo de um mínimo de condição de vida,sem a qual,o campo continuará fértil para qualquer seita.

sábado, 23 de junho de 2007 16:52:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Sempre concordo com vc neste tema: Arafat perdeu o "bonde da História" ao fazer doce em Camp David. Vc sabe, árabes, judeus e norte-americanos são comerciantes. Dizem as testemunhas que a proposta de dividir (aceitar, na verdade) Jerusalém foi oferecida de surpresa ao falecido líder... aí, o cara deve ter pensado: ESMOLA GRANDE O CEGO DESCONFIA! Aí, danou-se...

segunda-feira, 25 de junho de 2007 18:23:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Essa você escreveu com a mão esquerda e o lado direito do cérebro.

quarta-feira, 27 de junho de 2007 16:20:00 BRT  

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