quinta-feira, 7 de junho de 2007

Quantos prêmios Nobel tem o Brasil? (07/06)

O debate sobre a autonomia universitária, despertado pela ocupação da reitoria da USP, trouxe consigo os inevitáveis argumentos que me incomodam, pelo viés ideológico. Chama-me especialmente a atenção um detalhe da argumentação dos defensores radicais da autonomia univeritária. É a referência permanente ao Caso Lysenko. Sim, é verdade, a União Soviética teve o seu Lysenko. Mas teve também, e principalmente, o desenvolvimento técnico-científico mais espetacular do século 20. Foi o primeiro país a lançar um satélite artificial e o primeiro a colocar um homem no espaço. Os russos são referência mundial em Física e Matemática. Seu desenvolvimento científico permitiu-lhes construir a bomba atômica e a bomba de hidrogênio a tempo de impedir que os Estados Unidos adquirissem uma vantagem estratégica nesse terreno. A União Soviética era e a Rússia é um depósito de saber científico. Leiam um trecho de reportagem do UOL de agosto do ano passado:

A maior celebridade mundial da matemática desprezou na terça-feira o prêmio mais importante da área, aparentemente ressentido pelo tratamento que diz receber dos outros intelectuais. O russo Grigory Perelman ficou em casa, em São Petersburgo, enquanto os grandes gênios da matemática se reuniam em Madri para o congresso da União Matemática Internacional, que ocorre a cada quatro anos. Perelman, de 40 anos, que tem fama de recluso, deveria receber uma medalha Fields, conhecida como o "Prêmio Nobel" da matemática, por ter solucionado a conjectura de Poincaré -um dilema sobre as propriedades das esferas que vinha desafiando os matemáticos há mais de um século.

Modéstia e parcimônia ao tratar dos problemas alheios é sempre uma qualidade. Todo mundo tem os seus problemas. Esse Perelman, por exemplo, deve ser mesmo maluco para recusar o Nobel de Matemática. Um prêmio pelo qual certamente todos os professores de matemática da USP dariam um braço. Aliás, por falar nisso, quantos prêmios Nobel tem a melhor universidade brasileira, a autônoma e rica USP, na qual ninguém pode colocar a mão? E quantos tem a Unicamp? Melhor ainda: quantos prêmios Nobel tem o Brasil?

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25 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Nenhum Nobel, Alon. E por que será?
Você tem alguma explicação?

O caso Lysenko é emblemático, no texto do professor, não pelo motivo que você aponta. O caso Lysenko, no texto do professor, é a face moderna de um outro episódio que seguramente não te irritou: o caso Galileu.

As conquistas científicas na URSS são o legado dos seus cientistas. Sobretudo, dos que preferiram antes imitar Galileu do que seguir Lysenko. O primeiro foi obrigado a renegar suas idéias para não morrer queimado. O segundo ativou contra os cientistas russos a poderosa máquina bolchevique de moer individualidades.

No texto, o mais importante não é Lysenko e o que ele representa. Importante é a distinção que o professor faz entre soberania e autonomia.

A soberania do Estado é que determina o tipo de universidade:

"Se o Estado for fascista, comunista, ou católico, evidentemente a universidade NÂO pode ser independente das doutrinas que dirigem a soberania de Estado. Mas se o Estado é democrático, ele NÂO tem nenhuma doutrina que o determine, mas deve proteger as doutrinas democráticas e sancionar NEGATIVAMENTE toda doutrina nefasta à ordem democrática.(...). Toda doutrina que negue às demais o direito à existência é nefasta. A universidade, ela mesma, em regime democrático, deve ser aberta a todas as doutrinas, a todos os metodos, a todas as ciências e artes (...). O Estado democrático CONCEDE autonomia à universidade para que ela NÂO seja sujeita a um dentre os vários discursos que se disputam a hegemonia na sociedade. Nela, todos os discursos devem existir como objetos de estudo, jamais como norma que obrigue este ou aquele indivíduo ou grupo seguir certos valores, ordens, disciplina."

O que foi acima transcrito entre aspas pára em pé?

abs.

quinta-feira, 7 de junho de 2007 23:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,

Basicamente um argumento bobo, e não original, que eu li na Veja ainda outro dia essa coisa do Nobel. Floreado por uma introdução meio assim... nada a ver.
Campanha.
Mas diga-me lá: como você qualificaria um cara que estudasse cinco anos de medicina (na USP) e desitisse no último, se transferisse para Administração Pública (na GV) e também desistisse no último ano?
Tudo é muito relativo. Talvez refletindo sobre essa pergunta você consiga pensar em uma qualificação mais elogiosa para o nosso amigo matemático.
Abs,
Woody Allen, que recusou o Oscar, como Boris Pasternak recusou o Nobel (mas esse sob pressão das autoridades soviéticas)

sexta-feira, 8 de junho de 2007 00:03:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Anônimo:

Um argumento não precisa ser original para ser bom. Aliás, a originalidade em si não é uma qualidade. A USP é muto ciosa de si mas sua produção de ponta deixa a desejar. E quando usei "maluco" para o gênio russo fiz uma ironia. Leia com atenção e você perceberá o respeito que há em meu texto em relação ao Perelman. A única coisa que recuso liminarmente em seu comentário é a comparação entre o genial Perelman e esse sujeito que você descreveu. Por mais maluco que fosse esse cara, duvido que ele seria louco o suficiente para se comparar a alguém único como o Perelman. Obrigado por freqüentar meu blog. Apenas lamento o seu anonimato.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 00:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Na verdade, Alon, a provocação esconde uma profunda admiração de minha parte. Sempre comentei o caso desse cidadão desistidor de faculdades como o de uma pessoa extremamente corajosa, além de possuidora de uma inteligência ímpar. Como, aliás, pensa muita gente que eu conheço, inclusive uma colega dele na GV. Eu, por exemplo, entrei em Direito e da Direito saí formado porque temia por meu futuro, algo que, infelizmente, ocorre até hoje.
Fazer esta pequena campanha contra as campanhas Alon é para mim um grande desafio. Não passo de anônimo por diversos motivos: a) porque sou muito tímido; b) porque assim me precavenho contra uma desmoralização decorrente de alguma resposta mais afiada contra minhas provocações (covardia pura); c) porque pretendo polir meu discurso antes de me revelar, pois agora não tenho estatura para estar ao lado de tantos bons comentadores como os que frequentam este blog; e d) se você seguir as pistas, descobrirá facilmente quem sou, mas não vale revelar. Visztlá.
Anônimo

PS. Andei visitando os outros blogs, inclusive o do Nassif, que está disparado na eleição. Nenhum me cativou. Se um dia eu conseguir vencer a repulsa por me cadastrar em todos os lugares da internet, votarei no seu blog. Por enquanto, fique com meu apoio moral.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 00:27:00 BRT  
Anonymous Leonardo disse...

Acho que é um argumento um tanto inadequado, Alon.

Primeiro porque pressupõe que estejamos de acordo sobre a relevância de títulos dessa natureza para avaliação do peso, da importância e qualidade de uma instituição de ensino superior, sem falar, é claro, na função dentro de uma sociedade em particular.

Borges foi indicado 15 vezes para o Nobel. Não ganhou nenhuma. E se você relacionar 10 autores, de todos os que já foram premiados, que tenham merecido tanto quanto ele, envio para você uma caixa de bombons. Difícil imaginar que uma avaliação consequente tome um critério semelhante para apreciar a obra de um escritor. O que seria então da genialidade de Onetti, Cortázar, Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso? Além do mais, podemos, com razão, supor que os critérios para eleição não são de natureza exclusivamente meritocrática, sendo possível até que não tenha menor traço.

Imaginar que um tal título pode dizer algo sobre um autor é, primeiro, conceder valor ao título, segundo, confiar nos seus critérios de eleição.

Sei que você não está tratando de premiações e títulos, mas talvez pudesse encontrar um exemplo mais adequado. A ausência de prêmios Nobels não faz sombra na importância da USP/Unicamp pro Brasil e sobretudo pra São Paulo. Nós não podemos medi-las segundo esse critério, não porque eles não tenham valor, mas porque são inadequados. Como é inadequado medir uma estrada com uma régua. São coisas que nem mesmo se tocam. Se os radicais alegam isto, estão igualmente errados. Além do mais, professor César Lattes passou pela USP, e quem não reconhece que injustiça não foi o Nobel daquele ano em que foi descoberto o méson pi? Professor Newton Costa passou pela USP e Unicamp, e ora, foi um dos responsáveis pela formulação da estrutura da lógica paraconsistente -- ainda ouviremos falar muito dela -- por que nunca foi laureado um homem que derrogou, ainda que em sistemas artificiais, um elemento tão forte para organização do nosso pensamento quanto o princípio da contradição?

Não é por falta de merecedores que não temos Nobel. E esta ausência pouco nos diz sobre nossas instituições. Eu afino contigo na sua posição quanto aos radicais, mas acho que essa linha de abordagem não é adequada.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 02:09:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

O desprezo dos intelectuais matemáticos e físicos ocidentais pelos russos vem desde o período da guerra fria. No Brasil, por exemplo, até pouco tempo se conhecia quase nada dos livros de matemática russos nos cursos de engenharia e matematica, onde prosperavam os livros de autores americanos.

É um exemplo do que a ideologia pode fazer com a educação de um país. Quanta oportunidade de conhecimento é perdido...

Alon, acho que voce está olhando pro lado errado na busca de encontrar um Nobel brasileiro. Neste momento, não seria na USP ou Unicamp a chance do premio aparecer.

Olhe para os brasileiros que trabalham e pesquizam nas universidades do exterior. Grande chance do primeiro nobel tupiniquim sair por lá.

Ah, e também no exterior os universitários não agridem professor que quer trabalhar...

sexta-feira, 8 de junho de 2007 06:24:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Apenas mais um dado para o debate.
Outro dia li em um blog que orçamento da USP é praticamente igual ao de Harvard (é assim que escreve?).
E veja só a monstruosa diferença de qualidade e produção cientifica.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 11:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Gozado... sempre soube que os manuais russos de física e matemática faziam o maior sucesso na universidade brasileira. A antiga Livraria Tecno-Científica, na Barão de Itapetininga, vendia muito desse material. De qualquer forma, não sou físico ou matemático, então não posso dar uma opinão muito firme a respeito.
Anônimo.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 12:03:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Nos cursos de engenharia no início dos 80, e da bibliografia de cálculo (I a IV) constava o famoso Piskonov (chegava a nós em tradução para o espanhol). Era um livro mais "pesado", porém bem mais barato, do que outros de autores ocidentais como o Louis Leithold.
Então a fama em ciências matemáticas e físicas dos Russos é bem conhecida para quem é envolvido em ciências exatas.
A URSS perdeu corações e mentes (e competitividade econômica) nestas áreas porque quase toda a sua tecnologia de ponta era tratada como segredo militar, então demorava a chegar ao cotidiano dos lares como bem de consumo.
Hoje, paradoxalmente, o que atrasa a pesquisa como um todo na humanidade são os segredos industriais. Apesar da internet dispor os meios instantâneos dos cientistas compratilharem suas pesquisas, quem pesquisa para uma corporação, são impedidos de manter intercâmbio sobre a evolução de suas descobertas com outros cientistas externos à corporação, até a pesquis chegue ao registro de uma patente, quando então torna-se pública.
O argumento do Alon é muito bom para reflexão. Defendo a autonomia Universitária. Mas dessa discussão, identifiquei uma necessidade de controle externo sobre suas decisões (só não sei que fórmula de controle aplicar). Estamos enxergando a conjuntura de governos populistas interferirem negativamente na produção científica, para fazer políticas eleitoreiras. Mas vamos pensar tembém em outra conjuntura bastante provável nos dias de hoje: da gestão autônoma da Universidade pública resolver "arrendar" seus cérebros e laboratórios para os interesses de uma corporação em produzir patentes, em detrimento da pesquisa pura.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 13:46:00 BRT  
Anonymous geografo disse...

Milton Santos ganhou em 1994 o Prêmio Vautrin Lud, que seria o equivalente ao Nobel da Geografia.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 14:43:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
não há relação entre uma coisa e a outra. A autonomia universitária existe só para manter o status dos porfessores doutores e, mais útil, para garantir que a universidade possa se dedicar à pesquisa pura. Do contrário, a cada mandante de plantão (governador, presidente, ministro), ela seria obrigada a trilhar as linhas de pesquisa de "maior interesse social", ou seja, fazer aquilo que o sinhô quer. Também serviria para garantir a inviolabilidade do direito de cátedra (ensinar o que considera melhor), SEM O RISCO DE SER DEMITIDO. Esse último aspecto se desnatura em proteção para professores ineficientes e incompetentes. A outra coia, o tal Prêmio Nobel, é muito mais político que científico. O César Lattes (físico brasileiro) só não o ganhou porque ele achava o Einstein uma besta ao quadrado. Defender ou contestar a autonomia da USP com o argumento do Nobel é bobagem.
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 16:23:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Será mesmo bobagem, Marcelo? Veja que eu estou propondo um método de aferição de produtividade em ciência de ponta. Talvez ele não seja o melhor. Por que você não propõe um melhor? O meu ponto é o seguinte. A universidade não é uma ilha. O cidadão que paga imposto (todos os cidadãos, portanto) tem o direito de influir no que a universidade faz. Se, por exemplo, a universidade enlouquecer e decidir colocar montanhas de dinheiro para pesquisar a guerrilha do Araguaia, eu quero saber como faço para tentar mudar essa prioridade. Eu acho, por exemplo, que a universidade investe muito menos do que deveria na pesquisa de uma vacina para a malária. E aí? Como é que fica a autonomia? Para finalizar, creditar nosso jejum em prêmios Nobel a uma hipotética "discriminação" parece-me um pouco excessivo demais.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 16:47:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Um comentário ao comentário

1.Sim, a universidade pública não é uma ilha. Ou seja, ela não tem e não pode ter soberania. Quem tem soberania é o Estado, detentor dos monopólios do poder: da força física; da norma jurídica; dos impostos.

2. Portanto, não foi a universidade que estabeleceu para si, como ato soberano, o estatuto da autonomia. Quem lhe CONCEDEU autonomia foi o Estado, detentor dos monopólios do poder. No entanto, é certo, como já foi dito aqui, que até hoje o princípio da autonomia universitária, consagrado pela Constituição de 1988, através do belo trabalho do prof. Florestan, não foi regulamentado. E por que não foi? Uma boa pergunta para qual não tenho resposta.

3. A Constituição de 1988 (Roberto Romano na entrevista a chamou de kantiana) instituiu a autonomia universitária. Por isso "A universidade autônoma possui a prerrogativa de não se sujeitar a nenhuma igreja, seita, partido político, facção ou entidade EXTERIOR a ela. O Estado não é exterior à universidade, mas é sobre ele e dele que ela se mantém. Assim, ela não pode ser independente do Estado." (RR)

4."O cidadão que paga imposto (todos os cidadãos, portanto) tem o direito de influir no que a universidade faz". Seguindo a lógica do raciocínio acima, essa afirmação que você faz ´não é verdadeira, já que o cidadão que paga imposto NÂO tem soberania para, por si só, alterar a norma jurídica que diz que é a autonomia é prerrogativa da universidade. No máximo, o cidadão pode requerer, via instituições do Estado, alteração da norma jurídica. Exatamente por isso o executivo paulista democraticamente eleito extrapolou. O executivo paulista não tem soberania para limitar ou interferir na autonomia universitária. O problema, como já foi dito, é que se as estaduais paulistas levarem o caso ao Supremo, é quase certo que elas perdem, pois até hoje a autonomia universitária não foi regulamentada no plano federal.

5. "Se, por exemplo, a universidade enlouquecer e decidir colocar montanhas de dinheiro para pesquisar a guerrilha do Araguaia, eu quero saber como faço para tentar mudar essa prioridade." Um caso extremo, sem dúvida. Mesmo assim, o que você pode fazer é mais ou menos o que está no item 4.

6."Eu acho, por exemplo, que a universidade investe muito menos do que deveria na pesquisa de uma vacina para a malária". Exato. Você tem a percepção que a universidade faz menos do que deveria no campo dos estudos sobre a malária. Sua percepção está equivocada. Entre no Google com a expressão "vacina contra a malária". Tenho certeza que a sua percepção sobre o que é a pesquisa
brasileira para erradicação da malária vai mudar para melhor.

abs.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 20:45:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Alon, nessa estou (parcialmente) contigo. Por mais que se desaprovem os métodos soviéticos (e eu os desaprovo), trazer uma nação de proporções continentais, ancorada a uma estrutura sócio-econômica do século XVIII (com boa vontade...), para o século XX, no curso de 2 décadas, foi um dos feitos mais impressionantes que se tem registro.

E isso, com toda certeza, não foi obra de “Lysenkos”.

No entanto, não me pareceu que o professor Romano, em seu artigo, tenha recorrido ao caso Lysenko exemplo para desqualificar os russos.

sábado, 9 de junho de 2007 09:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
é bobagem, porque o indicador não é adequado. Além do componente politico (a comunidade científica tem sua política mesquinha também, neutra nunca foi, nem será), o Prêmio Nobel é limitado a um por ano em cada categoria. E os demais trabalhos relevantes, seriam ignorados? No tempo do reitor Goldenberg foi instituído o critério de avaliação da produtividade com base no número de publicações por docente. Logo os mais espertos descobriram alguns atalhos para elevar a produtividade sem trabalhar mais (com a vantagem de ganhar mais verbas para seus departamentos). O problema desse critério é que a qualidade das pesquisas é difícil de ser avaliada. Pesquisa boçal vale tanto quanto pesquisa importante. É um problema, de fato.
Apesar disso - e não me leve a mal pela palavra bobagem, por favor -, concordo que essa tal de autonomia precisa de alguns limites, a começar pelo aspecto administrativo. Estudei na USP e o tanto que se desperdiça de dinheiro pela falta de integração entre as escolas é imenso. Tenho medo, contudo, que as pesquisas passem a ser definidas por religião, interesse politiqueiro ou pressão de financiadores privados.
Saudações,
de Marcelo.

sábado, 9 de junho de 2007 17:05:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caros

Insisto que aqui estão sendo misturadas coisas distintas: autonomia e tranparência na gestão da coisa pública.

Eu defendo que as universidades públicas sejam totalmente tranparentes na prestação de contas. Isso é desejável no Estado democrático.

Na hipótese de ser constatada má versação do dinheiro público, o Estado tem as instituições capazes de punir quem ou aqules responsáveis.

Isso nada tem a ver com autonomia universitária. Tolher a autonomia universitária sob o pretexto de evitar mau uso dos dinheiros é abrir a porta para que "as pesquisas passem a ser definidas por religião, interesse politiqueiro ou pressão de financiadores privados".

abs.

sábado, 9 de junho de 2007 19:09:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, alto lá. O programas espaciais tanto russo quanto americano foram iniciados pelos nazista que se divertiam lançando foguetes em Londres.
E o desenvolvimento técnico-científico soviético transformou a Russia numa indústria metalúrgica pesada bélica. De que adianta este tipo de desenvolvimento?

domingo, 10 de junho de 2007 19:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo,
pela visto, concordamos em vários aspectos. No entanto, considero imensa a autonomia hoje existente. Não é só um problema de transparência na gestão de recursos. Ainda que se detectassem as ineficiências, nada poderia ser feito ou exigido. A universidade precisa gerar mais benefícios para a sociedade. De que adianta fazer pesquisas completamente inúteis, como a influência da cor da sala na produção de coelhos (acredite, já houve uma tese de mestrado sobre isso), enquanto faltam recursos para melhoramento genético de feijão, por exemplo. Sei das diferenças entre ciência pura e aplicada, estou consciente da importância de ambas, mas acho que a universidade contribui muito pouco para melhorar a vida dos cidadãos. Nesse ponto, a autonomia é até perversa, ao permitir que a casta universitária se locuplete financeiramente sem favorecer a quem lhe pagou o estudo (advogados milionários, engenheiros mega-empreiteiros, médicos sultanescos, por exemplo). Temo o dirigsmo das pesquisas. Talvez a universidade pudesse se submeter a metas de desempenho técnico-científico, ou comprometer-se a desenvolver algums linhas de pesquisa e serviço ligadas às necessidades das populações de baixa renda. O assunto é complexo, de fato...
Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 11:05:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon,

Pode levantar a bola da URSS, mas não precisa baixar o nível.

O Brasil não tem Nobel - e nem vai ter - enquanto nossos melhores cientistas forem obrigados a emigrar, porque só no exterior há recursos para eles produzirem. Foi assim que os EUA fizeram frente à expansão científica da URSS e da Alemanha: importando cabeças.

Os que ficaram aqui trabalham para as multis, para os militares ou na universidade. Esses últimos também não ganham nobéis nem dinheiro, mas tentam preservar a dignidade e a consciência.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 11:52:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Marcelo

Não resta dúvida que se faz muita porcaria nas universidades. Mas isso não é razão suficiente para que advoguemos o fim ou relativização do princípio da autonomia.

A autonomia universitária é um princípio consagrado na Constituição de 1988 para garantir a pluralidade de pensamento e pesquisa nas Universidades. Isso vale para as universidades publicas e privadas. Um dos principais artífices dessa consagração foi o Prof. Florestan, que foi também um intelectual de esquerda cuja estirpe parece ter se extinguido.

O problema é que o princípio não foi regulamentado. O princípio da autonomia, como qualquer outro, contempla direitos e deveres. E nem um e nem outro foram regulamentados.

E a quem interessa a não regulamentação? Extamente a todos, à esquerda e à direita, que se beneficiam com as diferentes formas de privatização da coisa pública no Brasil.

abs.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 13:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo,
de fato, em tese, eu concordo com vc. A universidade precisa de liberadade para escolher seus caminhos. O que me dói, como ex-uspiano e contribuinte estadual, é ver essa universidade loteada por nepotismo, com recursos materiais desperdiçados, alimentar pesquisas inúteis e mandar pós-graduandos para ministrar aulas na graduação. E torrando 9,75% do ICMS arrecadados. Talvez, quem sabe, a regulamentação venha a resolver essas situações. Se a universidade sobreviver até lá...
Antigamente, os catedráticos eram todo-poderosos, autoritários até. Mas eram altamente qualificados e responsáveis pessoalmente pelo desempenho de suas cátedras, sendo cobrados pela congregação, que não passava a mão na cabeça de ninguém. Funcionava, mas eram outros tempos.
Saudações.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 14:32:00 BRT  
Blogger Lucas Arruda disse...

Apesar de não constar nem no site do Nobel, diz o próprio Milton Nascimento que o Dom Hélder Câmara tem um pela paz, não deixaram (o Médici) ele ir lá buscar o prêmio. Fora isso, ele teve 4 indicações.

sexta-feira, 10 de julho de 2009 11:23:00 BRT  
Anonymous Christian disse...

Por acaso Carlos Chagas não é premio Nobel?
Quem sabe no site http://nobelprize.org/ apareça...

domingo, 9 de agosto de 2009 13:05:00 BRT  
Anonymous Thiago Guilherme de Sousa Bauru-SP disse...

Um brasileiro já ganhou um prêmio Nobel, o seu nome é Peter Brian Medaward.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 11:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bem lembrado!,Peter Medawar,de Petrópolis.Mas 'graças'ao Governo
brasileiro da época,foi obrigado a naturalizar-se britânico.Queriam
que ele viesse cumprir seu serviço militar,rs,rs...Vale lembrar,que sejam russos, franceses ou americanos(e até rgentinos),grande parte é de orígem judaica. Saudações,P.A.

segunda-feira, 5 de abril de 2010 04:00:00 BRT  

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