domingo, 10 de junho de 2007

Os falsos amigos do presidente (10/06)

Erram os que imaginam proteger o presidente da República quando pedem à Polícia Federal (PF) que trate com "mais cuidado" informações relativas a possíveis malfeitos de parentes ou amigos de Luiz Inácio Lula da Silva. Mais cuidado do que o dispensado a informações criminais do cidadão comum, endenda-se. É o contrário. Tanto mais Lula estará protegido quanto mais liberdade a PF e o Ministério Público tiverem para fechar o cerco em torno de quem tenta usar em benefício próprio as relações com o presidente. Caso não seja assim, sempre ficará no ar a suspeita de que fulano ou sicrano deixaram de cair nas malhas da lei porque tinham algum tipo de elo familiar ou de amizade com Lula. E os eventuais crimes acabarão sendo lançados, pelo menos parcialmente, na conta do presidente da República. Repito: erra quem acha que vai proteger Lula com idéias desse tipo. Mas em alguns casos talvez não se trate de erro. Talvez seja esperteza mesmo. Em vez de preservar Lula, é possível que estejam buscando proteger a si próprios, à sombra da autoridade e da imunidade presidenciais. Agora, se há críticas à atuação da PF, que sejam feitas e analisadas independentemente do alvo da ação policial. Se há excessos que ferem os direitos individuais, não vale espernear só quando a coisa chega perto dos ocupantes do poder. Eu acho, por exemplo, que o segredo de justiça no Brasil passou a ser virtual. E acho desnecessário que pessoas ainda nem indiciadas, denunciadas ou condenadas sejam expostas, algemadas, à execração pública. Agora, se é para a PF agir assim, que aja com todos. Inclusive com os amigos e parentes do presidente da República. Mas tem gente que acha que não, tem gente que só se lembra do Estado de Direito quando a coisa começa a ficar feia para o seu próprio lado (leia Para os amigos, a lei; para os inimigos, o vale-tudo, de fevereiro do ano passado).

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon,


Todos têm de ser tratados igualmente perante a lei, é o que diz a Constituição, mas transformar o simplório Vavá em grande lobista, como tem feito a grande imprensa, é ridículo e constrangedor para qualquer um e principalmente para o presidente Lula.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 07:59:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Muito bem, Alon meus parabéns. Alguém precisava dizer isso e mais uma vez esse alguém foi você.

Você acabou de levantar a bola da Justiça. É uma bola cheínha e redondinha que precisa ser sempre levantada, mas até agora ninguém conseguiu cortar.

E olha que estamos no país do voleibol, ex do futebol.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 11:26:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Boa nota, só ressalvo alguns pontos.
Segredo de justiça deveria ser usado só em casos muito especiais. É direito do cidadão saber com transparência o andamento de processos no judiciário, principalmente quando promovido pelo Ministério Público. Nestes casos o MP está representando o povo contra o acusado. O fato de uma pessoa notória ter seu nome arrolado em suspeitas, não tira do cidadão o direito de tomar conhecimento do processo judiciário.
A prisão preventiva, não tem o objetivo de punição, e sim de prevenção. É apenas técnica Jurídica, para impedir que suspeitos obstruam a justiça com destruição de provas, intimidação de testemunhas e ensaio de depoimentos combinados.
O uso de algema, pode ser desnecessário talvez em 99% dos casos, mas nos outros 1% dos presos oferecerem resistência em algum momento e tentar fugir ou suicidar, colocando em risco policiais, o próprio preso, e eventuais transeuntes. Como não é possível saber quem é quem que se enquadara nestes 1%, o procedimento de algemar é apenas técnica policial, e não execração.
As críticas que tem sido dirigidas à Polícia Federal, no que diz respeito à execração pública, deveria ser dirigida na verdade àquela imprensa que divulga apenas suspeitos (mesmo em situação de prisão preventiva) como se culpados fossem.
A PF tem feito um bom trabalho (salvo quando há vazamentos indevidos de informações), tanto é que o número de prisões erradas tem se mostrado pequeno. A PF tem um serviço de comunicação social que divulga suas operações depois de realizadas, com transparência, inclusive na Internet. Mas não divulga fotos nem faz juízo de valor, apenas narra fatos.
Parte da imprensa é que não costuma esclarecer ao leitor o real significado da prisão preventiva. A execração está na forma e no conteúdo da matéria. A boa ética jornalística não deveria expor imagens de prisões preventivas, nem fazer juízo de valor precocemente. A notícia deveria se completar na condenação ou absolvição da pessoa, mas parece que até chegar a esse ponto no rito jurídico, a notícia já dera o que tinha que dar, e mal merece notas, sem manchetes.
A execração é o preço desonesto da sociedade de mídia espetacularizada e polarizada em que vivemos.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 12:11:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Sobre a hipótese das velhinhas e o escoteiro esperto, tudo parece indicar que a existe mais que uma velhinha disposta a atravessar e que também não faltam escoteiros espertos para atravessá-las.

Lula não precisa mesmo de uma "grande imprensa" para constrangê-lo ou golpear o seu governo. Seus amigos mais próximos estão se encarregando disso melhor que qualquer oposição golpista. hehe.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 12:25:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Só para completar minha idéia sobre o efeito fetichista que as algemas provoca no noticiário:
Alguém notório surpreendido com prisão preventiva e algemado, mesmo com denúncias sobre pequenos delitos que levariam a 3 meses de detenção, merece manchetes sensacionais, quase sempre com direito a foto de capa.
Outro alguém de mesma notoriedade que se entrega voluntariamente à prisão preventiva na sede da polícia, sem ser algemado, no mesmo dia, com denúncias muito mais graves que podem levar a dezenas de anos de detenção, sem a foto das algemas, não merece o mesmo destaque na edição daquele dia.
Tudo bem que a culpa pode ser da audiência, que procura o espetáculo. Mas a responsabilidade pelas publicações, continua sendo dos editores.

segunda-feira, 11 de junho de 2007 13:41:00 BRT  
Anonymous Kitagawa disse...

Sim, afinal, como definir quem deve ou não ser algemado? Se estiver usando terno, roupa social, não precisa? Se for branco com poder aquisitivo? Se tiver educação superior? Só faltava prender o cara numa cela sem porta.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 00:10:00 BRT  

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