domingo, 24 de junho de 2007

O cerco da cidade pelo campus (24/06)

A Folha de S.Paulo traz hoje a opinião de três professores da USP sobre a ocupação da reitoria da USP, que já acabou. São eles Francisco de Oliveira, Paulo Arantes e Laymert Garcia dos Santos. Eu gostei do que disse o prof. Arantes:

"Eu já disse isso a eles [os alunos], e eles ficam meio aborrecidos: foi uma ação de subversão -que parece subversão, mas não existe subversão numa sociedade permissiva- para o retorno ao statu quo ante. Zapatistas, ex-maoístas, trotskistas, independentes se juntaram, ocuparam a reitoria para que o reitor tivesse o direito do pleno exercício da execução orçamentária e financeira de uma universidade, que é puro establishment. É uma subversão pela ordem", afirma Arantes, o mais próximo dos alunos.

Arantes está certo, ainda que sua reflexão não seja propriamente original. Escrevi aqui algo parecido em De mãos dadas com o liberalismo na revolução proletária. Arantes já leu e refletiu o suficiente em sua carreira acadêmica para saber distinguir entre ruptura e restauração. Pena que o entrevistador não tenha estimulado o professor a desenvolver a tese. Pois a aliança com o establishment ajuda a explicar a simpatia que a ocupação da reitoria da USP obteve, pelo menos durante um tempo, no Olimpo intelectual paulista e arredores. Mas vamos em frente. Eis outro trecho da reportagem:

"No conteúdo, não há nenhuma alternativa política substantiva. Na forma, é uma ação política inédita, que tende a se multiplicar, como fórmula, independentemente do conteúdo. O contágio então vem da tecnologia política, do modo de fazer. O conteúdo está na forma", diz Arantes. Se a novidade está na forma, é porque os tempos são outros. Os modos antigos de fazer política, insistem eles [os entrevistados], não têm mais alcance nem sentido.

Do que eu mais senti falta na reportagem da Folha foram os "por quê?" Em momento decisivos o entrevistador deixou de perguntar "por quê?". Ou então ele não nos contou tudo o que os três disseram. Por que, para os três, "os modos antigos de fazer política (...) não têm mais alcance nem sentido"? Teria algo a ver com o elogio da ação direta? E quais são "os modos antigos de fazer política"? Seriam as eleições e a participação nos sindicatos e no parlamento? Pena que o entrevistador não tenha perguntado aos três se eles acham que a democracia representativa entrou em colapso e perdeu legitimidade, devendo ser substituída por outra coisa. E pena que não saibamos tampouco o que os três pretendem eventualmente colocar no lugar da democracia representativa. É um debate interessante. Eu identifico nas posições dos professores um forte traço de radicalismo pequeno-burguês clássico, influenciado por leituras subjetivas de Karl Marx e pelo movimento rebelde de um segmento da comunidade universitária. Leiam o que diz Francisco de Oliveira:

A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais. É essa incapacidade que eu venho chamando de irrelevância da política.

De novo faltou o "por quê?". Por que, professor, "a ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais"? Perguntar aos professores não é feio. Aliás, professores deveriam ter como primeira missão explicar as coisas de maneira simples e inteligível. Por exemplo, explicar o que adquire relevância se a política se torna irrelevante. E explicar como promover mudanças na sociedade abrindo mão da "política tradicional". Seria por meio da desobediência civil? Da guerrilha? Do terrorismo? Da insurreição? Da organização de comunidades perfeitamente igualitárias em lugares inóspitos, para servirem de exemplo? Da ocupação das universidades públicas e de sua transformação em organismos autogeridos? Aliás, por que tomar só as públicas? Por que não fazer o mesmo com as escolas privadas? Por que não promover (com licença, presidente Mao) o cerco da cidade pelo campus? É um debate fascinante, não acham? E se você estranhou minha declaração peremptória de que as opiniões dos três professores embutem um radicalismo tipicamente pequeno-burguês não entenda a afirmação como uma crítica. E por favor não me pergunte por que eu afirmei isso. Afinal, se os três professores podem freqüentar as páginas da Folha fazendo afirmações arbitrárias sem serem questionados sobre o conteúdo de suas teses por que eu não posso fazer o mesmo neste meu modesto blog? Ou você é dos que endossam os privilégios odiosos conferidos pela sociedade de classes aos membros da academia burguesa, aos portadores do saber formal? Você é contra que qualquer pé-de-chinelo possa questionar professores renomados? Não me decepcione, por favor.

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18 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

PSTU, PCO, PSOL e cia. estavam lá e não queriam autonomia coisa nenhuma. Queriam espaço na imprensa.

Tanto é que votaram por sairem logo ao final da 1a semana.

A maioria que acreditou, ingenuamente, na defesa de algum tipo não definido de autonomia não aceitou.

O a invasão se acabou em suas próprias contradições. A Reitora não podia fazer muito porque ela foi eleita com os votos dos funcionários e estudantes.

Abraços,

segunda-feira, 25 de junho de 2007 00:23:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Explicar o que quer que seja já me parece uma tarefa árdua, exigir que a explicação seja simples e inteligível é supor que há um traço comum partilhado pelos leitores -- pois sem embaraço eu identifico pessoas mais e menos aptas a compreender aspectos de um discurso, não por questões de natureza e gênero, mas por falta de preparo e familiaridade com os termos que possivelmente por lá figurarão.

O caráter objetivo, ou qualquer que seja o critério que pauta seu trabalho escrito, desconsidera, em nome de outros elementos mais importantes, distinções que dificilmente seriam ignoradas num discurso de um professor da FFLHC. Por exemplo, essa exigência normativa de que a explicação seja simples e inteligível só tem sentido num domínio onde a função e os limites da linguagem estão em pleno equilíbrio -- de outro modo, parecem-nos dois conceitos vagos que não poderiam ser apresentados de tal forma sem que fossem anunciados critérios para determinação do que se quer dizer com eles, ou seja, o que se entende por simples e inteligível, como identificar estas propriedades num texto.
Bem, isto tudo pra dizer que há um diferença significativa entre um discurso acadêmico, apresentado nos moldes das publicações acadêmicas e o discurso expresso em publicações da imprensa. Há fatores considerados na organização de um jornal, e você bem sabe, que não se ajustam harmoniosamente as necessidades e ao espaço requeridos a exposição abrangente de uma idéia. Em se tratando de entrevista, tudo fica ainda mais complexo. Em certa medida você observa isto quando questiona a ausência de porquês por parte dos jornalistas. A questão é: há um "privilégio odioso conferido pela sociedade de classes aos membros da academia burguesa"? ou você projeta em sua avaliação esta idéia? Eu juro que entendo o que você quer dizer, mas não compreendo sua disposição quando se trata de declarações de docentes em impressos jornalísticos. Soa como alguém que viu uma matéria sobre "buracos negros" num telejornal e se queixa da superficialidade da abordagem? O que mais esperar? Além do que, é comum vê-lo recorrendo a fragmentos de Marx quando lhe parece conveniente, mas ora, para bem avaliar as questões da política nacional e sobretudo da Universidade, você poderia também citar trabalhos de professores, como o próprio Paulo Arantes, sobre o processo de formação do pensamento (político e filosófico) na Universidade sob orientação de uma tradição francesa (Um Departamento Francês de Ultramar). Você espera que o complexo tecido que constitui a trama política brasileira seja exposto por completo num lance de jornal? Se assim for, temos milhares de professores perdulários gastando folhas e mais folhas (e faz muito tempo) tentando organizar estas questões na obra de toda uma vida. Eu entendo que você diga que foram negligentes (e até incompetentes, se achar apropriado) os jornalistas que questionaram os professores, mas não que foram arbitrárias suas declarações.

Devemos, certamente, propor o estreitamento das relações entre o pensamento universitário e a opinião pública, mas a ausência desse nexo não pode servir de premissa para alegar a arbitrariedade das idéias dos docentes, a despeito de qualquer opinião que tenhamos sobre a constituição ideológica da universidade -- por uma questão meramente lógica.

PS. Alguns bons livros de Foucault são coleções de entrevistas, salvo engano, conduzidas por jornalistas. De qualquer modo, porque não esperar também no nosso país que as abordagens aos intelectuais sejam igualmente proveitosas.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 00:26:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Como o entrevistador não fez as perguntas completas, só nos resta imaginar as N possibilidades de resposta dos professores.

Será que é tão difícil o entrevistador completar as perguntas?

segunda-feira, 25 de junho de 2007 01:07:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

O "cerco da cidade pelo campus" é um clássico. Me valeu uma gargalhada no final da noite. Mas cuidado por aí, para distorcer uma frase que anda aparecendo sempre, ainda há maoístas em Brasília...

O seu é o terceiro comentário que leio sobre esta meio entrevista, meio artigo, e me parece o mais justo. Os outros comentaristas ou criticaram tudo o que foi narrado ou concordaram incondicionalmente com a narrativa do repórter que testemunhou a conversa.

Sua opção pelo (para ficar na China) Caminho do Meio soa mais correta.

Eu apoiei a ocupação integralmente e, se fosse mais novo, talvez estivesse lá. Mas ainda que a invasão de prédios como forma de fazer política tenha lá seus usos, não tem nenhuma chance de substituir as formas mais tradicionais e arraigadas de resolução de conflitos. Serve para colocar um governador sorrateiro e uma reitora omissa nos seus devidos lugares, mas não muito mais.

Ou então nós, o povo, poderíamos ir morar no Congresso até que alguém atendesse nossa pauta mínima de 17 ou 21 reivindicações, incluindo a investigação do patrimônio de todos os congressistas, aviões à vontade e no horário e a decretação de mais uns dois ou três feriados nacionais.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 01:17:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Alon, acho que você sofre de Mania de Dizer Tudo. Meu avô de Nagyvarad bebeu do Tisza e ficou ligeiro igual.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 03:46:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

O "por que" Alon, não foi perguntado, por óbvio!
Um "movimento" que consegue entusiasmar 2.000 estudantes, controlados pelo PCO, PSOL, PSTU, num universo de 80.000 estudantes, não tem o menor significado político! Se tivesse, seria exatamente a constatação feita pelos professores, do esgotamento desse tipo de política de confrontação, pela confrontação.
Aliás, qualquer observadoe isento, verifica a grande vitória do Governo Serra, que ao não agir contra a minoria invasora, mostrou o rídiculo da ocupação, esvaziou o movimento, deixou para a sociedade uma péssima imagem do movimento estudantil. Uma coisa assim de criança mimada, que não sabe muitobem o que quer. Quem participou do movimento estudantil verdadeiro e com propósito dos anos 60/70 esta profundamente irritado com esse arremedo de protesto, onde os estudantes que no passado lideravam a sociedade em causas muito justas, passaram no caso da invasão da reitoria a coadjuvantes inexperientes, sem autoridade, que atuaram ao sabor dos humores de lideranças carcomidas para quem o protesto era um fim em si!
Tá explicado?

segunda-feira, 25 de junho de 2007 07:35:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Não me dei ao trabalho de ler as entrevistas no jornal.

Deveria ler? Sim. Mas não vou. Contento-me com o que li aqui e alhures.

Do episódio, o que fica claro para mim a irrelevância política da invasão da reitoria (sim, é politicamente correto denominar «ocupação»), bem como as generalizações (morte da política)dos professores a partir do irrelevante fato da invasão.

abs.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 08:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Diante da irrelavância da política, então cabe:
1. por que a invasão do prédio da Reitoria? 2. por que desrespeitar a ordem de reintegração de posse, dada pela Justiça, se a invasão era pelo respeito aos direitos de autonomia da Universidade? 3. por que expulsar a imprensa se o motivo era mostrar os problemas dos decretos? 4. por que chamar a Reitoria a um acordo, se o mesmo tinha de passar por voto em assembléia dos invasores? 5. por que pixar "voltaremos" se a desocupação foi aprovada por maioria? 6. se a motivação era pela autonomia e melhoria da Universidade, por que a invasão logrou desacreditá-la como instituição perante e opinião pública? 7. se a luta é por autonomia, por que o ME é tão fortemente vinculado a partidos políticos com idéias divergentes sobre a autonomia? 8. afinal, a luta é para ganhar espaços para controlar a autonomia? 9. então, que autonomia é esta?
Sotho

segunda-feira, 25 de junho de 2007 09:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
os alunos da USP deveriam ocupar a universidade. Principalmente as salas de aula dos cursos em que estão matriculados. E exigir aulas de qualidade, afugentando esses travestis de militantes e professores cujo discurso é tão enrolado quanto vazio. Os por quês impronunciados ficariam sem uma reposta. Ou pior, com uma resposta enorme, complicada e ininteligível.
Sds.,
de Marcelo.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 12:20:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Essas atitudes como ocupações devem ser usadas como exceção, e não como tática padrão de fazer política. Não é difícil concluir que sua banalização levaria ao desgaste.

O movimento foi exitoso ao contribuir para barrar os interesses de agregar poderes ao governador de ingerência na Universidade. É claro que para quem pensa que essa ingerência seria progressista, considererá que os estudantes apenas atenderam de forma conservadora aos interesses de manter os poderes da reitoria.

Digamos que a situação fosse outra: a reitoria estivesse desobedecendo ao governador, e os estudantes ocupassem a reitoria em apoio ao governador. Eles continuariam sendo mera massa de manobra?

Do episódio eu vejo algumas lições:
Os estudantes podem ter cometido excessos, erros políticos, falta de "timing", mas não há nada pior do que o sossego da aceitação passiva daquilo que consideram degradação da Universidade. E também é positiva a resistência a arroubos de poder do Governador.

Se o governador quisesse fazer seus decretos, deveria se comunicar melhor. Dialogar com a comunidade acadêmica antes de utilizar-se da caneta.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 15:16:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Esses professores invasores tinham é que ir solfejar suas "opiniões" lá em Brasilia.

Não é poder que eles querem? Lá eles estarão bem pertinho...

Deixem o professor que quer apenas ensinar, ensinar.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 16:22:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Esquerdismo: doença infantil do comunismo?

segunda-feira, 25 de junho de 2007 16:37:00 BRT  
Anonymous carlos bigratti disse...

Caro balseiro arguto,
Observador isento?
Você não está num filmeco qualquer, onde o bem e o mal estão em lados visívelmente identificáveis
Diga um nome qualquer, dentro desse universo de isenção. E eu te dou um anel. Mesmo que você o lance às chamas!

segunda-feira, 25 de junho de 2007 20:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu fecho com o Paulo C. Devemos invadir o Câmara, mas tem de ser esta semana, para impedirmos a votação da excrescência que é o voto em lista fechada, esta invenção absurda, apoiada por uma ala do PT que perdeu totalmente o senso do ridículo, e enterrou o seu passado de lutas.
Se aprovada esta vergonha, aí sim, a política e a democracia representativa estarão fadadas a desaparecer, ou melhor, serão reduto apenas de alguns: os oligarcas dos partidos, a minoria branca, os privilegiados.

segunda-feira, 25 de junho de 2007 21:17:00 BRT  
Anonymous Mauro disse...

Gosto muito do seu blog, apesar de discordar de algumas de suas posições, entre elas a da ocupação da reitoria pelos estudantes. Mas nesse texto em que você comenta a entrevista dos professores senti falta do comentário do Prof. Arantes sobre Serra, que foi mais ou menos assim: "tirando a qeuestão dos genéricos no MS, não sei o que o Governador pensa sobre nada, já faz mais de 12 anos". Até a Folha deu, mas lá na página 16. Parece que você tem alguma simpatia pelo Serra, tudo bem, mas parece, pelo seu texto, que os professores não criticaram o Serra e me parece que você fez uma seleção do que lhe interessava na reportagem. Se estou errado, perdoe-me.

terça-feira, 26 de junho de 2007 02:10:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon,

Você continua menosprezando o movimento dos estudantes. Por que?

Só agora entendi porque você dizia que a ocupação da reitoria da USP pretendia impedir o controle público da contabilidade da universidade. Você se referia ao Siafem, que é um controle do governo sobre os órgãos públicos, não da sociedade. O acesso a ele não é livre e só especialistas conseguem entendê-lo.

Mas eu não sou contra a transparência dos gastos públicos, muito pelo contrário. Por que todas as instituições públicas não prestam contas diariamentes em seus sites, que são feitos com o dinheiro público?

Para as universidades isso não fere a autonomia. Mas o Siafem fere, porque o controle é do governo e não da sociedade. Antes que você diga que o governo foi eleito democraticamente, eu repito que isso não lhe dá carta-branca para fazer o que bem entender.

Os estudantes acabaram não tomando a prometida lição de borracha. Ainda têm muito a aprender, mas deram uma lição importante.

terça-feira, 26 de junho de 2007 08:25:00 BRT  
Blogger Dourivan Lima disse...

Da entrevista do professor Francisco de Oliveira a Renato Róvai, da revista Fórum de 1/3/2007:

Fórum – Vou lhe fazer uma pergunta que parece um tanto ingênua. O senhor é de esquerda e se considera socialista, mas o que é ser socialista no contexto atual?

Oliveira – Não sei [risos]. Em termos de programa prático, não sei. Em termos de posicionamento político, continuarei radical, implacável na crítica, não faço concessões e nem recuo um milímetro. Mas, praticamente, o que é ser socialista, não sei. No momento é o programa de Marx em Londres, me recolho, estudo e mando brasa.

Um pouco antes:

Oliveira – Não vou me comparar ao Marx, mas ele assistiu a todas as tentativas de revolução burguesa na Europa de seu tempo, a última das quais na Alemanha. Marx era um reformista. Quando ele olhou pra história européia, pensou “por aqui, já passou o vento da história”. Foi para Londres estudar.

terça-feira, 26 de junho de 2007 10:13:00 BRT  
Blogger Alberto099 disse...

Caro Alon, um texto excelente. Em várias oportunidades quis comentar seus posts sobre a invasão da reitoria da USP mas o esforço pareceu excessivo, seja porque a importância política do evento é pequena (como diz o Paulo Araújo), seja porque o discurso possui uma forte carga ideológica que primeiro seria necessário desmascarar. Mas quem está mais bem equipado para produzir ideologia senão a comunidade acadêmica? Um exemplo fácil, recorrente nas intervenções sobre o assunto, foi o recurso à luta da ciência contra o dogmatismo religioso para justificar a autonomia universitária, o que tem uma coisa a ver com a outra? Outro índice claro de elaboração ideológica são essas explicações não explicitadas, deixadas ao ouvinte/leitor: por que as formas tradicionais da política não têm mais sentido? Ora, porque já não produzem o efeito que eu quero que produzam, que me deixem livre de ter de justificar o destino que dou aos recursos públicos. O que melhor revela essa apropriação de partes do estado por corporações diversas, sempre buscando escapar ao alcance do governo ou à deliberação democrática – no legislativo –, é a capacidade de vincular suas receitas ao resultado da arrecadação de impostos, como fazem as universidades paulistas ao ICMS. A universidade não é diferente de qualquer outro desses setores estatais que conseguem fugir a ação do governo de plantão.

terça-feira, 26 de junho de 2007 11:55:00 BRT  

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