segunda-feira, 25 de junho de 2007

Dois governos (25/06)

Parece que o Conselho Monetário Nacional (CMN) vai manter em 4,5% a meta de inflação para 2009. Já se sabe que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teme reduzir a meta, pelo temor de possíveis movimentos defensivos do Banco Central (BC). Ou seja, por temer uma desaceleração na queda dos juros. A preocupação de Lula faz sentido, do ângulo de quem sabe o BC que tem. Já o BC prefere reduzir a meta, por acreditar que 4,5% ainda é uma inflação alta para padrões civilizados. E por entender que a ausência de vontade política de espremer ainda mais a inflação pode significar um recado perigoso para empresários e trabalhadores. O ponto de vista do BC também faz sentido, do ângulo de uma autoridade monetária que sabe o governo que tem. E fica esse jogo de gato e rato, no qual quem perde é o país. Pois as desconfianças no BC em relação ao governo dão munição ao conservadorismo do BC. E as desconfianças no governo em relação ao BC dão munição a quem no governo resiste a baixar a meta de inflação. Como você sabe, eu tenho minhas restrições ao pensamento que associa necessariamente mais inflação a mais crescimento econômico. Claro que se o BC buscar uma meta de inflação zero o resultado será desastroso. Mas é perfeitamente possível manter uma meta declinante de inflação e garantir, ao mesmo tempo, um crescimento robusto, de pelo menos 5% ao ano. Aliás, o que os últimos tempos se encarregaram de mostrar é que a expansão da massa salarial decorrente de aumentos reais (favorecidos pela inflação baixa) e do crescimento do emprego são um motor poderoso para fazer a economia andar. E que a geração de superávits operacionais no setor público e nas estatais pode, paradoxalmente, funcionar como fator de expansão econômica, por reduzir a pressão sobre a autoridade monetária. Mas, infelizmente, não há convicção no governo sobre isso. Mesmo com todos os dividendos políticos que o presidente já colheu por causa dos belos resultados da política econômica. Por isso essa estranha impressão de dois governos: um no Palácio no Planalto e outro no Banco Central.

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Entrada de capitais externos de curto prazo para fazer arbitragem de taxas de juros, causam a valorização do Real, barateia as importações e mantém a inflação sob controle e em queda. Controle à entrada de recursos externos de curto prazo ou reduzir a SELIC, impedindo a arbitragem, brecando a entrada de tais capitais ou induzindo-o para investimentos em novas plantas. Este é o nó que está ai para ser desatado. Até lá, a produção interna tende a ser pressionada negativamente pelos juros elevados e tributação idem. Não é caso de vontade política. É caso de formulação de política econômica, mesmo.
Sotho

terça-feira, 26 de junho de 2007 11:28:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

E tem gente que ainda defende um BC independente... francamente!
Se houvesse uma política econômica de verdade, com metas de desenvolvimento, acompanhamento e fiscalização transparente dos recursos aplicados, não haveria tal dicotomia. Seria um governo (de verdade) traçando os rumos do país, com o BC garantindo a retaguarda (no bom sentido, claro).

terça-feira, 26 de junho de 2007 13:40:00 BRT  
Blogger Dourivan Lima disse...

Alon,

Belos paradoxos, não fosse o fato de que os juros desnecessaria e excessivamente altos são um dos maiores pesos do déficit público de verdade, o nominal.

O Delfim Netto tentou dar uma rasteira nessa turma do BC com a proposta do "déficit nominal zero", uma saída honrosa para o Lula se livrar desse pessoal sem que eles fossem ostensivamente derrotados.

Seria uma meta política. Não importa quantos anos se demorasse para atingir (ou não) o "déficit zero", a inclusão de cortes de juros na meta de redução do déficit reduziria mais rapidamente a relação dívida/PIB e aliviaria a carga de restrições sobre o governo e a iniciativa privada.

O que deu errado? O medo pânico que o Governo Lula tem do "Mercado" e os preconceitos contra o Delfim...

terça-feira, 26 de junho de 2007 16:33:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Pelo que me lembro da proposta Déficit Zero, ela dependia de um crescimento constante do PIB. Não seria a redução do déficit que redundaria no crescimento, mas sim o PIB sendo "aliviado" de contribuír para matemática do Governo.
Mas, como é uma proposta (de certa forma) audaciosa, não conta com a simpatia simplista do nosso Presidente.

quarta-feira, 27 de junho de 2007 15:16:00 BRT  

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