terça-feira, 12 de junho de 2007

Comendo poeira (12/06)

Fernando Henrique Cardoso foi melhor presidente do que é ex-presidente. Regra geral suas intervenções recentes ajudam mais os adversários do PSDB do que o PSDB. Ontem, por exemplo, FHC interveio num seminário tucano em Brasília. Segue a reportagem da Folha de S.Paulo:

Concepção do governo sobre ambiente é atrasada, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o governo federal por defender internacionalmente uma "concepção atrasada" em relação ao ambiente e pregou a criação de limites de poluição e a redução de emissões de gases poluentes do país "por conta própria". Ele pediu a "Queimada Zero". Em congresso do PSDB no Rio, exortou o partido a adotar o ambiente como uma de suas principais bandeiras políticas, "não só pelo voto", mas por ser um valor social. "O Brasil precisa assumir posição diferente. Tem uma concepção atrasada, de burocracia. (...) O que perderia o Brasil se assumisse por conta própria a posição: "Eu vou reduzir" [as emissões de gases poluentes]? Queiramos ou não o mundo vai mudar, então por que não se antecipar?" Segundo FHC, 75% das emissões do Brasil advêm de queimadas. Para ele, o país pode liderar o processo de redução de emissão de gases.

O ex-presidente está errado. O Brasil não tem nada que assumir metas unilaterais de redução de emissões de carbono ou gases poluentes. O Brasil deve combater a poluição e reduzir sua contribuição para o aquecimento global, mas se há metas nacionais a estabelecer elas são metas de crescimento, de geração de empregos e oportunidades para a população brasileira. Desse ângulo, nosso melhor aporte à luta pela redução do lançamento de (principalmente) CO2 na atmosfera será propor uma meta mundial de emissão de carbono per capita. Ou seja, buscar unir a comunidade internacional para aumentar a emissão de carbono nos países pobres e reduzir nos países ricos. Até equilibrar as coisas. Ou, pelo menos, deixá-las menos desequilibradas. Os países pobres e em desenvolvimento adotarem metas unilaterais, como propõe FHC, é duplamente injusto: alivia a responsablidade de quem já se beneficia em excesso da civilização e transfere o ônus dos custos da civilização para os mais pobres, exatamente os que mais sofrem com o déficit de civilização. Em resumo, é uma proposta a recusar.

Enquanto isso, logo na reportagem seguinte da Folha:

Lula defende submarino com reator nuclear

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em mensagem à Marinha, que o Brasil trabalha para fazer parte do "seleto grupo dos países com capacidade de desenvolver submarinos com propulsão nuclear". A mensagem de Lula foi lida na comemoração do 142º aniversário da Batalha do Riachuelo, marco da Marinha brasileira, ocorrida durante a Guerra do Paraguai.

Infelizmente, essas corretas palavras do presidente não têm encontrado correspondência em seus atos. Com uma pequena fração do que o governo dispende em juros o Brasil poderia ter dado um grande salto tecnológico no governo Lula. Bastava o presidente ter adotado uma atitude mais decidida para reconstruir a indústria bélica nacional. A Venezuela, por exemplo, em vez de comprar equipamento militar da Rússia poderia ter comprado de nós. Até os americanos prefeririam. Tomara que a partir de agora a coisa mude de figura. De todo modo, nessas duas pequenas notas Lula sai-se melhor do que FHC. Lula aparece como o presidente focado no nacional, no desenvolvimento científico, na soberania tecnológica e militar. Enquanto isso, FHC dá a impressão de estar mais preocupado com o que os outros pensam da gente. Querem pistas de por que o PSDB está enredado na sua própria falta de rumo? Eis uma das razões. A globalização está em baixa. O que está em alta é a retomada dos valores nacionais. Pode ser pela esquerda, como no caso da Venezuela de Hugo Chávez. Ou pela direita, como na França de Nicolas Sarkozy. E enquanto o PSDB não conseguir se reposicionar como partido nacional vai continuar mesmo é comendo poeira.

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21 Comentários:

Anonymous Jura disse...

Os alíseos voltam a soprar. A nau enfuna as velas.

terça-feira, 12 de junho de 2007 11:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
que o PSDB está mais perdido que cego em tiroteio não é novidade. FHC pelo menos tinha uma bela estampa e currículo para divulgação internacional.
Agora, essa história do submarino brasileiro chega a ser cômica. Há mais de vinte anos esse projeto está rolando. Como o dinheiro é colocado a conta-gotas, os resultados demoram a aparecer. E quando aparecem, já estão obsoletos. E o Lula, que não desempaca o PAC, vai querer desatolar o submarino? O Mantega vai liberar o tutu? Haja factóide...
Em vez de jogar dinheiro fora, seria melhor recuperar o programa nuclear brasileiro para dominar o ciclo do enriquecimento do urânio para geração de eletricidade, coisa que ainda não foi concluída.
E vc. ainda acha que o Lula fica bem nas notinhas?
Sds.
de Marcelo

terça-feira, 12 de junho de 2007 11:24:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Mas não precisa ser nenhum Alon Feuerwerker (hehehe) para entender que o PSDB tem um problema pior, que é a falta de uma bandeira que o diferencie dos outros partidos. Até que seja a defesa da globalização; se for isso, que o PSDB assuma o ônus de alguns resultados eleitorais provavelmente pífios, bandeiras partidárias são fundamentalmente apostas de médio e longo prazo. O que nào pode ocorrer é o principal partido da oposição brasileira não ter o que dizer ao eleitor.

Sabe o mais interessante? Mesmo o DEM está mais próximo de ter uma bandeira que o PSDB, no caso a defesa intransigente da democracia liberal burguesa clássica. Nesse ponto, a paulada que o então-PFL levou nas eleições do ano passado foi de muita serventia para o partido. O DEM começa a ter mais cara de partido com uma proposta diferente do governo do que o PSDB.

Enquanto o PSDB não entender que

terça-feira, 12 de junho de 2007 11:26:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Ótima nota, sobretudo o desfecho sobre o nacionalismo.
Quanto à FHC só observo que a mesma crítica que você faz à sua atuação como ex-presidente vale para o período presidencial: maior preocupação em alinhar-se às idéias externas (como o consenso de Washington), do que com um projeto nacional para termos uma nação forte bem posicionada globalmente (como fizeram Índia e China).

A idéia de emissão per-capta é boa, mas para tornar-se seriamente aceitável por países frios, precisa incluir um pequeno fator de correção para as populações que vivem em regiões frias, e necessitam de combustível para sobreviver ao inverno, e não para consumo de excedentes da civilização. Na Argentina houve mortes decorrentes do frio este ano por falta de gás.

Os juros, ninguém gosta, mas o Meirelles anda enganando muita gente com a taxa Selic. O estoque da dívida remunerada por esta taxa já é menor de que 40% e continua caindo. O custo de financiamento do estoque da dívida está com uma taxa média entre 10% e 11%, considerando os mais de 60% de títulos da dívida em Reais com juros pré-fixados ou indexados à inflação. Já houve emissão de títulos em Reais com taxa pré-fixada abaixo de 9% bem aceitos pelo mercado. Seria interessante uma análise aprofundada desses movimentos.

terça-feira, 12 de junho de 2007 12:37:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Sobre indústria bélica: Hoje, o maior empecilho acredito ser o papel delegado ao Ministério da Defesa. Tem sido usado apenas como válvula de pressão para apitar, avisando o presidente, quando as insatisfações militares atingem pressão elevada.
Com todo o respeito que tenho com a biografia de Waldir Pires, é a pessoa errada no lugar errado. O Min. da Defesa deveria ser ocupado ou por militares chefes de pesquisas e desenvolvimento em institutos como o ITA, IME e da Marinha. Se houver falta de confiança quanto à dispositivos anti-conspiratórios, que seja ocupado por políticos de confiança do Presidente, egressos de formação militar. O Dep. Jorge Bittar, por exemplo, poderia ser um bom nome, por ser egresso do ITA, e ter boa atuação nas áreas estratégicas de telecomunicações, nuclear, C&T.

terça-feira, 12 de junho de 2007 12:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

1. O FHC deve continuar falando e colocando suas teses, seja para consumo interno (e tomar pauladas do PSDB) ou para consumo externo (e tomar pauladas do PSDB e de todos mais);
2. A contribuição do Brasil para o aquecimento global tem significativa participação do desmatamento, da poluição de rios por lixos urbanos, da baixa reciclagem e talvez por pouca gente importar-se com alguns bagres;
3. Coisas de capitalista emergente com síndrome da abundância, ninguém avalia (ou, por óbvio, devo desconhecer)estatísticas sobre a evolução das emissões industriais;
4. Ou, se as instalações de filtros e melhorias em processos etc. reduziram ou não as emissões industriais;
5. Portanto, brigar contra limites às emissões pode até ser bom para o afago de egos, porém, estamos contribuindo com algo tanto ou mais perigoso: desmatamento para venda de madeira, abandono da terra nua e improdutiva, onde antes era floresta;
6. Mexer com energia nuclear sem antes aprender a mexer com águas e florestas, também pode afagar egos, mas empurra um passivo enorme para o futuro de excessiva urbanização;
7. FHC deve continuar falando e muito, pois, talvez, ainda seja dos poucos que acreditam ser possível fazer oposição.
Sotho

terça-feira, 12 de junho de 2007 14:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pugnar contra a globalização e ao mesmo tempo aprofundar o processo capitalista emergente, parece ser uma boa forma de manter a própria globalização. Posicionar-se num cenário destes não é tarefa árdua só para o PSDB. Há um arco mais visível que não se entrega a tal tarefa. Vale a pergunta: quais valores nacionais está-se vendo defendidos arduamente por aqui?
Sotho

terça-feira, 12 de junho de 2007 14:31:00 BRT  
Anonymous sergio disse...

FHC está anacrônico. O inusitado, que foi a queda das torres do WTC e toda política americana para o mundo que adveio disso, deixou algumas figuras boquiabertas e sem rumo. FHC foi uma delas. Tudo mudou e os valores mudaram, enfim, vivemos o novo que vai dar nalgo muito diferente do que os arautos da globalização e do Estado mínimo pregavam.
O tempo passou para alguns...

terça-feira, 12 de junho de 2007 16:44:00 BRT  
Anonymous Marcelo Passos disse...

Nessa questão ambiental, Tereza Cruvinel registra hoje alguns marcos importantes em Minas: o governo dobrou a destinação adequada de lixo e o percentual da população atendida com esgotamento sanitário; criou 12 comitês de bacias para cuidar dos rios e oito novos parques; por fim, está realizando o Inventário Mineiro de Emissão de Gases do efeito estufa. Este último ponto é um bom exemplo de caminho para o desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 12 de junho de 2007 17:33:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Um documentário francês passado acho que na NGC comentou que nas próximas duas décadas o petróleo vai tornar-se tão inelástico na oferta e que o barril pode chegar a US$ 400. Urge o submarino nuclear que já está praticamente pronto. Pega um da classe Tamoio, abre ele e instala o módulo da célula nuclear que a Marinha desenvolveu apesar do FHC. Eles fizeram a opção correta de sacrificar a renovação da frota convencional em troca desse conhecimento, porque grana o FHC não deu. Na Guerra das Malvinas, dois sub's desses ingleses bloquearam TODA a Marinha Argentina e a arma que os ingleses mais temiam era os dois sub's a diesel IKL argentinos. O que resta do óleo está no mar.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 04:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Difícil entender a classificação de anacronismo, se não ocorreu rupturas com modelos anteriores. Ao contrário, tais modelos, até a bem pouco tempo demonizados, tiveram seus princípios basilares aprofundados nos últimos quatro anos. As discussões continuam as mesmas de antes, muito antes, aliás: geração de empregos, degradação ambiental, corrupção, gastos públicos, política monetária e fiscal, crescimento econômico, violência, educação, ciência e tecnologia, reforma agrária e por ai vai. Realmente, os modelos anteriores lograram uma vitória: a sua perpetuação deve-se à eficácia com que os antigos contrários aderiram a eles.
Sotho

quarta-feira, 13 de junho de 2007 08:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mais uma defesa do anacronismo: defesa do desenvolvimento de submarino nuclear em nome de uma pretensa hegemonia militar. Pelos ares dos últimos quatro anos, não seria, a pesquisa nuclear, em prol do desenvolvimento da ciência e tecnologia, ao invés de uma corrida por armas de destruição em um continente que deve pensar em viver e não em matar?
Sotho

quarta-feira, 13 de junho de 2007 08:51:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Há que se reconhecer que o PSDB precisa aclarar seu discurso e - mais importante - lastreá-lo firmemente aos nichos sociais que viabilizem o partido em termos eleitorais. Nesse ponto, estou com a análise do tipo realpolitik à moda do Alon.
É importante notar, no entanto, que o PT roubou (furtou, pois o PSDB não percebeu...) a agenda dos tucanos e conseguiu adaptá-la, ao custo de um discurso dúbio (mas eficiente), a seus interesses de perpetuação no poder.
Em síntese: o PT pegou a agenda modernizadora de viés liberal, colocou um disfarce nacionalista (ajustou mais o discurso do que a prática) e saiu por aí tocando bumbo: o famoso "nunca antes nesse país...".
Há 2 maneiras de avaliar:
1)O PT foi hábil ,soube compreender o momento histórico de refluxo do nacionalismo, e alinhou-se aos anseios da sociedade brasileira, mantendo sabiamente alguns preceitos liberais e o apego (formal) à ordem institucional.
2)O PT criticou ácida e desonestamente a agenda tucana. Ao chegar ao poder, adotou, em larga medida, a agenda que criticara até 2002. Essa prática é moralmente condenável. O comportamento dúbio, ditado pelas conveniências políticas, faz um desserviço ao amadurecimento político da sociedade brasileira. Nota final: argumentar que fazem tão somente o que os outros fazem não altera esse juízo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 10:09:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Vejo mais continuidade administrativa (e por sinal com melhores resultados para exibir) do que continuidade política do governo Lula (o PT não controla 100% do governo) em relação ao governo tucano. Explico:
1) Lula tem políticas de aumento do salário mínimo e renda (ganhos reais) sem quebrar a previdência (um dogma para os tucanos de então).
2) Não continuou a política de privatizações. Pelo contrário reforçou o papel e atuação das estatais. Inclusive voltou a expandir e contratar pessoal. Inverteu a política de terceirização tucana.
3) Contratou pessoal da administração direta também, via concursos em Universidades, Escolas Técnicas, Hospitais Federais, e outros órgãos. Negociou reajustes do funcionalismo conforme a inflação. Bem diferente do Estado mínimo tucano.
4) O Estado retomou seu papel de fazer política industrial, e de fomentar o desenvolvimento, como mostra o PAC, e as desonerações de impostos setoriais. Investimentos do Estado em infra-estrutura e setores econômicos também eram dogmas tucano.
5) Há grande diferença nos cortes orçamentários tucanos e no governo Lula. O governo Lula cortou principalmente em subsídios empresariais, contratos e obras, o governo tucano cortou principalmente na folha de pagamento e nos programas sociais (não eliminou programas, até criou, mas cortava verbas nas metas).
6) Visão de crescimento: os tucanos só consideravam o papel de protagonista no empresariado e investidores; os trabalhadores viriam à reboque. O governo Lula aposta na melhor distribuição de renda (via programas sociais e aumento da renda média), para aumentar o mercado de consumo interno e, com isso, o crescimento.
7) Política externa: os tucanos adotavam o alinhamento mais direto com Washington. O governo Lula adota o multilateralismo.
8) Política econômica: os tucanos consideravam que o Brasil era um importador de Capitais (isso explica a política de endividamento). O governo Lula parece pensar que o Brasil deve acumular capitais internamente (incluindo investimento estrangeiro em ativos reais ou em Bolsas de Valores, mas não em títulos públicos, já que existe uma política clara de redução da dívida pública em relação ao PIB).
9) Devolveu eficiência a função fiscalizadora do Estado, principalmente em 3 setores: fiscalização do trabalho, com a pressão pelo registro formal em carteira e combate ao trabalho escravo; atuação da CGU para fiscalizar desvios de verbas; e atuação da Polícia Federal, que tem funcionado para coibir a desenvoltura que havia ao ataque ao erário.

Em tempo: ainda é pouco para as necessidades do Brasil. E dou razão ao Alon, quanto ao conformismo dos partidos que chegaram ao poder; e da via prussiana seguida pelo governo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 12:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Quem anda de submarino? Precisamos resolver o problema das fontes de energia pós-petróleo. O Brasil precisa alocar o máximo possível de recursos para dominar o ciclo completo da energia nuclear. Os biocombustíveis podem ir adiante com o dinheiro da iniciativa privada, pois já dão lucros enormes. O submarino? Que afunde... Até onde sei (não é muito, reconheço) não dá para adaptar um submarino convencional em nuclear. Outro ponto: quando falamos submarino nuclear, não nos referimos ao armamento, mas ao sistema de propulsão.
Além disso, o ataque às torres gêmeas não foi o fim da globalização. Apenas indicou a globalização do terrorismo.
Sds.,
de Marcelo.
Em tempo, FHC já era...

quarta-feira, 13 de junho de 2007 15:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

José Augusto,
o que vc. bebeu?
quer dizer que o Lula tem uma política de redução do endividamento público? Pode ter a política, mas não a usa. O endividamento cresceu exponencialmente no governo Lula. Ele pagou adiantado úma dívida externa que pagava 3% de juros ao ano captando recursos no mercado interno a juros que chegaram a 26% ao ano. E ainda isentou de impostos os investidores estrangeiros que quisessem entrar no cassino tupiniquim. E isso é política de ampliar investimentos produtivos? Só se for para oligopólios e monopólios. E isso é a favor dos trabalhadores? Desde quando? Por que recebem uma esmola de bolsa família? É, o Lula copiou o Getúlio: consegue ser o pai dos pobres e a mãe dos ricos. E tem esquerdista que bate palmas. Detesto o Stédile, mas ele ao menos é coerente...
Sds.,
de Marcelo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 21:37:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Marcelo,
A relação dívida/PIB tem caído ano a ano.
A dívida que pagava 3% ao ano, você se refere à dívida com o FMI?
Bem, se for, essa dívida era cambial. Então, se o dólar desvalorizasse a dívida explodia. Era assim na época do FHC, o que se chamava ataques especulativos. A troca desta dívida blindou o Brasil contra crises cambiais (as alegadas crises internacionais da era tucana).
O fato de ter pago antecipadamente o FMI, melhorou o chamado risco Brasil, melhorando o ambiente econômico como um todo. Liberou diversas linhas de crédito internacionais (beneficiando até governos Estaduais e Municípios a conseguirem empréstimos em instituições de fomento), e melhorou inclusive a facilidade de captação de recursos por grandes empresas brasileiras no exterior.
Isentar de impostos investidores estrangeiros em aplicações de curto prazo lhe dou razão. Isso inclusive contribuiu para entrada de dólares em excesso, o que chega a ser problema.
Investimentos estrangeiros em Bolsa de Valores via aumento de capital, financiam a expansão de empresas, e portanto geram empregos. Assim como investimentos em produção no solo nacional, como em etanol, biodiesel, e tantos outros.
Apenas para citar um exemplo concreto do que eu estou falando, o Armínio Fraga, ex-presidente do BC no governo FHC, tem uma empresa de Investimentos que cada vez investe menos em títulos financeiros, e mais em participação em empresas, como McDonald’s, CIE Brasil (entretenimento) e CVC turismo. Como ele não é petista e não é louco de rasgar dinheiro, isso é prova do crescimento do mercado de consumo interno, e são setores geradores de empregos.

quarta-feira, 13 de junho de 2007 22:56:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

José Augusto,
para sua informação:
relação divida/PIB em 2002: 64,9%
relação dívida/PIB em 2006: 65,5%
relação dívida/PIB em mar/07: 66,4%
Os dados acima são do Banco Central. A que redução de endividamento você se referiu?
O risco Brasil melhorou pq. a conjuntura mundial assim permitiu. Vc. não percebeu que o Lula só transformou dívida externa (barata, mesmo com risco cambial) em dívida interna cara, para alegria dos banqueiros (veja o lucro do Bradesco, Itau e Santander)? A aplicação do Fraga em empresas (private equity, como chamam nos EUA) é uma forma de diversificação. Parece muito grande, pq. antes era igual a zero. Representou algum aumento operacional? Nenhum, as empresas apenas mudaram de dono. No futuro, talvez cresçam, quem sabe...
Vc. é de esquerda? Como é que pode apoiar a concentração de riqueza nas mãos de banqueiros? Seu amor ao PT é maior que a razão?
Ainda dá tempo de acordar, meu caro.
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007 11:08:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Marcelo,
Se há uma coisa que praticamente ninguém contesta mais é a queda da relação dívida pública líquida / PIB. Não sei de onde você tirou seus números, mas qualquer pesquisa na Internet chega-se facilmente a estes do Banco do Central:

Dívida Líquida Setor Público (em % PIB)
2002 = 55,5%
2003 = 57,2%
2004 = 51,7%
2005 = 51,5%
2006 = 50% (estimativa)

O risco Brasil melhorou porque foram feitos seguidos superávits primários, boa gerência da dívida e desindexação cambial. A conjuntura internacional favoreceu com o alto preço de commodities e disponibilidade de capital para investimentos. Mas também desfavoreceu com a desvalorização do dólar (não só em relação ao Real, mas a várias moedas mundo afora), com o pós-11 de setembro, e com a guerra do Iraque.

O lucro dos bancos hoje é cada vez menor em títulos públicos, e cada vez maior em tarifas de serviços, cartões, e spreads "pornográficos" em empréstimos. Os bancos tem bancadas no congresso, cuja Comissão de Defesa do Consumidor não aprova que se aplique o código de defesa do consumidor sobre eles. Concordo que o Banco Central (e portanto o governo Lula) é por demais dócil com os banqueiros. Mas, da mesma forma que o assalto a bancos por guerrilheiros nos anos 60/70 foi inócuo, também é inócuo querer acabar com sistema bancário atual com uma canetada. Alan Garcia fez isso em seu primeiro governo no Peru, e acabou com a viabilidade de seu governo pelos anos seguintes. Agora, em seu segundo governo, nem toca no assunto.

Eu acho que o sistema bancário brasileiro deveria ter sido estatizado na década de 60. Jango não teria força política, mas os militares tinham. O general-ditador da Coréia do Sul fez isso lá, contrariando Washington, 2 anos antes da revolução de 64 no Brasil. Com isso, a poupança interna da Coréia foi usada para financiar, a juros subsidiados pelo governo, conglomerados industriais como Samsung, Hyundai, LG, estaleiros, etc. Aqui parece que o financiamento do milagre econômico foi por endividamento externo. Deu no que deu, lá e aqui. Houve duas outras oportunidades de estatizar o sistema bancário, quando o estado interviu abruptamente na economia: no plano Cruzado, e no Plano Collor.
Hoje não vejo condições de estatizar, sem provocar uma enorme crise econômica e desemprego, com a paralização do país. Quer queira, quer não, o ordenamento do país está capitalista, e temos que conviver com isso agora, e defender reformas e mudanças que sejam viáveis, e não utópicas.

Sou de esquerda moderado, não sou teórico, e votei em Lula em 2002 e 2006. Não sou filiado ao PT. Para outros cargos além da presidência, ou voto no PT ou em outras legendas de esquerda como PSB, PCdoB ou PDT, dependendo do contexto das forças políticas. Mas não acho que as escolhas políticas qualifiquem ou não uma argumentação. Acho até mais razoável que as argumentações qualifiquem as escolhas políticas.

quinta-feira, 14 de junho de 2007 15:39:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Que dilema: vamos esperar o bolo das emissões de carbono diminuir para todos antes de cortar nossas emissões ou vamos cortar nossas emissões e depois exigir o mesmo do resto do mundo... acho que já ouvi isto antes!??!!?
Em tempo: sabe quando Lula vai soltar algum para o sub-nuclear?! NUNCA!!!!!!!!! Isto é mais um jogo para torcida dele!!!!

quinta-feira, 14 de junho de 2007 17:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

J.A.,
eu peguei dados do relatório de fevereiro de 2007. Pegeuei a tabela de de dívida geral do governo, que já veio com a % calculada em relção ao PIB. Não inventei nada. Pegue os balanços dos bancos. Os lucros nunca na história deste país foram tão elevados. Nem no tempo do FHC. E vc. aplaude. Eu não.
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007 19:08:00 BRT  

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