sexta-feira, 8 de junho de 2007

As almas penadas e a realidade (08/06)

Da BBC Brasil, reproduzido pelo UOL:

Um estudo divulgado pela FAO - o órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - nesta quinta-feira sugere que a crescente demanda por biocombustíveis pode estar levando a uma alta dos preços internacionais de alguns alimentos. Segundo o estudo, os gastos globais com a importação de alimentos devem crescer 5% e atingir um valor recorde de US$ 400 bilhões neste ano. A alta é puxada pelos preços de importação de grãos e óleos vegetais, usados em grande escala na produção de biocombustíveis - sobretudo nos derivados de milho. Ainda de acordo com a FAO, o aumento dos gastos com as importações desses produtos em 2007 chegará a 13% em relação a 2006. "Observando esse dado vemos claramente que a demanda por biocombustíveis é o maior responsável pela subida dos preços (dos alimentos), apesar de ser impossível dizer exatamente qual a porcentagem de culpa atribuída a esse fator", afirmou à BBC Brasil Abdolreza Abbassian, um dos autores do estudo. (Continua...)

Escrevi aqui faz dois meses o post Governo vegetariano e terras finitas. Destaco um trecho:

(...) falta aos militantes do etanol responder a uma dúvida central: de onde virão as terras para produzir plantas em quantidade suficiente para abastecer de álcool os mercados internacionais, na proporção desejada por George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva (...). Vamos ao caso brasileiro. Nossas terras produtivas, grosso modo, distribuem-se entre: 1) áreas de proteção ambiental e reservas legais, 2) territórios indígenas, 3) lavoura e 4) pecuária. O governo afirma que a expansão da área plantada de cana de açúcar vai se dar preservando os itens 1 e 2. Sobrariam então terras em que hoje se planta ou se cria gado. Mas o governo diz também que as áreas destinadas à produção de alimentos tampouco serão afetadas, "apenas os pastos". Pelo visto, o governo brasileiro aderiu ao vegetarianismo, pois não considera a carne um alimento. Vejam como o argumento governamental não pára de pé. Suponha que a cana de açúcar para a produção de etanol avance nas áreas de pastagens e de grãos. Qual será a conseqüência imediata? Queda de produção de carne e grãos. Mas o Brasil é um campeão mundial na produção de carne e grãos. Hoje, o The New York Times traz reportagem sobre a pressão de demanda chinesa pela soja brasileira. Demanda em alta e produção em baixa significam aumento de preços. E preços de commodities em alta significam estímulo à produção. Ou seja, se a expansão da cana se der à custa de pastos e plantações de grãos, as vacas, os bois e a soja serão empurrados para onde existir terra disponível. Para as áreas de proteção ambiental, para as reservas legais e para as terras indígenas. Claro que você pode discordar. Você pode achar, por exemplo, que o agronegócio deixará de lado os rentáveis boi e soja em nome do combate ao aquecimento global. E uma dúvida final, exposta em posts anteriores: se há terras de baixa produtividade disponíveis para a cana, por que o governo diz que faltam terras para fazer a reforma agrária?

Recebi nos últimos dias críticas ao tom de "campanha" com que supostamente abordo certos temas. É possível que alguns posts tenham mesmo tal característica. A crítica aparece principalmente quando insisto no método de fazer perguntas à exaustão. No caso da maioridade penal, por exemplo, considero que não está satisfatoriamente esclarecida minha dúvida sobre por que o jovem de dezoito anos e um dia que cometeu crime hediondo deve ser atirado no sistema penitenciário se outro jovem apenas dois dias mais novo pode cometer o mesmo crime e não ser acusado de nada. Assim como no caso da RCTV venezuelana: se é o governo quem dá a concessão da exploração da tevê aberta, por que o mesmo governo não deveria ter o direito de não renová-la, dentro da lei? O mesmo se dá no caso do etanol e da reforma agrária: como é que está sobrando terra para o etanol brasileiro se está faltando terra para a reforma agrária? Perguntas não respondidas são como almas penadas, que vagam por aí sem encontrar repouso. Mas as perguntas e dúvidas na esfera intelectual não precisam de uma resposta necessariamente também intelectual. Muitas vezes é a realidade que vem em socorro dessas almas. Como agora no caso dos biocombustíveis. Sua excelência, a realidade, indica que a expansão das culturas destinadas aos biocombustíveis combinada à demanda crescente por commodities agrícolas pressiona para cima o preço da comida no mundo. E meu palpite é que quanto mais cara estiver a comida mais estímulo haverá para que novas áreas sejam ocupadas para plantar grãos e criar gado. Ou seja, mais desmatamento. Ou então, mais pobreza, ainda que combinada com mais riqueza.

Clique aqui para ler Food import bills reach a record high partly on soaring demand for biofuels.

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13 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Alon

A mim não incomoda em nada a forma como você apresenta as suas questões. Vivemos uma época estranha, na qual defender valores, idéias, princípios é visto com maus olhos. Hoje, o bacana é relativizar.

Sobre o tema do post, penso que o único caminho para solucionar essa questão da demanda por energia e comida e aumento de preço é o caminho que a humanidade vem seguindo desde tempos imemoriais: ciência e tecnologia.

Se quisermos que não falte energia e comida e que não aumente o desmatamento, nossa única saída, como país, é aumentar significativamente os recursos estatatais destinados a pesquisa de C&T. Se deixarmos que o mercado busque a solução, fatalmente a opção será pela expansão da área agriculturável nas regiões de fronteira. É muito mais barato desmatar do que investir em pesquisa de C&T. A lógica imediatista do mercado é essa. E como vivemos num país capitalista...

Eu gostaria, Alon, de ver aqui no blog uma dessas suas campanhas em forma de pergunta, colocando a seguinte questão: por que um governo de um país tão carente em C&T resolve despejar anualmente R$ 350 milhões para por no ar uma TV estatal?

Vê, Alon? A demanda por energia e alimentos não deve parar de crescer. O mercado, na sua exuberante irracionalidade, vai encontrar suas soluções. E o que vamos fazer? Dizer que o mercado é irracional e defender a irracionalidade do seu oposto? Vamos continuar no discurso ou vamos, como país, arregaçar as mangas e trabalhar para que não falte energia e comida e sobre desmatamento?

Você vê outra saída? Eu não vejo.

abs.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 09:28:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
A terra vira de antigas áreas de pastagens degradadas.
Não servem para pasto, mas servem para cana.
A área de cana plantada em São Paulo foi reduzida em 3% de 2006 pra 2007.
Existe terra sobrando no Brasil. Dá para fazer combustível renovável, alimento vegetal, e ainda pastar nossas picanhas que ninguem é de ferro!

sexta-feira, 8 de junho de 2007 11:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

um esclarecimento: o tom de campanha não é por causa do método de fazer perguntas à exaustão. isso é muito bom. Estou utilizando esse método na lista que frequento, justamente para desenvolver a questão da concessão da RCTV. Mas, ou muito me engano, ou todas as questões, do aborto à maioridade penal, foram respondidas à saciedade por diversos comentadores. De toda forma, você tem o direito de não estar satisfeito (racionalmente satisfeito, bem entendido), mas aí, seria desejável que debatesse as respostas e não ficasse só nas perguntas. Então avançaríamos. De qualquer forma, como autor da crítica ao tom de campanha (ou um deles, sei lá), digo que assim já está bom, só acho que poderia chegar ao ótimo. A escolha entre campanha e debate é justamente essa: queremos apenas convencer aos outros ou estamos abertos a mudar de posição?
Quanto ao mérito das perguntas, gostaria de desenvolvê-lo, mas antes preciso trabalhar. Voltaremos a qualquer hora em edição extraordinária.
Abs,
Anônimo, não sei por quanto tempo

sexta-feira, 8 de junho de 2007 11:58:00 BRT  
Anonymous Bruno Fernandes disse...

Sinceramente , o seu blog é o melhor blog da atualidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 12:38:00 BRT  
Anonymous Román disse...

Caro Alon:
Eu fui um dos que o "criticou" (a palavra é sua, eu o parabenizei pela volta à análise lúcida e isenta, mas não desprovida de fina ironia, que o caracterizou ao longo do ano passado, por exemplo, no meio de uma guerra de desinformação lamentável)... Também não estou criticando o estilo de "perguntas à exaustão", mas às vezes é o debate que se exaure quando descambamos para uma troca negativa em que desmoralizar o adversário eventual é parte da estratégia argumentativa. É esse o vício terminal da grande imprensa, que parece não querer leitores (penso na Veja, por exemplo), mas fans ou torcedores, é ruim isso. Como você foi e é uma luz (repito, votei em vc no Trofeu Imprensa, e o recomendo aos meus alunos vivamente) ao sinalizar diariamente que outra opinião e outro jornalismo é possível, não podia deixar de perceber um método que não é seu...
Dito isto, vamos às perguntas... algumas me incomodam, sim, porque já trazem a respota embutida, e quem responde discordando fica como cúmplice ou ridículo. Por exemplo, quando vc diz: "minha dúvida sobre por que o jovem de dezoito anos e um dia que cometeu crime hediondo deve ser atirado no sistema penitenciário se outro jovem apenas dois dias mais novo pode cometer o mesmo crime e não ser acusado de nada". Acontece o mesmo com toda maioridade, um dia antes o garoto pode namorar com uma menor, um dia depois é pedofilia? Um dia antes é irresponsável penalmente e um dia depois tem que responder? Não pode assinar contratos e depois pode? Não pode trabalhar e depois pode? Trabalho infantil um dia antes, depois não? Não pode casar e um dia depois faz o que lhe der na telha da sua vida amorosa? Ficar, um dia antes, em casa sonhando em ser herói e jogando videogames, mas um dia depois morrer defendendo a pátria na guerra? Essas perguntas cansam e não esclarecem nada... O que Alon está criticando é o arbitrário de uma data que torna, de repente, e é claro que arbitrariamente, o indivíduo "adulto", "responsável" na nossa sociedade, mas assim não acrescenta nada ao debate em pauta, para mim mal colocado, porque no calor da hora (sei, em momentos excepcionais somos levados a agir no calor da hora, mas tenho absoluta convicção que nesse momento responderá mais eficazmente aquele que tiver tido a chance de refletir livremente e praticar as escolhas, isto é, quem é mais experiente e mais treinado) repito, no calor da hora, sem um debate não pressionado por moralismos do tipo "aqueles que são contra a redução da maioridade penal são cúmplices ou têm interesses", o que prevalece é o preconceito, o recalcado, o argumento autoritário, como no futebol é o chutão e a falta que mata a jogada. Por outro lado, li naqueles dias que a reincidência no crime é maior no infecto sistema prisional do que nas imundas FEBEM's, portanto jogar um menor nas prisões é aumentar -segundo o que li nos jornais, mas ao que não se deu destaque nenhum- as probabilidades dele se tornar um criminoso profissional. Porque o que se quer é punir, vingar a sociedade... A questão central, o bom combate é a reforma do sistema prisional e das FEBEM's, que não reeducam nem resocializam. Se tal ou qual indivíduo que cometeu um crime é "irrecuperável", deverá haver meios racionais e verificáveis de instituir essa avaliação, sem que isso se torne mais uma punição nas mãos de especialistas psiquiátricos. Outra reforma concomitante é a da justiça. Mas não leis mais punitivas, isso é para satisfazer a sede de vingança, compreensível entre as vítimas, mas se os caras fogem das prisões à luz do dia?!?! E a legislação diferencial? Criminosos com título universitário vão para prisões diferentes dos sem-canudo! Isso é que é uma vergonha, uma chaga, um cancro inadmissível, pois o dia em que os com-canudo forem passar uma temporada no inferno com certeza os jornais e revistas -cujos leitores são com-canudo- vão se mobilizar para a reforma do sistema processual-penal-prisional. Mas não vi, nunca, nesses anos todos, uma campanha na imprensa, ela que se indigna tanto... para abolir esse privilégio que não é digno de uma república.
Sei que o debate continua, mas essas longas palavras vão no sentido de poder debatermos menos pautados pelo tal ou qual caso... Um abraço, e mantenho os meus parabéns pelo seu blog, companheiro Alon.
Román

sexta-feira, 8 de junho de 2007 12:39:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

O alerta da FAO é uma visão de problema sob a ótica do primeiro-mundo.
Não há alerta de risco de falta de alimentos, e sim de aumento de preços, o que é bom para as populações de países que tem seu PIB mais dependente da produção agrícola. Se os consumidores terão que gastar mais para comer, é justo com quem ganha tão pouco para colocar o alimento na mesa.
Vai sobrar menos dinheiro na mão de alguns para consumir bens industriais, e mais dinheiro na mão de outros para começar a ter acesso a esses mesmos bens.

Qual a composição de custo no preço do alimento em si e da industrialização do alimento? Qual o custo da embalagem, dos serviços de distribuição, da energia e do frete? Não seria hora de reclamar cortes nos custos nestes outros pontos da cadeia produtiva (inclusive com benefícios ambientais)?
O extrativismo vegetal e a agricultura já tem aplicação extra-alimentar muito antes dos atuais biocombustíveis: lenha e carvão vegetal para aquecimento e produção de energia (os primeiros biocombustíveis, na verdade), algodão para renovar alguns guarda-roupas de 6 em 6 meses, fumo, bebidas alcoólicas e café para vícios prazeirosos, borracha para fabricação de pneus e preservativos, celulose para papel e papelão, inclusive para embalar alimentos. Tudo isso gerou desmatamento nativo. Vilanizar os biocombustíveis agora é mistificação. Só aceito discutir impacto ambiental de biocombustíveis junto com o pacote completo das outras aplicações não alimentares.

A agricultura e pecuária deve obedecer ao zoneamento para plantio, estabelecendo a fronteira agrícola, e pronto. As reservas naturais (florestas, matas ciliares) devem ser preservadas e pronto. Quem as devasta, deve responder por crime, indenização e ser obrigado a reflorestá-las. O cumprimento da lei não deve obedecer às leis de mercado da oferta e da procura. Não vejo motivos para misturar isso na discussão.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 14:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, cuidado,
esse discurso da FAO me parece orientado para defender o subsídio que os países ricos concedem aos seus agricultores ineficientes. No caso brasileiro, acho que dá para trocar o desmatamento pelo aumento de produtividade via aplicação de tecnologia já desenvolvida (poranto, sem maiores custos). Lembre-se que explorar terras distantes implicaelelvado custo de transporte de insumos e dos grãos/carnes produzidos, inviabilizando a brincadeira. O probelma, a mim me parece, é outro. O complexo produtor de cana, de soja e de carnes é altamente concentrador de renda. Os grandes fazendeiros, parceiros das indústrias, ficam com os os lucros. Os pequenos e médios ficam reduzidos à condição de semi-escravos, tendentes a vender suas terras para os grandes. É isso o que se quer para o Brasil?
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 16:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Há que se concordar com as observações dos srs. Paulo Araujo e
José Augusto, acrescento, expecíficamente, na questão da criação de gado que muito ainda pode ser agregado em tecnologia, transformando-a de criação extensiva em intensiva, donde podemos multiplicar por 4 ou 5 a produtividade, pois apesar de exceções ainda é um dos setores mais atrazados na aplicação de tecnologia.

sexta-feira, 8 de junho de 2007 17:17:00 BRT  
Blogger Sergio Leo disse...

Caro Alon, o que falta não é terra para a reforma agrária; são condições de assentar agricultores pouco preparados para competir em um mercado onde a tecnologia é crescente. Me parece que o programa de reforma agrária do governo, com todos os seus defeitos, tem essa qualidade: não confunde fazer reforma agrária com jogar os sem-terra num local qualquer, sem estradas, condições de escoamento da produção, assist~encia técnica. Isso tudo custa dinheiro, que ou está contingenciado ou não é liberado pela incompetência da burocracia...

sexta-feira, 8 de junho de 2007 19:43:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

Não se preocupe, Alon. Logo chegaremos a produzir a super cana-de-açucar transgênica.

Aí, quero ver quem vai ser contra...

sábado, 9 de junho de 2007 04:20:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Em SP, cerca de metade do CO2 é transporte; mais da metade dos veículos é privado. Cadê a cobrança por investimento em transporte coletivo? Por que não se debate a necessidade de uma política descentralizadora para evitar que as periferias convirjam para os centros? Vamos pensar em novas edificações e urbanização que sejam ecologicamente corretas e políticas de incentivo, assim precisaremos de menos cana.

sábado, 9 de junho de 2007 05:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Maioridade: tudo tem marcos definidores: o dia e a noite, a idade, as distâncias. A maioridade é aos 18 anos, não aos 16. Mas pode-se pensar em algo como uma definição flexivel do entendimento do criminoso acerca da natureza do crime. Parece que na Inglaterra é assim, e lá condenam crianças de 10, 11, 12 anos.
Aborto: mesma coisa. Deve haver um marco. Para a Igreja (Católica, bem entendido), é a concepção. Para outros, a definição de quando o ser começa a sentir dor. Países que avançaram no conceito, inclusive islâmico-comunistas (Tadjiquistão, p.ex.) pensam em quatro meses. Judeus também já avançaram bastante, e protestantes, então, estão anos-luz à frente de nossas tacanhas consideraçõesl. Acho razoável quatro meses, e também acho que qualquer discurso invocando assassinato é apelação que em nada contribui para o debate (ou muito me engano ou essa era a orientação da tua pergunta). A Folha publicou uma entrevista onde a entrevistada menciona o caso do Uruguai, muito interessante: o aborto não é legal, mas o Estado diz tudo que é preciso para orientar as mulheres. Mais ou menos como quiseram fazer agora na Parada Gay e virou um escândalo.
Álcool x Reforma agrária: confesso minha ignorância. Taí uma questão que vale a pena repetir à exaustão, ao contrário dessas sobre os dois temas anteriores. Melhor seria desenvolver tecnologia de motores a hidrogênio. Mas biodiesel também é uma boa idéia. Questão de pôr na ponta do lápis: talvez descobríssemos que há terra para RA e para ácool tudo ao mesmo tempo agora. Outra boa idéia seria tirar terra do gado. Comer carne só fa mal, beber leite é um horror, sofás de couro são brega. Parem de assassinar vacas! Leite é para bezerros!
RCTV: concordo inteiramente que o Estado pode dar e retirar as concessões. Apesar de reconhecer que o Chávez está forçando um pouco a mão, mesmo assim considero positivo o fato, porque demonstra justamente a correta resposta a sua indagação: quem dá pode tirar. E pronto!

Se você leu isto, pode até não concordar (p.ex. pode manter a postura de assassinar vacas), mas há de convir que as perguntas sobre maioridade e aborto já foram respondidas (aliás, por muita gente). Caso não tenha ficado satisfeito, seria muita gentileza informar porque não, aí o debate prosseguiria em novas bases, e não ficaria estanque em perguntas não repetidas. A não ser que passemos a acreditar em bobagens heiddegerianas tipo "a resposta essencial haure sua força sustentadora da insistência no perguntar".

Abs,

Anônimo

sábado, 9 de junho de 2007 13:14:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Volto a comentar neste post, para opinar sobre as críticas ao blog, chamadas de campanha, por alguns.
Acho errado querermos patrulhar o Alon. Temos o espaço de comentários para discordamos e contra-argumentamos. É o suficiente para a plenitude do debate.
Eu discordo de algumas notas do Alon, mas admiro a forma como que ele aborda, de forma elaborada, respeitando sobretudo a inteligência dos leitores.
Quando há notas seguidas sobre determinado tema que gerou polêmica (como aborto, maioridade penal, USP), eu entendo como complemento em resposta aos comentários e continuação do debate, e não como campanha.
Se Alon não muda de posição, não significa que o o objetivo das notas seja apenas convercer o leitor em mão única. Ninguém muda de posição facilmente (inclusive os comentaristas), salvo quem ainda não tem opinião formada sobre um assunto. E a mudança, quando se dá, é um processo de reflexão demorado. E para isso o blog é muito bom.
Mesmo quando tenho convicções opostas ao que Alon escreve, encontro no Blog enriquecimento sobre o assunto, inclusive nos contrapontos ou complementações dos comentaristas.

sábado, 9 de junho de 2007 22:43:00 BRT  

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