quinta-feira, 21 de junho de 2007

“Abraço e punhalada a gente só dá em quem está perto” (21/06)

A oposição no Senado vê a crise em torno do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) como uma bela oportunidade. Vaga a cadeira de Renan, PSDB e DEM poderão tentar o seu segundo assalto ao Palácio de Inverno. O primeiro foi na sucessão de Severino Cavalcanti na Câmara dos Deputados em 2005. Deu errado. Por pouco mais de uma dúzia de votos Aldo Rebelo (PCdoB-SP) derrotou o então pefelista José Thomaz Nonô (AL). E matou o sonho oposicionista de abrir um processo de impeachment contra o presidente da República. Pelo visto, o Palácio do Planalto confia no seu taco para novamente barrar a pretensão do inimigo. Até porque o Planalto tem demonstrado nos últimos tempos boa capacidade de dividir a oposição. Ontem, por sinal, o PT e o PSB uniram-se à oposição no Conselho de Ética do Senado. Hoje de manhã me telefonaram contando a piada. "Você sabe a diferença entre o mineiro e o petista? É que o petista não é solidário nem no câncer." Otto Lara Resende dizia que o mineiro só é solidário no câncer. Daí a piada. Querem outra boa frase de Otto? “Abraço e punhalada a gente só dá em quem está perto.” Eu achei a piada injusta, pois na política a sobrevivência deve estar acima de outras considerações. Mas vocês não vão querer que até as piadas tenham que ser doravante politicamente corretas, não é? Ninguém agüentaria. A verdade é que Renan Calheiros está enrolado com suas circunstâncias financeiras, seus amigos e seus bois. Enquanto isso, afiam-se as facas no Senado. Há o governo, com as armas tradicionais. Há a oposição, sedenta de poder. E há aquilo que um dia se convencionou chamar de "PMDB do Senado", que visivelmente desce a ladeira. Mas (ainda) não está morto. Mesmo que todos os últimos movimentos do poder indiquem o desejo palaciano de enfraquecê-lo (No comando da própria sucessão). Há quase um mês postei aqui Desgraça e oblívio:

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é o alvo da vez. (...) O que mantém Renan à tona não é a clássica presunção de inocência. A categoria já foi abolida, há muito tempo, do código político-penal nacional. (...). O que mantém Renan à tona é a dúvida, governista e oposicionista, sobre o cenário de uma possível sucessão no Senado. O governo teme perder o controle do processo para a oposição e a oposição teme por um novo "efeito Severino". Recorde-se que a oposição, que elegeu Severino Cavalcanti em fevereiro de 2005 para a presidência da Câmara dos Deputados, tudo fez para derrubá-lo em setembro do mesmo ano. Mas o resultado prático daquela "insurreição de setembro" foi a eleição de um aliado fiel de Luiz Inácio Lula da Silva. O comunista Aldo Rebelo.

Essa é a parte da desgraça. Leia o post para saber por que usei "oblívio". Bem, com o enfraquecimento de Renan e a emergência da sucessão no Senado as dúvidas passam ao segundo plano e as ambições assomam, soberanas. Na política, como se sabe, as maiores ambições costumam vir embaladas em modéstia e humildade. A mesma relação mantém entre si as traições e os votos de amizade e consideração.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

10 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

Uau! Fazer, como diria a molecada dos games, 2-hit combo de frases de Otto Lara Resende no mesmo post é sensacional por si só.

Se formos mais à frente, o lançamento de Renan ao mar ocorreu assim que o senador Wellington Salgado, um daqueles mais preocupados em aparecer, foi escolhido para relatar o processo. Ou alguém realmente acredita que ele tentou o impossível (o relatório ser votado ontem) para outra coisa que não fosse aparecer "bem na fita"?

quinta-feira, 21 de junho de 2007 13:07:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Alon disse:

"Pelo visto, o Palácio do Planalto confia no seu taco para novamente barrar a pretensão do inimigo. Até porque o Planalto tem demonstrado nos últimos tempos boa capacidade de dividir a oposição. Ontem, por sinal, o PT e o PSB uniram-se à oposição no Conselho de Ética do Senado.

E também:

"E há aquilo que um dia se convencionou chamar de "PMDB do Senado", que visivelmente desce a ladeira. Mas (ainda) não está morto. Mesmo que todos os últimos movimentos do poder indiquem o desejo palaciano de enfraquecê-lo."

Será que o PMDB do Congresso está subindo a ladeira (não a rampa, ainda) e que o Palácio do Planalto está por detrás do abraço - e do punhal - petista?

E qual é o PMDB do Aécio? Desculpem a inocência, mas eu leio este blog por causa dela.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 13:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,
perguntei no outro artigo, mas vc. não respondeu. Afinal, a queda do Renan é boa ou ruim para o Lula e para o PT?
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 15:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Esta é a conta do fisiologismo tão atacado antes, mas tão estimulado hoje. Assim, não dá para vislumbrar qualquer inteligência que não seja aquela de ficar com a faca, o queijo, a mesa e a escolha dos famintos. Os fatos de hoje, a despeito de controvérsias, parecem apenas antecipar, inexoravelmente, uma paisagem de terra arrasada. Ou a continuidade de apenas mais um ato.
Sotho

quinta-feira, 21 de junho de 2007 16:01:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Renan é (ou era) o presidente do Senado quase ideal para o governo e o PT (desde que o PT está fora da disputa pelo controle do Senado). Se é pouco confiável e escorregadio em algumas votações, por outro lado representa uma neutralização de forças, tanto na área governista como na oposição. Ele não é presidenciável. Ele não tem controle hegemônico do PMDB, nem é cacique com força para controlar outros partidos, ou abrir uma dissidência significativa no PMDB em caso de ruptura com o governo. Por isso acho que na equação de 2010 não há interesse de Lula e do PT em enfraquecê-lo.
Faria mais sentido outros Senadores do PMDB (que são candidatos naturais a presidência do Senado) ou mesmo de outros partidos, que tenham interesse em substituí-lo por ambição política pessoal.
A sua queda pode ter começado por acaso, para fazer cortina de fumaça na semana em que as relações com empreiteiras entravam no olho do furacão, e ganhou essas proporções (por sinal muito conveniente para quem está envolvido na operação Navalha).
Heloísa Helena aproveitou o fato, para eliminar uma força política concorrente na sua Alagoas, e dar protagonismo ao PSOL. Collor também pode ter feito o mesmo, nos bastidores, porque a filiada da Globo em Alagoas é dele. As reportagens sobre as fazendas de Renan devem ter saído de lá.

Outra possibilidade é de grupos da oposição, também nos bastidores, estar adotando a estratégia de desgastar o governo pelas bordas, já que o ataque frontal em 2005 e 2006 foi um desastre eleitoral, e a popularidade atual do Presidente na ruas está alta. Por outro a popularidade do governo Lula no Congresso está gerando muitas insatisfações. Vejo no ar uma campanha sublimada de que ser governista não vale a pena, porque estão sendo "enrolados" pelo governado. O governo Lula demora a nomear. Dá poderes de menos e divididos aos nomeados. E não controla a Polícia, nem a Receita Federal, nem o INSS, para dar os "jeitinhos" quando algum aliado fica em apuros nestes órgãos.

Consolidado o desgaste de Renan, o poder não tem vácuo. Então todos os senadores e partidos se mexem para ocupar o espaço vazio. Daí, o afiar dos punhais pode ser ouvido de longe e por todos os lados.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 16:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu estava esperando uma opinião do Alon, que transita pelos meandros do poder brasiliense. Mas, como ele vai entrar de cabeça no fechamento da edição de amanhã do jornal, vou antecipar uma idéia.
A queda do Renan foi obra e graça do PT. Pq?: simples. O PMDB é um saco de gatos, não tem liderança consolidada. O Renan, com o Sarney, têm grande influência e venderam resultados interessantes para o governo federal. Só que o preço pedido estava ficando alto demais (cargos, ministérios, sinecuras) para pouco benefício, ou seja, venderam o que não podiam entregar. A queda do Renan serve de alerta ao PMDB, exige que o partido se mantenha unido para preservar a presidência do Senado e mostra que o governo cumpre sua parte como aliado (vejam as falas da sen. Ideli, por exemplo, ou do Tião Viana), devendo receber a contrapartida combinada.
Além disso, a oposição estava quieta. Para ela, o Renan era neutro, não ajudava, nem favorecia. Um escândalo pode vir a calhar (sem trocadilho), desde que não se espalhe e vire um tipo de metralhadora giratória. Poucos não têm telhado de vidro...
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 17:00:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 20:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Alon está certo. O PT se aliou ao PSDB no conselho de ética. Vejam a notícia da Agência Estado:

PSDB e PT se articulam para reorganizar Conselho de Ética

Após constatar que arquivar processo seria impossível, petistas procuraram tucanos

http://www.estadao.com.br/
ultimas/nacional/noticias/
2007/jun/21/354.htm

Esse PT não vale nada mesmo.

quinta-feira, 21 de junho de 2007 20:41:00 BRT  
Anonymous Boquiabertus disse...

Quê isso, anônimo. O PT vai esperar a sentença transitada em julgado, assim como fez com o Ibsen Pinheiro e com o Collor, ha ha ha ha.

sexta-feira, 22 de junho de 2007 09:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Penso que o ataque ao Senador Renan é uma ação tática da oposição. O objetivo estratégico é derrubar Lula.

sábado, 23 de junho de 2007 18:10:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home