terça-feira, 8 de maio de 2007

Um acordo que foi muito útil (08/05)

O novo possível contencioso com a Bolívia em torno do preço de venda dos ativos locais da Petrobrás àquele país só ressalta como foi adequado que o governo brasileiro tenha chegado anteriormente a um entendimento com os bolivianos sobre o fornecimento do gás natural deles para o Brasil. Não fosse pelo bom acordo do gás fechado por Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, hoje teríamos dois problemas superpostos em vez de um só. Eu espero que os arreganhos atuais de parte a parte -característicos de disputas comerciais- sejam seguidos de outro bom acordo bilateral, agora sobre as refinarias da Petrobrás. Entretanto, se o desfecho não for feliz isso se deverá principalmente ao erro inicial do Itamaraty: terceirizar para a Petrobrás a condução da política externa brasileira em relação à Bolívia. Tudo bem que o Brasil e o governo precisam muito da estatal para fazer andar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas isso não significa que a Petrobrás deva mandar no governo brasileiro. Como fica cada vez mais nítido, não há coincidência entre o objetivo da Petrobrás de maximizar os dividendos de seus acionistas e o objetivo brasileiro de influir positivamente na região junto a países que experimentam movimentos de emancipação nacional. Infelizmente, há uma possibilidade real de que ao final dessa confusão toda a influência brasileira sobre La Paz esteja bastante diminuída. Para júbilo dos que desejam nos empurrar o duvidoso papel de fantoches da política norte-americana de dividir a América do Sul em dois.

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13 Comentários:

Anonymous JV disse...

Ha, ha, ha, não poderia ser mais falacioso.

terça-feira, 8 de maio de 2007 22:58:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu concordo que a garantia do acordo do gás foi muito positiva. Mas não tenho certeza de que Itamaraty errou. Acho que o Brasil já fez os movimentos de concessões necessários. Era hora da Bolívia também mostrar alguma boa vontade, o que não está fazendo. Assim, não há negociação que resista. Acredito que a Bolívia está puxando a corda para ver até que limite ela consegue trazer para seu lado. Não quer arrebentar a corda, mas quer puxar o máximo.
No Blog dos Blogs, o Tales Faria nos informa que tem faltado diesel para tratores e caminhões na Bolívia, prejudicando a safra de soja e outras culturas, o que desgasta o governo Evo.
Também tenho dúvidas de que o Itamaraty tenha simplesmente terceirizado para a Petrobrás as negociações. Lula parece ter oferecido um canal direto de negociação entre presidentes que Evo Morales se recusa a usar, ou usou e ficou insatisfeito. As negociações diplomáticas via Itamaraty costumam ser feitas com discreção e na surdina. Só ser anunciada quando alcança entendimentos ou quando a discórdia é inevitável.
O governo brasileiro até está sendo elegante e oferecendo sustentação política interna a Evo Morales ao deixar as questões comerciais da Petrobrás Bolívia ser tratada empresarialmente e não parecer lobbie governamental imperialista.

terça-feira, 8 de maio de 2007 23:15:00 BRT  
Anonymous JV disse...

A única coisa que pode acontecer com esta tática é o Brasil anexar a Bolivia....cede, cede, cede, até que quando vai ver é tudo um país só. É este o projeto das esquerdas, Alon, um pan latinismo americano bolivariano? :)

terça-feira, 8 de maio de 2007 23:45:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon, acho muito estranho esse seu comentário.
Afinal a Petrobras tem conduzido as negociações como uma empresa de capital abeto, com ações negociadas em bolsa pelo mundo afora.
Em que momento ela teria assumido a polica externa do Brasil?
Ela esta cuidando dos seus interesses e dos seus acionistas!
Se besteira houve, foi o envolvimento da política externa brasileira num assunto da empresa Petrobras.
O fato da política externa brasileira ser uma lástima, só atrapalha os negócios da Petrobras, e por conseguinte do povo brasileiro, que no final das contas sera o mais prejudicado!

quarta-feira, 9 de maio de 2007 10:53:00 BRT  
Anonymous Wlade disse...

O que estamos vendo parece ser o caminho que deveria ter sido tomado desde o início dessa contenda. O problema inicialmente foi tratado sob a ótica ideológica, seja qual tenha sido a intenção do nosso governo e não como um problema comercial, onde existiam contratos firmados entre as partes. Contratos esses que, se lesivos à Bolivia, deveriam ter sidos questionados em foro apropriado, e nâo com atos unilaterais e agressivos.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 12:12:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

"Entretanto, se o desfecho não for feliz isso se deverá principalmente ao erro inicial do Itamaraty: terceirizar para a Petrobrás a condução da política externa brasileira em relação à Bolívia"

Não atribua ao Itamaraty a condução errática da crise (entenda o substantivo na sua acepção correta. Não penso que devemos invadir a Bolívia, certo?) O ônus é do governo Lula. Do jeito que você analisa, onde você vê sucesso é obra do grande estrategista Lula. Quando o caldo entorna a culpa é do Itamaraty.

Corrija sua análise. Apoiar o governo Lula é uma coisa. Acomodar os fatos à sua preferência política é outra bem diferente.

O fato, Alon, é que a Petrobrás e os governos brasileiros foram os que mais investiram e apoiaram a Bolívia. Muito antes do fanfarrão Chávez. Historicamente, e você sabe e bem, isso não começou com o advento da nova era do "nunca antes nestepaiz". Se o Evo quer esticar a corda, como comentou o José Augusto, o governo deve mostrar claramente que ela vai arrebentar na parte mais fraca. Se o Evo insistir, problema dele e dos bolivianos que votaram nele. Que assumam as consequências dos seus atos e escolhas. Chega dessa conversa mole de que eles são as crianças coitadinhas da América Latina e, por isso, podem tripudiar à vontade sobre o interesse nacional.

Ora, o Brasil (a Petrobrás é uma estatal, preciso lembrar?) vai lá e dá um puta upgrade no refino e na
distribuição; descobre os dois maiores campos de gás em operação na Bolívia; libera uma grana no BNDES. E em troca o camarada Evo faz o que vem fazendo. Qualé a do cara?

Aos fatos relativos à crise com o a Petrobrás e o Brasil é preciso trazer, para a análise política, o fato da instrumentalização da pendenga pelo "muy amigo" e camarada Evo, que faz suas firulas ideológicas para ficar bem na foto que endereça ao seu público interno. Para mim isso tem nome: populismo. E o Brasil entrar nesse jogo populista do Evo é algo que passa a léguas de distância do interesse nacional.

PS: a influência brasileira em La Paz sofre hoje forte concorrência da influência bolivariana. Não tenho dúvida que o Evo já fez sua escolha, fez sua opção preferencial pela ideologia. E isso é bom para o Brasil? Eu penso que não. Talvez seja ótimo para a esquerda brasileira. Mas disso nada sei. Faz muitos anos que rompi com ela. Não sei e não quero saber qual farol hoje lhes serve de guia genial.

PS': "Para júbilo dos que desejam nos empurrar o duvidoso papel de fantoches da política norte-americana de dividir a América do Sul em dois."

Francamente, Alon, acho que nessa você escorregou escandalosamente na palavra fácil do antiamericanismo. Quer dizer, então, que enfrentar o populismo bolivariano é ser fantoche dos interesses nacionais norte-americanos?

Caso respondamos positivamente à pergunta, como fica o que você escreveu no post "Que antiamericanismo? (09/03)"?

http://blogdoalon.blogspot.com/2007/03/que-antiamericanismo.html

abs.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 12:12:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Paulo,

Excelente post. Não entendi essa do Alon associar os que se opõem à capitulação "moraliana" a fantoches dos americanos.

A questão me parece bem simples. O governo brasileiro ajudou o estado boliviano, em algumas ocasiões nas últimas décadas (à exceção, talvez, de uma provável vantagem que um certo José Maria Paranhos Júnior conseguiu para o Brasil na crise acreana...).

A operação da Petrobras naquele país, por exemplo, fundamenta-se no seguinte:
1) Nós (Petrobras) vamos construir infra-estrutura, achar petróleo/gás, pagar impostos e criar empregos em seu país.
2) Em troca disso, vcs (Bolívia) se comprometem a me vender o gás natural a um preço "camarada".

Quem apóia o populista Morales costuma ignorar a assertiva 1) e fiar-se exclusivamente na 2) para tomar posição. Eu penso que esse tipo de leitura da situação, com ênfase exclusiva no baixo preço do gás natural, é míope.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 14:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lamento discordar completamente de seu comentário. O acordo do gás não foi "bom", e sim menos ruim do que poderia ser. O erro foi do Presidente Lula ao não ter uma reação digna de país independente ao ter as refinarias tomadas, e pelo contrário, ter aplaudido a Bolívia. E esta reação não precisaria ser a "invasão da Bolívia. Bem, em resumo, se o que a Bolívia queria era interromper de vez investimentos externos naquele país, parece que vai conseguir. Pelo visto eles tem vasta poupança interna, não precisam de investidores estrangeiros.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 17:26:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Alon, a que propósitos serve o Lula? A Grande latinidade? Então está traindo o Brasil. Como o chefe de estado de um país serve a outro?

quarta-feira, 9 de maio de 2007 23:13:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Só um "pitaco paralelo": o acionista majoritário da Petrobrás é a União. Logo, as decisões de sua direção, como em qualquer empresa, devem atender aos interesses do majoritário, sem que se firam os direitos LEGAIS dos minoritários.
Quem comprou ações da Petrobrás sabe disso e dispôs-se a ser sócio minoritário de um governo, nada podendo reclamar do fato, já que sua adesão foi voluntária e com pleno conhecimento de causa.
Caso um minoritário julgue que as decisões tomadas pela empresa, por orientação do majoritário, ferem interesses seus PROTEGIDOS POR LEI, restam-lhe 3 caminhos: desfazer-se das ações, derrubar a decisão do majoritário ou exercer os "jus esperneandi". Simples assim.
Interessante notar que os acionistas minoritários da empresa não parecem adotar nenhuma das 3 hipóteses acima, o que me leva a crer encontrarem-se satisfeitos com a gestão do negócio e com as taxas de retorno de investimento que auferem e que estão no campo da mera luta ideológica os ruídos que se criam em torno da questão boliviana.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 11:10:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Artur

Para deixarmos de ser 100% ideológicos, creio ser necessário reparar que a Petrobrás é patrimônio da população brasileira. Não é patrimônio do executivo e nem do sindicato dos petroleiros e nem deve estar a serviço de ideologias, por mais bacaninhas que elas sejam.

Nesse sentido, se houver indícios de gestão temerária deste patrimônio o ministério público pode e deve investigar e, se for o caso, oferecer denúncia.

abs.

PS: Interessante sua observação no post anterior sobre os generais russos treinados pelos nazistas. Eu desconhecia.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 12:55:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Que acordo, Alon!?!?!? Que eu saiba, Lula tirou a Petrobras da negociação e está empurrando com a barriga até que nossos próprios poços sejam produtivos... ou que arranjemos um fornecedor mais confiável. No mais, o aumento do gás era inevitável e foi veito segundo a agenda boliviana, não a nossa (se é que ela existe!!!!).

quinta-feira, 10 de maio de 2007 17:52:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Co-Araújo, assino embaixo: cabe ao Ministério Público Federal, sempre tão zeloso e ativo, abrir investigação no caso de dolo, inépcia, prevaricação ou qualquer outro ato ilegal do acionista majoritário da Petrobrás,o Executivo Federal, em defesa do patrimônio público. Fizeram-no? Vão fazer? Há base legal para tanto?
Como lembra o Alon em novo post, como agir em relação a uma holding holandesa que, note-se, é um "constructo" empresarial não implantado, ao que eu saiba, no presente governo?

sexta-feira, 11 de maio de 2007 12:03:00 BRT  

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