sábado, 12 de maio de 2007

Tartarugas, crianças e o direito à vida. Mas só quando convém (12/05)

Vamos começar pelo começo. Eu sou favorável à pesquisa e à terapêutica com células-tronco embrionárias. Já escrevi sobre isso. Sou também favorável ao direito de abortar nos casos em que o feto é anencefálico. Penso ainda que a eutanásia em certas circunstâncias é um ato humanitário. Mas eu não sou candidato a criar uma igreja para propagar essas minhas teses. Até porque me permito ter dúvidas filosóficas sobre as minhas próprias idéias. Eu não sou o dono da verdade, nem busco seguidores. Só quero viver em paz com a minha consciência e com Deus até o dia em que tiver que partir para outra. É por isso que eu procuro prestar sempre atenção em (e ter respeito a) quem tem uma visão religiosa diferente da minha. E é por isso que tenho aversão à maneira como o Papa Bento 16 vem sendo tratado pelas autoridades federais brasileiras (e por parte da nossa imprensa) nesta visita. Aversão, aliás, não é a palavra adequada para descrever o que acho desse "circo laico" com que o governo brasileiro e parte da nossa elite intelectual agnóstica pretenderam, aliás inutilmente, contrastar a visita de Bento 16. Mas vou aqui praticar a moderação verbal. É sempre uma virtude. A mim não incomoda quando o Papa fala de vida, morte ou transcendência. A mim incomoda quando a Igreja Católica brasileira opera como uma facção política, como um autonomeado poder moderador temporal. Façam uma busca no blog (no alto, à esquerda) por "CNBB". Este post é sobre o direito à vida. Sobre como o direito à vida é invocado seletivamente entre nós. Parece-me que quando uma sociedade discute o direito à vida como debate a taxa de juros ela (a sociedade) está às voltas com uma patologia. Estive meses atrás na Praia do Forte (BA), onde pude ver o extraordinário trabalho do projeto que cuida de preservar as tartarugas marinhas (Tamar), projeto do Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Há no projeto Tamar uma preocupação especial com a defesa e a proteção dos ovos que as tartarugas põem nas praias depois de cruzar o oceano. Tente encontrar alguém sério favorável a que se libere matar tartarugas marinhas ou comer os seus ovos. Não encontrará. Tente também achar alguém disposto a defender publicamente o amplo direito de cortar árvores, quando a necessidade econômica do corte puder ser comprovada. Duvido que você ache. Mas o mesmo "progressismo" que invoca o direito à vida para as tartarugas (e seus ovos) e as plantas propõe lançar o abortamento de embriões humanos na coluna das decisões submetidas apenas ao livre arbítrio da mulher que carrega o feto. Essa é a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Posição escondida por baixo do argumento da "saúde publica" (já dissecado no post anterior). Um parêntese para discutir o tal "direito de a mulher dispor de seu próprio corpo". Se estivéssemos falando de suicídio, faria sentido. O embrião não pertence ao corpo da mulher, ele está abrigado pelo corpo da mulher. Vejam que usei o "pelo" e não "no". Conversem com qualquer matemático. Ele lhes explicará cientificamente que o embrião não está "dentro" da mãe, pois não necessariamente precisa romper a superfície materna para vir à luz. Mas chega de divagar e de teses abstratas. Há algo de muito doente numa sociedade que recusa a suas crianças a mesma proteção feroz que dá às tartarugas, às árvores, aos micos-leões dourados e às ararinhas-azuis. É é por isso, por considerar que estamos doentes (leia o começo deste post, não me excluo do diagnóstico), que eu procuro ouvir com humildade o que nos diz Joseph Ratzinger. Não preciso necessariamente concordar com ele, mas acho que cortesia, atenção e respeito é o mínimo que devo a um Papa, a alguém que comanda uma instituição milenar unida na fé. Graças a Deus, ainda não cheguei ao estado de apoteose mental em que estão alguns dos que, a começar de Lula, pretendem dar lições de espiritualidade "laica" a Bento 16. Aliás, fiquei particularmente tocado ao assistir à atividade de hoje do pontífice com as pessoas que se tratam de dependência química numa fazenda perto de Guaratinguetá (na foto de Valter Campanato, da Agência Brasil, Bento 16 saúda o público durante visita à Fazenda Esperança, local de recuperação de dependentes químicos na cidade do Vale do Paraíba). O Papa foi muito feliz quando alertou os traficantes de drogas: mais dia, menos dia, cada um deles terá que prestar contas a Deus pelo mal que faz a seus irmãos. Enquanto o governo brasileiro flerta com a hipótese de legalizar o câncer da droga, o papa ameça os traficantes com o fogo do inferno. Nessa eu estou com Bento 16. Mas a Igreja de Pedro também é seletiva na defesa que faz do direito à vida, infelizmente. Ao defender a inimputabilidade de menores de dezoito anos que cometem crime de morte, os padres e bispos brasileiros atentam contra o direito à vida, das vítimas da violência desses jovens. Vê-se, portanto, que nem a Igreja Católica é infalível. Talvez por ela, graças a Deus, ser composta de seres humanos.

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37 Comentários:

Anonymous trovinho disse...

Alon, existem abortos existenciais que seguem os não abortos. Pessoas obrigadas a aturar-se em espaços claustrofóbicos produzindo danos psíquicos sem os benefícios da cultura, assistência social, os amigos fogem e a fome transforma o drama em tragédia. Neste contexto, os religiosos aparecem como mais uma categoria de oportunistas querendo sexo, dignidade e o que parentes não conseguiram roubar. Essa é a real. Se uma mãe puder evitar isso para o seu feto, acredito que muitas cidadãs o farão por amor. Se os direitos sociais da mãe do champinha fossem respeitados, ele teria vindo na hora certa e a Liana não seria abortada.

domingo, 13 de maio de 2007 05:02:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Estou com você 100%!
O iliminismo,racional,agnóstico, tecnológico, "mudérno"não consegue dar conta de mediar as querelas terrenas, não deveria se meter a deitar falação sobre coisas mais transcendentes.
A igreja tem seus dogmas, doutrinas, crenças, que são uma espécie de "regimento interno", que não deve ficar sendo atualizado a cada esgar modernoso da sociedade. Por outro lado, ninguém é obrigado a frquentar esse "clube", e portanto seguir o regimento!

domingo, 13 de maio de 2007 05:21:00 BRT  
Blogger olharlatino disse...

Alon, discordar não significa desrespeitar. Acho que você está levando muito a sério o termo "vossa santidade". Bento 16 é papa, não é santo.

domingo, 13 de maio de 2007 11:21:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Temos que entender uma coisa, que a morte é muito pior que quaisquer mazelas sociais, pois é irreversível, enquanto um criminosos pode, se quiser, mudar de vida. Se perdemos o conceito de bem e de mal (relativismo moral) , perdemos completamente o rumo.
Achar que matar criminosos e assassinos (o mal)é moralmente equivalente a matar fetos (inocentes) com fins de "evitar" que eles cometam crimes no futuro (um mal suposto) é um absurdo tanto pelos resultados questionaveis e incertos - perderíamos os limites morais de nossas ações, - quanto pelo assalto a nossas tradições humanistas.

domingo, 13 de maio de 2007 11:22:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, sua analogia com tartarugas é desastrosa como argumento. Basta ver pelo outro lado: a linha de produção de ovos e abatedouros, existente em muito maior escala do que qualquer projeto Tamar.
A preservação da diversidade biológica visa preservar espécies em extinção principalmente pela ação destruidora de ecossistemas pelo próprio homem; e o homo-sapiens é a única espécie que nem de longe sofre ameaça de extinção por qualquer outra espécie (a não ser por si mesma). Haja visto a explosão populacional no Planeta. Na verdade, o homo-sapiens, a pretexto de se auto-considerar à imagem e semelhança de Deus, é a espécie que mais trapaceia a natureza divina. Enquanto o homem caçava sem armas de destruição em massa e vivia do extrativismo, ele fazia parte de um ecossistema equilibrado, vivia e morria em harmonia "honesta" de condições de igualdade com outras espécies compartilhando o habitat natural. A partir do momento que sua inteligência levou à prática da agricultura e pecuária, para depois alcançar os meios de produção de massa industriais e a vida urbana, o homo-sapiens tornou-se um inimigo de todas as outras espécies, retirando delas espaço vital, levando-as à extinção. Mas essa é nossa natureza humana, e assim será. Cabe políticas de redução de danos e compensatórias como o Projeto Tamar.
Quanto ao aborto, com todo respeito a todos, e com todas as restrições e aconselhamento que qualquer um pode ter e dar, o único arbítrio que aceito, certo ou errado, é o da mãe e do pai, até o início da gravidez. Na minha opinião individual, até o 3o. mês, acredito ser uma margem muito segura para se ter certeza de que não existe capacidade de vida formada que pudesse ser matada ao abortar. Não vejo como um juiz possa ter arbítrio superior sobre o pátrio poder, nem para obrigar e nem para proibir um aborto. Os clérigos e seus seguidores tem todo o direito de condenar ao fogo do inferno quem tomar essa decisão segundo suas crenças, mas não podem querer colocar ninguém na cadeia por causa disso.
Não acho que discordar da opinião do Papa e da Igreja Católica seja descortesia nem desrespeito. Acho que o governo defender o Estado Laico é um dever que está cumprindo. E acho que protestos contra lobbies religiosos são legítimos.
Quem ultrapassa a linha das críticas são os não católicos que pedem ao Catolicismo adequar-se aos seus costumes sociais ou às leis do Estado brasileiro por um lado, e os Católicos que pedem que o Estado se molde ao Catolicismo, por outro lado.
Alon, continuo achando contraditório você questionar o direito à vida ser invocado seletivamente entre nós, quando você mesmo é seletivo ao defender códigos legais que não estende o benefício da dúvida àqueles que julgam o uso de células tronco embrionárias a morte de uma vida, da mesma forma que seu pensamento faz concessões à inserção nos códigos legais do benefício da dúvida (refiro-me a dúvida dos outros, pois você parece ter convicção) de que o aborto no início da gestação seria necessariamente essa mesma morte.

domingo, 13 de maio de 2007 13:17:00 BRT  
Blogger Antonio José disse...

Prezado Alon,
Como várias questões morais e éticas na modernidade, existe, na questão do aborto, uma permanente tensão entre direitos individuais e a regulação estatal destes direitos. Uma das tendências do Estado moderno, democrático e laico, é não procurar definir fronteiras muito rígidas para questões de díficil solução, dando mais liberdade ao indíviduo nesta decisão. Acho isto positivo, à medida que as posições doutrinárias raramente conseguem abarcar todos os aspectos envolvidos em cada caso específico e uma legislação também não conseguirá. Você cita algumas contradições dos defensores do aborto e também de seus adversários. Gostaria de explorar uma outra contradição: várias pessoas que são contra a legalização do aborto, são a favor do estabelecimento da pena de morte. Veja que neste caso estamos falando sobre uma vida, sobre a existência da qual não há absolutamente qualquer dúvida, mas o fato é que não é uma vida inocente, como a de um feto, portanto, seria descartável. Eu pessoalmente sou contra a pena de morte, mas minha razão para isso não se deve a um direito absoluto à vida. Um parênteses para exemplificar com um assunto que lhe é caro: não consigo imaginar que o tribunal de Nuremberg errou ao condenar à morte diversos nazistas. O problema principal da pena de morte, em minha opinião, é que ela é uma solução sem retorno, podendo eliminar culpados incuráveis, culpados curáveis, e inclusive aqueles que não são culpados. Definir a fronteira exata destas coisas não é simples e as sociedades avançam quando reconhecem estas dificuldades e procuram arrumar um espaço de convivência das diferentes doutrinas.
Por isso me parece razoável optar, na questão do aborto, como em tantas outras, por soluções que restrinjam a regulação do Estado e aumentem o direito do indivíduo decidir.
Atenciosamente,

Antonio Meirelles

domingo, 13 de maio de 2007 13:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Olhar Latino, o próprio Alon tratou, no fim do post, de não deificar nem a Igreja nemo Papa.

domingo, 13 de maio de 2007 14:03:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, estou entre aqueles que discordam de você como o olharlatino e o José Augusto acima. Vou mais longe, acho que foi uma indelicadeza da diplomacia do Vaticano propor um acordo ao Estado brasileiro em que este se obrigaria a respeitar valores católicos. Como se quisesse estabelecer uma colônia romana por aqui. Tampouco vejo qualquer incongruência na posição assumida pelo Presidente, ao contrário, mostra uma correta separação entre a pessoa e seu papel de chefe de um Estado democrático. Mas o curioso dessa visita me parece ser o fato de o Papa enxergar o futuro da Igreja Católica justamente na América Latina, onde o catolicismo, ao menos o brasileiro, não é assim tão católico como o Papa Bento XVI, tão cioso da pureza do dogma. O catolicismo na Europa pode estar minguando, mas por estes dias vi manifestações de católicos na Itália que protestavam contra uma lei que reconhece direitos de casais estáveis, sejam eles homo ou heterossexuais, não crio que se desse por aqui. Mas não se trata apenas do comportamento “popular”, teve algo de cômico, para mim, ver o mais famoso casal do jornalismo brasileiro na TV, como que encarnando o ideal de família, fazendo a cobertura do Papa, logo após uma novela que celebra uma promiscuidade sem culpas.

domingo, 13 de maio de 2007 18:00:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

O contra-exemplo das granjas de ovos foi "matador", Alon. Francamente não compreendo essa sua súbita necessidade de argumentação falaciosa para enfrentar debates tão simples:
a) se um feto for ser humano, segundo o conhecimento científico geralmente aceito à época, a partir do dia X de gestação - inclusive o primeiro - aborto é assassinato a partir dessa data; antes disso é extirpação de células vivas, sem interferência na vida ou interesse de terceiros. O Estado entra a partir do dia X e nunca antes. Isso vale para células-tronco embrionárias, aborto e o que o mais disser respeito ao tema;
b) os preceitos de qualquer religião só dizem respeito a seus praticantes, sempre quando não interfiram em direitos de terceiros e não firam a lei e só a estes cabe discutí-los;
c) os preceitos de Estado e da lei dizem respeito a todos os cidadãos, independente de sua crença religiosa ou ausência da mesma, e a nenhuma religião ou a seus fiéis é facultado defender seu descumprimento;
d) explicitar publicamente posições, sejam políticas, religiosas, futebolísticas ou estéticas, desde que em termos civilizados e sem ataques ad-hominem, não se confunde com cortesia ou falta de. Quem delas discordar que conteste - nos mesmos termos - ou que as ignore;

domingo, 13 de maio de 2007 20:21:00 BRT  
Anonymous SilasV disse...

Artur o Alon está sendo gentil ao não contra-argumentar. Não há qualquer ameaça à extinção das árvores, e mesmo assim cortar árvores é em larga medida proibido. Assim como é proibido matar animais sem razão comercial. Mas, quando se trata de seres humanos, o direito à vida deve ser submetido unicamente ao livre arbítrio? Veja que até para caçar animais selvagens há regras.

domingo, 13 de maio de 2007 20:50:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

José Augusto, Artur, eis a divergência filosófica fundamental: considerar ou não que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Caso sim, matar um ser humano é, definitivamente, mais grave do que matar uma tartaruga, ou uma galinha. Caso não (como suponho seja o caso das concepções de vocês, pelo que têm escrito), poderíamos -como faz o José Augusto- discutir o ato de matar seres humanos à luz, por exemplo, da ecologia. Não faz sentido matar tartarugas porque elas estão ameaçadas de extinção. Faz sentido matar galinhas porque elas não estão ameaçadas de extinção. Por esse critério, portanto, faz sentido relativizar o ato de matar humanos, pois eles não estão ameaçados de extinção. Vejam que o mandamento "não matarás" proíbe matar seres humanos, não galinhas. Ou tartarugas. Vou mudar minha formulação. Vai ficar assim: "há algo de muito doente numa sociedade que recusa a suas crianças a mesma proteção feroz que dá às tartarugas, às árvores, aos micos-leões dourados e às ararinhas-azuis -todos ameaçados de extinção". Meus caros, desse jeito vocês vão acabar dando razão ao Papa, quando ele diz que o materialismo leva a caminhos obscuros. Marx não merece isso de vocês.

domingo, 13 de maio de 2007 22:22:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Materialismo leva a caminhos obscuríssimos.

domingo, 13 de maio de 2007 23:28:00 BRT  
Blogger Cláudio de Souza disse...

Caro, sugiro a leitura de um capítulo do livro "Bilhões e Bilhões", do Carl Sagan, onde ele faz a melhor defesa racional e científica do aborto que já li. Se não me engano, aliás, no mesmo livro Sagan também traz um brilhante ataque (científico, outra vez) ao racismo. Mas eu queria deixar registrado aqui meu incômodo por ver meu blogueiro favorito e mais lúcido cerrando fileiras com os meus blogueiros mais detestados e lunáticos em defesa dessa coisa patética que é o papa Bento 16. Não sei se você nota o quanto ele está colaborando, por exemplo, para transformar a igreja católica em algo detestável para os jovens. Não admira que as igrejas evengélicas mais "modernas" estejam adorando seu papado. É garantia de sucesso. Enfim, não se pode ter tudo, né? Abs, Cláudio

segunda-feira, 14 de maio de 2007 01:11:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, assim você está deturpando nossa argumentação (minha e do Artur).
Primeiro porque mesmo ateus (eu não chego a tanto) podem ser obedientes ao mandamento "não matarás" (humanos) por valores da consciência extra-religiosos. Nós não defendemos nenhum direito de matar humanos. Nós divergimos de você quando consideramos que um feto até determinada semana de gestação (eu citei 3 meses) ainda não é uma vida, nem um bebê e muito menos uma criança, tanto quanto células fecundadas (tronco embrionárias). Para matar, primeiro teria que nascer (ou o feto já estar suficientemente formado para ter condições de sobrevivência mediante nascimento prematuro). Portanto entendemos que trata-se pura e simplesmente de interrupção da gravidez.
Eu acho fetichismo misturar aquilo que poderia vir a ser uma vida com uma vida de fato. Mas respeito que cada um tenha sua crença e a siga. Só discordo de querer universalizar a crença a todos na forma de lei, uma vez que há significativa divisão na sociedade quanto ao assunto. Logo, melhor delegar esta decisão à consciência de cada grupo social, e deixar a mulher (e seu companheiro, quando estiver envolvido) tomar sua decisão, em vez de delegar essa decisão ao Estado.
Meus argumentos ecológicos foram justamente para desconstruir sua comparação que achei desconexa de "matar crianças" e proteger tartarugas, que você insiste em reformular.
A mulher quanto interrompe a gravidez no início (insisto que não vejo nenhum ato de matar), o que está em consideração é sua maternidade, constituição da família. Na maioria das vezes ela quer apenas vir a ser mãe mais tarde em condições que ela considera mais adequada, portanto não é uma postura contra a vida, é uma proteção maior da família, um julgamento de seu instinto materno. E não há qualquer conceito ecológico neste ato.
Quando o ser humano protege espécies em extinção, está preocupado em salvar a biodiversidade do planeta, não com o bebê tartaruguinha, nem com a maternidade da mamãe tartaruga, como você quis fazer parecer. Tanto é que o homem não hesita em mandar para panela a tartaruga (e as galinhas, etc) em caso de necessidade alimentar. Se fôssemos seguir essa sua linha de argumentação também deveríamos extinguir todas as verbas do Meio Ambiente (IBAMA, etc) e direcioná-las à creches, maternidades, etc.
Por fim, não sei porque você atribuiu conceitos marxistas à nossa argumentação, que é a mesma também de muitos liberais. Meus conhecimentos políticos só conseguiram me levar ao trabalhismo até agora, mas você acaba "queimando o filme" dos marxistas, reavivando literalmente os velhos bichos-papões de que eram matadores de criancinhas.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 01:36:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Podemos acusar de fascista o ato de colocar algo acima da Humanidade. As futuras gerações têm direito a Meio Ambiente equilibrado e de deslumbramento com a Vida; portanto se uma política tecnocrática ameaça esses direitos ela é fascista inclusive na sua vertente ecofascista que não permite desenvolvimento embotando a consciência e demais modalidades das forças produtivas. Assusta que é cada vez mais atual o lema franquista: viva a morte, abaixo a inteligência.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 04:07:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Cláudio, José Augusto: Não se trata de cerrar fileiras, mas de raciocinar. Vejam que eu sou favorável a células-tronco, aborto em casos de anencefalia e eutanásia em situações extremas. Interrompe-se uma vida, por razôes humanitárias ou para ajudar no salvamento de outra vida. Simples. Mas eu assumo que defendo a interrupção da vida em certos casos. Não fico aqui rodeando para divulgar a "igreja da vida que só começa depois de três meses de gravidez". Nem embarco na falsificação filosófica e científica que é afirmar o direito de a mulher "dispor livremente" da vida do feto. Não me meto a tentar construir uma contra-religião para explicar por que é eu estou "mais certo" do que o Papa. Nem a filtrar no discurso dele o que mais me convém, para mostrar como, na verdade, eu é que "estou certo". Bento 16 veio ao Brasil e deu o seu recado. Cabia recebê-lo com cortesia e respeito, e refletir sobre as suas palavras. Eu ponderei aqui que a legalização pura e simples de todo tipo de aborto corresponde a liberar o direito de interromper uma vida. Pedi que a vida humana tivesse, ao menos, a proteção que recebem os animais ameaçados de extinção. Ao que me responderam que o homem não está ameaçado de extinção, e que ele próprio mata galinhas para se alimentar. Aí eu ponderei que tenho uma divergência filosófica definitiva com quem iguala matar galinhas a interromper vidas humanas. Só isso. De novo, neste blog não tem Fla-Flu.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 09:28:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Sislav, eu não defendi, em momento algum, a falta de regras, seja para árvores, para morsas ou para embriões. Só afirmei que tais regras, quando estatais, legais, submentendo TODOS os cidadãos e não somente os praticantes de tal ou qual religião, não podem ter pressupostos religiosos, mas científicos ou laico-morais, sob pena de cairmos em uma teocracia.
Matar formigas não é ilegal, mesmo que não seja para comercializá-las, não exige licença prévia, mas tão somente o livre arbítrio do formicida. O mesmo se aplica aos rododendros e aos coliformes.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 10:35:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon, há nova falácia em sua argumentação. O "não matarás" - que, além de preceito religioso, considero correto princípio de organização do Estado, quando aplicado às relações entre indíviduos e balizado em lei (defendo a pena de morte e a legítima defesa, p.ex.) - só se aplica a seres humanos.
Se partilho de uma definição que não admite como ser humano um feto até a idade X, não devo me submeter ao "não matarás" antes dessa efeméride, pois trata-se (repito-me) de mera extirpação de células vivas.
Se sua religião tem opinião diversa, que seus fiéis ajam, individual ou coletivamente, de acordo com sua crença, mas que não queiram utilizar-se do aparato coercivo do Estado para fazer-me agir assim, em desacordo com meu conhecimento.
Aceito que a lei defina, em uma democracia e por meios democráticos, qualquer data para o dia X e submeto-me enquanto vigir, o que não me tira o direito de defender que o dia X da lei esteja errado e lutar para que seja alterado
Seu argumento tem um apriorismo - o humano define-se na concepção - que vc, sem outro argumento além de sua autoridade pessoal, quer me fazer aceitar.
Mais: esse argumento subjacente - "cuidado, pensar A pode levar a B" - também é falacioso. Posso defender A sem defender B, a menos que vc tenha se transformado no paladino das ideologias fechadas e da exigência escolástica de "coerência", de forma bem pouco marxista.
abs,

segunda-feira, 14 de maio de 2007 10:48:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon, vc é que está promovendo um Fla-Flu.
Discordar do papa é "descortesia"? Não concordar com vc é "formar igrejinha da vida após 3 meses"? Não aceitar o primado de tal ou qual religião sobre o Estado laico é "praticar falsificação filosófica e científica" ou isso só aplica a defender o "direito da mulher 'dispor livremente' de seu corpo"?
Ninguém, em momento algum, como vc muito bem sabe, pq sabe ler, disse que a proteção à vida humana está ligada à presença ou ausência de qualquer risco ecológico. O argumento quelônio é de sua lavra, meu amigo, cabe a vc sustentá-lo ou não, com ou sem modificações.
Por que não ser mais simples e honesto na formulação: eu, Alon, digo que a vida humana começa na concepção, por razões religiosas, científicas ou de foro íntimo, e quero que a legislação de meu país diga o que acho e puna quem se comportar contrariamente a isso.
Eu e outros tentaremos convencer os eleitores, de forma racional e sem recorrer a "magister dixits", que sua opinião é errônea e que a nossa é melhor.
Os eleitores escolherão seus representantes - ou votarão em um plebiscito - e darão base á lei.
Aqueles de nós que, derrotados, ainda considerarem que a lei é que está errada, proporão a revisão da lei. Os vencedores ficarão contentes em não permitir isso.
O nome desse bicho, Alon, é democracia laica.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 11:05:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Concordo. Saliento que apesar do que se diz um tanto inconsequentemente não há base científica estabelecida para afirmar ou contradizer quando a vida inicia. Somente os crentes aceitam o absoluto. A ciência não lida com o absoluto. Trabalha apenas e humildemente com possibilidades, experimentação, tentativa e erro. Chamar a ciência como testemunha de defesa do aborto é pedir a ela que dê, nesta questão, um falso testemuho.

Para mim, o absoluto existe somente no plano do divino. Para muitos ele existe no plano da ideologia.

Creio que a vida é criação divina e que ela inicia no momento da concepção. Portanto, para mim, que sou crente, ser contrário ao aborto e à pena de morte é um imperativo moral, ou seja, uma questão pertinente à minha consciência de cristão católico. Se isso desagrada aos não crentes, paciência.

abs.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 12:05:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, em um tema polêmico é natural que haja divergências polêmicas. Eu não questiono suas convicções, nem tenho a pretensão de convecê-lo a mudá-las, mas não quero ser submetido à sua convicção pela força da lei, e o que questionei nestes seus posts foi a defesa que você faz de manter a criminalização, e uma analogia envolvendo tartarugas que considero descabida, mas é só minha opinião.
Da mesma forma que não peço que o 7. mandamento ("não cometerás adultério") seja revogado das religiões, e defendi sua retirada do código penal brasileiro. Mesmo me sentindo incompatível com o casamento aberto, é assunto fora da esfera criminal.
Não vejo rodeios na minha convicção de que não há interrupção da vida humana nenhuma no início da gestação, segundo minha crença, diferente da sua. Como ambos os pensamentos são representativos de segmentos sociais consideráveis, devem ser levado em conta nos códigos penais. Daí a defesa da descriminalização, e deixar esse julgamento para cada um e o termo de responsabilidade da decisão para a mulher grávida. E cada religião que cuide de seu rebanho, cada família, de seus membros, sem recorrer ao braço forte do Estado.
Você já escreveu que nós, brasileiros, temos dificuldades com as palavras (na defesa da menoridade penal) e eu concordei.
Pois bem, se o aborto fosse equiparado a matar, não deveria haver legislação própria no código penal, e sim ser tratado como homicídio qualificado (planejado, com a vítima indefesa), e expor a mãe e o médico a condenações de 12 a 30 anos de reclusão, por crime hediondo. Como agravante, ainda haveria ocultação de cadáver. Como se vê, há muito tempo o aborto já não é equiparado ao assassinato aos olhos do Estado.
Consultei a wikipédia sobre aborto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (que admito também não ser dona da verdade, mas tem seu valor pela abrangência mundial de atuação envolvendo diferentes nações e religiões), só existe tecnicamente um aborto quando o peso do embrião ou feto ultrapasse 500 gramas. Este
peso é atingido em torno de 20-22 semanas de gravidez. Antes disso é identificada medicamente e legalmente como interrupção voluntária da gravidez - IVG.
Neste caso até eu sou contra esse aborto nas palavas da OMC e, na verdade, a favor da descriminalização da IVG. Acho que o ministro Temporão deveria adotar a mesma terminologia da OMS, para colocar a discussão em seu devido lugar, evitando comparações indevidas da IVG ao infanticídio.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 12:55:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Li seu post quando já continha 17 comentários. Leitor pioneiro e assíduo, estou, orgulhosamente, cada vez mais, impressionado em concordar tanto com você. Democrático, nacional e de esquerda. Perfeito. E diria mais, consciente, maduro e sem infantilismos. Alon, imagino que muitos pensam como nós, embora não veja no nosso imenso espectro partidário uma linha de opinião que reflita de forma tão filosoficamente encadeada, sincera e transparente tais pensamentos. Se você um dia fundar um partido político ou alguma forma menos virtual de troca e proposição de idéias, conte comigo. E isso não é uma brincadeira, pois você está sendo muito corajoso, e porque não dizer inovador ao não embarcar alegremente nos pratos feitos e irrefletidos do nosso esquerdismo tupiniquim. Meus parabéns. Um abraço do Augusto

segunda-feira, 14 de maio de 2007 13:08:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Como tinha muita gente no outro post, comento este! Parece que o direito à vida do feto se sobrepõe ao direito da mãe. Com isto, se não me engano, a mãe passa a ser CULPADA, junto com o pai, por ter relações relações sexuais que resultaram na concepção, em princípio não desejada.
Recorrendo ao aborto, a mãe e o pai passam a ser culpados de assassinato.
Em resumo, mãe e pai podem ficar somente num ou com dois crimes nas costas. Só que o 1º crime só o é para os religiosos... não existem leis que regulem as relações sexuais entre humanos, exceto nas sociedades teológicas.
Assim, sobra apenas o aborto como CRIME previsto em lei... lei criada pelos homens. E passível de discussão e modificação... a menos que a Igreja assuma o poder e transforme nossa sociedade laica em um episcopado!!!!!!!!

segunda-feira, 14 de maio de 2007 13:26:00 BRT  
Anonymous Daniel disse...

"[...]o abortamento de embriões humanos na coluna das decisões submetidas apenas ao livre arbítrio da mulher que carrega o feto."

Caro Alon,

Isso é o que já acontece na prática, independente de ser lei ou não, e independente da opinião de todos os milhões contrários ao aborto (você e eu inclusive). Quando há uma gravidez inesperada, a carta do aborto SEMPRE é colocada à mesa, mesmo que para ser descartada em seguida.

Conheci muitas mulheres que recorreram ao aborto, pelas mais variadas razões, e conheci várias – inclusive um caso de anencefalia, com autorização judicial e tudo – que decidiram levar a gravidez até o fim e segurar as pontas depois. Sempre independentes da opinião de quem quer que seja, a não ser delas mesmas.

Das que recorreram à interrupção, uma parte significativa sofreu consequencias graves, físicas e psicológicas, com as quais lidam até hoje, e decorrentes justamente do fato do aborto ser ilegal – as condições do procedimento são precárias, não há acompanhamento prévio nem posterior para a mãe, etc. Esta é a parte do problema de saúde pública. Independente de ser legal ou não, milhares de mulheres recorrem ao aborto, e como as condições de procedimento, dada a ilegalidade, são precárias, parcela significativa delas vai ter problemas graves de saúde ou mesmo morrer.

Então, entendo perfeitamente a posição do presidente, porque é a minha, e porque é a única decente neste caso. A legalização , ao contrario do que se diz, serve para DIMINUIR os casos de aborto, ao informar melhor as mães e inibir as que gostariam que tudo fosse feito em segredo, como é feito hoje. Assim, a legalização não é a favor do aborto, na medida em que colabora para diminuir suas ocorrências.

Também cabe a pergunta: é o governo que está sendo indelicado ao discutir um assunto de saúde pública importante, ou é o Papa, que vem para condenar o assunto justamente quando o país começa a discutí-lo mais a fundo? Papas já visitaram países onde o aborto é legalizado sem que acusassem esses governos de serem "indelicados" por não revogarem a lei na presença do pontífice. Na verdade não há indelicadeza de nenhuma parte, há duas entidades estabelecendo seus critérios e defendendo seus pontos de vista em um tema muito sério.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 16:16:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Acabei de ler no Noblat:

"O governo não vai enviar nenhum projeto sobre o aborto. No tempo certo, os congressistas é que vão resolver o que devem ou não fazer nessa área - disse Lula, ao comentar a viagem do Papa ao Brasil"

Por que Lula mudou de idéia? Não havia dito que era questão de saúde? Pergunto aos que saíram em defesa do presidente, tentando mostrar a coerência presidencial, como explicar essa súbita mudança? O que aconteceu? Alguém pode me explicar?

Será, Alon, que o Lula anda lendo o seu blog? Se for, é fantástico. Pra você, que se consagra como jornalista influente, e para Lula que um dia disse que ler era como fazer esteira em academia de ginástica.

abs.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 19:33:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Richard, engravidar náo é crime, não sei como você consegue dizer esta barbaridade. Culpa onde se não há crime?
Concordo com o Paulo Araujo (1205), gostei muito de ler aquilo. Continuo achando que as pessoas que pretendem liberar o aborto ao ver garotos e garotas abandonadas pelas ruas são covardes, pois na verdade gostariam de eliminar estes garotos, mas como não podem, (porque eles se defendem), resolvem eliminar os que não podem se defender (fetos).
E vou dizer mais, sou médico cirurgião, não tenho medo de sangue, mas este negócio de usar fetos para pesquisar células tronco é a coisa mais tétrica que eu posso imaginar, comparável a usar tecidos humanos para fabricar sabão.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 20:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Paulo Araújo foi ao ponto. Se é um problema de saúde pública, cabe ao governo tomar uma decisão imediata. Ninguém imagina por exemplo que o governo ficaria impassivel diante de uma epidemia de febre amarela. Se o governo decide não mandar o projeto é porque não é um problema de saúde puública. Era a tecla em que o Alon vinha batendo. Se o Lula lê ou não lê eu não sei. Mas que a tese da "saúde pública" foi desmoralizada, é inegável.

segunda-feira, 14 de maio de 2007 23:41:00 BRT  
Anonymous natassja kinski disse...

ave maria... vocês ainda confundem aborto com a interrupção da gravidez até um número x de semanas?

a unica discussão que se caberia, em termos cientificos, é quanto vale x - até que ponto não há sofrimento ou dor para o feto

o resto - se há vida ou não - cada um que decida com sua religião, isso não é uma questão de estado

fala sério, essa discussão aqui está péssima, capitaneada por um texto que está muito moralista

segunda-feira, 14 de maio de 2007 23:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ah, mas discutir a condenação ridícula ao uso de preservativos você não discute, né????? Não, porque aí a opinião geral estaria correta e não daria para você ser "o cara que discorda"...

terça-feira, 15 de maio de 2007 07:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Como assim o cara que discorda? O Alon acabou de dizer que cncorda com aborto na anencefalia, com células tronco e com eutanásia. Isso é bem mais polêmicodo que usar camisinha!!!!!!!

terça-feira, 15 de maio de 2007 07:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Oi Alon,

Que bom ver que, mesmo nesta sociedade secularizada e convenientemente descarada, há pessoas que ainda são capazes de excelentes raciocínios lógicos e pró-vida. Bela e simples defesa da vida e contra o aborto. Parabéns.

terça-feira, 15 de maio de 2007 09:25:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Ao que me consta a espécie humana não está (ainda) ameaçada de extinção. Ao contrário, ela é a responsável pela extinção das demais e até por alguns de seus espécimes, numa seleção tipicamente darwiniana, aquela em que vence o mais forte.

A condenação do aborto pela igreja católica não pode ser desvinculada da defesa da castidade e da virgindade. Pois essa é a única maneira absolutamente segura de evitá-lo. Algumas outras drogas - não as alucinógenas - também servem pra isso, mas há riscos e efeitos colaterais, sem contar os enganos de utilização.

Pois é meus caros. Se formos verdadeiramente fiéis aos preceitos do cardeal de Roma, só nos resta praticar a castidade.

Alguém ai se habilita?

Sexo, só na hora de reproduzir, e nada de se arrepender depois. Se houver arrependimento ou medo de não conseguir levar a empreitada até o fim, como manda o figurino, nessa nossa sociedade darwiniana, não haverá orfanato - ou Estado - capaz de proteger nossos ex-embriões. Em meros quinze anos o novo útero deles poderá ser o calabouço.

Ouvi dizer que na China um empresário pagou multa de 70 mil dólares por ter um segundo filho. O que será que acontece com quem não pode pagar? Acho que em breve o Papa deverá pregar na China. Há mais fertilidade por lá.

terça-feira, 15 de maio de 2007 13:14:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Jura, na China, quem não pode pagar pelo 2° filho, ou mata ele (pode ser por aborto) ou deixa p/ adoção...
JV, quem falou a "barbaridade" foi a própria Igreja, quando condenou o namoro entre os jovens. E é exatamente este o ponto principal da questão: se não tem sexo antes, não tem aborto. E o que se faz quando a mulher fica grávida!? Manda ela p/ cadeia!?!?! Mas fiquei muito feliz de ver a ÚNICA mulher a se manifestar, e bem, nesta discussão dominada por homens... inclusive eu. FUI!!!!!

terça-feira, 15 de maio de 2007 17:58:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Se o sofrimento do feto é parâmetro para se fazer ou não o aborto, então se poderia matar adultos desde que sob anestesia geral.

terça-feira, 15 de maio de 2007 18:44:00 BRT  
Blogger Roberto Pinho disse...

Falso Dilema:

A questão do aborto não é um dilema entre matar ou não matar fetos, mas um dilema entre matar fetos ou matar mães.

Entre um feto, ainda sem sistema nervoso central e uma mulher formada, acho mais válido sacrificar o feto que arriscar a vida desta mulher, mesmo que eu não concordasse com a sua prática.

quarta-feira, 16 de maio de 2007 08:45:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Obrigado, Richard. Este blog é mesmo um clube do Bolinha!

Essa discussão tá muito chata porque nenhum homem nunca tomou nenhuma decisão sobre natalidade ou aborto. Eles podem opinar, sugerir, protestar, ameaçar, aceitar, adorar, culpar, gritar, acompanhar, entender, respeitar ou odiar.

Mas quem decide é sempre a mulher. Resignem-se.

quarta-feira, 16 de maio de 2007 18:28:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Roberto, esta discussão que você propõe é impertinente, pois o aborto já é permitido quando a gravidez coloca em risco a saúde da mão, atestado por médicos, é lógico.

quarta-feira, 16 de maio de 2007 22:58:00 BRT  

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