sexta-feira, 4 de maio de 2007

Por que da Índia? - ATUALIZADO (04/05)

Mais um post sobre o ministro José Gomes Temporão. Hoje, segundo o Globo Online:

(...) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de licenciamento compulsório do medicamento anti-Aids Efavirenz. O governo brasileiro poderá substituir a droga fabricada pela Merck Sharp & Dohme por genéricos produzidos na Índia, pagando cerca de um quarto do preço praticado pelo laboratório americano. O medicamento comprado da Índia deverá ser distribuído a partir de setembro. Licenciamento compulsório é a quebra de patente com pagamento de royalties. A medida estaria portanto, dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o governo. O Ministério da Saúde rejeita a expressão quebra de patente, preferindo chamar a ação de licenciamento compulsório, uma vez que continuará pagando royalties ao laboratório.

Clique para ler a reportagem completa. Eu acho boa qualquer medida para reduzir o custo dos medicamentos que o governo distribui gratuitamente contra a Aids. A economia vai ser só de algumas dezenas de milhões de reais, mas talvez o gesto brasileiro convença outros laboratórios (e mesmo o Merck) a dar descontos maiores em futuras negociações. A lamentar, apenas o fato de que o substituto genérico será importado da Índia. Mais um sinal da nossa preocupante dependência tecnológica em relação ao exterior. Aliás, ministro Temporão, o que o governo está fazendo mesmo para produzir aqui os genéricos que eventualmente possam substituir medicamentos pelos quais os laboratórios estejam cobrando preços excessivamente altos?

ATUALIZAÇÃO (05/05, às 12h27): Leia também Laboratório de Pernambuco produzirá efavirenz, usado no tratamento da Aids, da Agência Brasil.

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9 Comentários:

Anonymous José Augusto disse...

Alon, o Governo já produz drogas anti-retrovirais para Aids no Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos, Unidade da Fiocruz).
Provavelmente ainda importa porque não produz todos, e talvez não consiga produzir sempre toda a quantidade necessária.
No primeiro governo Lula, me lembro da inauguração de uma nova unidade em Jacarepaguá no RJ, que possibilitou uma ampliação de 5x a produção de medicamentos.
Mesmo assim, sua crítica é pertinente. Mostra que ainda não somos auto-suficientes e carecemos de maiores investimentos na saúde.
As informações sobre produção estão no sítio da Fundação Osvaldo Cruz ( http://www.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=24&sid=17 )

sexta-feira, 4 de maio de 2007 20:19:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Quem é que vai investir os bilhoes para desenvolver as drogas da nova geração aqui no Brasil? O governo? Não parece, pois está comprando da India. Laboratorios ou cientistas brasileiros? Só louco se mete a gastar em pesquisa se pode ser tungado em seguida. Por isso, Alon fez as perguntas certas?

sexta-feira, 4 de maio de 2007 20:52:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Depois de comentar anteriormente, li uma nota no blog do Nassif que responde no alvo sua pergunta sobre o que o governo está fazendo sobre isso:
"Com 28 anos de trabalho na Farmanguinhos, o Ministro da Saúde José Gomes Temporão pertence à geração de Sérgio Arouca e outros sanitaristas que ajudaram a dar forma ao SUS (Sistema Único de Saúde). Uma de suas propostas mais ousadas será iniciar um programa pesado de investimento em pesquisa, com duas pernas: o BNDES financiando e o Ministério adquirindo. Já existe bastante afinidade entre ele e Luciano Coutinho."

sábado, 5 de maio de 2007 13:44:00 BRT  
Blogger Vera disse...

A entrevista do min. Temporão ao Paulo Henrique Amorim explica bem por que o país está atrasado relativamente à Índia e como pretende recuperar o tempo perdido.

sábado, 5 de maio de 2007 13:49:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Obrigado, Vera. A entrevista está em

http://conversa-afiada.ig.com.br/
materias/430001-430500/
430308/430308_1.html

sábado, 5 de maio de 2007 13:59:00 BRT  
Anonymous Daniel disse...

Na Carta Capital da semana passada o ministro falou duas coisas que não estão na entrevista ao Paulo Henrique Amorim:
- A Merck continuará recebendo uma porcentagem (tipo 1%) a título de royalties.
- A Fiocruz tem um projeto de começar a produção do medicamento em um ano, e satisfazer a demanda em dois. Até lá, a demanda será atendida com o produto indiano.

sábado, 5 de maio de 2007 21:37:00 BRT  
Anonymous jv disse...

Ja que você me censura, vou colocar um texto de um profissional:
“Para economizar US$ 30 milhões, o Brasil põe em risco US$ 30 bi”
Por Sérgio Dávila, na Folha deste domingo:
A decisão de quebrar a patente de um remédio anti-Aids da empresa norte-americana Merck Sharp & Dohme iguala o governo brasileiro à junta militar que comanda a Tailândia desde 2006. O país do sudeste asiático foi o último a tomar ação semelhante, em novembro e em janeiro últimos.
A avaliação é de Mark Smith, diretor-gerente para assuntos do hemisfério ocidental da Câmara Comercial dos EUA, que tem na farmacêutica de Nova Jersey uma das afiliadas.
Além disso, segundo ele, a decisão do governo Lula pode ter um custo financeiro alto ao país. "Para economizar potencialmente US$ 30 milhões com a quebra de uma patente, o Brasil pode estar colocando em jogo US$ 3,5 bilhões", diz Smith.

domingo, 6 de maio de 2007 16:02:00 BRT  
Anonymous JV disse...

milagre, não censurou...

domingo, 6 de maio de 2007 20:40:00 BRT  
Anonymous z.e.h disse...

O fato de comprarmos genericos da India não tem necessariamente a ver com a diplomacia Sul-Sul. A Índia, não sei direito porquê, mas de fato é uma referência importante como produtora e exportadora de genéricos.

segunda-feira, 7 de maio de 2007 14:05:00 BRT  

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