terça-feira, 8 de maio de 2007

Os sócios na banalização do Holocausto e uma modesta homenagem (08/05)

O fim da Segunda Guerra Mundial na Europa faz 62 anos. Ela terminou nos dias 8 e 9 de maio de 1945. O Ocidente comemora a vitória sobre o nazi-fascismo no dia 8, quando os chefes alemães que sobreviveram ao suicídio de Adolf Hitler assinaram a rendição. Os russos (antes de 1991, os soviéticos) festejam um dia depois, quando a rendição se tornou efetiva. Não me parece uma divergência tão grave assim. Graves e perigosos, na minha opinião, têm sido os movimentos para "rever" o papel de cada um dos vitoriosos naquele grande conflito. A reinterpretação da História da Segunda Guerra Mundial em tempos recentes tem um propósito claro: com objetivos anticomunistas, apagar da memória coletiva da humanidade a grande aliança firmada na primeira metade da década de 1940 entre o Ocidente democrático, a União Soviética e a China (onde nacionalistas e comunistas lutaram contra o Japão, aliado de Hitler). O Brasil teve a honra de participar da aliança, ainda que o fato, infelizmente, não receba de nossos líderes a atenção merecida. Quando os revisionistas tentam juntar no mesmo balaio Adolph Hitler, Joseph Stálin e Mao Tsé-tung o objetivo é um só: nivelar o comunismo ao nazismo. Por tudo que escrevi neste blog você já sabe que considero tal tentativa de nivelamento uma monstruosidade histórica. Poderia discorrer aqui sobre as várias razões da minha posição, mas vou me concentrar numa só. Quando os revisionistas se esforçam para igualar Hitler a Stálin e Mao costumam usar como "argumento" uma suposta contabilidade de mortes. Por essa numerologia de ocasião, as guerras e lutas políticas para a construção dos socialismos soviético e chinês teriam um passivo de vítimas cuja ordem de grandeza seria comparável ao número de vítimas do nazismo. Do ponto de vista quantitativo, o debate tem tudo para ser interminável. Mas a flacidez intelectual dos revisionistas fica evidente quando deixam de usar esse critério numérico para julgar outros personagens e fatos históricos. Por que, por exemplo, não aproveitam a visita do Papa Bento 16 ao Brasil e cobram da Igreja a contabilidade (atualizada) das vítimas das Cruzadas? Proporcionalmente à população da época, a expansão armada do cristianismo (a pretexto de retomar Jerusalém do Islã) exibe uma estatística de mortes bem razoável. Como materialização do Mal, o nazismo foi um fenômeno único na História, por causa do Holocausto. Igualar o nazismo a qualquer outro evento histórico (como por exemplo as próprias Cruzadas ou o paradigma de genocídio que foi a conquista da América pelo catolicismo espanhol) implica relativizar o caráter único do Holocausto. O Holocausto é único porque não há outro registro de que um povo tenha adotado e executado, como política de Estado, a eliminação maciça, organizada e sistemática de grupos étnicos (judeus, ciganos) ou caracterizados por sua orientação sexual (homossexuais). E sem que essa "limpeza" se explicasse ou se "justificasse" por qualquer objetivo político ou territorial. Mas admito que o caráter único do Holocausto não é mesmo consensual nos dias que correm. Discorda, por exemplo, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Divergem também dessa singularidade os que igualam a União Soviética e a China Popular à Alemanha nazista. Que ambos os revisionismos, do Ocidente e do Oriente, façam boa companhia um ao outro nesse seleto clube. Do qual quero distância. Da minha parte, gostaria de aproveitar a data para prestar minha modesta homenagem a Joseph Stálin, Franklin Roosevelt e Winston Churchill. Meus agradecimentos a esses três gigantes do século 20. Por terem impedido, à frente de seus e de outros povos, que o Mal na sua expressão suprema dominasse todo o planeta (na foto histórica, a bandeira vermelha com a foice e o martelo é fincada no Reichstag em Berlim em 30 de abril de 1945).

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29 Comentários:

Anonymous JV disse...

você é incorrigível, Alon, justificar Stalin com base nas cruzadas? Nunca vi tamanho absurdo.

terça-feira, 8 de maio de 2007 21:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Belo post. Pena que seriam necessários pelo menos mais uns dez (uma verdadeira campanha, como a que vc mesmo leva pela diminuição da maioridade penal) para balançar o consenso que se construiu em torno dos mortos do Stálin. Inclusive, incluem-se aí os 20 milhões que morreram na Guerra, como vítimas do Stalin, quando são vítimas do Hitler! É bem verdade que o moço gostava de resolver o problema dos desvios ideológicos de maneira radical, matou uns 800 mil comunistas nos expurgos, e isso é o que, na minha opinião, é verdadeiramente imperdoável nele. Os mortos da Guerra, da Grande Fome, da deskulakização, esses jé entram em uma outra contabilidade. Mas matar correligionáiros em massa, nem o... o..., bem, vou omitir o nome, para não ficar muito incoerente este comentário, mas nem ele, nem ele fez.
De qualquer maneira, essa identificação tem ficado cada vez mais frequente, e é verdadeiramente irritante para quem quer conhecer a História.
S.

terça-feira, 8 de maio de 2007 22:43:00 BRT  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

Alon, o nazismo pode ter sido único, mas o Holocausto não deveria ser grafado com maiúsculas,porque houve outros. Um deles, o do povo armênio em 1915 pelo governo turco. A Anti Defamation League de Nova Iorque se posicionou claramente a favor de considerar o caso armênio como um holocausto. Fui informado por eles,que Hitler afirmou que não haveria problema com os judeus porque ninguêm se importou com os armênios.
Triste é que Israel não quer tocar no assunto, afinal é a realpolitik.

terça-feira, 8 de maio de 2007 22:44:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Excelente post, Alon. A Stalin o que é de Stalin, e a Hitler o que é de Hitler. Essa estória de anti-comunistas quererem falsificar a história também me cansa.
Se querem criticar Stalin, que o critique por seus próprios defeitos. Fazer paralelo com Hitler, um arqui-inimigo, revela falta de argumentos ao mostrar que o diabo (Stalin) não é tão feio quanto parece, a ponto de precisar tomar emprestado a figura de Hitler para demonizá-lo.
Além dos exemplos citados por você, a democracia ocidental também tem suas mazelas. Na história dos EUA, também houve genocídio da população indígena. A Inglaterra também não tem um histórico muito abonador em suas ex-colônias africanas e asiáticas. Idem a França, na Argélia e Indochina.

terça-feira, 8 de maio de 2007 23:36:00 BRT  
Anonymous Rikene Fontenele disse...

É inegável a contribuição soviética à derrota nazista. Mas não dá pra jogar no mesmo saco Joseph Stálin e os democratas Franklin Roosevelt e Winston Churchill. Isso seria nivelá-los por baixo.

terça-feira, 8 de maio de 2007 23:46:00 BRT  
Anonymous Moacyr disse...

Parabéns Alon. A participação heróica do povo soviético - vinte milhões de mortos, jamais poderá ser minimizada pelos democratas do mundo inteiro. Sem a abertura da frente oriental a vitória contra o nazi-fascismo teria sido impossível. Vitória comandada pelo gigante do século XX - Stálin.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 08:42:00 BRT  
Anonymous Luiz disse...

Stálin tinha um caminhão de defeitos e seus crimes abrangem um largo espectro.
Porém, compará-lo com o do bigodinho é forçar a barra.
Só para realçar a diferença entre um e outro: quando ocorreu a invasão alemã, Stálin não teve nenhum problema em retirar das prisões e campos de detenção a quase totalidade dos oficiais do exército que estavam detidos. Conviveu com eles durante toda a guerra e após, sem maiores problemas.
Será que o do bigodinho faria algo parecido ?

quarta-feira, 9 de maio de 2007 08:54:00 BRT  
Anonymous Luiz lozer disse...

Queridos

Esse sim é um assunto interminável, sou um admirador entusiasmado da resistência soviética ao invasor nazista. Eles foram os primeiros a barrar a blitzkrieg, em smolensk, isso com poucas semanas de combates. Todos lembram stalingrado, falam bobagens sobre um tal “general inverno”, mas se esquecem que a maior batalha que a humanidade já testemunhou foi KURSK na PRIMAVERA.

Recomendo a quem quizer sair do discurso imbecil, ler Rússia na guerra de Alexander Werth, correspondente dos London Sunday Times e BBC, testemunha dos fatos e livre da política estúpida de mudar eventos históricos ao sabor da ideologia.

Stalin merece um lugar mais digno na história, esse papo furado de monstro que matou milhões, só engana os que levam a sério a Miriam Leitão . Stalin foi implacável sim, a época pedia isso. Certamente não era o homem certo para o pós guerra, a URRS pedia mais distensão, mais democracia, ele deu uma dose exagerada do remédio, e isso matou o paciente.

Olhando esses eventos hoje, fica fácil fazer analises, mas no calor da II guerra ou na aurora da guerra fria, quero ver quem se sairia melhor.

Gigante equivalente ou maior que Roosevelt quanto a Churchill, bem esse não me engana.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 09:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns! O revisionismo é infame e desonroso aos mortos. A URSS liderada por Stálin enfrentou a máquina de guerra nazista com heroísmo. Assim como os ingleses com Churchil e os americanos com Roosevelt. Sem falar nos outros povos da Europa, América, África, Oceania e Ásia que amargaram os terríveis anos da guerra. Em memória daqueles que sofreram nas batalhas e nos campos de concentração e da população civil que sofreu todas as perdas,
devemos a nossa gratidão.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 10:00:00 BRT  
Anonymous F.Arranhaponte disse...

Quer dizer, não pode nivelar o Stálin com o Hitler, mas pode nivelar o Stálin com o Churchill.
Edificante...

quarta-feira, 9 de maio de 2007 12:32:00 BRT  
Anonymous Gustavo Magalhães disse...

Sr. Alon,

muito oportuna sua nota. Infelizmente poucos percebem a importância da aliança dos aliados na IIGM. Faço minhas suas palavras quando presta uma homenagem aos três líderes políticos que solaparam o nazismo.

Obrigado pela nota.

[]´s

Gustavo Magalhães

quarta-feira, 9 de maio de 2007 12:37:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Não são poucos os historiadores e biógrafos que se dedicaram ao estudo dos grandes ditadores do século XX. Os melhores não entram nesse campeonato de números e não nivelam o totalitarismo comunista com o totalitarismo nazista. Sabem distinguir as suas especificidades históricas.

Do ponto de vista do historiador, o que é importante é mostrar que as ideologias (fascismo, nazismo e comunismo) anti-liberais do século XX fracassaram na sua promessa de tornar o Estado o grande promtor da felicidade geral. Em termos de bem estar e melhorias socias não conseguiram superar as sociedades capitalistas. Há miséria e iniquidade nas sociedades capitalistas, mas historicamente as tentativas anti-liberais foram muito mais férteis ao produzir mais miséria, mais iniquidade.

O que as ideologias totalitárias têm em comum, além da crítica anti-liberal, é que na tentativa da construção histórica das suas alternativas não titubearam ao assassinar, torturar e encarcerar milhões de vidas em nome das suas respectivas "RAISONS D´ÉTAT".

Ao contrário do que tentaram os ideólogos e militantes dos totalitarismos do século XX, o que se vê neste século é a sobrevivência do Estado de Direito, da democracia representativa, da livre iniciativa, do livre mercado, isto é, tudo aquilo que essas ideologias combateram e quiseram destruir em nome da construção de um mundo novo.

Emfim, Alon, graças a Deus e aos homens que lutaram no século XX contra aqueles "outros mundos possíveis", no século XXI florece, como cultura universal, a democracia e o Estado de Direito.

abs.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 13:04:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Paulo Araújo,
Em sua boa análise, ficou faltando a visão de que enquanto as democracias ocidentais tiveram o contraponto das ditaduras do proletariado comunistas, elas ofereceram a seus povos um Estado de bem estar social. O próprio Plano Marshall teve como um dos fatores, evitar que países como a Itália e França caíssem no comunismo. A partir da crise dos estados comunistas, há no ocidente a democracria institucional, mas existe uma espécie de ditadura econômica, que impõem a todos o estilos de vida que representa os valores das grandes corporações, dos lobbies mais fortes e poderosos, em detrimento do estado de bem estar social, que representaria os anseios da maioria da população.
Analise um pouco o fenômeno Rússia, por ser um interessante estudo de caso, que tem semelhanças com o Brasil, só que muito mais radical. Yeltsin protagonizou o auge do liberalismo na Rússia e sua maior decadência econômica, militar, internacional e viu a ascensão de máfias proliferarem pela ausência do Estado. Putin (um autêntico egresso da velha ordem, ex-diregente da KGB) foi eleito sucessor, promoveu uma "fechadura" (o contrário de abertura) do regime, não só econômica com reestatizações, mas também institucional com a centralização do poder, instituição de censuras, etc. Depois de fazer todo esse retrocesso político, foi reeleito com ampla maioria dos votos pelo povo russo. A Rússia tem um clima de matar. Crises econômicas trazem sérios riscos de vida. Na era Yeltsin, a expectativa de vida do russo caiu abruptamente, as estatísticas comprovam. Programas de vacinação chegaram a ser comprometidos.
Entre a realidade do direito de sobrevivência (que não pode esperar) ou do maior direito de manifestação (que pode esperar), os russos não titubearam. Também não titubearam em escolher entre a ordem vigiada do Estado ou a liberalidade de ação das máfias. E acho que nem você titubearia, se exposto a esta escolha radical.
Democracia e liberdade são valores inerentes ao ser humano, mas democracia, para existir de fato, deve ser extensiva às condições econômicas de vida, com melhor distribuição de renda e acesso às riquezas.
No Brasil a democracia é comprometida não só pela falta de ingerência que o povo tem nas escolhas de prioridades econômicas e políticas públicas, na falta de representatividade, sobretudo do legislativo, como também no arbítrio da aplicação das leis. Na democracia a lei deve ser igual para todos. Aqui não é. As leis são interpretadas, as redes de relacionamento junto ao poder funcionam para privilegiar e burlar, economicamente e juridicamente, a igualdade de condições, oportunidades e deveres pregada pela democracia.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 16:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E, acrescentando algo ao comentário do luiz lozer, falta dizer que os aliados americanos ficaram só de longe olhando até 1944, depois entrando na hora de carregar a taça, depois do desembarque baba na Normandia, quando os alemães já estavam com a língue de fora. Anos após a batalha de stalingrado (1942, se não me engano) e outras campnhas onde sobressaiu o heroísmo do povo soviético. Muito melhor que o Rosevelt, sem dúvida. Quanto ao Churcill não tenho opinião formada, sei pouco dele e preciso de esclarecimentos.
S.


PS. A coisa teria sido melhor se o bigodudo não tivesse matado toda a cúpula das forças armadas soviéticas. Bom para o Gen Zhukov (se não me engano promovido às pressas), que ficou ali meio de bobeira e virou herói quase por acaso.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 21:34:00 BRT  
Anonymous JV disse...

em compensação se ferravam no Pacifico, onde a URSS já tinha desistido há tempos.

quarta-feira, 9 de maio de 2007 23:14:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

José Augusto

Concordo com o que você expõe no seu comentário.
Saliento, no entanto, que a principal vantagem que observo nas sociedades liberais de economia capitalista é que a sua eficiência na gestão econômica e política (por exemplo, o estado de bem estar social que você cita) reside na capacidade dessas sociedades adaptarem-se (estão abertas)ao novo. Suas estruturas institucionais permitem que o processo decisório se efetive pelo método nenhum pouco dogmático da tentativa e erro. E são essas estruturas que permitem a experimentação e, conseqüentemente, o abandono do erro. Nessas sociedades o progresso social, econômico e tecnológico nunca está garantido. Ao contrário, o que nelas é onipresente é a incerteza. Disso decorrem as noções de responsabilidade, escolha, risco que são sempre individuais. Viver em sociedades abertas à incerteza não é fácil. Para muitos, o melhor sempre é imaginar ou desejar que o tempo pare e que essa intensa movimentação e incerteza cessem. hehe

Como antítese dessas sociedades, o século XX viu surgir as alternativas totalitárias às quais me referi no comentário anterior. Nelas, o Partido e o Estado (as estruturas institucionais por excelência desses regimes) eram tidos e havidos como infalíveis. Claude Lefort tem escritos muito bons sobre o tema.

abs.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 00:46:00 BRT  
Anonymous Vinícius Tavares disse...

Caro Alon, concordo qto ao absurdo do nivelamento entre os regimes nazista e soviético, no entanto, gostaria de lembrar-lhe que Stalin e Hitler assinaram um pacto de não-agressão, em 1939, que, ao garantir aos nazistas a necessária certeza de que a URSS não se oporia a nenhuma ação militar contra a Polônia, permitiu a invasão daquele país pela Alemanha e o seu destroçamento por aquelas duas repúblicas totalitárias, dando início à Segunda Guerra Mundial. Portanto, antes de declarar a sua homenagem ao ditador soviético, tenha em mente que ele é, sim, um dos responsáveis pela deflagração da maior tragédia já testemunhada pela humanidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 01:00:00 BRT  
Anonymous Artur Araujo disse...

Uma breve correção do Anônimo de 09/05 às 20:34 h: é discutível, inclusive, se a eliminação do velho comando do Exército Vermelho foi tão deletéria assim. Vários historiadores e analistas militares não-soviéticos registram que os novos generais que assumiram, Zhukov incluso, tinham visão muito mais moderna, principalmente sobre táticas com blindados e do uso coordenado de tropas terrestres e força aérea, até por que haviam passado por treinamentos conduzidos pela Wermacht, no período do Pacto Ribbentrop-Molotov e estudado a concepção de blitzkrieg. Os "velhos" marechais ainda mantinham uma concepção "polonesa" da guerra, com uso intensivo de cavalaria.
Ao Alon, meus parabéns por trazer o debate sobre a participação da URSS na 2a. Guerra - e, por via de conseqüência, sobre Stalin e seu papel histórico - ao único campo que faz sentido, o da avaliação realista, científica, desideologizada, sem "parti-pris".

quinta-feira, 10 de maio de 2007 11:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

cada um com seus pobrema, vinícius. ele precisava de tempo. polonês é polonês, soviético é soviético.

S.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 11:27:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Vinícius Tavares ...
Não confunda culpas com consequências involuntárias.
Se você for culpar o pacto de não agressão com os soviéticos como um dos fatores responsáveis pela II Guerra, tem que culpar Churchill também que fez acordo semelhante (no mês seguinte ao acordo soviético) com Hitler APÓS a anexação da Àustria e a concessão dos Sudetos da Tchecoslováquia (Pacto de Munique entre Inglaterra, Alemanha, França e Itália).
E o que dizer de Roosevelt que foi por demais tolerante com boas relações comerciais com Hitler enquanto a Europa já ardia em bombas, a ponto da prestação de serviços de cartões perfurados por subsidiária da IBM na Alemanha continuar até 1940 (somente neste ano os nazistas assumiram o controle da empresa), apoiando a logística da máquina de guerra nazista?
Poderíamos ainda incluir o papel do Vaticano, do sistema bancário Suíço e muitos outros. Quem sabe até as boas relações do Estado Novo até a véspera da Guerra.
Ninguém precisa gostar de Stalin. Mas é falsificação histórica, jogar na conta dele o que não é dele.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 11:41:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caros

O assunto em pauta ainda divide os historiadores. Os pactos assinados com Hitler (Von Ribbentropp e Molotov e Munique) precisam ser estudados à luz da intensa movimentação diplomática que os sucederam. Ambos são vergonhosos e indefensáveis.

No Brasil, importante é estudar o comportamento do Estado brasileiro, então sob o domínio Vargas. Há um excelente livro da historiadora Maria Luíza Tucci Carneiro (Anti-Semitismo Na Era Vargas). Nele estão relatados com fatos a admiração militante daqueles governantes pelo nazi-fascismo. O que ela descobriu sobre Osvaldo Aranha é de arrepiar.

Diz a historiadora: "Infelizmente, sob a máscara do nacionalismo varguista, o Brasil foi conivente com a prática de extermínio em massa da população judaica que habitava os territórios alemães entre 1933 e 1945". Durante o Estado Novo circulares secretas (a pesquisa é farta na consulta de fontes primárias e secundárias inéditas) instruiam os diplomatas no exterior sobre como dificultar ao máximo a concessão de vistos para judeus.

Encontrei numa rápida pesquisa dois links sobre o pouco conhecido episódio do navio Cabo de Hornos com refugiados judeus no Rio de Janeiro.

"Um olhar lúcido sobre a
Era Vargas" na revista do Centro de Cultura Judaíca.

http://www.culturajudaica.org.br/arquivos/r18ed16.pdf

E também o depoimento de um refugiado e passageiro nesse navio

http://www.museudapessoa.com.br/MuseuVirtual/hmdepoente/depoimentoDepoente.do?action=ver&idDepoenteHome=5274

quinta-feira, 10 de maio de 2007 12:23:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

José Augusto

Churchill foi radicalmente contrário ao pacto de Munique. Quem assinou foram o Chamberlain e Daladier.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 12:26:00 BRT  
Anonymous PAULO ARAÚJO disse...

ERRATA


Onde se lê "à luz da intensa movimentação diplomática que os SUCEDERAM" leia-se à "luz da intensa movimentação diplomática que os ANTECEDERAM".

abs.

quinta-feira, 10 de maio de 2007 12:29:00 BRT  
Anonymous Vinícius Tavares disse...

Caro José Augusto, não foi Churchill o responsável pelo pacto de Munique, mas, o seu antecessor Neville Chamberlain, além do premier francês Édouard Daladier. Além disso, o pacto de Munique foi sacramentado em 1938, portanto, um ano ANTES do pacto germano-soviético. Churchill nunca fez acordos com Hitler. No caso de Chamberlain e Daladier, as conseqüências da condescendência com as exigências do ditador alemão foram, realmente, desastrosas. Mas, eles ainda têm o crédito de terem agido com a intenção de preservar a paz na Europa como era o desejo da vasta maioria das opiniões públicas inglesa e francesa na época. Ao contrário, Stalin não tinha nenhum interesse na paz, mas, tão somente, no seu quinhão resultante do desmembramento da Polônia. Tanto é verdade que, enquanto a Alemanha invadia a Polônia pelo oeste, os russos fizeram o mesmo pelo leste. Enfim , Stalin comnpreendia perfeitamente as conseqüências do seu ato. Já o presidente americano Franklin Roosevelt nunca escondeu de ninguém o seu desejo de intervir diretamente na guerra. Mas, ele teve que esperar a mudança de opinião do congresso americano e, ainda, da opinião pública americana, ambos inicialmente isolacionistas, o que só veio a ocorrer após o ataque japonês a Pearl Harbor. Quanto aos capitalistas americanos e suiços, ao Vaticano e ao governo brasileiro, você tem razão, mas, isso não atenua a culpa de Stalin.
Abraços!

quinta-feira, 10 de maio de 2007 14:58:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Caro Vinicius Tavares

Muito bem apontado por você o real interesse de Stalin. Acrescento que não foi apenas a Polônia, mas com o pacto assinado com Hitler o ditador comunista ficou muito a vontade para dominar Finlândia, Lituânia, Estônia e Letônia.

Quando Hitler, em 1941, rompeu o pacto e invadiu a União Soviética, Stalin, inimigo ideológico dos países capitalistas, teve que rever às pressas suas táticas, aliando-se aos americanos, ingleses e franceses pela grande causa "comum": a democracia.

Mas o idílio entre os antigos aliados e soviéticos foi breve. Mal terminado o conflito, o camarada Stalin não titubeou e mostrou, novamente, o que realmente interessava à realpolitik soviética: anexação imediata dos países do leste europeu. Nos 45 anos que se seguiram até a desintegração do império soviético em 1991, destaco os episódios edificantes ocorridos na Hungria e Tchecoslováquia, que contaram com o beneplácito e obsequioso silêncio de muitos e importantes intelectuais amigos.

Quanto a Churchill e Roosevelt pesa contra o tratado de Yalta, que reconheceu os novos limites do império soviético. No entanto, o que mais poderiam fazer? Começar uma nova guerra?

Enfim, ao final da guerra os Três Grandes de Yalta fizeram o que lhes restava fazer: dividir o butim.

Por último, acrescento que Churchill, em 1938, e em meio a euforia inglesa com a assinatura do pacto de Munique, fez seu famoso discurso de 5 de outubro na Câmara dos Comuns, prenunciando o horror que estava por vir:

“Sofremos uma derrota total e absoluta. Estamos no seio de uma catástrofe de amplitude incomparável. O caminho das embocaduras do Danúbio, o caminho do Mar Negro está aberto. Um atrás do outro, todos os países da Europa Central se verão arrastados pela vasta torrente da política nazista. E não pensem que isso é o fim. Isso não é mais do que o princípio.”

sexta-feira, 11 de maio de 2007 15:03:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Paulo Araújo e Vinicus Tavares,
Obrigado pela correção, atualizei-me. Realmente eu estava errado. Mesmo Chamberlain sendo do mesmo partido conservador, Churchill sempre fez oposição, não só ao acordo com Hitler, como à própria passividade diante da escalada armamentista alemã ao longo da década de 30.
Pode-se estabelecer uma escala relativa de que acordo foi menos ruim, e de quem tinha intenções mais (ou menos) nobres. Mas atribuir à URSS de Stalin um papel de alinhamento com Hitler semelhante aos países do eixo, é um pouco demais. Se assim fosse, a URSS teria simplesmente lutado ao lado do eixo com o intuito de dividir a esfera de influência na Europa com Hitler, em vez de ter sido invadida.
É preciso nunca esquecer que, já em 1924, ao escrever o Mein Kampf, Hitler anunciou o seu ódio contra o Comunismo e Judaísmo, e declarou que o seu objetivo era erradicar ambos da face da terra. A pimâmide de eugenia humana idealizada por Hitler, colocava os arianos no topo e conferia aos russos o fundo da pirâmide, ao lado dos judeus, polacos, checos e ciganos.
Minha crença é que Stalin assinou tal acordo com a intenção de ganhar tempo e terreno (inclusive de forma imperialista sobre a Estônia, Letônia, etc, mas acho simplismismo atribuir o acordo somente a esse interesse), diante da Guerra anunciada como inevitável. Pode ser visto como um grave erro, principalmente moral. Mas se Hitler não respeitou tal acordo, será que Stalin não foi bom estrategista em postergar a chegada da guerra à Rússia? Possivelmente teve mais tempo para armar-se melhor, e enfrentou uma Alemanha mais sobrecarregada com as diversas frentes de guerra já abertas ao ocidente.
Por conta de seu anti-comunismo, Hitler desfrutou de apoios de anti-comunistas no mundo todo. Nem por isso eu acusaria conservadores da época que emprestaram apoio ao anti-comunismo de Hitler de sócios voluntários do nazismo.
Quanto ao acordo de Munique, se pretendia saciar a opinião pública francesa e inglesa com a pretensa paz do sossêgo, foi considerado traição pela opinião pública tcheca. É questão de ponto de vista, conforme o lado que está enxergando.
Os ingleses também negociaram com Mussolini a nada abonadora tolerância das investidas imperialistas italianas na África, o que fortaleceu o eixo. Desconheço o que os ingleses negociaram em troca, mas negociações diplomáticas dessa natureza costumam ter contrapartida, e acredito que versasam sobre o que cada um retiraria da África.
Ou seja, por todos os lados, entre os vitoriosos, sobram heróis na derrubada de Hitler, e faltam na permissão de sua escalada. Mas, sem dúvida, Churchill é um deles.

sexta-feira, 11 de maio de 2007 16:54:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

José Augusto

"Mas atribuir à URSS de Stalin um papel de alinhamento com Hitler semelhante aos países do eixo, é um pouco demais."

Discordo. Vou além. Não é um "pouco demais" mas sim falsificação da história. Stalin pactuou com Hitler seguindo o que para ele era determinado pela Raison D'État soviética.

Os assassinatos, prisões, Gulag, Hungria, Tchecoslováquia e tudo mais também foi determinado pela mesma Raison D'État. Justificar Stalin é também aceitar a sua Raison D'État. É curvar a espinha ao realismo político é desresponsabilizar esses ditadores pelos seus atos. Sempre há escolha e nada acontece porque tem que acontecer. Aproveitando a visita do Papa, lembro as palavras de São Paulo: "posso tudo, mas nem tudo me convem".

Eu separo a luta dos homens sem nome, que para tais ditadores são apenas instrumentos da sua Raison D'État, dos governantes ou partidos. Não há ai um heroi coletivo eem luta por um "outro mundo possível". Existiram apenas esses indivíduos. somente a eles devemos homenagem.

abs.

sexta-feira, 11 de maio de 2007 21:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ucrânia.

O genocídio contra os ucranianos deve ter sido apenas uma alucinação, não é Alon?

quinta-feira, 4 de junho de 2009 15:32:00 BRT  
Anonymous Pedro Augusto disse...

Todos fizeram Holocausto...

Hitler fez na Alemanha
Stalin no Leste Europeu

E acrescento:
os Eua no Japão, ou precisava utilizar bombas atômicas para dizimar civis?

Não tem santo nessa história...

Felizmente o Nazismo acabou, o que o Comunismo fez é muito parecido...

Aliás, a história da humanidade está cheia de massacres...

Comunismo e Nazismo são diferentes no papel, no autoritarismo são iguais, Stalin perseguiu todos os opositores, mandando matar até no México, foi assim com Leon Trotski.

Deixo uma frase para o senhor defensor de Stalin:
“Uma morte é uma tragédia, milhões mera estatística”. Josef Stalin

Com certeza com esse pensamento ele não iria matar ninguém. (risos)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 23:00:00 BRT  

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