quinta-feira, 31 de maio de 2007

Incluam-me fora dessa (31/05)

É bom o debate sobre a não renovação da concessão para o funcionamento da RCTV, a tevê aberta de maior audiência na Venezuela. À semelhança de Al Capone, que caiu nas malhas da lei por causa de um detalhe do seu imposto de renda, o pretexto para negar a renovação da concessão da RCTV foi uma questiúncula relacionada à programação da emissora. Se querem discutir tecnicalidades, discutamos. Mas este post não é sobre tecnicalidades. É sobre golpes de estado. Minha primeira pergunta: a tentativa de golpe deve ser considerada crime no estado de direito democrático? Minha segunda pergunta: caso sim, qual deve ser a pena para quem tenta derrubar pela força um governo livremente escolhido nas urnas? Eu proponho um debate assim, objetivo. E vou logo dizendo o que eu acho. Na minha opinião, tramar, planejar e executar uma tentativa de golpe de estado na democracia é crime. E deve ser punido com a prisão e a perda dos direitos políticos. Bem, é verdade que se o golpe der certo minha proposta se torna inaplicável. Por essa razão é que o golpista, quando vai executar o seu plano, precisa calcular bem as coisas. Em 2002, na Venezuela, houve uma tentativa de golpe de estado contra o presidente constitucional, Hugo Chávez. O líder da Fedecámaras, a entidade nacional dos empresários, tomou o poder com o apoio da cúpula das Forças Armadas e a participação ativa dos principais meios de comunicação. Para azar dos golpistas, o novo "presidente", o empresário Pedro Carmona, teve a má idéia de: 1) dissolver o Congresso, 2) dissolver a Corte Suprema, 3) suspender o mandato do procurador-geral, 4) suspender o mandato do controlador-geral, 5) suspender o mandato de todos os governadores, 6) suspender o mandato de todos os prefeitos e 7) outras coisinhas mais. A isso os golpistas chamaram de "Ato Constitutivo do Governo de Transição Democrática e Unidade Nacional". Carmona e comparsas foram com muita sede ao pote. Quando o pessoal percebeu que em nome da "democracia" Carmona preparava uma ditadura de direita o empresário perdeu apoio político, civil e militar. O povo e as Forças Armadas reconduziram Chávez ao Palácio de Miraflores e a vida seguiu. Mas o episódio teve, é claro, suas conseqüências. É como a história do vizinho que aproveita o fato de você ter saído de férias para assaltar a sua casa. Aí você, que esqueceu em casa o seu boné preferido, volta para buscá-lo e flagra o vizinho carregando a sua televisão. Ele, delicadamente, repõe o aparelho no lugar e diz que está arrependido. Pede até desculpas. Argumenta que a coisa deve morrer ali mesmo, para que o ambiente na vizinhança não fique ruim. Você aceitaria a proposta? Acho que não. Eu sou a favor da absoluta liberdade de imprensa. Já fui xingado e atacado por aí por causa disso. Eu não participo de campanhas na blogosfera para desmoralizar jornalistas só porque eles tem esta ou aquela opinião ou posição. Eu sou contra que o governo se meta na programação das emissoras de rádio e tevê. Ou seja, eu não preciso que me ensinem o que é proteger a liberdade de praticar o jornalismo. Mas não contem comigo para defender que essa liberdade seja usada como biombo para o golpismo. Incluam-me fora dessa.

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54 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Todo o raciocínio precisa se lastrear em premissas. No seu texto, vc. parte da premissa que o governo Chavez é absolutamente legítimo, eleito que foi em um simulacro de eleição. Não concordo com a premissa. Todo movimento que pretenda derrubar um ditador merece meu apoio.
Tentando isolar suas perguntas do caso da Venezuela (discutindo em tese, como fazem os acadêmicos):
1) qual a punição pra o órgão de imprensa que participa de uma rebelião contra o governo?
Minha resposta: Não sei. É preciso verificar no caso concreto qual foi a participação e qual o animus, para estabelecer fato, nexo causal e culpa. Quem vai determinar a punição será o Judiciário. A punição administrativa (cassação da liminar) seria possível, mas dependeria de ratificação judicial. Claro que, em tese, tomo por premissa a existência de um judiciário independente.
2) tramar golpe de estado em democracia é crime. Concordo, mas seria crime mesmo contra uma ditadura, pois é ela mesma que estabelece as leis e o direito.

Voltando à vida real. A situação da Venezuela á dramátrica. Trata-se de país rico (tem muito petróleo), com uma distribuição de renda pior que a brasileira. Substituiu uma democracia dominada por uma elite rapace pela ditadura de um demagogo. Chavez foi golpista, andou preso por conta disso no passado. Eleito legalmente, assumiu posições antidemocráticas atacando parlamento, judiciário e a imprensa. Constrangeu e quase aniquilou a oposição. Como eles vão sair dessa? Não sei...
Alon, esse seu comentário do golpe que dá certo é traiçoeiro. Legitima o golpista pelo poder das armas. Sou mais a via eleitoral, ainda que nos pregue algumas peças...
Sds., de Marcelo, feliz pela sua declaração pró liberdade de imprensa.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 11:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mais uma vez impecável.
Faltou dizer, apesar de óbvio, que além da prisão o golpista merece perder a concessão de canal de TV, talvez até o direito de possuir um jornal, confesso que nesse caso não sei.
Pelo que estou informado, a imprensa na Venezuela tem muita liberdade, e a usa contra Chavez em um registro que aqui no Brasil não seria tolerável. Seria como chamar o Lula de bêbado todo santo dia, em matérias de capa nos principais jornais.
Além disso, a primeira eleição do Chavez não foi nenhum simulacro, foi democrática e legítima, pelo que estou informado.
Na minha opinão, também a última foi legítima, pois a oposição foi quem a deu de bandeja para ele, ao escolher não participar.
Parece que nesse caso (mas não seria em relação a todo e qualquer tema) as pessoas primeiro tomam posição, depois vão pinçando os argumentos mais a seu gosto.
Agora, que o Chavez tem um viés histriônico difícil de suportar, isso tem. Mas o povo gosta. E vota. E reelege. E é legítimo alijar de suas posições quem não respeita as regras do jogo democrático.

Anônimo

quinta-feira, 31 de maio de 2007 11:59:00 BRT  
Anonymous Leonardo disse...

É uma questão delicada, se Chávez é golpista o mesmo poderíamos dizer de grande parte dos que se opôem a ele.
Como entrever uma saída democrática diante deste lodaçal? Chávez tem um ponto a seu favor, foi eleito democraticamente -- enquanto a oposição, numa atitude sintomaticamente totalitária, subtraiu-se ao combate. Mas esta legitimidade não lhe confere direito de reformular a seu favor os termos da estrutura do Estado.

Mas se ele age em conformidade com a lei (ainda que escamoteando más intenções) e se a oposição demonstra uma perigosa atitude golpista, como combatê-lo através de vias democráticas? Eis o principal desafio dos venezuelanos.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 12:22:00 BRT  
Blogger Frodo Balseiro disse...

Alon
Se você acredita sinceramente que o regime que Chaves esta implantando na Venezuela é "democrático", não há discussão possível!
Se trocar Ministros do Supremo é normal, ter um Congresso manietado e sem opoição é normal, criar Milicias subordinadas "aos movimentos populares" é normal, perpetuar-se no poder é normal, então você tem toda a razão, para o seu raciocínio!
Eu que não aceito nada disso como norma, acredito que qualquer movimento para derrubar esse estado de coisas é, mais que normal, necessário!
Como foi a resistência e o combate à ditadura do Pinochet, e de resto a todos os ditadores do mundo.
Não se esqueça que Chaves já puchou cadeia por tentativa de golpe! E daí, como fica a sua lógica? Um golpista deve ser afastado do poder?

quinta-feira, 31 de maio de 2007 12:54:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Meus parabéns, Alon. Seu raciocínio é perfeito: Quem tenta praticar um golpe de Estado contra uma democracia deve sim ser preso e ter seus direitos políticos cassados.
Ou seja, Hugo Chávez não deveria jamais ter sido perdoado pelo governo venezuelano por sua tentativa de golpe em 1992. Lembra-se disso?
O governo Venezuelano foi muito ingênuo ao perdoar o golpista Chavez. Estava na cara que ele não levava a sério a democracia. Deu no que deu, a Venezuela se perdeu!

quinta-feira, 31 de maio de 2007 13:18:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

O Chávez tentou dar um golpe. Isto significa que ele deveria ter tido os seus direitos políticos cassados para o resto da vida (algo mais ou menos equivalente a desligar a RCTV)?

E, aliás, há alguma evidência de que a RCTV foi protagonista do golpe, isto é, planejou e executou? O que sei é que ela deu apoio político aos golpistas. O que quero dizer é o seguinte: enquanto Chávez foi o ator principal de um golpe fracassado, a RCTV foi coadjuvante de um golpe fracassado.

Assim, por coerência, se o blogueiro acha justo que a RCTV (golpista coadjuvante) tenha sido eliminada definitivamente, também deveria achar que o Chávez (golpista protagonista) deveria ter sido eliminado politicamente de forma definitiva.

Ou será que há dois pesos e duas medidas?

quinta-feira, 31 de maio de 2007 13:29:00 BRT  
Blogger Cesar Cardoso disse...

Hugo Chávez foi condenado pela tentativa de golpe de 1992, passou dois anos preso e foi *perdoado* pelo então presidente Rafael Caldera em 1994. Desculpem, se a tradição latino-americana de anistiar golpistas saiu pela culatra, a culpa não é de Chávez.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 14:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não sei se o regime que ele está instalando é democrático, mas que a eleição foi democrática, isso foi.
Não tenho detalhes acerca da reforma da Constituição, nem da tal "troca" de ministros, e não confio em nada do que leio atualmente.
Algum lugar onde se possa achar informação confiável acerca disso antes de utilizar como argumento contra o Chavez? Se alguém souber, me diga.
Anônimo

quinta-feira, 31 de maio de 2007 14:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Minha ficha demorou um pouco para cair. O que o Alon está propondo (assim me parece) é um debate sobre a tolerância na sociedade democrática. Até que ponto a democracia pode conviver com forças antagônicas (suas antípodas)? É um tema sério, muita gente já escreveu sobre ele. Vejam que dois direitos se confrontam: a preservação da democracia e a liberdade de manifestação. De momento, lembro-me de Raymond Aron. Ele defendia que a democracia não pode coniver com nenhum tipo de intolerância, nem de confrontações à própria democracia. Seria um valor autônomo, incontrastável, uma cláusula pétrea da sociedade. Se alguém quer viver numa ditadura, que vá morar em outro país. Há quem defenda o direito de manifestação contra a democracia, mas imponha sanções aos atos antidemocráticos. Seria como criar um galo capado, não serviria para nada, a não ser fazer barulho. A pior interpretação é a que admite a intolerância, por respeito à liberdade individual, mas muda de idéia quando sente ameaçada a sua situação (status) política ou econômica. Nesse caso, trata-se de hipocrisia pura.
Era isso, Alon?
Sds., de Marcelo.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 14:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Hugo Chávez tentou dar um golpe de estado, foi condenado por isso e depois anistiado. Em seguida, disputou e venceu múltiplas eleições e plebiscitos. Eleito, foi vítima de uma tentativa de golpe, fracassada. Os derrotados no golpe de 2002 vêm sofrendo, dentro da lei, as conseqüências daquela opção política. Eu quero que me mostrem onde a lei venezuelana foi transgredida nos atos de Chávez. Mas você pode achar que a lei venezuelana está errada. Bem, a Venezuela é um país com eleições periódicas e livres. Com liberdade de imprensa, associação e organização. Mas mesmo assim você pode achar que a Venezuela é uma ditadura e que se trata de exercitar o direito de rebelião para derubar o governo de lá. Só que nesse caso não vale invocar o estado de direito para protestar contra atos do governo venezuelano. Se querem de volta a concessão da RCTV, que recorram à Justiça venezuelana. Ou que convençam o presidente Hugo Chávez a "anistiar" os seus adversários assim como ele próprio foi anistiado. Esse é o caminho. Dizer que um país é uma ditadura só porque não gostamos do governo do momento me parece um pouco demais.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 15:29:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

César, desculpe, mas seu raciocínio é falho. Nós não estamos discutindo aqui se a Venezuela fez ou não fez a coisa certa com o Chávez depois do golpe, mas sim se o Chávez está fazendo ou não a coisa certa com a RCTV depois de consolidar o seu poder.

Meu ponto é o seguinte: se alguém, como parece ter sido o caso do Alon, defende que Chávez está certo em liquidar a RCTV porque ela foi golpista, então deveria defender também a tese de que o Chávez deveria ter sido liquidado politicamente por tentar um golpe.

Mas eu tenho certeza de que os mesmos que aprovam hoje o desligamento da RCTV ficariam indignados se alguém propusesse a inelegibilidade do Chávez nas eleições que ele disputou

Repito: dois pesos e duas medidas

quinta-feira, 31 de maio de 2007 15:30:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Concordo com o argumento do Alon que se uma TV tentar praticar um golpe de Estado, deve sofrer as consequências do seu ato. Acho até meio óbvio esse pensamento.
Mas que Chaves é um golpista, Ah isso é. É uma pena. Poderia ser um presidente popular como o Lula daqui. E abrir as portas para que mais políticos comprometidos com o bem estar do povo Venezuelano tivessem vez. Infelizmente tudo leva a crer que será um ditadorzinho a mais na história da América Latina. Deve ser uma disputa para ver quem produz mais ditadores: a esquerda ou a direita.
Pobre América Latina.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 15:39:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

O último anônimo sou eu.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 15:41:00 BRT  
Anonymous taq disse...

Para aqueles que defendem a Chaves, espero que não aconteça com vcs o que ele tem feito aos seus opositores.
Não li, nem sei de envolvimento da RCTV no fracassado golpe, a justificativa que tenho lido e que foi usada no processo para negar a renovação, o que alias a propria empresa nega que seja necessária pois sua licença de acordo com ela valia para mais 20 anos, é a deque durante as manifestações pro chaves ela não as transmitia e ficava passando desenho. Alias a mesma hoje o governo acusa a outra teve que esta mostrando os atos pro RCTV de golpista por mostrar isso, sendo assim me parece ficar demonstrada que na real o problema e ser contra chaves e não sua programação.
Concordo com vc que quando se luta por algo deve-se arcar com as consequencias, assim a RCTV "provavelmente" sabia dos seus riscos, mas o legal da democracia e isso, o direito de na legalidade divergir, protestar, etc. E isso me parece esta minguando na Venezuela.
Um dos grandes problemas da Democracia e que você pode "democraticamente" acabar com ela, com o livre pensar, tudo em prol do chamado "bem comum", bem de quem não sei, somente o tempo dirá.
Alias o proprio projeto chaves de socialismo tem um grande calcanhar de aquiles, ele depende exclusivamente do petroleo, assim vejo que ele tem de começar rapidamente a mudar o status da população venezuelana (os indices de pobreza, analfabetismo, acesso a saude), pois ate hoje sua revolução ainda não conseguiu superar isso, apenas criou o imaginário de dias melhores, mas isso tambem tem limite.
Quanto a legitimidade dele, não o ataco em nada, mas precisa reconhecer a legitimidade da oposição que mesmo com a maquina bolivariana em açao conseguiu quase 40% dos votos na ultima eleição presidencial e que provavelmente na proxima eleião parlamentar conseguirá registar um bom resultado.
Bem sei lá temos muito a escrever, debater, etc sobre isso mas já escrevi demais.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 15:52:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ô Alon,

Não seja tão acanhado. Sinta-se em sua casa. ;)
Anônimo

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:01:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu sabia que ra vc. Acho que a discussão sobre o limite da tolerância na democracia é um assunto mais interessante, mas se vc, prefere este...
Bem, o que define a democracia é a alternância no poder. Mesmo que existam elições e elas sejam livres/honestas, se não há alternância não há democracia. Esse é o critério de Lowenstein e é bastante lógico. Sem alternância, dá para perceber que há alguma coisa errada no país. Ninguém consegue tal popularidade de graça, mas com um custo muito alto. Como sufocar a oposição, por exemplo.
A Venezuela tem uma constituição e legislação decorrente que não prevê a alternância. Não há alternância no atual governo. Chávez impôs essa constituição e essa legislação. Não há alternância, logo não há democracia. Em Cuba também há eleições periódicas e o Fidel ganha sempre. Coincidência?
Como não há democracia nesses países, há ditadura. E se há ditadura, sou contra.
Sds, de Marcelo para Alon, um jornalista que defende a liberdade de imprensa, mas não acredita muito nela...

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:10:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Marcelo, na Venezuela há eleições periódicas de que participam diversos partidos. Na última, a oposição teve um terço dos votos. Quer dizer que só há democracia quando a oposição ganha? Eu corrigiria esse seu escrito. A democracia é o re´gime no qual a alternância no poder é possível.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:22:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, há uma diferença muito grande entre os casos do que você chama de Golpisto da RCTV e o que realmente foi o golpismo de Chávez!

Vamos lá: Chávez levantou barricadas em plena capital, Chávez tentou um golpe que era SIM militar. Chávez é um ente político, filiado a partido e agente em primeira instância do golpe.

Já uma rede de TV, embora influa na política, não é um ente político pleno. Uma rede de TV não vota. Uma rede de TV não se filia a partido e não pode ser eleita. Uma rede de TV existe com propósitos que vão muito além da simples mobilização políticas :Elas levam entretenimento, informação, cultura e também muita porcaria.

Alon, você realmente acredita que Chávez é um democrata? Será então que ele algum dia anistiará a rede de TV? E veja bem, não foi a rede de TV quem prendeu o golpista Chávez.

Há muita, muita diferença entre o tal golpismo da emissora e o real golpismo de Chávez. E, sinceramente Alon, como pôde você ignorar este passado de Chávez no artigo original? O que você postou agora aqui nos comentários, sinceramente, parecia que você tinha acabado de ler a respeito.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:27:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Bem, eu nunca disse que a Venezuela é uma ditadura. A Venezuela é uma democracia enfraquecida por um presidente com tendências autoritárias (cuja força deve-se em boa parte à má qualidade e à falta de compromisso democrático da elite local).

A não-renovação da licença de uma TV aberta líder de audiência é algo que, ao que me conste (e me corrijam, por favor, se estiver errado), nunca antes ocorreu em países democráticos.

Mesmo não sendo ilegal, é mais uma decisão de espírito anti-democrático. É mais um passo no enfraquecimento da democracia venezuelana.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:31:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, meu caro...
O que eu escrevi é que a ALTERNÂNCIA é a característica fundamental da democracia. É o famoso conceito de Lowenstein. Sem alternância não há democracia, mesmo que o governo seja genial, sensacional, estratosférico. Se a alternância não é possível, não é possível a democracia.
Quod script, script.
Eu corrigiria esse seu ponto de vista...
Sds., de Marcelo.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:32:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, eu quero que você me mostre em que a RCTV foi protagonista do golpe contra Chávez. Partícipe, talvez, protagonista jamais. Não foram os funcionários que tiraram Chávez do poder, não foram funcionários que assumiram a cúpula de transição.
Este negócio de falar que "apoiou" é um critério muito pouco objetivo. Houve apoio logístico? Apoio financeiro? Apoio humano?

Dia desses outra simpatizante de Chávez escreveu um absurdo no Observatório da IMprensa: Que os jornais da Venezuela até xingam Chávez de macaco, coisa do tipo. E ela era tão apegada à verdade que não trouxe nenhuma provazinha sequer a este respeito, nenhuma foto, nenhum link, nada. Nem mesmo se deu ao trabalho de citar um jornal venezuelano importante que fosse. É isto o que tem acontecido: Pela ideologia, as pessoas assumem uma posição e só depois vão atrás de fatos que sustentem a opinião. Sinceramente Alon, e já te mandei mensagens demonstrando meu apreço e respeito ao seu trabalho, acho que é o seu caso agora.
Continuo a respeitar suas opiniões e sua argumentação, mesmo na absoluta maioria das vezes, ou seja, quando discordo do que você pensa. Mas neste caso, em minha opinião, você está muito, muito errado.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 16:36:00 BRT  
Anonymous sérgio disse...

Parabéns pela bela tomada de posição.
Apenas penso que em vez de fechar um canal de tv, é só processar aqueles que tramaram e aplicaram o golpe. A justiça poderia muito bem dar a concessão a outro. O desfecho foi ruim. Chavez ficou nu e o povo da venezuela perdeu um canal de tv. Vai ter que assistir aquelas bobagens do chavismo.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 17:43:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Para ilustrar, desculpem mas vai aí um artigo interessante:

ANÁLISE - MÍDIA NA VENEZUELA

O caso RCTV e a liberdade de imprensa

A mídia sai em defesa da RCTV, acusa Chávez de golpear a liberdade de imprensa e silencia sobre a atuação golpista da emissora. Devia ouvir ex-editor da CNN e ex-gerente da RCTV que defendeu a cassação da concessão da emissora, por sua participação no golpe de 2002.

Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Nos últimos dias, os grandes grupos midiáticos brasileiros reproduziram à exaustão textos, comentários, editoriais e matérias de rádio e televisão sobre o golpe que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estaria desferindo na liberdade de imprensa ao não renovar a concessão pública da RCTV, um dos grandes canais de TV privados daquele país. Na verdade, nem se fala em “não renovação da concessão”, mas sim em “fechamento” do canal. Outra sutileza lingüística ocorre quando esses grupos falam, sempre de modo lateral, sobre a “suposta” participação da RCTV na tentativa de golpe de Estado contra Chávez, em abril de 2002. O uso da palavra “suposta”, neste caso, pode significar duas coisas: desinformação ou má fé. Considerando a quantidade de material disponível sobre a participação da RCTV no golpe, a primeira alternativa deve ser logo descartada.

O papel desempenhado por jornalistas e executivos da RCTV, e de outros grandes grupos midiáticos venezuelanos foi admitido e aplaudido com orgulho pelos próprios protagonistas que hoje tentam se proteger atrás do escudo da “liberdade de imprensa”. Os mesmos agentes que produziram um bloqueio de informações, que articularam junto com os militares e empresários golpistas a tentativa de golpe, que pisotearam a Constituição venezuelana, hoje elevam seus gritos contra a ameaça à liberdade de expressão na Venezuela. São os mesmos também que apoiaram a retirada do ar da TV pública venezuelana, durante o golpe, para que a população não soubesse que Chávez não havia renunciado, mas sim preso pelos golpistas. São os mesmos que, no dia seguinte ao golpe, contavam na TV com orgulho como haviam ajudado a depor um presidente eleito pelo voto popular. Clique AQUI para ver um trecho do documentário “A Revolução não será televisionada” que mostra esse momento sublime da liberdade de imprensa. (Outros depoimentos similares podem ser vistos no site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, que também publicou o artigo de Naomi Klein, citado a seguir).

As mentiras da mídia venezuelana
Esses fatos não são mencionados pela mídia brasileira. Muito pelo contrário. O telejornal Hoje, da Rede Globo, por exemplo, em sua edição de 28 de maio, afirma que Chávez acusou a RCTV de fazer oposição ao governo e, por isso, teria determinado o fechamento da mesma. Nenhuma referência foi feita ao papel da emissora durante o golpe. Para contrapor esse tipo de deformação, não custa lembrar o depoimento de um ex-diretor da própria RCTV sobre a atuação da emissora durante o golpe. Em um artigo escrito ainda em 2003, intitulado “As (muitas) mentiras da mídia venezuelana, Naomi Klein, conta a história de Andrés Izarra, ex-jornalista da RCTV, que disse que a campanha que culminou com a tentativa de golpe contra Chávez em 2002 “causou tanta violência contra a informação verdadeira que as quatro redes de tevê privadas deveriam perder o direito às suas concessões públicas”.

O currículo de Izarra não permite que ele seja “acusado” de chavismo. Ele foi ex-editor da CNN em espanhol para a América Latina até ser contratado como gerente de produção do telejornal de maior audiência do país, El Observador, da RCTV. No dia 13 de abril de 2002, escreve Naomi Klein, um dia depois que o líder empresarial Pedro Carmona assumiu o poder, Izarra pediu demissão do emprego sob condições que descreveu como “de extremo stress emocional”. A partir daí, passou a denunciar a ameaça à democracia que surge quando a mídia decide abandonar o jornalismo e assumir uma posição política onde passa a usar seu poder de persuasão “para ganhar uma guerra causada pelo petróleo”. Não custa lembrar também, neste mesmo contexto, o papel da imensa maioria da mídia dos EUA que abraçou as mentiras do governo Bush no processo de invasão do Iraque.

Com a palavra, um ex-gerente da RCTV
Nos dias que precederam o golpe de abril, relembra ainda Naomi Klein, os maiores grupos midiáticos privados da Venezuela (Venevision, RCTV, Globovision e Televen) “trocaram a a programação regular por insistentes discursos anti-chavistas, interrompidos apenas por comerciais convocando os telespectadores a ocupar as ruas: Nenhum passo atrás. Saia! Saia! Agora!. Os anúncios eram patrocinados pela indústria do petróleo, mas as emissoras colocavam no ar como se fossem de interesse público”. Enquanto essas emissoras celebravam abertamente a “renúncia” de Chávez”, prossegue o artigo, forças pró-Chávez tentavam reagir e comunicar à população que havia sido presos e não havia renunciado. As emissoras sabiam disso mas não divulgavam. E não era por medo, como disse o produtor executivo da RCTV, David Pérez Hansen, ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (28), ao ser indagado sobre o silêncio da RCTV e de outras emissoras sobre o golpe, Hansen diz que os jornalistas estavam com medo e sofrendo ameaças de morte. Não é o que relata o gerente de produção do principal telejornal da RCTV na época, segundo o artigo de Naomi Klein: “Izarra diz que recebeu instruções claras: nenhuma informação sobre Chávez, seus seguidores, seus ministros ou qualquer outra pessoa que de alguma forma possa ser relacionada a ele. O jornalista assistiu horrorizado enquanto seus chefes ativamente suprimiam as manchetes de última hora. Izarra diz que no dia do golpe, a RCTV recebeu uma reportagem de uma afiliada dos EUA dizendo que Chávez não havia renunciado, mas tinha sido seqüestrado e preso. A reportagem não foi ao ar. O México, a Argentina e a França condenaram o golpe e se recusaram a reconhecer o novo governo. A RCTV sabia, mas não divulgou”.

Ainda segundo Izarra, a RCTV tinha um repórter no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, e sabia que o mesmo havia sido retomado por tropas leais a Chávez. Enquanto isso, a emissora transmitia desenhos animados de Tom e Jerry e o filme “Pretty Woman”. “Foi quando decidi dar um basta e fui embora”, admitiu o jornalista. Nenhuma destas informações foi divulgada pela mídia brasileira que segue tratando a participação da RCTV no golpe como “suposta” atuação. Nem o depoimento dos jornalistas das grandes emissoras de TV, revelando que o depoimento de um dos generais golpistas foi gravado na casa de um deles, parece ser suficiente para transformar a suposição em fato. O que nos leva a seguinte pergunta: e se a atuação golpista da RCTV foi um fato? A atuação de um grupo midiático em um processo golpista para derrubar um presidente eleito pelo voto popular é motivo para a não renovação de uma concessão pública? Se não é, o que seria aceitável para não renovar uma concessão?

O assassinato de Danilo Anderson
Em novembro de 2004, o procurador da República Danilo Anderson, que investigava o golpe de Estado de 2002, foi assassinado em um atentado a bomba. A jornalista Patrícia Poleo, o empresário Nelson José Mezerhanne, o general Eugenio Añez e o advogado Salvador Romaní foram acusados como autores intelectuais do crime. Quanto à execução do atentado, as investigações da Justiça venezuelana apontaram fortes indícios de participação da Central de Inteligência Americana (CIA) e de grupos pára-militares colombianos. Filha de Rafael Poleo, proprietário do jornal “El Nuevo País”, Patrícia fugiu para Miami para evitar o julgamento. Acusada de assassinato e foragida da justiça, passou a ser tratada pela grande mídia venezuelana como uma heroína da oposição. A investigação sobre o atentado contra Danilo Anderson não mereceu destaque na mídia venezuelana e tampouco na brasileira. Uma visita ao mais famoso site de buscas do mundo, o Google, revelará quantas matérias saíram na imprensa brasileira sobre o assassinato de Danilo Anderson. O resultado é surpreendente.

Além de ser refratária ao contra-ponto, a grande mídia brasileira (assim como a venezuelana) também o é em relação a qualquer debate sobre o tema “concessão pública” na área da comunicação. As concessões de rádio e TV, vale lembrar, não são definitivas, como ocorre com qualquer serviço público. Elas têm um prazo e critérios para renovação. Entre esses critérios, não figuram as práticas descritas pelo ex-gerente de produção do principal telejornal da RCTV: a mentira, o boicote à informação, a manipulação e a participação ativa para depor um presidente eleito. A total ausência de contra-ponto no caso da não renovação da concessão da RCTV é mais do que sintomática. Revela uma cumplicidade explícita e recheada de má-fé em relação a uma elite que tem Miami como sua capital e inspiração de vida. O recurso à bandeira da liberdade de imprensa para defender empresários midiáticos golpistas é uma piada. Uma piada que tem antecedentes na história recente do Brasil. Talvez seja a hora de resgatar investigações sobre como grandes grupos midiáticos brasileiros construíram seus impérios por meio de acordos e parcerias com a ditadura militar. Ou pedir isso também significa uma ameaça a liberdade de imprensa?

quinta-feira, 31 de maio de 2007 18:09:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

É impressionante a indignação que transpira na palavra "golpista" cada vez que articulistas como o do comentário acima atiram a palavra contra os promotores da fracassada tentativa de golpe contra o Chávez. Dá mesmo a impressão de que ser golpista é uma das coisas mais hediondas que existem. Mas por que o mesmo desprezo e desaprovação não é extensivo ao golpista Chávez? Não dá para entender

quinta-feira, 31 de maio de 2007 18:33:00 BRT  
Blogger Kleyn disse...

Sua análise deve levar em conta que Chapolim também tentou aplicar um golpe no passado contra um representante eleito, portanto trata-se de um golpista eleito.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 19:41:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Todos fazem questão de do passado golpista de Chavez, inclusive de sua prisão pela tentativa de golpe.
Então agora ele se converter à Democracia, respeitando o voto popular, é preciso aceitar que sendo ele presidente e fez juramento de defender as insituições, que é dever dele punir quem queira dar golpe.
A não renovação da concessão da RCTV, mas do que um ato de desafeto, é um dever cívico, tanto quanto foi a sua prisão quando ele próprio tentou participar de um golpe.
Mas os donos da RCTV não estão cassados, podem pleitearem nova concessão (é claro que enquanto Chavez for Presidente, não deverão ser atendidos), mas podem pelo menos provocar constrangimento. Podem recorrer ao judiciário. Podem candidatarem-se nas próximas eleições para fazer oposição ao Chavez. Não vejo qualquer ditadura nisso.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 19:44:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

A oposição está fora do parlamento, por estratégia própria. Desastrada em parte, porque acabou dando super-poderes a Chavez, pelo voto. Mas essa conspiração faz sentido, sem chances de voltar ao poder pelo voto, resolveu boicotar o pleito, querendo com isso fazer confundir oposição fraca, com falta de poder moderador de oposição. Espalha a versão de que Chavez, por acumular poderes delegados pelo voto com a ampla maioria que o apóia, estaria criando uma ditadura; logo um novo golpe seria legitimado por tratar-se de um contra-golpe preventivo contra a "escalada" de Chavez.
Quem já leu ou viveu o pré-64 no Brasil sabe do que estou falando.
Se boicote eleitoral invalidasse a eleição, Kirchner também não seria legítimo presidente na Argentina, porque Carlos Menén fugiu do 2o. turno.
As mudanças na Venezuela passaram por assembléia constituinte eleita, outras pós-constituinte foram aprovadas pelo parlamento eleito, onde Chavez tem ampla maioria. É assim que funciona a Democracia.
As mudanças constitucionais, não são proibidas, apenas tem regras para fazê-las. Seguindo as regras não há qualquer atentado institucional.
Quem lançou moda na América do Sul de revisões constitucionais em proveito próprio, foi FHC no Brasil, e Carlos Menen na Argentina, patrocinando emenda da reeleição para si (um casuísmo, pois sendo a reeleição aprovada, só deveria valer para os eleitos posteriormente, sob novas regras). Chavez só está repetindo os casuísmos que FHC e Menen cometeram, porém dentro das regras vigentes na Venezuela que valiam para os governos antecessores. Ninguém chamou FHC, nem Menen de ditadores por seus casuísmos.
Chavez incomoda, não porque ameaça a democracia, mas porque ameaça o bolso daqueles que estavam acostumados a enchê-los com facilidade na Venezuela (e, naturalmente, o medo de seu sucesso estimular líderes políticos de outros países vizinhos a imitá-lo em algumas de suas políticas). Tanto é verdade, que quando Fujimori, depois de eleito, fechou o Congresso no Peru, aí sim houve golpe ditatorial. Foi bem noticiado, mas não houve essa campanha sistemática e prolongada, nem essa histeria que há hoje contra Chavez. O motivo é que Fujimori não era ameaça ao status quo econômico.

quinta-feira, 31 de maio de 2007 20:08:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

O comentário é longo.

Alguns fatos para contribuir ao debate:

Quem fica com o milionário mercado publicitário da RCTV?

De acordo com o jornalista da FSP Fabiano Maison Nave, a Venevisión. A quem pertence a Venevisión: Gustavo Cisneros, envolivdo até os cabelos no golpe de 2002. Neste caso, teríamos que perguntar: por que a TV de Cisneros não foi fechada (e não me venham com tecnicalidades. Concordo com Alon que o fechamento da RCTV foi um ato político do Chávez)? Por que o pau que deu em Chico não sobrou no lombo de Francisco? Simples: A TV de Cisneros apoia tacitamente o governo Chávez.

Ainda de acordo com o jornalista, "Anteontem (25/05/07), a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) renovou a concessão da Venevisión até 2012, um ano antes da próxima campanha presidencial, da qual Chávez pretende participar mudando a Constituição para incluir a reeleição indefinida."

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=435ASP002

Opiniões da esquerda venezuelana:

Tal Cual é um jornal de esquerda oposicionista e presidido por Teodoro Petkoff. Uma consulta ao Google poderá fornecer mais informação sobre Petkoff, inclusive sobre o seu posicioanmento contrário ao golpe de 2002. Recentemente, o jornal sofreu uma multa altíssima do governo Chávez. Não fechou porque promoveu uma campanha de fundos e conseguiui saldar a multa. O que diz Petkoff sobre a TV de Cisneros: "O verdadeiro canal golpista foi o canal 4. Gustavo Cisneros era o chefe da conspiração de abril de 2002. Era no seu canal que se reuniam os conspiradores; foi o eixo midiático da campanha contra o governo".

Para uma visão assumidadamente de esquerda e oposicionista a Chávez: http://www.talcualdigital.com/

Também é muito interessante visitar o site http://www.aporrea.org.

Como e quando surgiu o site: "Aporrea nace en mayo de 2002 como sitio web de la Asamblea Popular Revolucionaria, espacio de articulación popular-revolucionaria, establecido el 10 de abril de 2002, esencialmente para enfrentar la ofensiva golpista de la burguesía venezolana contra el gobierno del Presidente Hugo Chávez y para la defensa de las conquistas de la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela y de la voluntad del pueblo"

Pelo timbre característico, um site assumidamente de esquerda e francamente a favor de Chávez.

Um destaque dado pelo aporrea.org, relativo a um pronunciamento de Chávez, em 22 de abril último, no seu programa semanal "Aló, Presidente":

"Chávez invita a estudiar a Trotsky: En Venezuela y América Latina están dadas las condiciones para hacer una verdadera revolución

El Primer Mandatario llamó la atención en torno a la afirmación de Trotsky en su panfleto escrito en 1930 (O Programa de Transição), de que en Europa y en otros países desarrollados del norte las condiciones para una revolución proletaria no sólo estaban maduras sino que ya se estaban empezando a descomponer.

Trechos da fala do Chávez transcritos no artigo do aporrea.org:

"A mí me llamó la atención poderosamente esa expresión (as condições mais que maduras para a revolução, conforme o escrito de Trotsky), María Cristina, porque nunca yo la había leído, o sea lo que eso significa, las condiciones pueden estar, si no las vemos, si no las captamos, si no sabemos aprovechar el momento se empiezan a descomponer, como cualquier producto natural de la tierra, el mango, etc. Y entonces apunta León Trotsky a algo importantísimo, y él dice que se empezaban a descomponer no por culpa de los trabajadores sino de la dirigencia que no veía, que no sabía, que era cobarde, que se subordinó a los mandatos del capitalismo, de las democracias burguesas, los sindicatos. Bueno, se acoplaron al sistema, los grandes partidos comunistas, la Internacional Comunista se acopló al sistema y entonces nadie supo aprovechar por falta de dirigencia y de liderazgo oportuno, audaz, inteligente, que orientara la ofensiva popular, aquellas condiciones. Y luego vino la Segunda Guerra Mundial y sabemos lo que ocurrió, y después de la II Guerra Mundial, y luego terminó el siglo con la caída soviética y la caída de los llamados socialismos reales,"

E também esse outro trecho:

"Ahora, la dirigencia, por eso insisto yo tanto en un partido, en la necesidad de un partido, porque no hemos tenido dirigencia revolucionaria a la altura del momento que estamos viviendo, una dirigencia a la altura del momento que estamos viviendo, unida, orientada en función de una estrategia, unida, como decía Vladimir Illich Lenin, una maquinaria que sea capaz de articular millones de voluntades en una sola voluntad, eso es imprescindible para llevar adelante una revolución, si no se pierde como los ríos cuando se desbordan, como el Yaracuy cuando llega allá al Caribe, se pierde el cauce y se convierte en laguna, se convierte como en un Delta pero lagunoso, o de lagunas,"

O artigo na íntegra está aqui:
http://www.aporrea.org/ideologia/n93859.html

Penso que tudo isso dá uma boa medida sobre o que pensa Chávez sobre democracia. Seus amigos e defensores no Brasil deveriam seguir seu exemplo e não ter medo ou vergonha de dizer que o futuro da Venuzuela bolivariana, o socialismo do século XXI, tem encontro marcado e anunciado com o totalitarismo soviético.

Como escreveu o Alon, "não contem comigo para defender que essa liberdade seja usada como biombo para o golpismo. Incluam-me fora dessa."

Faço apenas um reparo: "golpismos passados e também golpismos futuros e anunciados no presente"

Alguém ainda duvida que Chávez vai golpear até a morte a democracia na Venezuela? E o que vamos fazer a respeito? Discutir sobre os limites e o formalismo da
"democracia burguesa"?

abs.

PS: E eu que disse que não mais me manifestaria sobre o tema...

quinta-feira, 31 de maio de 2007 20:27:00 BRT  
Anonymous socialistafabiano disse...

Do Blog do Orlando Tambosi

Durante el programa semanal Aló Presidente, transmitido el pasado domingo 22 de abril, el Presidente Hugo Chávez invitó a los venezolanos a estudiar los escritos del revolucionario ruso León Trotsky, y especialmente lo expresado por éste en el folleto El Programa de Transición, programa de acción elaborado por Trotsky y aprobado en el Congreso Fundacional de la Cuarta Internacional en 1938, el cual constituye una de las bases fundamentales de la corriente trotskista dentro del marxismo.

Chavez democrata? Prefiro acreditar em Papai Noel!

quinta-feira, 31 de maio de 2007 23:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Canal de TV não trama golpe de estado, assim como cadeira não trama golpe e poste não trama golpe. Quem trama golpe de estado é gente.

Se existe uma acusação de "golpe" contra pessoas na direção da RCTV participaram de um golpe de estado, que sejam processadas essas pessoas na justiça.

Que se dê a elas o amplo direito de defesa.

Que sejam julgadas de forma justa.

E se forem condenadas que sejam aplicadas as punições previstas na lei.

No caso RCTV não ocorreu nada disso. O ditador usou o "apoio ao golpe" simplesmente como pretexto para calar um orgao de imprensa, sem acusação formal, sem possibilidade de defesa, sem julgamento. E aplicou-se uma penalidade que nada tem a ver com o "crime".

Nós podemos fingir que o debate é sobre golpe. Podemos discutir também se os poloneses deviam mesmo ter acatado a guarnição de fronteira alemã em 1939. Enquanto isso o elefante da DEMOCRACIA continua na sala.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 09:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, ainda bem que por aqui, apesar de já ter ocorrido, parece não haver espaços para colocar tanques nas ruas para fechar redes de TV. Também, parece, não haver espaços para críticas diretas do Presidente a um dos Poderes de qualquer País, visitar um País amigo e vituperar contra seus meios de comunicação ou às suas Instituições. Com isto, fica fácil responder: qualquer tentativa violenta de contrariar o que foi democraticamente instituído deveria ser crime em qualquer lugar. No País, em questão, também deve ser. Pena que atavismos autoritários ainda permeiem, tal como classificações indicativas de filmes, depois tenta-se passar para livros, e-mails, blogs, podendo chegar à tentativas, nem tão sutis e avoengas, de tentar moldar o pensamento. É lamentável que, depois de tanto tempo, ainda surjam manipulações de toda ordem para justificar atitudes eivadas de messianismos, projetos amorfos de uma nova ordem. São malabarismos que, embora fadados ao fracasso, teimam em lograr consolidação.
Sotho

sexta-feira, 1 de junho de 2007 09:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Chavez não mexeu com Cisneros pq. este é um dos homens mais ricos do mundo. Como todo ditador populista, ele sabe que precisa ser o pai dos pobres e a mãe dos ricos.
Para quem comprar as mudanças na constituição do Brasil com as do Chávez, recomendo um estudo sobre poder constituinte derivado, ou seja, previsto e autorizado pela constituição democraticamente escrita. O Chávez tem poder constituinte originário, porque ele mesmo se concedeu manu militari. Não dá para comparar.
O que define Chavez como ditador é o fato de ele não deixar o poder, ou melhor, nem ao menos aventar a hipótese de deixar o poder. É a falta de ALTERNÂNCIA a que me referi antes.
Sds., de Marcelo.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 09:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, em 2002, os que tomaram o poder não forma com muita sede ao pote. Talvez já estivessem dentro do pote. É sempre assim quando ocorrem golpes. E é sempre assim quando, a pretexto de contragolpear ou de previnir eventuais tentativas, cerceiam-se liberdades e colocam-se algemas nas instituições. Em suma, os que são contra o golpe, entram ou estão dentro do pote também. Apenas a sociedade não logra saciar sua sede de liberdade. Apesar de algumas tendências um tanto quanto sem nexo, mas presentes, parece que não haverá espaços por aqui para aventuras de tal tipo. De qualquer matiz. As velhas senhoras autoritarismo, golpismo, centralismo, messianismo, mitificação, mistificação e outras de jaez idem, estão sempre batendo às portas. Mas não são bem-vindas.
Sotho

sexta-feira, 1 de junho de 2007 11:17:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

A coisa toda pode ser simplificada: "Das 709 rádios, 706 pertencem a empresas privadas e três a entidades estatais. Dos 81 canais de televisão, 2 são estatais e 79 privados. Dos 118 jornais, dos quais 12 são de caráter nacional e 106 regionais, todos são privados." (Carta Maior, usando alguma ONG de liberdade de Imprensa como fonte).
...
E bueno, um presidente eleito que passa por um golpe, 2 plebicitos, 2 ou 3 eleições, e mais um referendo, se não me engano, é alguem que tem legitimidade com o povo, visto que em matéria de mídia, perde de goleada.
...
A concessão venceu, e ele não renovou. Ponto.
...
A concessão da Globo, gigante a partir dos concluios com o regime militar, vence em 5 de outubro deste ano, se não me engano. Porque ela não é anulada e se muda a direção editorial dela? Não falo nem em sacar do ar as novelinhas que todos gostam, falo somente em mudar o editorial das notícias. Bueno, isso não é sequer discutido no nosso Brasil democrático.
...
Não existe somente um caminho para a democracia e o que a história nos prova é que todos estamos longe dela. Chávez é o único que está discutindo, propondo e fazendo mudanças no sentido de melhorarmos e seguirmos rumo a uma democracia mais real.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 12:43:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Comentaristas, como o José Augusto, insistem em igualar democracia e legalidade. A legalidade é grande parte da democracia, e uma ruptura definitiva com a democracia (quando se passa ao terreno da ditadura) quase sempre significa romper também com a legalidade.

Mas, ainda assim, não são sinôminos. Suponhamos que o Brasil começasse a crescer 10% ao ano sem inflação, a popularidade do Lula se tornasse gigantesca, e ele conseguisse uma maioria esmagadora no Congresso, com a qual conseguisse emendar a Constituição à vontade. Agora suponhamos que ele decidisse, nestas condições, passar uma emenda constitucional duplicando o tamanho do Supremo Tribunal Federal, e imediatamente nomeando uma tropa de petistas composta por Genoínos, Delúbios, Dirceus, etc. Com o domínio total do Supremo, ele passaria leis que restringiriam a liberdade de imprensa e a ação dos partidos de oposição. Basta ser um pouco criativo, e há uma miríade de possibilidades de se fazer isso.

O próprio Alon lembrou que formalmente a justificativa para suspender a RCTV não foi a atuação no golpe, mas sim uma "questiúncula". Todos os atores sociais importantes estão expostos ao ataque do governo por milhões de "questiúnculas", como impostos atrasados, regulamentos não cumpridos, etc. Um governo popular e poderoso, com domínio do Legislativo e Judiciário, num país com instituições democráticas ainda verdes, pode minar, e minar muito, o funcionamento da democracia. O que não faltará são questiúnculas para por a nocaute seus adversários.

Eu acredito que é isto que acontece hoje na Venezuela. O país não é uma ditadura, mas eu diria, no mínimo, que é uma democracida muito adoentada, e em risco.

A RCTV deve estar cheia de pústulas. O grupo Cisneros, com o qual o Chávez se aliou (como disseram aqui,) também deve estar cheio de pústulas. Só que a forma democrática de se lidar com os adversários, pústulas ou não, não é a de eliminá-los.

Alguém seria a favor de cassar a concessão da Globo por causa do caso ProConsult e do último debate Lula-Collor em 1989? Alguém seria a favor do fechamento do Tribuna da Imprensa na época da campanha contra o Vargas?

São questões complicadas. Eu até entendo que alguém seja a favor. Só que isto é anti-democrático, como seria anti-democrático fechar um partido radical de esquerda que prega a luta armada para instaurar a ditadura do proletariado. Desde que o partido não esteja efetivamente engajado em organizar a luta armada, as democracias modernas toleram partidos que tenham doutrinas ditatoriais (há um limite para a pregação do ódio racial, que eu entendo e apóio).

O que eu gostaria é que os defensores de Chávez e do desligamento da RCTV dissessem, francamente, que neste caso eles acham que a atitude anti-democrática do presidente venezuelano foi positiva. O que irrita é a tentativa de dizer que Chávez, um golpista autoritário, é um sujeito de inclinações perfeitamente democráticas. Em seu favor, pode-se dizer que ele não tentou acabar com a democracia por meio da qual qual se tornou presidente da Venezuela. Já é alguma coisa. Mas isto não quer dizer que ele esteja se conduzindo como um presidente altamente democrático no poder.

Um último ponto. As mesmas pessoas que dizem que o Chávez é um democrata porque ele não instaurou a ditadura na Venezuela atacam o Bush como um sujeito anti-democrático, que tomou diversas medidas que ferem o estado de direito nos Estados Unidos. Ora, o Bush também não deu nenhum golpe, ao que me conste, e os Estados Unidos continuam sendo um país democrático.

É a esquerda com seus dois pesos e suas duas medidas, as usual. Ad nauseam

sexta-feira, 1 de junho de 2007 13:11:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

O que está na agenda de discussão na Venezuela não é democracia. Tanto é verdade, que ninguém está perguntando se a vontade popular está bem representada ou não (o princípio fundamental da democracia representativa). O que há, é uma intensa disputa corporativista pelo poder econômico e de manutenção do status quo anterior, travestida de democracia.
O Grupo da RCTV continua tendo concessões de TV's a cabo e outras mídias, onde pode veicular livremente sua programação, se assim quiser. Portanto é exagero falar em cassação e censura. Pode-se e deve falar em pressão política. Ué, mas não é o nome do jogo na Venezuela? E também nas democracias ocidentais? Porque só Chavez não pode jogar?
É muita ingenuidade não enxergar corporativismo na cobertura das TVs brasileiras e do resto da mídia, em defesa de suas próprias concessões. Ninguém está falando em acabar com o poder discricionário do presidente decidir uma concessão, e criar leilões de frequências, como é feito com telefonia celular. Essa seria uma crítica objetiva, em conformidade com o pensamento liberal e de livre mercado, que eu aceitaria.
A mídia brasileira demoniza Chavez porque abriu precedente. Porque estão advogando o falso direito à uma renovação automática, quando não é vitalícia.
Que o objetivo de Chavez é continuar no poder, está claro. Mas não é esse o objetivo de todo partido? Cabe a oposição ser inteligente, e não histriônica, em pavimentar uma via para retornar ao poder.
Para desespero da oposição, os movimentos de Chavez são de convivência com o empresariado (o que amplia sua base de apoio) e um regime de economia mista, nacionalista, com estado forte.
Por que Cisneros que também apoiou o golpe contra Chavez teve a concessão renovada? Business! Viu um nicho de oportunidade em recompor-se com Chavez, absorvendo o mercado da RCTV para si. Cisneros seguramente não é Chavista convicto. Enquanto viu em Chavez ameaça a seus negócios, fez oposição. Vendo no golpe fracassado uma má aplicação financeira, desfez-se daquele papel, e resolveu investir outro papel: na convivência com Chavez que enxergou ser bem mais rentável nos próximos anos. Deixou o entulho do golpe no colo da RCTV.
Bem lembrado o caso [SNI + Proconsult + Globo] X Brizola em 1982. Para sorte da Globo, Brizola foi eleito apenas Governador. Fosse uma eleição presidencial, é claro que a concessão seria no mínimo revista. A Globo claramente usou de uma concessão pública para participar de uma conspiração, não só contra Brizola, mas principalmente contra a vontade do eleitorado. Nada mais natural do que sofrer sanções por isso. Se a prerrogativa de renovação de canais é do executivo federal, é claro que ele vai fazer valer-se do poder que tentou interferir na vontade popular que o colocou lá.
Democracia é o regime do povo, pelo povo e para o povo. Parece que os neo-legalistas venezuelanos ignoram 3 das 3 premissas na defesa da democracia.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 14:03:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Sugiro, urgente, que se assista "A revolução não será televisionada", documentário filmado durante o golpe anti-Chávez, por uma equipe, se não me engano, inglesa.
Os barões televisivos da Venezuela, de caso pensado, usaram suas concessões públicas para a divulgação de mentiras, escancaradas como se verdades fossem, inclusa aí a RCTV. Isso, por si só, já justificaria a cassação legal de suas concessões.
Imagine-se a grita dos neopaladinos da liberdade de imprensa se isso tivesse sido feito naquela época, ao lermos seus súbitos pruridos, ora manifestados, no caso do estrito cumprimento da lei de concessões da Venezuela.
Um dos pressupostos do estado de direito, que parece ganhar ou perder adeptos conforme seja a pauta, é o estrito cumprimento do que está ESCRITO na lei, e não da interpretação mais conveniente que cada um de nós queira dar-lhe. O texto da lei não é questiúncula, não é tecnicalidade, ou todo esse ramalhete de neodemocratas defende o "jeitinho", que se leia a lei conforme aplicável a amigos ou adversários?
Sugiro despirmo-nos todos do cinismo e darmos os nomes aos bois: a RCTV é comandada´por um grupo político anti-Chávez e explicitamente golpista, em 2002 e pós-2002. Prega, publicamente e de todas as formas possíveis, a derrubada do governo da Venezuela, falseando diariamente seu noticiário para cumprir seu desiderato político.
O governo da Venezuela percebeu que pode aplicar a lei do país e não renovar a concessão pública detida por esse grupo. Só deixaria de fazê-lo se fosse suicida político.
O caso é simples assim, tanto que a RCTV não busca o caminho judicial, mas o das ruas e das páginas de seus áulicos, para evitar a perda.
Poupemo-nos desse triste espetáculo de falso "concurso de democratas".
Quem é anti-Chávez não quer que se aplique a lei, porque esta não lhes serve e não têm força política para alterá-la.
Quem é pró-Chávez gargalha ao ver que, usando o recurso à lei, "tão cara" aos democratas de ocasião, ele tem a oportunidade de vencer mais uma batalha, sem ter que recorrer a atos de exceção e dando aos "democratas" mais um gole de seu próprio remédio.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 14:35:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Francamente? A Venezuela deve ser a única ditadura, em toda a história da humanidade, onde partidos de oposição concorrem em eleições reconhecidamente limpas, inclusive com o candidato de oposição obtendo quase 40% dos votos válidos e os canais de televisão trazendo todos os dias críticos do governo, além de ter um dos canais tratando o presidente freqüentemente por "maricón" ou louco. Sinceramente, é um fenômeno histórico. Mas deixando meu sarcasmo um pouco de lado, o real fenômeno histórico é a discussão proposta pelo Alon. Querer negar que uma emissora nunca participaria de um golpe de estado é ridículo, basta olhar um pouco para nossa história, por exemplo. A mídia não teve qualquer papel no suicídio de Getulio? Ou no golpe de 64? Governo JK? A Folha de São Paulo não apoiou a OBAN? O livro "1964: A conquista do Estado" documenta muito bem o papel que muitos jornais, rádios e TVs tiveram no golpe de 64. A participação da RCTV no golpe contra Chaves em 2002 é clara, ela gravou o depoimento de um general intimando Chaves a renunciar dentro da casa de um próprio repórter da RCTV, isso dentro de um plano de manter Chaves na Venezuela. Isso que eu acabei de contar não é nenhuma versão chavista da história, isto foi contado em rede nacional como um feito pelos próprios jornalistas que participaram da ação enquanto Chaves estava preso em um ilha. Simples assim, é só se dar ao trabalho de buscar no Youtube.
Então alguém pode perguntar: E daí? É justo então não renovar a concessão de um canal de televisão de oposição ao regime? Em primeiro lugar a concessão é pública e o governo é quem decide quem vai o não vai ao ar. Isso é bom? Não! Mas no Brasil é a mesmíssima coisa e a Globo nunca reclamou. Seria muito bom à democracia se discutíssemos quais critérios seriam justos para conceder uma concessão de rádio ou TV. Atualmente, a composição das pessoas que possuem a concessão deste bem público escasso em nada condiz com a composição do próprio público, ou em outras palavras, as classes mais abastadas, como políticos, industriais e banqueiros, conseguem dar voz a seus interesses muito mais facilmente, muitas vezes “enquadrando” governos que não atendem seus interesses, pressionando um governo eleito democraticamente utilizando um bem público para interesses particulares. No entanto, se, por exemplo, quisermos nos informar acerca de movimentos populares, somos obrigados a assistir, se assistirmos, pela ótica de uma determinada classe social e sempre retratando o fato de forma a atender os interesses do dono da concessão e não do público, o dono do bem escasso. Isso é justo? Eu digo apenas que parece que alguém confunde público com particular. Podem até acusar Chaves de querer fazer o mesmo, mas é por isso que eu adoro a democracia. Agora a classe dominante de lá sabe que existe alternância de poder e que o dono do poder pode agir conforme as regras estabelecidas anteriormente, logo uma boa oportunidade de discutir regras mais justas.
Em segundo lugar, o ambiente político na Venezuela é muito mais envenenado do que o daqui. E a atitude da oposição em nada ajudou a melhorar este cenário, preferindo descartar todas as chances de resolver o problema democraticamente, preferindo resolver seus problemas investindo em ações como “Lock-outs”, abandono de eleições e próprio golpe de estado. A democracia, aparentemente, nunca foi um valor para a oposição venezuelana como o poder e o controle da PDVSA foram. Nesse contexto a RCTV continuou sua campanha para derrubar Chaves como se não tivesse nada a perder, um evidente erro de calculo. Já eles queriam derrubar Chaves de qualquer maneira, ao menos poderiam ter tentado pelo menos ter evitado a ironia de ter usado um bem que pertence ao povo para tomar a decisão que pertence apenas ao povo.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 14:36:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Três longas justificativas das ações do Chávez. Nenhuma menção ao seu passado golpista. Nenhum argumento contra o meu ponto de que democracia não é sinônimo de legalidade.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 16:07:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

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sexta-feira, 1 de junho de 2007 17:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Arranhaponte,
muito embora se diga que a democracia é o império da lei, é perfeitamente possível destruir uma democracia sem ferir lei nenhuma. Foi assim com o nazismo na Alemanha. Eles venceram eleições, fizeram maioria no parlamento e, depois, fizeram com a lei o que eles quiseram. Deu no que deu...
É o problema de tolerar o intolerante.
A saída que os constituintes de 88 adotaram foi instituir cláusulas pétreas, que só podem ser modificadas pela eleição de uma assembléia constituinte específica. Alguns doutrinadores têm dúvidas se essa constituinte, mesmo eleita com poderes específicos, poderia rever as cláusulas pétreas.
De qualquer forma, o que caracteriza a democracia é a alternância. Se o Lula ou o partido dele se perpetuarem no poder, a exemplo do PRI mexicano, não há como falar em democracia.
Sds.,
de Marcelo.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 17:25:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Verdade. Chaves deu um golpe de estado, foi preso e expulso do exército. O fato dele ter dado um golpe em uma época conturbada, logo após o governo ter matado quase 3000 pessoas em uma revolta popular por causa de um aumento imposto pelo FMI nas passagens do transporte público, talvez explique mas não justifique. Será um golpe contra um governo desses seria a favor da legalidade? Talvez. Porém, como disse, ele foi e foi libertado, muito em parte devido a popularidade por ter se rebelado contra um governo que mata quase 3000 pessoas para cumprir as ordens do FMI, concorreu as eleições e ganhou. E ganhou tantas quanto eleições foram necessárias. O poder que ele tem é proveniente do povo, é só é imenso devido a "esperteza" da oposição, mostrando quanto preza a democracia se retirando dela. Agora, se ele mudou as leis foi com o congresso eleito pelo povo, não foi? Se aumentou o Supremo Tribunal de lá, é prerrogativa dele não é? Menem e FHC fizeram exatamente a mesma coisa e foram saudados como estadistas. Fujimori fez um pouquinho pior e muitas pessoas, inclusive dentre estas que chamam Chaves de ditador, ficaram bem quietas. Se a oposição venezuelana quer mudar este quadro, que respeite a democracia e passe a disputar eleições. E que a RCTV, que não pode ser presa como chaves foi, perca pelo menos a concessão. Para dizer a verdade e ser justo, o dono da RCTV deveria ser preso como Chaves foi, passar uns dois anos na cadeia como ele passou. Mas ninguém foi preso depois do golpe, se não me engano, não foram nem obrigados a indenizar as famílias das pessoas que morreram na tentativa de golpe. Que beleza de ditadura, não é mesmo?

sexta-feira, 1 de junho de 2007 17:46:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Marcelo,
Assim como já disse o Alon, eu também caracterizo melhor a democracia como havendo regras para situação e oposição disputarem o poder em condições de igualdade.
Mas quem decide a alternância ou não deve ser o eleitorado. Se decidir manter no poder um mesmo partido ou governante pelo voto, isso não faz o regime ser menos democrático.
A simples alternância, faria dos antigos regimes dos Generais na Bolívia, onde houve mais de 200 golpes de Estado desde sua independência faria da Bolívia da época dos Generais, um exemplo de democracia.
E cuidado maior para esse seu conceito não cair nos ouvidos dos caciques do PT e do PSDB. Imagine se eles tomem gosto pela idéia e criem a democracia da alternância automática: o sucessor de Lula em 2010 seria a oposição (a maior é o PSDB) por acordo, em 2014, volta o PT por acordo, e assim sucessivamente.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 18:38:00 BRT  
Anonymous F. Arranhaponte disse...

Rodrigo, FHC nunca aumentou o Supremo. Aliás, um amigo meu me informa que na ditadura fizeram isso

sexta-feira, 1 de junho de 2007 20:34:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Verdade F. Arranhaponte, mas FHC, como Chaves, mudou a constituição para poder concorrer a reeleição, além ter colocado Nelson Jobim, que foi ministro dele para ser juiz do Supremo, mas vá lá. Quem, além de alterar a constituição para poder concorrer a reeleição, mudou o número de juízes da suprema corte foi Menem. Mas oque que isso muda o que eu falei mesmo?
E essa alteração no número juizes foi aprovada por decreto-lei ou por um congresso eleito democraticamente em eleições limpas, onde todos partidos e políticos podiam concorrer? Isso que é a diferença entre ditadura e democracia.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 22:31:00 BRT  
Blogger Julio Neves disse...

A tentativa de golpe deve ser considerada crime no estado de direito democrático?

- A Venezuela não é mais uma democracia. Agora é uma ditadura. Então só resta aparecer um "Mijaíl Gorbachov" bolivariano pós Chavez. E se não ocorrer novas "revoluções", a história nos ensina que logo aparecerá um reformador. Até pode ser um Chavez "arrependido".


Caso sim, qual deve ser a pena para quem tenta derrubar pela força um governo livremente escolhido nas urnas?

- No caso de uma empresa privada, eu acredito muito numa pena chamada multa. E gigantesca. E no caso do cidadão revolucionário, no Brasil prisão de 30 anos.

Verifica-se que a solução é simples. O problema é achar "tutano" na cabeça de um esquerdista para que tenha condição de pensar nisso. Para ele é tudo ou nada. Não existe a figura do outro. Do pensamento diferente. Da oposiçao.

Vamos torcer para que o "Gorbachavez" apareça logo, antes que o ditador vizinho resolva difundir suas ideias alem das fronteiras da Venezuela. No Congresso Nacional do Brasil já andou dando seus "tiros".

OBS.: Alon, vc é um democrata.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 22:50:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Quantas pessoas o Chaves prendeu depois do golpe de 2002? Nenhuma? Alguma família das pessoas mortas naquela época foi indenizada pelos perpretadores do golpe? Não? Hum, não se fazem mais esquerdistas como antigamente.

sexta-feira, 1 de junho de 2007 23:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

José Augusto,
o conceito de alternância proposto por Lowenstein e aceito mundialmente pressupõe normalidade institucional. Seu exemplo da Bolívia é ridículo. Golpes de estado nunca representam democracia, mas a superposição de vontade de uma parcela da população sobre a outra, pela força.
Ao mesmo tempo, o que vc. chama de seu conceito de democracia se parece muito com a antiga concepção da "império da lei". Ela está ultrapassada, porque é perfeitamente possível que alguém destrua a democracia sem ferir nenhuma lei. Foi o que os nazistas fizeram para tomar o poder na Alemanha. Ou vc. não sabe que Hitler também foi eleito? Fidel vem sendo reeleito há quarenta anos e Cuba está longe de ser uma democracia. Tudo dentro da lei. Qula lei? A que interessa mais ao ditador. A alternância só acontece quando a lei legítima e válida é observada com regularidade. O caso do PRI mexicano, que dominou e arrasou o Mèxico por mais de cinquenta anos também é emblemático. Não houve alternância, mas as leis seguiram intactas. Veja como seu conceito de legalidade formal é perigoso.

sábado, 2 de junho de 2007 09:17:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, não conheço outro blog que mantenha o nível de qualidade do seu (bem, não é lá grande coisa, não conheço muitos). Além da boa produção do titular, tem mantido um debate aberto e equilibrado, capaz de agregar muita informação e argumentos relevantes. Esse é um equilíbrio difícil e frágil, que exige respeito pela posição alheia, quando não concordamos com ela ou mesmo quando a menosprezamos. Vou me aproveitar do trabalho dos outros e concordar simultaneamente com boa parte dos comentários pró e contra Chaves: uns e outros acusam seus desafetos de anti-democratas, mas essas posições não são incompatíveis. Como bem mostra (e documenta) o Paulo Araújo, Chaves está longe de ser um democrata e, como bem argumenta o José Augusto, a oposição tampouco o é: a inspiração autoritária da estratégia de recusar representação parlamentar é evidente. Parece claro, para mim, que a democracia se mantém na Venezuela porque nenhum dos lados tem força para impor-se. E de fato se mantém: não apenas eleições legítimas continuam previstas, como não está havendo repressão às grandes manifestações contra o fechamento da RCTV, mas como disse F. Arranhaponte “uma democracia muito adoentada, e em risco”. Meu ponto é que a necessidade de defesa intransigente da democracia pressupõe julgamentos duvidosos: o de que um dos lados da disputa é necessariamente democrático (ou mais democrático), ou de que a democracia seja sempre possível, ou ainda que seja sempre a “melhor” solução e a mais compatível com a estabilidade e o “progresso” (em qualquer sentido). A resposta a suas perguntas Alon dependem da validade daqueles pressupostos, um golpe contra a democracia somente é um crime para quem defende esse regime, como a deposição de um rei para o monarquista. Já quanto à pena, a democracia está moralmente obrigada a ser menos rigorosa, em função de aceitar a validade de posições contrárias. Politicamente, essa é sua fraqueza e não sua força.

sábado, 2 de junho de 2007 12:27:00 BRT  
Anonymous Ricardo Bánffy disse...

Querido Alon,

Tentativas de derrubar o poder pela força não podem ser consideradas crime, ao menos no meu modesto entender (estou bem longe de minha seara aqui) por um motivo simples: Quando um governo falha em representar os interesses de um povo, normalmente ele também carece dos mecanismos necessários para sua remoção. Governos gostam de se perpetuar e, se não conseguirem fazer isso pelas urnas, tentarão de tantas outras formas como puderem. Chávez é um exemplo interessante - embora não corra qualquer risco aparente de ser removido pelo processo democrático "normal", parece se mover deliberdadamente, para criar salvaguardas. O real diagnóstico de se uma democracia é real ou não não é apenas se os representantes foram eleitos, mas se estes representantes se permitem correr o risco de serem removidos de forma simples e descomplicada caso deixem de representar os interesses de seus eleitores. A Venezuela parece falhar nesse quesito.

Dito isso, eu arriscaria também recomendar que muitas coisas que já vimos nesse filme triste - dissolver legislativo, cassar mandatos, interferir com o judiciário, violar a liberdade de imprensa ou tentar instalar uma ditadura, seja "bolivariana" ou de direita - fossem considerados crimes da mais alta gravidade. Eu nunca li a constituição venezuelana, mas, se ela vale o papel em que foi escrita, eu imagino que muito do que se viu nos últimos anos seja uma violação clara de seus princípios.

Acho que, até mais do que você, sou patologicamente favorável à liberdade da imprensa. A tecnicalidade em que se apóia a não renovação da licença é um bom sinal - sinal de que Chávez ainda precisa manter pelo menos um verniz de legalidade sobre seus atos. Mas não deixa de me incomodar, profundamente, que as consequências da tecnicalidade sejam tão evidentemente convenientes ao atual presidente do país. Liberdade de expressão (e a liberdade de imprensa está incluída aí) é essencial para o bom funcionamento da democracia e, certamente, inclui a liberdade de falar sistematicamente e muito mal do ocupante do cargo de presidente.

Em meados dos anos 90, lá por 96, eu era radicalmente favorável ao controle da posse de armas de fogo. Sempre acreditei que um cidadão jamais teria qualquer necessidade de se armar e que a existência e acessibilidade (e abundância) de armas de uso civil criava mais riscos do que benefícios. Alguns eventos da última década me fizeram mudar completamente de opinião. É dever dos cidadãos de um país defender os princípios de sua constituição e esse dever inclui o dever de se erguer contra um governo que não mais os representa. As quatro caixas de Ed Howdershelt precisam poder ser usadas.

O único juiz a quem cabe julgar os revolucionários (ou os golpistas - a designação depende, entre outras coisas, de seu grau de sucesso profissional) é a História.

Não se aflija: Carmona não será lembrado como um grande liberdador. Mas também a Chávez não será reservado um julgamento muito mais leve.

domingo, 3 de junho de 2007 19:45:00 BRT  
Anonymous Ricardo Bánffy disse...

Na verdade (complementando o post anterior - perdão por isso, Alon), embora seja um bom sinal que HUgo Chávez tenha que manter a aparência de legalidade se apoiando em um motivo técnico para não renovar a concessão da RCTV, é particularmente alarmante que essa decisão tenha recaído sobre um político eleito e não em um técnico de carreira dentro do ministério das comunicações ou qualquer que seja o órgão responsável por isso. O fato da decisão recair sobre um político eleito convida todo tipo de questionamento sobre a lisura da decisão e seus reais motivos.

E, se o motivo é punir os ex-golpistas, que Chavez diga isso em alto e bom som, sem se apioar nas tecnicalidades da grade de programação da emissora.

domingo, 3 de junho de 2007 21:11:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

Se alguem acha que Chaves não o representa e está descontente, que concorra a eleições e convença o pova a votar na alternativa à Chaves. Dizer que existe ditadura em um país que tem eleições limpas e todos partidos concorrem é ridículo. Um golpe de estado neste caso não é um golpe contra o governante e sim contra a decisão soberana do povo. Se está descontente, que vá caçar votos na rua. É impressionante como existem pessoas que enchem a boca para chamar Chaves de ditador, mas é só encontrar um presidente que não o agrade para jogar a democracia para o espaço. Achava que a democracia era um consenso no país, temo estar errado...

segunda-feira, 4 de junho de 2007 02:37:00 BRT  
Blogger Na Prática disse...

Caro Alon,

A RCTV era golpista, como Chávez também. A questão, nesses casos, é o que fazer para interromper a crise política. Chávez foi anistiado por esse motivo, a RCTV continuou funcionando pelo mesmo motivo. Em si, a medida não despertaria tantas preocupações, mas em um contexto em que a independência do judiciário, os movimentos sociais não alinhados com Chávez, e mesmo a autonomia dos partidos menores que o apóiam, estão sob ataque, a tendência para o autoritarismo é clara.

Como militante de centro-esquerda, fico mais apavorado ainda com os apoios oferecidos por PT, PSOL, etc. Antes de mais nada, a esquerda democrática (que, na minha opinião, ainda é representada no continente pelo PT e pelos socialistas chilenos, além de políticos importantes no Uruguai, na Argentina, no Peru, no México, etc.)deve protestar contra os abusos vindos de nosso próprio lado.

terça-feira, 5 de junho de 2007 12:51:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Volto a este post assistir sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, ontem, dia 4 de junho. O entrevistado foi o professor de filosofia Roberto Romano da Unicamp, que falou de ética na política.

O programa foi bem melhor do que eu esperava. Pelo texto do anúncio, lido pelo moderador Paulo Markun, esperava mais uma rodada da ladainha sobre corrupção do Banco Mundial, cujo presidente acabou de ser afastado por prática de nepotismo - uma cepa de corrupção muito bem adaptada ao solo brasileiro.

No final programa você - bravamente - quase conseguiu arrancar do professor o reconhecimento do comportamento golpista da RCTV na Venezuela. Quase, por que seu velho companheiro Fernando Rodrigues, da Folha, interrompeu a resposta para fazer um comentário absolutamente inoportuno sobre o sempre esperado efeito profilático da tecnologia. A mesma que, em breve, deverá devolver a paz aos céus brasileiros, quando controladores e pilotos se tornarem obsoletos.

A TV Cultura não entende nada de marketing. O Roda Viva deveria se chamar Pula-Pula. Roda, roda e não chega a lugar algum. Ninguém deixa o entrevistado responder até o fim e ninguém esgota um assunto antes de passar para outro.

terça-feira, 5 de junho de 2007 15:42:00 BRT  

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