quarta-feira, 16 de maio de 2007

A boa notícia que vem da CTNBio (16/05)

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje a liberação do uso comercial de uma variedade de milho transgênico. O Brasil agradece. Outro dia, li que pesquisadores brasileiros trabalham no exterior para desenvolver o mosquito transgênico que, por um mecanismo de seleção, ajudará a combater o mosquito que transmite a malária. Precisamos criar um ambiente e condições para que os brasileiros possam pesquisar biotecnologia no Brasil. O fim da moratória "branca" dos produtos derivados de organismos geneticamente modificados (OGM) foi um grande avanço do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Que a liberação do milho transgênico pela CTNBio seja apenas o primeiro passo de uma longa caminhada. Pela emancipação científica do nosso país. Alguns dirão que estamos, por enquanto, liberando coisas produzidas pelas multinacionais. 'E verdade. Mas garantir um ambiente amigável para as pesquisas e para os negócios com OGM é condição indispensável para que surja e se desenvolva entre nós uma vibrante indústria nacional de biotecnologia.

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12 Comentários:

Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, bom lembrar que nós que estávamos muito na frente da Argentina em desenvolvimento e tecnologia (o que não significa muita coisa, reconheço) com essa política no mínimo "estranha" (afinal, a quem interessa o repúdio aos transgênicos?) ficamos um pouco atrás.

quinta-feira, 17 de maio de 2007 04:13:00 BRT  
Anonymous Sávio disse...

Quero ver você mesmo comer este milho com a quantidade liberada em 40 vezes mais de glicosato que é o componente ativo do agrotóxico ao qual esta semente é resistente.
Transgênicos ferem o princípio da precaução (adotado pelo mundo desde a Eco 92) e detonam a biodiversidade (o milho, por exemplo, pode contaminar plantações não transgênicas a 100km de distância).
Este mesmo milho, o Liberty Link da Bayer foi recusado por praticamente todos os países da Europa. Estamos, ao lado dos mexicanos, sendo praticamente cobaias dos efeitos disto no ser humano.
É puro interesse financeiro, nada mais.

quinta-feira, 17 de maio de 2007 08:18:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Eu queria entender melhor. Sabe como é, ter opinião sobre tudo é um negócio muito perigoso.

Pra que serve o milho transgênico, e quem precisa dele? Eu sei (mesmo)que os americanos morrem de inveja da produtividade do solo e do clima brasileiros. Ah, como eles gostariam de colher soja duas vezes ao ano! Na terra deles eles só podem aproveitar uns 6 meses anuais. Por isso precisam desses produtos maravilhosos que eles inventam e - ainda por cima - vendem pra quem não precisa. Reconheçamos: quem entende de marketing são os gringos. Nós não passamos de uns dudas.

Já a necessidade de combater a malária você não precisa me explicar. Mas o Professor Isaías Raw, que nós conhecemos e respeitamos - grande educador e cientista brasileiro, diretor do Instituto Butantan - acha que é mais eficiente investir em vacina contra a dengue do que matar mosquito com tiro de canhão. Isso talvez sirva para a malária também.
Parece que o professor Isaías andou estudando marketing nos EUA...

Já pensou se a tecnologia nacional for capaz de produzir essas vacinas? Vamos salvar uma infinidade de mosquitos sob risco de extinção.

quinta-feira, 17 de maio de 2007 13:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Temos que pensar também no direito à vida que têm os mosquitos. Por que só os fetos? Os mosquitos não foram também criados por Deus? Todos os bichos são potencialmente perigosos, mas isso não significa que devamos matá-los todos.
Além disso, embora eu não compreenda bem para quê, as pessoas têm o direito de manter garrafas vazias e pneus usados em casa, embora as garrafas e os pneus não tenham sido criados por Deus (eu acho, não juro).

quinta-feira, 17 de maio de 2007 18:42:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Anônimo, essa sua questão já foi resolvida em post anterior. Há uma fratura filosófica entre os que reduzem o homem a um animal e os que o consideram criado à imagem e semelhança de Deus. Quanto às garrafas e pneus, creio haver consenso de que não são seres viventes. Como o debate é sobre a vida, penso que seu argumento não cabe. Um abraço e parabéns pela sofisticação do comentário.

quinta-feira, 17 de maio de 2007 18:58:00 BRT  
Anonymous JV disse...

My God!

quinta-feira, 17 de maio de 2007 23:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,

obrigado pela resposta a meu modesto comentário. E pela elogiosa avaliação. Só que, relendo-o, fiquei pensando se não estaria um pouco sofisticado demais. Vou tentar ser mais simples.

A questão foi posta neste post porque, apesar de não falar de Deus, é de conhecimento geral que também as questões envolvendo transgênicos e novos defensivos vai bater na divindade. Aborto também, e creio que até a reforma política, pois não tenho dúvidas de que algumas cúpulas partidárias consideram-se Deus.
Você diz haver "uma fratura filosófica entre os que reduzem o homem a um animal e os que o consideram criado à imagem e semelhança de Deus". Tomando como base um antigo (e magistral) post seu, poderíamos colocar a questão com os verbos trocados, assim: "uma fratura filosófica entre os que consideram o homem um animal, superior, e os que o reduzem a um ser criado à imagem e semelhança de outro, superior". Como você vê, tudo uma questão de ponto de vista (ou ponte de vista, estendida sobre o abismo criado pela fratura).

O problema é que as questões sociais todas podem ser resolvidas a contento também pelo ponto de vista laico, sem o recurso a Deus, Sua Onipotência ou epifanias sortidas. E é mesmo melhor que seja assim já que as religiões, principalmente as reveladas e monoteístas, cultivam o péssimo hábito da intolerância, geralmente montadas em uma posição dogmática inexplicável. Que abre (essa posição dogmática inexplicável) possibilidades para todos os lados, inclusive a discussão dos direitos humanos dos mosquitos. Ou dos cães (questão essa muito mais complicada, pois, como já pontificou o Ministro Magri em antanho, "o cachorro também é um ser humano"). E das garrafas: com toda essa photoshopice que nos assola por todos os lados, eu juro que vi, inda outro dia, na televisão, uma garrafa de cerveja transformar-se em uma linda mulher. Sou capaz de jurar que não é verdade, mas hoje em dia... Também sou capaz de jurar que mulheres virgens não concebem, mas tem muita gente que diz o contrário.
De modo que entendo que o recurso a Deus, e os sempre mais sofisticados argumentos religiosos, deve ser deixada para momentos de maior dúvida, preferindo-se no mais das vezes o recurso a argumentos científicos, quase sempre mais simples, às vezes rudes, e aos postulados de uma cidadania laica de tolerância e diversidade.

Creio que agora talvez tenha ficado mais claro. Peço desculpas, mas essa minha mania de escrever por linhas tortas deve-se (menos que a um desejo de escrever certo), a um hobby que eu cultivo, e que é justamente estudar questões teológicas. Por isso posso inclusive dizer que embora não seja muito íntimo de Charles Darwin, prefiro que sua teoria continue a ser ensinada nas escolas a que seja substituída pelo criacionismo, por exemplo. Ou discutir se Cristo tinha uma natureza apenas divina, apenas humana, humana e divina com preponderância de uma ou outra ou ambas as naturezas em harmonia. Pode parecer incrível, mas são questões da maior importância, especialmente para os cristãos.

E, por fim, todo mundo que assistiu Toy Story sabe que aqueles bichinhos de pelúcia que ficam dentro daquela máquina nos parques de diversão, acreditam piamente que quando são pegos pela garra que vem de cima vão para um outro lugar, muito melhor, um paraíso.

Como não quero me alongar, deixo minhas considerações sobre as prescrições dietéticas religiosas para outra hora.

Um grande abraço,

Anônimo

sexta-feira, 18 de maio de 2007 01:08:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

E não é para ter saudade do tempo que prof. Tratengberg lembrou?

abs.

sexta-feira, 18 de maio de 2007 05:46:00 BRT  
Anonymous Artur Araújo disse...

Alon, a clivagem "filosófica" que você postula é religiosa, pertence ao campo da fé, da metafísica. Mais uma vez você se vale de um apriorismo para focar o debate.

sexta-feira, 18 de maio de 2007 15:09:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Eu era contra os trangênicos. Achava que eles eram antinaturais e potencialmente perigosos.
Mas hoje não tenho problemas com eles! Entendi que o maior perigo é o "Efeito Outlook". Se todas as plantas são geneticamente (quase) iguais em sua resistência as pragas, no dia em que surgir uma praga que vença o gene modificado, vamos perder tudo... assim como os vírus de internet se propagam rapidamente, pela gigantesca base instalada de programas Microsoft!

sexta-feira, 18 de maio de 2007 17:07:00 BRT  
Anonymous JV disse...

Richard, você era contra os transgênicos por causa da propaganda. Tudo hoje em dia se resume a propagar, propagar, sem a menor responsabilidade. E de preferência usando o povo (quanto mais carente melhor) como massa de manobra.

domingo, 20 de maio de 2007 13:21:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Volto atrasado a esse post antigo devido às minhas falhas de acesso:

Não acho que a Bayer ou qualquer outra multinacional mereçam mais credibilidade do que as ONGs brasileiras. Muitas delas, como a ASPTA eu respeito e admiro. Prestam um serviço inestimável á nação educando o homem do campo e preservando o meio-ambiente. A duras penas, às custas do idealismo e do esforço pessoal. A elas, todo o meu respeito e admiração.

Acho que é preciso deixar claro que toda pesquisa é necessária. Essa é a principal razão da autonomia universitária que você defende. Sendo assim, essa é a principal demonstração de contas que a universidade nos deve.

Resta saber se devemos gastar nosso pobre dinheirnho nas pesquisas que interessam principalmente às multinacionais, ao agronegócio e ao latifundio. Porque são esses os principais interessados na biotecnologia.

Outras pesquisas também são importantes para a universidade, a saúde, o meio-ambiente, o comércio e a economia.

A biodiversidade brasileira é um patrimônio incomensurável e deve ser protegida a todo custo. No Brasil, a falta de terras não é problema como você já provou aqui. E a agricultura orgânica brasileira vai de vento em popa, enquanto a demanda nacional e internacional por esses produtos não pára de crescer.

Marketing, como sempre, não é o nosso forte. Não há porque investir o dinheiro público das universidades em pesquisas para criar produtos que o mundo vem rejeitando, enquanto precisamos aumentar a produtividade de nossa agricultura limpa, saudável e cada vez mais rentável.

segunda-feira, 28 de maio de 2007 11:28:00 BRT  

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