quinta-feira, 24 de maio de 2007

Três perguntas sobre autonomia (24/05)

Esse debate sobre a autonomia universitária promete ser divertido e esclarecedor. Alguém deveria fazer uma pesquisa entre os ocupantes da reitoria da USP cruzando respostas a três perguntas:

1) Você é favorável ao controle externo do Judiciário?
2) Você é contra a autonomia operacional do Banco Central?
3) Você é contra a autonomia operacional das universidades públicas?

Aposto que o sim ganharia disparado nos itens 1 e 2 e perderia também disparado no item 3. Mas por que as universidades públicas devem ter autonomia absoluta para gastar o dinheiro do povo como bem entenderem e o Banco Central não deve ter a mesma autonomia para cuidar da moeda? E por que o Poder Judiciário deve ter a sua atividade administrativa controlada de fora se o mesmo não se aplica às universidades públicas? É evidente que não faz nenhum sentido, logicamente falando. Mas faz sentido politicamente falando. Os ocupantes da reitoria da USP não querem que o governo estadual se meta nos assuntos da universidade porque são contra o governo estadual. Se fossem a favor, os cartazes pela autonomia seriam substituídos por outros, pedindo mais participação popular na gestão do ensino superior público. Provavelmente exigiriam a criação de organismos paragovernamentais que materializassem essa maior participação. Eu já decidi: sou rigorosamente contra absolutizar a autonomia da universidade em regimes democráticos. Dizer que Luiz Inácio Lula da Silva não pode nem deve se meter na maneira como as universidades federais gastam os recursos a elas destinados é uma bandeira profundamente reacionária. Para a USP vale a mesma coisa. O dinheiro que paga os salários dos professores e funcionários da USP vem dos impostos. Atender às justas reivindicações dos estudantes da USP por melhores condições de estudo e vivência universitária depende de recursos que saem diretamente do bolso do trabalhador. Então, é reacionário tentar impedir que o governador José Serra, eleito tão democraticamente quanto Lula, tenha algum controle sobre as despesas nas universidades públicas paulistas. Acho isso razoável. A não ser que você seja dos que só aceitam o resultado de uma eleição quando o seu candidato ganha. Nesse caso, penso que a nossa divergência é mais profunda. Eu diria que ela é quase intransponível. Eu respondo "sim" às três perguntas feitas no começo deste post. E você?

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20 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Na verdade, penso, modestamente, que toda a questão se coloca no sentido de limitar os poderes do Estado, mediante adoção de um sistema de freios e contrapesos que impeça abusos.
Quanto ao Banco Central, respondo que honestamente não sei.
Quanto ao Judiciário, o controle externo visa coibir abusos principalmente administrativos, dado que é o Poder da República que mais força concentra, sendo compreensível que se institua um controle.
Quanto à autonomia universitária, a questão é a mesma, apenas em vetor oposto. Nesse caso a autonomia é importante para garantir a pesquisa científica e a plena vida cultural, para tanto limitando a influência do Poder Executivo sobre a administração universitária.
A questão me parece bem fácil de compreender, e passa longe de partidarizações e outros parti pris de diversas cores, que tentam desqualificar o movimento.

O raciocínio desenvolvido no post (e nos anteriores) difere pouco do que se vê nos jornais. Ontem, no Jornal da Globo, tive de ouvir algo como "em assembléia da qual participaram apenas 5% dos professores...". Como se juntar cinco por cento de uma comunidade para votar fosse a coisa mais fácil do mundo. Qualquer dirigente de base sabe disso, e o presidente da UNE sabe muito melhor. Talvez por isso tenha sido atropelado (junto com o vice-presidente), pelo tal espontaneísmo do movimento.

Anônimo, mas na vanguarda do movimento, já que estou em greve nas Sociais desde março até julho

quinta-feira, 24 de maio de 2007 14:16:00 BRT  
Blogger iagê disse...

"Mas [1]por que as universidades públicas devem ter autonomia absoluta para gastar o dinheiro do povo como bem entenderem e o Banco Central não deve ter a mesma autonomia para cuidar da moeda? E [2]por que o Poder Judiciário deve ter a sua atividade administrativa controlada de fora se [3]o mesmo não se aplica às universidades públicas?"

1- As universidades, estaduais ou federais, NÃO têm "autonomia absoluta" para aplicar os recursos. estão sujeitas à fiscalização de órgãos de controle externo e interno. Os cargos de direção são eletivos. O Ministério Público, Federal ou Estadual deve e faz a fiscalização sobre essas entidades, além dos Tribunais de Contas da União e dos Estados. É simplesmente mentira dizer que não há controle;

2- o Poder Judiciário deve, como as Universidades já são (mas obviamente de maneira diferente, por se tratar de órgãos da administração com funções e estrutras distintas), submeter-se a um controle administrativo. Mais: não existe isso no Judiciário AINDA;

3- o princípio de controle, sim. As formas propostas, não. Simplesmente porque são instituições completamente diferentes, na função e na estrutura, como já referi.

Os decretos de Serra não propõem um mecanismo de controle inovador. O objetivo é ter ingerência sobre os recuros destinados à Universidade, debilitando um serviço que já enfrenta sérias dificuldades, que é o ensino superior público. O problema dessas comparações, que insistes em fazer e eu insisto em criticar, é que elas abrem espaço para, sob o discurso da transparência na administração, redirecionar recursos para sabe-se lá onde!

Um abraço,

Iagê

quinta-feira, 24 de maio de 2007 14:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Essa me lembra meu professor do primário que avisava para não somar laranjas com bananas porque o resultado seria uma fruta muito exótica! Vou tentar descer ao nível da questão: 1) O judiciário é um dos poderes da república; 2) o BC é um órgão técnico para organização e controle da economia; 3) as universidades têm como objetivo ensino e pesquisa. Em comum: os dois primeiros são obrigatoriamente mantidos com recurso públicos e estas últimas "podem ser". NO SEU POST VC CONFUNDE (ESPERO QUE NÃO DELIBERADAMENTE) AUTONOMIA "OPERACIONAL" COM AUTONOMIA "ABSOLUTA" (ESTÁ NA TERCEIRA LINHA). A Resposta para sua pergunta está nessa diferença. Ou seja, o Judiciário deve ter autonomia plena quanto ao mérito dos julgamentos, mas pode ser supervisionado administrativamente pelo Congresso (Pq este representa a soberania). As universidades e o BC devem se submeter ao controle político porque numa sociedade democrática este é legítimo para ditar os rumos da economia e da educação.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 14:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

As questões que vc. propõe não contêm os elementos necessários para uma análise precisa. O que vc. entende por controle externo do judiciário? Seria interferir diretamente nas decisões dos juízes? Se for, sou contra. Seria apurar casos extremos de processos que não andam, ou rotinas administrativas viciadas, incluindo os concursos pouco trnasparentes para ingresso na carreira? Então, apóio com louvor.
O que vc. entende por autonomia do Banco Central? Seria liberdade total para controlar a economia nacional, sem se importar com os custos sociais? Tô fora. Seria liberdade para perseguir as metas e indicadores econômico-sociais estabelecidos pelo congresso nacional e pelo poder executivo por um prazo determinado? Posso aceitar e elogiar. E a autonomia universitária? Também é complicado. Na parte acadêmica, acho que a universidade deve traçar seus rumos, perseguindo a excelência (auditável) e fugindo de toda a forma de demagogia. Na parte administrativa, a prestação de contas detalhada é essencial, afinal manejam dinheiro público. Além disso, não dá para confundir as situações. Elas possuem um antecedente geral, mas diferenças específicas. Ou em lulês: cada caso é um caso.
Sds.,
de Marcelo.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 15:28:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Mais uma pergunta para vocês. É legítimo o MEC se imiscuir nos currículos e no ensino de primeiro e segundo graus (é assim que se chama, ainda?).

quinta-feira, 24 de maio de 2007 15:49:00 BRT  
Anonymous Patricia disse...

Esses itens são de comparação difícil. No caso da USP, deixar nas mãos de Pinotti e Serra a possibilidade de interferência na universidade é perigoso. Lembre-se dos casos da TV Cultura, da Osesp, do Teatro São Pedro e imagine o desastre que poderia ser feito na universidade. Não se pode usar a faculdade de acordo com os interesses de cada um que "está" governador. Não há pesquisa que vá em frente. Eu, por exemplo, curso lá lingua hebraica, literatura e cultura judaica. Esse curso tem cerca de 5 alunos e professores/doutores dando aula. Se pensarmos em termos do dinheiro público gasto, acabamos com ele. É o único curso da América Latina e é simplesmente maravilhoso. Esse é só um exemplo, existem outros cursos em situação semelhante na FFLCH como: grego, latim, árabe e outras línguas. O tal decreto do governador prevê autorização para a contratação de novos professores, então corremos o risco da extinção desses e de outros cursos. E aí, como isso te parece?

quinta-feira, 24 de maio de 2007 16:01:00 BRT  
Blogger Paulo disse...

Alon, às vezes você parece que pega a máquina de distorção de realidade do Reinaldo Azevedo emprestada... A Universidade jamais teve "autonomia absoluta", o gasto dos recursos repassados pelo estado sempre foram fiscalizados pelo Tribunal de Contas e a aplicação destes recursos sempre dependeu de longas discussões e negociações internas da própria Universidade.

Os decretos do Serra (e ai podiam ser do Maluf, do Fleury, do Quércia, da Marta) atingem justamente o poder da própria Universidade de decidir onde e como deve ser aplicado aquele dinheiro. Ou é governador da vez que deve decidir que cursos a Letras vai oferecer, que pesquisas a Física vai fazer e quando terá almoço no restaurante central?

Ficar misturando assuntos díspares pode até ajudar a compor um texto argumentativo, mas não ajudam em nada a esclarecer o problema. Ou você acha que todas as escolas de Ensino Fundamental tem entre seus quadros gente capacitada a elaborar currículos em todas as áreas? Ou que a USP não tem entre seus quadros pessoas capazes de pensar a Universidade em função das necessidades de ensino e pesquisa do país?

quinta-feira, 24 de maio de 2007 16:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

O Iage já respondeu, a Universidade tem controle externo via TCE e TCU quando verbas federais, a lei é clara.

O que se quer é o governador dizer onde gastar o dinheiro dentro da Universidades, tanto que o Pinoti se auto-intilutou-se presidente do CRUESP, esse é um caso a parte cria-se uma secretária pouco transparente para cuidar da transparência das universidades, quem vai (foi) empregado é só comissionados, ligados a quem, o governador...uma pausa, não deve haver desemprego entre os tucanos em São Paulo dá-lhe aparelhamento.

O que ocorre é que é difícil quem está fora (como eu) e foi ex-aluno toda a gama de pressões que aparecem para enquadrar as universidades públicas paulistas em um projeto de poder para 2010, o que se quer é tomar parte das verbas para utilizar em outras áreas, tanto que o Pinoti semana passada falou da importância da pasta dele cuidar da melhora do ensino básico...outra pausa, por que escolheram esse cara.

O Serra atirou no queria (quer poder), forçou a barra para mudar seu discurso de ex-presidente da UNE e arruaceiro, os estudantes que são aprendizes não atentaram que ele pouco se lixa com seu passado, apenas com 2010, tinham uma pauta extensa e complicada, de vai desde questões políticas até do dia-a-dia, agora vão ter que aguentar o tranco, já que o se está em jogo é o voto conservador de sampa.

E nós ex-alunos, bem uns apoiam os estudantes, outros não, tem festas conjuntas até 2010, e dependendo do desemrolar da coisa, o Serra vai perder um monte votos para o Aécio e o Ciro, já que o Serra quer se posicionar como baluarte da direita paulista azar o dele, vai ser engraçado se aparecer um novo Alckmin, por que aí mesmo essa nova base de votos não vão votar nele, ou ele acredita que os antigos malufistas vão amâ-lo?

Marcelo

quinta-feira, 24 de maio de 2007 17:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Vcs. estão comprando o discurso da estudantada greveira. Os decretos só exigem a prestação de contas em tempo real no sistema de contas do estao. Até o Judiciário, que é poder independente, já faz isso. As universidades estaduais fazem isso com uma demora de até dois meses. É só isso. Ao mesmo tempo, acho que a universidade deveria fazer uma prestação de contas mais claras para a população em geral (todos pagam impostos para custeá-la). Mostrar o que é gasto em quais atividades, projetos especiais, propostas de investimentos e seu retorno em número de alunos, teses defendidas, etc. A USP (estudei lá duas vezes) é uma grande caixa preta. A situação é pior que a do judiciário.
Alon, na sua segunda pergunta, acho que o MEC deveria indicar o currículo mínimo a ser cumprido por todas as escolas (públicas e privadas) do Brasil, mas não deveria exigir métodos de ensino. Cada escola deve escolher o que pode oferecer além do mínimo do MEC e também sues métodos pedagógicos, livros, etc.
Abx., de Marcelo.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 17:29:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Claro que o MEC deve obrigar um currículo mínimo nacional, tanto no ensino fundamental (ex-1. grau) e ensino médio (ex-2. grau) como no superior. Não fosse assim, os diplomas nem seriam reconhecidos no exterior, e haveria problemas entre Estados. Antigamente normalistas formadas em alguns Estados brasileiros não podiam lecionar em alguns outros.
Quanto mais maduras as instituições e a democracia, mais deve haver autonomia em mais orgãos. É uma forma de gestão descentralizada, que tem maior probabilidade de ser mais eficiente. E quanto mais autonomia, maior a necessidade de controle externo, através da transparência e auditoria, mas não da submissão hierárquica (as Universidades são auditadas pelos Tribunais de Contas, se não me engano).
A Universidade é um centro de pensamento mais do que maduro para ser autônoma. Mesmo assim os governadores costumam nomear reitores dóceis. No RJ, a UERJ sofreu catástrofes nas mãos de Garotinho.
Quando o Banco Central deixar de ser uma Confederação de Bancos, deve ser autônomo, obedecendo à diretrizes de Estado de longo prazo.
A Polícia também deveria ser autônoma. Deveríamos eleger os delegados em nossos distritos policiais.
E escolas dos ensinos fundamentais e médio deveriam ter o diretor eleito pelos pais dos alunos.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 17:43:00 BRT  
Anonymous carlos disse...

caro alon,

suas observações sobre autonomia são bastante pertinentes, porque provocam dúvida e realmente fazem pensar. acredito, no entanto, que elas escapam um pouco ao cerne do assunto, que não é a gestão do dinheiro do povo, mas dos passos a serem dados pela universidade daqui pra frente.

posso garantir que nenhum dos estudantes ocupantes é contra a transparência dos gastos públicos. é óbvio que a usp deve prestar contas do que faz com nossos impostos, seria ingenuidade pensar o contrário. está havendo um desvio nessa história toda, principalmente nas matérias veiculadas pela mídia contrária à ocupação. isso porque "prestar contas" é diferente de "pedir autorização" para gastar.

na primeira opção, a universidade investe da maneira como acha que deve investir e, depois, demonstra a seu mantenedor --o estado-- o que fez com o dinheiro repassado. na segunda, a universidade tem que submeter suas decisões ao crivo estadual, que pode aprovar ou não determinada destinação de verbas. acredito que vc vá concordar que, prestando contas, a instituição pode perfeitamente manter sua autonomia, ainda que seja repreendida e obrigada a fazer correções quando constatada alguma ilegalidade. afinal, autonomia não é libertinagem. mas, pedindo autorização, as coisas ganham outras cores.

pois bem, estas cores estão num dos decretos de josé serra que privilegiam recursos para a chamada "pesquisa operacional", de aplicação no mercado. ora, onde ficarão, nesse caldo, as investigações sociológicas, antropológicas, históricas, filosóficas, comunicacionais, enfim, as tantas pesquisas realizadas pela universidade que não possuem valor mercantil? a universidade deve interagir com a sociedade que a sustenta --e, aí sim, poderia fazer muito mais--, não com o mercado.

existe ainda a criação da secretaria de ensino superior, que simplesmente separou usp, unesp e unicamp de instituições parceiras, como a fapesp e o centro paula souza --alocados na secretaria de desenvolvimento. como essa disposição administrativa vai facilitar as coisas para o ensino superior, tão carente, por exemplo, das agências de fomento e do ensino tecnológico? o governo não explica, a mídia não pergunta.

enfim, sou estudante da usp, não-ocupante, mas completamente favorável à ocupação da reitoria. essas são só algumas questões que nosso jornalismo não abarca. quem se informa apenas pelos jornais não tem mesmo como ver o problema de outros ângulos. assim, o real sentido da ocupação fica distorcido. uma pena...

quinta-feira, 24 de maio de 2007 17:48:00 BRT  
Anonymous carlos disse...

caro alon,

suas observações sobre autonomia são bastante pertinentes, porque provocam dúvida e realmente fazem pensar. acredito, no entanto, que elas escapam um pouco ao cerne do assunto, que não é a gestão do dinheiro do povo, mas dos passos a serem dados pela universidade daqui pra frente.

posso garantir que nenhum dos estudantes ocupantes é contra a transparência dos gastos públicos. é óbvio que a usp deve prestar contas do que faz com nossos impostos, seria ingenuidade pensar o contrário. está havendo um desvio nessa história toda, principalmente nas matérias veiculadas pela mídia contrária à ocupação. isso porque "prestar contas" é diferente de "pedir autorização" para gastar.

na primeira opção, a universidade investe da maneira como acha que deve investir e, depois, demonstra a seu mantenedor --o estado-- o que fez com o dinheiro repassado. na segunda, a universidade tem que submeter suas decisões ao crivo estadual, que pode aprovar ou não determinada destinação de verbas. acredito que vc vá concordar que, prestando contas, a instituição pode perfeitamente manter sua autonomia, ainda que seja repreendida e obrigada a fazer correções quando constatada alguma ilegalidade. afinal, autonomia não é libertinagem. mas, pedindo autorização, as coisas ganham outras cores.

pois bem, estas cores estão num dos decretos de josé serra que privilegiam recursos para a chamada "pesquisa operacional", de aplicação no mercado. ora, onde ficarão, nesse caldo, as investigações sociológicas, antropológicas, históricas, filosóficas, comunicacionais, enfim, as tantas pesquisas realizadas pela universidade que não possuem valor mercantil? a universidade deve interagir com a sociedade que a sustenta --e, aí sim, poderia fazer muito mais--, não com o mercado.

existe ainda a criação da secretaria de ensino superior, que simplesmente separou usp, unesp e unicamp de instituições parceiras, como a fapesp e o centro paula souza --alocados na secretaria de desenvolvimento. como essa disposição administrativa vai facilitar as coisas para o ensino superior, tão carente, por exemplo, das agências de fomento e do ensino tecnológico? o governo não explica, a mídia não pergunta.

enfim, sou estudante da usp, não-ocupante, mas completamente favorável à ocupação da reitoria. essas são só algumas questões que nosso jornalismo não abarca. quem se informa apenas pelos jornais não tem mesmo como ver o problema de outros ângulos. assim, o real sentido da ocupação fica distorcido. uma pena...

quinta-feira, 24 de maio de 2007 17:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

autonomia boa é a minha, autonomia ruim é dos outros.
João Paulo Sartre.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 20:26:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Quando você escreve: “Então, é reacionário tentar impedir que o governador José Serra, eleito tão democraticamente quanto Lula, tenha algum controle sobre as despesas nas universidades públicas paulistas. Acho isso razoável.”, eu discordo da sua razoabilidade porque discordo que o poder executivo, seja ele de esquerda, centro ou direita, possa arbitrar sobre assuntos que lhe são totalmente estranhos. Neste caso, os assuntos da Universidade. Não me considero reacionário por discordar da sua razoabilidade. Num sentido muito exato sou sim conservador no que penso sobre autonomia universitária.

Quando você escreve “A não ser que você seja dos que só aceitam o resultado de uma eleição quando o seu candidato ganha”, eu lhe digo que apesar de não concordar com a sua razoabilidade eu sou um sujeito que aceita os resultados de eleições mesmo quando o meu candidato perde. Ao contrário de muitos, eu não troco de lado em nome de grandes causas ou por realismo político porque meu candidato perdedor não é situação. Se necessário, sigo sozinho e sem candidato na oposição.

As respostas às três perguntas:

Pergunta 1

O judiciário é um dos poderes da República. Portanto, fazer o controle externo do Judiciário não é uma coisa simples. Confesso que me falta conhecimento profundo sobre o assunto para que eu emita agora uma opinião relevante. Sou radicalmente contrário ao “foro privilegiado” porque na República todos são iguais perante a lei, o que é o mesmo que dizer que numa República não pode existir a figura do cidadão com foro privilegiado. Isso é uma excrescência medieval

Pergunta 2

Sou a favor da autonomia do Banco Central.

Pergunta 3

Sou radicalmente favorável à autonomia universitária porque foi através dela que as universidades paulistas atingiram o grau de excelência que hoje as diferenciam das demais universidades do país.

Sou favorável à publicidade ampla geral e irrestrita sobre os gastos e investimentos realizados pelas universidades paulistas.

Sou contrário que o executivo paulista interfira na destinação ou realocação orçamentária dos dinheiros repassados por lei às universidades. Quem pode e deve decidir sobre como, onde e quando utilizar os dinheiros públicos é a própria universidade através dos seus organismos e legislação competentes.

Sou radicalmente contrário que funcionários e estudantes tenham qualquer poder de decisão sobre questões relativas à destinação ou realocação orçamentária dos recursos da universidade. No topo da necessária hierarquia universitária sempre estarão aqueles que têm a responsabilidade de fazer a universidade ser o que ela é: lugar de ensino e pesquisa. Aos restantes, funcionários e alunos, resta fazer o que devem fazer para justificar ali as suas presenças: a uns servir à administração e manutenção física universidade e a outros estudar.

Sobre as Federais, não me parece que nelas exista autonomia tal qual observamos nas estaduais paulistas. Lembro a vergonhosa e humilhante foto dos reitores agachados como em pose de time de futebol e com um manifesto de apoio à reeleição do Lula. Não fica bem na foto o professor pesquisador curvar a espinha ao mandão do momento.

Abs.

quinta-feira, 24 de maio de 2007 23:14:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Quando o Serra aceita que o Choque enfrente o tumulto de alguns manifestantes na ALSP sem equipamento de proteção, ele está querendo vítimas para legitimar às que ele vai produzir na USP. Nisso ele é igual aos "porra-locas" que acham que podem desobedecer decisão judicial. Ambas as lideranças querem fabricar cadáveres como se tudo não passasse de um delicioso embate por um Centro Acadêmico.

sexta-feira, 25 de maio de 2007 04:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Trovinho, vc. está errado. A troa de choque sempre está equipada devidamente. A primeira contenção da turba foi feita pelo batalhão de policiamento convencional, que protege a região da assembléia. O choque chegou depois, com escudos, capacetes e spray de pimenta. Basta ver o noticiário das tevês. Sem o apio dos fatos, sua tese cai por terra, pelo menos pelo lado do governo de SP.

sexta-feira, 25 de maio de 2007 11:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Carlos, a Fapesp não precisa estar na mesma secretaria que as universidades. A entidade de financimento de pesquisas também financia pesquisas de faculdades privadas. Esse aparente conluio entre escola pública e entidade de financiamento precisa acabar. Transparência sempre faz bem.

sexta-feira, 25 de maio de 2007 11:23:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

SIMPLES
O BC tem falhado muito no alcance dos seus objetivos, haja visto as constantes crises econômicas
A USP e as universidades públicas são responsáveis por quase 100% das pesquisas,vide a pauta de exportações e os pontos de excelência de pesquisa e de tecnologia(EMBRAPA,INCOR,EMBRAER,PETROBRAS,BIOTECNOLOGIA)

sexta-feira, 25 de maio de 2007 12:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Infelizmente as questões propostas não passam só pela necessidade de ter o País um Norte definido. Passam antes pela questão política, que guia-se pela rosa dos ventos. Luta-se, ou tenta-se criar fatos políticos negativos para o atual governador. Caso fosse outro o matiz político do governador, criar-se-iam também fatos políticos para provocar avanços e decisões em determinada direção. Portanto, a questão não é de autonomia ou não, mas de quem será o poder de controle da autonomia.

sexta-feira, 25 de maio de 2007 15:52:00 BRT  
Blogger José disse...

A USP é a melhor universidade do Brasil. A única brasileira que aparece no ranking das melhores universidades do mundo. As universidades de São Paulo estão entre as melhores públicas do país. Ela conquistou essa excelência sem controle político sobre sua gestão. Sem que ninguém deva dizer como devem ser gastos seus recursos.
Tais gastos precisam de controle? Poxa, o TCU não basta não?
Então um burocrata deve dizer como se deve dirigir um estabelecimento de ensino? Afinal ele sabe melhor que ninguém o que é bom ou não pra educação e pesquisa.
Tá bom cara. Vou fingir que acredito que você vive no mundo de Moranguinho.

domingo, 3 de junho de 2007 09:57:00 BRT  

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