domingo, 22 de abril de 2007

Proibir tudo, já. Com a palavra, o Senado (22/04)

O governo federal, o Senado e a Câmara dos Deputados estão diante de uma oportunidade histórica. Uma daquelas que só aparece bem de vez em quando. A Operação Hurricane (Furacão), conduzida pela Polícia Federal, criou as condições políticas para a definitiva e total proibição dos jogos de azar no Brasil. Precisamos de um texto legal definitivo e sem brechas. É razoável que se mantenham as loterias, desde que sob a responsabilidade da Caixa Econômica Federal. O resto deve ser proibido. Num país em que a Justiça exibe as fraquezas da nossa, o remédio para extirpar o câncer é vedar tudo na lei. Se necessário, incluir a proibição na própria Constituição. Aliás, de todas as instituições da República, quem mais teria a sua imagem beneficiada por uma atitude radical seria o Senado. Foi no Senado que caiu em maio de 2004 a medida provisória que proibia os bingos. Uma página triste na História da nossa Câmara Alta. O PDSB e o então PFL (hoje DEM) uniram-se a dissidentes da base do governo para impor uma estranha derrota ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quem acabou derrotado, entretanto, foi o Brasil. Mais recentemente segundo a repórter Marta Salomon,

Contra parecer da Caixa Econômica Federal -que argumenta que loterias estaduais dariam cobertura à exploração do bingo e de caça-níqueis-, o Senado aprovou em menos de cinco meses projeto de lei que autoriza Estados a explorar loterias.

Clique aqui para ler a reportagem da Marta, publicada hoje na Folha de S.Paulo
. Sinceramente, acho que já passou da hora de o Senado desvincular sua imagem de toda essa podridão. Quando quer, o Senado faz o que tem que ser feito. Como na conclusão da CPI dos Bingos, quando se recusou a incluir no relatório final a legalização definitiva do jogo.

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7 Comentários:

Blogger Cesar Cardoso disse...

O problema é que, em vez de discutirmos as relações entre marginalidade, jogo, advogados e Justiça, a OAB (sempre a OAB!) desvia a discussão para tecnicalidades, e a imprensa vai junto.

domingo, 22 de abril de 2007 12:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caros,

1. Por que não adotar o caminho mais radical e proibir também as loterias federais e estaduais? E o jogo do bicho, lógico, que até agora só foram bingos.
2. A propósito de proibir, talvez o álcool seja mais nocivo que o jogo. Por que não proibi-lo também?
3. Ah, sim. O cigarro. Esse é um artigo que deveria ser proibido imediatamente.
4. Tem também a maconha. Por que não proibir a maconha? (Aos que acham que a maconha já é proibida, talvez seja benéfico um colírio.)
5. Ah, sim. Tem o aborto. O aborto não deveria ser proibido também? Afinal é contra as leis de Deus e da Natureza ao mesmo tempo. E o mundo precisa de crianças para passar um pouquinho de fome. Doutra forma, como poderíamos exercitar a caridade, sem ser dando esmolas nos semáforos?

6. Tem umas pessoas que acham que proibir não dá certo. Pensam em taxações, controles campanhas educacionais, inserção da atividade na economia formal... Mas qual. Isso não dá certo, não adianta nem tentar. Bom é Lei Seca, mulheres infectadas com hepatite C de abortos clandestinos, jovens achacados pela polícia por conta de um cigarrinho. E muita mulher Boa na televisão, vendendo cerveja na Zeca-feira.

Sem querer cansá-los com toda essa
proibicionice, despeço-me, esperando que este meu e-mail seja liberado, como contribuição (um tanto confusa, é verdade) ao debate (enquanto não for proibido),

Sandor

PS. Tecnicalidades como o devido processo legal, ampla defesa, direito adquirido e contraditório fazem parte da Constituição Cidadã de 1988. Podem até ser de difícil compreensão, como a questão da maioridade penal, mas são importantes.

domingo, 22 de abril de 2007 16:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,


Proibir é mais caro para a sociedade e beneficia o risco da contravenção garantindo seu mercado e seus lucros.
Todos os países que tomamos por exemplo tem leis e regulamentos para jogo.
Os cassinos americanos nascidos da máfia, hoje são grandes corporações com ações em bolsa e total transparência.
Essa nossa relação histérica com o jogo não ajuda em nada o pais, que se perde em discussões secundárias.
Jogo é uma escolha individual, todos jogamos, mais ou menos, mas todos jogamos.

segunda-feira, 23 de abril de 2007 00:11:00 BRT  
Anonymous trovinho disse...

Um judeu questionou um rabino sobre o direito que alguém tem de proibir; o rabino, como bom judeu, respondeu com outra pergunta: é justo você questionar alguém que esteja arrancando uma prancha do fundo do barco? Precisamos de democracia para que não só os mesmos façam as perguntas...

segunda-feira, 23 de abril de 2007 03:30:00 BRT  
Blogger Richard disse...

Concordo com Tovinho... pelbiscito JÁ para determinarmos se o jogo deve ou não ser liberado. E que as pessoas, de ambos os lados, nos expliquem claramente, os benefícios e como levarão à termo suas propostas.
Não acham este um assunto imprtante demais para ser tratado pelas "mesmas pessoas"?!!?!?

terça-feira, 24 de abril de 2007 10:53:00 BRT  
Anonymous Jura disse...

Fiquei ausente do blog contra a minha vontade por causa de uma falta de conexão exclusiva cuja causa não sei explicar. Já estava ficando com saudade.

Precisava dizer que uma Operação Furacão vale por mil adolescentes apodrecendo nas masmorras.

Estava com isso entalado na garganta.

quarta-feira, 25 de abril de 2007 11:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Proibir tudo,lógicamente tudo que
não traga grandes numerários para
o governo. Aonde os reizinhos vão
buscar ainda mais dinheiro para
suas desbragadas gastanças?

segunda-feira, 30 de abril de 2007 16:02:00 BRT  

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